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Papo de Ambiente – JBlog – Jornal do Brasil

Excesso de lixo exige mudança no consumo

A audiência pública realizada na terça-feira, dia 7, na Assembleia Legislativa do Rio sobre o fechamento dos lixões deixou claro que a sociedade brasileira precisa urgentemente rever seus padrões de consumo. Enquanto o volume de lixo for crescente não haverá solução. O pior é que não há sinais em contrário. Todo esforço é direcionado ao incentivo do consumo indiscriminado, desde os governos ao setor privado. O estímulo ao consumo consciente não existe. As construções e desconstruções faraônicas – como as obras do Maracanã – são exemplos do descompromisso. Sejam resíduos sólidos ou orgânicos, demandam destinação que mesmo os aterros sanitários, sucessores dos irregulares lixões, não oferecem. Eles têm vida útil limitada. Devem funcionar cerca de 20/25 anos. E depois?

Se o fim dos lixões contribui para a redução dos danos ambientais, incluindo os provocados à saúde pela contaminação de lençóis freáticos, dos cursos d’água e do solo, por exemplo; não há garantias da eficiência absoluta dos aterros, o que contribui para a rejeição de suas instalações pelos municípios. Ninguém quer sua presença.

Além disso, há a questão do chorume resultante da decomposição do lixo orgânico, mais um problema de difícil solução. Só o lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, fechado no ano passado, continua a produzir cerca de 2mil m3 (dois milhões de litros) de chorume por dia e, mesmo sem atividade, continuará produzindo por mais 15 anos. O recém- inaugurado aterro de Seropédica, produz 1mil m3, mas não tem como tratá-lo e o remete para a estação de tratamento de esgoto (ETE) de Icaraí.  O tratamento, segundo os especialistas, chega a R$40,00 o metro, a conta não tem fechado.

Esse chorume de Seropédica evidencia a precariedade do sistema de coleta e tratamento do lixo. Hoje, como os de outros pequenos aterros, não é tratado. O lixo levado do Rio para Seropédica, numa viagem de 80 quilômetros, tem o chorume trazido de volta – mais 80 quilômetros – para ser tratado.

Grave também é a situação dos quatro aterros sanitários da região de Niterói, que enviam o chorume para a estação de Icaraí.  O material é tratado, mas seu destino final é a maltratada Baía de Guanabara. Qual o efeito que, mesmo diluído, ele tem sobre o ecossistema?

A promessa do governo do estado, representado pelo subsecretario Luiz Firmino na audiência, é alcançar a meta de extinção dos lixões até 2014. Ele apresentou números diversos e diferentes soluções. Há municípios que criaram seus próprios aterros em sistemas de consórcios, outros onde o governo do Estado construiu a unidade e serão objetos de licitações para funcionamento e outros que deverão ser licitados para construção e operação. Mas a previsão é de que a administração desses aterros será tão complicada quanto foram os fechamentos.

Outro aspecto levantado na audiência comandada pela deputada Aspásia Camargo, é o social. O fim dos lixões tem deixado sem fonte de renda milhares de pessoas. As alternativas oferecidas pelas cooperativas não são suficientes, pois as organizações demandam uma quantidade de trabalhadores menor. José Henrique Penido, da Comlurb, empresa de limpeza urbana da cidade do Rio de Janeiro, diz que em Gramacho  havia quase 1,7mil catadores. Os seis centros de triagem que estão em construção no Rio vão gerar cerca de 400 empregos. Problema que demanda solução urgente e que merece agilidade dos governos.

Já que o consumo é alto, devíamos esperar que fosse elevado também o índice de aproveitamento dos seus resíduos. Mas não é o que acontece.

A própria Comlurb  desconhece os esforços, ainda tímidos, é verdade, que parte da população já faz na separação do lixo seco e úmido. É triste ver como aquilo que foi separado em casa é jogado e misturado numa mesma caçamba do caminhão recolhedor ainda na própria porta e se perde sem um destino mais nobre. É hora dos governos  incentivarem a destinação correta do lixo. Isso vale para suas próprias representações.

Um questionamento feito pela representante da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Coppe-UFRJ  ficou no ar: “Será que essa casa manda seus materiais recicláveis para as cooperativas?” Acho muito difícil.

 

 

Postado por ivanaccioly

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