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Mulheres modernas sim, inclusive nas HQs

margarida reporter

Nos últimos 20 anos, as mulheres conquistaram mais espaço na sociedade, inclusive no mercado de trabalho. O reflexo desse avanço também se refletiu nos meios de comunicação, inclusive as histórias em quadrinhos. A argentina Maitena, por exemplo, é um ícone deste grito de liberdade, que vem do mesmo país que revelou a personagem Mafalda para o mundo. Aqui, a personagem Tina, que sempre foi coadjuvante nas revistas da Turma da Mônica, hoje possui uma revista só pra ela.

Mas talvez o maior símbolo da mulher moderna nas HQs é a Margarida, namorada do Pato Donald. E, acredite, graças a uma equipe brasileira de criativos. Na década de 80, a editora Abril abrigava em São Paulo um estúdio Disney e a maioria das histórias, principalmente as de capa, eram produzidas por quadrinistas brasileiros, retratando uma mulher independente, capaz de conquistar o mercado de trabalho, dirigir seu próprio carro e desempenhar qualquer função tradicionalmente exercida apenas pelos homens.

Quem explica melhor é a pesquisadora Agda Baeta, autora de um artigo sobre a charmosa pata no excelente livro Muito Além dos Quadrinhos (Ed. Devir):

--- A crise do sujeito típica da transição entre a sociedade moderna e pós-moderna foi o tema a história de estréia de seu primeiro gibi. No decorrer desses 11 anos de publicação ela evoluiu nas temáticas que rodeiam a mulher pós-moderna, mostrando que também se preocupava com as causas ambientais e o respeito ao cidadão.

margarida direito do consumidor

A autora assume que era fã da personagem na infância e que percebeu nitidamente a evolução nas HQs no período de 1986 a 1997, já que a reedição em 2004 não trouxe novas histórias.

---- O discurso das histórias da Margarida produzidas no Brasil é a prova de como as mudanças que impactam a sociedade, nosso modo de ver, sentir e nos relacionarmos é refletida nos meios de comunicação.

Sem dúvida que a repórter do jornal A Patada e outrora secretária do Tio Patinhas é uma feminista, ainda que suas histórias sejam infantis.

--- Em algumas histórias pode parecer exarcebada a questão do feminismo porque naquela época a mulher vivia um período em que tinha que provar mais e enfrentar os preconceitos de uma maneira mais incisiva. ---- explica Agda --- No entanto, os enredos também mostram uma mulher vaidosa e sentimental.

margarida incertezas

O desenhista e roteirista Primaggio Mantovi fez parte da tal equipe Disney, onde atuava como diretor de redação. Ele lembra que existiam poucas mulheres criando roteiros, então os homens recorriam às novidades do mundo feminino como revistas, programas de TV e, claro, esposas, amigas e namoradas. Graças a excelente qualidade das histórias produzidas no Brasil, seu grupo conquistou autonomia total perante os americanos.

--- Em dado momento conquistamos o “livre arbítrio” – brinca ele.

A revista durou exatas 257 edições, um recorde. Porém, não resistiu a crise no final da década de 90. No entanto, ele crê neste nicho de mercado.

--- Boa parte do público leitor de quadrinhos hoje é feminino, mesmo assim não conheço uma revista sequer que esteja realmente explorando este trunfo.

equipe disney da abril

A equipe Disney brasileira que conquistou respeito dos americanos


Hoje em dia as histórias da Margarida são criadas na Europa, em países como a Dinamarca, e publicadas aqui dentro das revistas do Pato Donald e do Tio Patinhas, com grande sucesso. Paulo Maffia, do núcleo de infantis da Editora Abril, lembra que a personagem até hoje possui destaque internacional.

---- Lá fora, a Margarida tem mais pegada que a Minnie. O Diário da Margarida faz grande sucesso na Itália, por exemplo.

HOMOSSEXUALISMO E ABORTO

Mesmo com tanta modernidade, temas como homossexualismo e aborto continuam sendo um tabu em suas histórias. Na opinião de Agda Baeta, antes de vermos o assunto retratado em um gibi destinado às crianças, a sociedade terá que passar por muita mudança cultural, pois as histórias em quadrinhos retratam os movimentos que estão ocorrendo na sociedade.

