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O dia em que Catherine M. descobriu o ciúme

O relacionamento aberto pode reservar algumas surpresas. Depois de viver durante anos até então sem traumas num pacto de liberdade sexual com seu marido, a escritora Catherine Millet se tornou vítima do ciúme - sentimento natural, mas improvável para quem atravessou toda vida conjugal entre amantes e orgias concedidas. A experiência está relatada em A outra vida de Catherine M., seu último livro, que serve ao mesmo tempo de continuação e contraponto ao seu polêmico A vida sexual de Catherine Millet, no qual expõe publicamente sua agitada vida íntima. Hoje à tarde, na mesa As sem-razões do amor, com a participação da psicanalista Maria Rita Kehl, Catherine falou das suas motivações literárias e das consequências do inesperado e inexplicável sentimento.

- Durante três anos, tornei-me uma espectadora obsessiva da vida sexual de meu marido. É como se houvesse uma janela sobre sua vida, onde passasse luz, mas pela qual não pudesse entrar. O livro fala sobre ciúmes, mas também sobre o sofrimento que me fez descobrir uma outra Catherine em mim. Essa descoberta me fez sofrer não só por causa do ciúme, mas por ter me percebido como uma pessoa ciumenta.

Em alguns momentos, a mesa pareceu uma sessão pública de psicanálise, a autora afirmou que, para ela, só existe ciúme verdadeiro na esfera do sexo.

- Dizem que o ciúme acontece porque o amor está em jogo. Mas na minha relação, não tinha dúvidas de que meu marido me amava. Nunca imaginei que ele pudesse ter sentimentos pelas mulheres com as quais me traía. Com as mais jovens, sentia que ele tinha, no máximo, um sentimento paternal e isso, de fato, me causo certo ciúme. Mas aí está outro paradoxo, já que nunca aceitaria ser tratada de forma paternal.

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O contador da História

Marsílea Gombata
De Paraty

Em atípica palestra, o historiador Simon Schama mesclou humor e dinamismo ao falar sobre transformações na América, a importância de Barack Obama na Presidência dos Estados Unidos e os rumos do livro e jornal impressos.

Na exposição irreverente, o professor britânico, que se autodefine um contador de histórias, contou sobre o processo criativo do estilo em que passa a História como crônica e pensa atores como personagens comuns.

Em papo com a antropóloga Lilia Moritz, cujas perguntas eram antecedidas por observações longas demais, elogiou Obama enquanto "cidadão do mundo" e comentou seu livro mais recente O futuro da América, onde revê a trajetória dos Estados Unidos a partir de ponto como guerra, religião, imigração e fartura.

Ao fim da mesa, o autor alertou ainda para a necessidade de um novo significado para a "página impressa".

- Se realmente queremos preservar a História para nossos filhos e netos, temos de respeitar a possibilidade de comunicar e contar essa história em diferentes mídias. A página impressa não vai durar se não soubermos administrar o vídeo, a internet.

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E, por fim: 'por que parar, Lobo?'

A pergunta era inevitável, e fechou com chave de ouro a apresentação de António Lobo Antunes nesta 7ª Flip. Por que, diante de tanta paixão pelos livros, o escritor português decidira parar de escrever, como anunciou no início deste ano?

- Há que se ter às vezes caprichos de cocota - respondeu, sem titubear. - E eu também gosto de agitar o bumbum para mostrar as plumas.

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Do Lobo 3

- Se você quer ser um escritor, deve ver o Garrincha jogar bola por 10 minutos. Todo escritor deve ter dentro de si um Garrincha e um Didi.

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Do Lobo 2

António Lobo Antunes manteve uma forte amizade por Jorge Amado. O autor brasileiro adorava encher o português de carinhos, e justificava: "Gosto de lamber meus filhotes".

Agora, o autor brasileiro talvez mais próximo de Lobo Antunes é João Ubaldo Ribeiro.

- Eu o achava um preguiçoso. Estava lá ele, fazendo feijoada às duas da manhã, de chinelo. Uma vez, perguntaram a ele porque demorava tanto tempo para escrever. Ele respondeu: 'eu escrevo, mas é que assino com o pseudônimo de António Lobo Antunes' - contou, imitando a voz rouca do colega.

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Do Lobo

Apesar de ter um pai amante de poesia, António Lobo Antunes garante que ele "queria ter, em vez de filhos, lutadores de karatê".

- Estimulava a briga. E não adiantava dizer-lhe que o opositor era mais forte, ele retrucava logo: 'mordia-lhe os ovos!'

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António Lobo Antunes, o showman da Flip 2009

Foto: Daniel Ramalho

António Lobo Antunes não só deixou a rabugice em casa, como fez uma apresentação antológica - algo muito parecido a um stand-up comedy - na 7ª Flip.

Instigado por uma inspirada interlocução de Humberto Werneck, o autor português contou histórias de família, lançou algumas de suas máximas sobre literatura e falou de sua relação com o Brasil. Mas, sobretudo, fez piadas. E a plateia foi ao delírio.

- Se vocês ficarem aplaudindo assim sempre, não vamos sair daqui hoje - disse, em tom de troça.

Werneck também se revelou um bom piadista:

- Lobo Antunes é tão grande escritor que há quem diga que a academia sueca cometeu um erro de português [referência ao Prêmio Nobel atribuído a José Saramago, declarado desafeto de Lobo].

Sem vir ao país desde 1983, o autor reforçou na mesa a sua proximidade com o Brasil - o que também acabou servindo como desculpa para o longo tempo de ausência:

- Para mim o Brasil não é um país: é um cheiro, um gosto, são cores, os doces de minha avó [parte da família do escritor é brasileira]. É o lugar onde o meu avô está por toda parte.

Mas, além da familiar, a relação de Lobo Antunes com o país é literária: ele se disse um assíduo leitor de poesia brasileira. Contou que foi seu pai, com o hábito de ler poemas brasileiros para ele, à cama, quem o levou ao universo dos livros. Por isso, foi pelos versos que o escritor começou a fazer literatura, ainda adolescente - processo interrompido por seu avô, que logo pôs em xeque a masculinidade de um neto possivelmente poeta.

- Para o meu vô, era tudo suspeito. Se ele me visse aqui, com isso na frente [aponta para o microfone], ia ficar horrorizado.

Enchendo de elogios a obra de Paulo Mendes Campos, Lobo Antunes afirmou que João Cabral de Melo Neto é o maior poeta da língua portuguesa do século passado. E aconselhou:

- Quem quer começar a escrever deve ler muita poesia. A gente aprende muito com ela. Lá, cada palavra tem uma força - disse. Quando Werneck perguntou o porquê de sua resistência diante da leitura de prosa, ele respondeu: - Porque na prosa eu tenho vontade de corrigir tudo.

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">Plateia lotada ovaciona Gay Talese Daniel Ramalho

Marsílea Gombata
De Paraty

Diante da Tenda dos Autores lotada - na plateia com capacidade para 850 pessoas acomodadas em cadeiras, não faltou gente disputando o chão - Gay Talese, emocionou participantes da 7ª Flip na tarde de sábado, ao repassar sua história de vida, paixões e fracassos.

O pai do new journalism - que mescla estilo literário com técnicas jornalísticas - reconheceu erros, êxitos e aproveitou para uma mea culpa, ao lembrar o quanto expôs sua mulher, Nan Talese, em seu livro de 2002 A mulher do próximo.

Em papo com o jornalista Mario Sergio Conti, autor de Notícias do Planalto, o autor lembrou de episódios presentes em seu último Vida de Escritor e aproveitou para falar do projeto em andamento, sobre seus 50 anos de casado.

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Bola de fogo?