--- Quem sabe na quarta ou quinta onde teremos uma sociedade aberta o suficiente para termos esse tipo de assunto discutido na literatura infantil de maneira espontânea, sem pregar o politicamente correto?

Primmagio Mantovi concorda, mas frisa que nenhum personagem Disney é “apenas” para crianças.

--- A meta de Walt Disney era levar ao seu público nada mais que pura diversão. Ainda hoje, tudo que tem a sua marca mantém viva essa bem sucedida premissa.

De fato, as histórias da Disney, de uma maneira geral, são muito puritanas e não tratam assuntos tidos como tabus. Não retratam o sexo nem entre homem e mulher, quem diria entre mulheres. Mas isso começa a mudar, como bem lembra Agda:

--- As histórias brasileiras começam a retratar assuntos polêmicos. Um exemplo foi a aparição do primeiro personagem gay nas histórias de Mauricio de Sousa, na edição número 06 da revista da Tina. Mas para termos um personagem gay protagonista ainda estamos muito longe, a não ser que sejam HQs especificas.

caio amigo homossexual da Tina

E aproveita para elogiar a Turma da Mônica Jovem, cuja evolução dos personagens acompanha o crescimento dos leitores e os enredos podem abordar assuntos típicos de outra faixa etária.

--- Assim como a Tina tem ganhado histórias mais adultas, a Turma da Mônica Jovem abre um espaço para que assuntos como gravidez na adolescência, por exemplo, possam ser tratados.

margarida e suas muitas atividades


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Brincando de gato e rato. De novo.

tom e jerry grandes perseguicoes 2

A Warner lançou o segundo volume da série Grandes Perseguições de Tom & Jerry. Nestes 14 desenhos, brilha a trilha sonora, inclusive com jazz de boa qualidade, a direção da dupla Hannah-Barbera e o roteiro bem amarrado.

O curioso é que em alguns episódios há um desenho diferente dos personagens, principalmente do gato, que aparece mais peludo, forte e com orelhas menores, provavelmente produzidos numa outra fase, com outra equipe de arte.

Dentre os melhores episódios estão “O Gato Voador”, sobre a parceria entre o ratinho e um passarinho para fugir de Tom, “Dor de Cotovelo” – uma forte crítica ao capitalismo, onde o gato rico conquista a namorada de Tom - e “Talento Animal”.

Também vale a pena conferir “A Peste de Pecos”, sobre o tio músico de Jerry, que usa os bigodes do gato para tocar seu violão, e os dois desenhos passados na França da Idade Média: “Touché, Gatinho” e “Os Dois Mosqueteiros” (vencedor do Oscar), cujo final sugere que Tom foi decapitado na guilhotina (!) por não conseguir proteger a mesa de comes e bebes do rei.

Tanto o volume 2 quanto o volume 1 (resenhado aqui) já estão a venda.

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No Piauí, muito mais que um salão de humor

11 feira HQ do Piaui

A temporada de salões de humor está aberta. O Núcleo de Quadrinhos do Piauí está divulgando a 11ª Feira HQ, onde acontece exposição de desenhos, exibição de filmes e mesas de jogos, além de oficinas, palestras e venda de revistas piauienses.
Este ano o grande destaque é o 2º Seminário de Quadrinhos do Piauí, que levará jornalistas, estudiosos e pessoas ligadas ao mercado de HQ para dividir seu conhecimento.

Também chama a atenção a quantidade de categorias do concurso:
01) História em Quadrinhos; 02) Desenho para Quadrinhos; 03) Roteiro para Quadrinhos; 04) Ilustração; 05) Publicação Alternativa; 06) Ilustração Infantil; 07) Ilustração Juvenil; 08) Melhor Cosplay. A premiação que não é das maiores. A que “paga melhor” é História em Quadrinhos (R$ 500,00, Troféu e Publicação).

Por cinco vezes consecutivas, o projeto da Feira HQ foi aprovado pelo Programa BNB de Apoio à Cultura e, ano passado foi aprovada também no edital do Sistema de Incentivo Estadual de Cultura – SIEC, do Governo do Estado. Além disto, o trabalho do Núcleo já possibilitou a aprovação de dois projetos na Lei A. Tito Filho de apoio à cultura – as revistas Feira HQ e Humor Sangrento (primeiro gibi editado no Piauí, em 1977, que foi republicado) e o trabalho pioneiro de Arnaldo Albuquerque.