Há más línguas em Paraty comentando a aparência junkie - que tem lá seu charme - do escritor Grégoire Bouillier. Há quem afirme que o francês ficou entusiasmado com as cachaças paratyenses. Há quem tenha reparado: ele virou uma garrafa d'água de uma só vez durante a mesa de hoje, onde encarou a ex-namorada Sophie Calle. E há ainda quem diga que, para aturar a moça, com sua obsessão pela exposição performática da vida privada, só mesmo com muita cachaça. Mas é tudo maldade.

Foto: Daniel Ramalho

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Uma dica do Salter

James Salter, um dos mais aclamados contistas americanos da atualidade, dá a dica aos novatos:

- Escrever a primeira frase de uma história é muito, muito difícil. Às vezes você tem a sorte de vê-la cair em seu colo, mas nem sempre é assim. Então não desanime: continue que, lá pela décima página, ela costuma aparecer.

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Homens, mulheres e amores

Quando as mulheres escrevem bons livros, chegam a um lugar diferente do mundo, uma área de difícil acesso aos escritores do sexo masculino. Tateando cuidadosamente em busca das palavras para explicar este raciocínio, o contista americano James Salter introduziu na mesa "Segredos de família" o espinhoso tema da diferença de gêneros no momento da criação.

- Em um bom livro escrito por uma mulher, há um tipo de plenitude diferente - justificou, em tom de elogio.

Enquanto isso, sua colega de mesa, a irlandesa Anne Enright, costurou um jeito elegante de ter aquilo que no Brasil costumamos chamar um "jeito mulherzinha".

- Não escrevo me concentrando no aspecto social de ser uma mulher, em detalhes como ir à manicure, por exemplo. Mas me interesso sim, e muito, pela experiência de ter filhos [ela inclusive já escreveu um livro sobre o tema, ainda não publicado no Brasil].

Aproveitou para fazer piada:

- Não é possível ser mulher 100% do tempo. Às vezes é preciso ser humana.

Mediada pela fundadora da Flip, Liz Calder, a mesa teve o mérito de lançar luz sobre as interessantes obras de ambos os autores que, apesar de já lançadas há alguns anos no Brasil, não têm ainda muita visibilidade por aqui. Os dois, aliás, na contramão dos outros escritores do festival, sequer estão publicando livros novos nesta Flip.

Salter, que lançou seu primeiro livro tarde, já aos 31 anos, foi piloto de caça e chegou a ir à guerra. Mas abandonou a Aeronáutica para se dedicar integralmente à literatura. Já Anne começou a pensar no assunto quando ganhou uma máquina de escrever de sua família, em seu aniversário de 21 anos. Mas trabalhou como produtora de TV por seis anos antes de se tornar escritora.

- Eu não fui à guerra, mas a adrenalina do trabalho na TV é igual ao de quem pilota um caça. A diferença entre a guerra e a TV, é que a TV não importa - brincou.

A família como elemento da literatura, tema principal do debate, teve a sua presença justificada:

- A família é uma coisa universal, dada. É como o ar: ambos são necessários. Não tem como fugir - disse Anne. - Eu tenho muito interesse pela diferença entre o amor biológico e o amor escolhido. Creio que amamos as pessoas com quem dividimos os tecidos, o sangue. Por isso acho tão interessante a ideia de um filho, que é quando o amor escolhido vira amor biológico, ou melhor: quando as duas coisas se fundem.

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Pitanguy e a beleza francesa na Casa Brasil

Ana Paula Amorim

Recém chegado de Paris, Ivo Pitanguy veio prestigiar a FLIP e a Casa Jornal do Brasil, onde deu nesta tarde a palestra "A Visão Francesa de Beleza e Felicidade". O cirurgião plástico, membro da Academia Brasileira de Letras desde 1990, falou sobre a contribuição da França para os princípios fundamentais da beleza.

- É uma contribuição cujos conceitos são muito amplos - explicou Pitanguy. - Incorpora não apenas a dimensão plástica ou literária, mas também o sentido político e a dimensão social.

Com a presença do cônsul da França na plateia, Pitanguy fez um levantamento profundo da noção francesa de beleza nas artes, desde a Cantilena de Santa Eulália (o mais antigo poema da língua francesa arcaica, escrito no século 9) até os artistas contemporâneos.

- Desde os primórdios, a beleza e a bondade sempre foram associados nessa perspectiva da liberdade - lembrou. - Considera-se a beleza a afirmação do encontro entre a alma e a natureza. A afirmação da supremacia do bem, aproximando-se do ideal de que o belo é quase superior ao bem, proque contém o bem em si mesmo. O que é um sentido muito francês, mas também goethiniano.

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O ritual da gastronomia francesa

A tarde de sábado foi presenteada com uma palestra convidativa para quem passava pela Casa do Jornal do Brasil. Em A Visão Francesa de Culinária e Nutrição, o diretor institucional do JB Reinaldo Paes Barreto e a nutricionista Bia Rique falaram sobre o histórico da gastronomia que é referância mundial. Além disso, ressaltaram a importância da relação dos franceses com a comida- desde a escolha dos ingredientes e o preparo até a escolha da companhia para comer - como ingrediente fundamental para uma vida saudável.

- Não nos alimentamos apenas de alimentos, mas também de ideias, experiências, atitudes - observa Bia. - O ato de comer não representa só o que se está comendo.

O sentir, lembrou Barreto, é tão importante para a nutrição, que o sentido da palavra "degustação" tem sido ampliado:

- Até equipes de marketing também passaram a usar a palavra degustar para outras coisas, como oferecer conteúdos e sites por uma período determinado - conclui.




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Alex Ross, o fã de música brasileira

Não deve ser fácil ter menos de 18 e ser fã apenas de música clássica dos séculos 18 e 19. Pois é. Alex Ross era assim, antes de entrar para a faculdade. Em palestra bem humorada na Flip neste sábado às 10h, apresentada pelo jornalista Arthur Dapieve e contando com nomes como Gay Talese na audiência, o escritor e jornalista americano, que tematizou a música clássica do século 20 em seu livro O resto é ruído, leu trechos da obra, tocou num laptop trechos de A sagração da primavera, controversa e modernista peça musical de Stravinski e tentou por luz, de forma romanceada, num assunto que muitos consideram árduo: a música clássica do século 20, que gerou compositores como Stravisnki, Strauss e Stockhausen. Além de nomes mais ligados à cultura pop, como Phillip Glass.

- Por só ouvir esse tipo de música no colégio, vocês podem imaginar o quanto eu era popular na escola – brinca Ross, que depois passou a interessar-se por música clássica moderna, rock e jazz, e teve a coragem de inserir o jazzista Duke Ellington entre os grandes nomes clássicos em seu livro. – Temos que levar em conta que, no começo do século passado, havia muito racismo. Os compositores afro-americanos acabavam indo para o universo do jazz, que tem um brilho e uma técnica próprios. Da mesma forma, há poucas maestros mulheres, ou compositoras mulheres. Uma das mais brilhantes foi a Constance Seeger, que é mãe do (compositor folk americano) Pete Seeger. Mas ela parou, até porque seu marido achava que ela deveria só tocar.

O brilho controverso de peças como a de Stravinski, que provocou vaias e estimulou a agressividade da plateia quando foi executada pela primeira vez em Paris em 29 de maio de 1913, foi lembrado por Ross. As notas repetidas e a coreografia ritualística de Vaslav Nijinski aborreceram a plateia.

- Me pergunto se a música, hoje em dia, é capaz de provocar tal furor. – questiona, para em seguida, diagnosticar - Acho que as plateias, de modo geral, têm menos certeza de si do que naquela época, têm mais medo de estar do lado errado. Se vocês (dirigindo-se ao público) pudessem fazer mais barulho, seria melhor. Nunca vi, na vida, uma reação como a que aconteceu na plateia de Stravinski e sinto falta disso.