Para ler o regulamento completo clique AQUI

Para saber sobre outros salões que estão rolando, clique aqui

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Antes que tudo mais vá pro beleléu

Beleleu 1 ontem no Caderno B do JB

Tem publicação nova na parada. Ou melhor, nas livrarias. A primeira edição da Beleléu foi criada pelos cariocas Tiago Elcerdo, Daniel Lafayette e Eduardo Arruda, mais o brasiliense Stêvz. Nesta primeira edição foram convidados também Caio Gomes (da ótima revista Bongolê Bongoró), Danilo e os argentinos Berliac e Kioskerman, que pela primeira vez é publicado por aqui. Custeada pelo quarteto, ela tem como objetivo publicar o próprio trabalho dos artistas editores. Há também um blog com atualizções constantes.

Revista ou livro, não importa. A iniciativa é louvável em tempos de exaltação tecnológica e antes de tudo é fruto da amizade de pessoas que gostam de histórias em quadrinhos. Tiago Elcerdo e Eduardo Arruda são amigos de longa data. Quando o Stêvz se mudou de Brasília para o Rio, coincidentemente foi morar na rua de Eduardo, e sugeriu não só o projeto como também o nome Beleléu. Por sua vez, Daniel Lafayette já era amigo do Elcerdo. E assim a corrente estava formada.

Beleleu cabecalho com autores

DEBUTANTE NOS QUADRINHOS
A principal revelação nacional da revista é o ilustrador Eduardo Arruda (da tirinha abaixo), debutante no meio dos quadrinhos. Fã de pintores como Matisse, Edward Hopper, Andrew Wyeth e Grosz, teve aula com o pintor Lydio Bandeira de Mello e cursou a faculdade de publicidade imaginando que seria uma maneira de trabalhar com desenho. “Mas percebi que não era bem a minha praia”.

Talvez por isso sua arte-final seja a mais elaborada de todas. "Às vezes pinto no computador, às vezes à mão, e outras vezes misturo os dois. Geralmente, o desenho é feito no papel e depois escaneado. Vejo o computador apenas como mais uma ferramenta, como um outro tipo de lápis. Como uso tablet, quando uso o computador de certa forma também estou pintando à mão”.
tirinha de Eduardo Arruda na beleleu 1

Sem a preocupação de ser sempre engraçado, Eduardo diz que o importante é ter o máximo de liberdade possível. “Às vezes quero apenas contar uma história que me pareceu interessante, ou expor um pensamento, ou uma impressão. Gosto também de experimentar novas composições e técnicas. Acho importante também não ter medo de errar”. Em seguida, cita uma frase de Ralph Steadman (“Não existe esse negócio de erro. Um erro é uma oportunidade de fazer algo diferente") e completa: “Mas é claro que nem todo erro é aproveitável”.

UNANIMIDADE ENTRE OS BEBELÉUS
No caso da nova publicação, Arruda enfatiza a possibilidade de trabalhar com pessoas cujo trabalho já admirava. “O Lafayette tem uma facilidade para criar tiras como poucos. É incrível que ainda não tenha publicado um livro. O Elcerdo tem um belo traço, meio europeu, e é um grande contador de histórias. O Stêvz tem essas sacadas geniais, e além de ótimo desenhista é um tremendo escritor”.

Quem também se desdobra em elogios é Elcerdo. “Ainda não entendo como nenhuma editora propôs ao Lafayette publicar suas tiras. Ele tem muito material. Eu e Estevão brincamos que para qualquer situação da vida, existe uma tira do Lafayette relacionada. O Eduardo Arruda realmente tem um trabalho muito bom. É um grande artista”.
tira daniel lafayete Whiskas

Por sua vez, Lafayette (autor da tira acima) ganha a vida como taxista, mas já publicou suas tiras no Caderno B, nos bons tempos em que havia uma seção de quadrinhos. Seu traço é simples e sua arte simples. Mas ele justifica por que.
O importante é a idéia. Se você quiser, pode passar horas em frente ao computador pra fazer um degradé brega, ou pode usar esse tempo para pensar em novos trabalhos. Ou sair pra beber, o que também não deixa de ser uma escolha sensata”.