Nascido em 1968, Ross foi crítico do New York Times e hoje trabalha na revista New Yorker. Mas chegou a tocar piano, compor e até tocar oboé. Além de discorrer sobre as vidas de compositores que considera grandes figuras humanas, como Strauss, Richard Wagner e Karlheinz Stockhausen (“são pessoas com dubiedades morais, como os grandes personagens de ficção”), Ross foi perguntado por Dapieve pela pouca presença de Heitor Villa-Lobos em seu livro. O escritor desculpou-se por isso, mas afirmou que seu grande interesse era focar-se nos compositores europeus.

- Imagino que alguns leitores brasileiros devam ter se sentido ofendidos. Inseri um pouco sobre Villa-Lobos e até sobre compositores como Marlos Nobre no meu trabalho. Mas o cenário é diferente no Brasil. A música popular está em constante contato com a música clássica. Há muita sofisticação em Pixinguinha, em Ernesto Nazareth e até mesmo na bossa nova – afirmou Rosa, dizendo-se “fã e interessadíssimo” na obra de Caetano Veloso e Chico Buarque.

Apesar da pouca atenção que a música clássica recebe nos dias atuais, Ross afirma que este é o momento para se conhecer os grandes compositores eruditos.

- Temos tudo na Internet. Quando eu era garoto, para comprar discos clássicos, precisava ir a uma sala separada na loja para escutá-los e sempre ficava em dúvida sobre qual era a melhor interpretação. Hoje na web você ouve trechos dos discos e ainda lê críticas – explica Ross, que ainda espera que apareçam mais novos compositores – Há um senso comum de que, para se fazer uma ópera, deve-se remeter a um romance de 200 anos atrás, a uma atmosfera antiga. Não é assim.

Alex Ross/ Foto: Ana Paula Amorim

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Final feliz para Sophie Calle e Grégoire Bouillier

Hoje de manhã, um pouco antes de subirem ao palco para participar da mesa "Entre quatro paredes", uma das mais aguardadas da FLIP, Sophie Calle e Grégoire Bouillier ficaram por um momento frente a frente numa apertada ante-sala. Estavam prestes a falar juntos em público pela primeira vez, desde que a artista plástica transformou numa polêmica exposição o e-mail que lhe foi enviado pelo ex-namorado e escritor. No silêncio um pouco constrangido que se seguiu, ele então fez a proposta:

- Se você pedir desculpas, eu lhe peço em casamento...

A história foi revelada pela própria Sophie, quando a plateia, que compareceu em massa lotando a Tenda dos Autores, já começava aplaudir o final da conferência. Mas quem compareceu à mesa esperando barraco e troca de xingamentos certamente se decepcionou. Apesar da artista plástica ter se recusado pedir desculpas a Bouillier, tudo terminou bem (o que não é exatamente uma surpresa, já que em entrevistas anteriores ambos sempre frisaram que continuavam amigos e ainda se entendiam muito bem apesar dos contratempos). Terminar, aliás, parece ser a palavar certa para definir o encontro, que tanto para Sophie quanto para Bouillier serviu para fechar um ciclo. Tanto que nenhum dos dois pretende transformá-lo em material artístico.

- Quando fiz a exposição a partir do e-mail estava comprometida com aquela obra, que exigiu muito de mim - disse Sophie. - Mas não vejo mais necessidade de dar respostas, de fazer um ping-pong com ele (Bouillier). Agora acho que a história fechou.

Depois de explicar que o e-mail não deveria ser julgado como a obra de um escritor, e sim de um recado escrito pelo indivíduo, Bouillier se justificou dizendo que toda pessoa tem o direito de deixar de amar alguém e romper com a outra.

- Espero que agora haverá um pos-Paraty e que ficou claro que eu não era o safado que diziam - desabafou.

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