A Beleléu é vendida por R$ 20 em diversos pontos de venda no Rio e no resto do Brasil. Confira todos os locais no blog deles (veja no link acima).
Gostou? Deixe o seu comentário aí embaixo.
pequeno principe enforcado na beleleu 1

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Mais uma edição do salão de humor ecológico

cartaz ecocartoon 2010

Já estão abertas as inscrições para o ECOCARTOON, o 3° Salão Internacional Pátio Brasil de Humor sobre Meio Ambiente, que premia os melhores trabalhos em cartum, charge, caricatura e tiras de humor. Podem participar artistas gráficos em geral, amadores ou profissionais, de qualquer nacionalidade. O 1º lugar de cada categoria ganha R$ 4.000. Ainda haverá premiação escolhida por Júri Popular de R$ 750,00.

O tema desta primeira edição é Preservação do Solo.
A data limite para inscrições é 14 de abril. Veja AQUI o regulamento completo.
Para ver o cartaz do ano passado, publicado aqui no JBlog, clique aqui.

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Ele ousou colocar o Geraldão de fora

geraldao de glauco

Nos anos 70, todo mundo era meio bicho grilo. Mas Glauco Vilas Boas talvez fosse mais que isso. Natural de Jandaia do Sul, no Paraná, aos 19 anos mudou−se para Ribeirão Preto, onde pretendia estudar engenharia. Porém o destino havia traçado outra história pra ele.

Ainda na segunda metade dos anos 70, começou a publicar seus primeiros trabalhos no jornal Diário da Manhã, de Ponta Grossa (PR), que tinha uma sucursal em Ribeirão. Ironicamente, sexo seria um dos temas favoritos abordados nas suas tirinhas. Ainda no interior de São Paulo, Glauco foi premiado no tradicional Salão de Humor de Piracicaba, que lhe abriu as portas e as páginas da Folha de S. Paulo.

Ao se mudar para a capital paulista, foi recebido pelo também cartunista Angeli, que lhe acolheu e o ajudou a se introduzir no mercado. E que, segundo o criador dos personagens Bob Cuspe, Rê Bordosa e Wood & Stock, tinha um nariz maior que o seu.

PELADO, PELADÃO
O principal personagem de Glauco é Geraldão, a contracultura em pessoa. Criado para o livro independente Minorias do Glauco (1981), fumava cigarros diversos, portava copos com bebidas e tinha seringas espetadas no nariz. Isso sem falar que, no início, Geraldão segurava a cueca com uma das várias mãos − recurso utilizado com maestria com Glauco para dar a ideia de movimento − porém deixando o “cofrinho” de fora.

Estávamos então nos anos 80, o tão celebrado período democrático, e logo Geraldão passou a desfilar com sua genitália desnuda num jornal de grande circulação. Com o passar do tempo, surgiram personagens coadjuvantes, como sua mãe − que o solteiro doidão adora ver tomando banho − e suas duas bonecas infláveis: Sônia Braga e Sharon Stone 1.8. Tempos depois, Glauco lançaria as tiras do Geraldinho para o público infantil, contando as aventuras do Geraldão na infância.

geraldao de glauco e sua mae

COADJUVANTES
Outros personagens surgiram para dividir os holofotes, as drogas e a cama. Entre eles, o junkie Doy Jorge (inspirado nos cocainômanos da noite paulista), o profeta Zé do Apocalipse − para quem o Brasil é o país do futuro − e a tarada secretária Dona Marta, que assedia o chefe e os colegas de escritório. De certa forma, tudo isso encontrava sentido na religião. Ao começar a participar dos estudos e dos grupos do Santo Daime, o artista parecia transcender além do cotidiano, buscando inspiração no cosmo e no esoterismo.

Ainda na década de 80, o artista publicou as tiras do Casal Neuras, ícones do casal moderno onde o homem tenta ser liberal quando no fundo é hiper conservador. Baseados em seu primeiro casamento do Glauco, os personagens falam sobre machismo e a vergonha de manifestar ciúmes.

doy jorge de glauco

REVISTA PRÓPRIA
Quando a internet não havia se popularizado e as pessoas consumiam revistas aos borbotões em bancas de jornal, Geraldão teve uma revista em quadrinhos própria, lançada pela Circo Editorial. Publicada com capa colorida e miolo preto e branco com papel de baixa qualidade, teve boa repercussão e hoje é um artigo de colecionador.

Parte da fama de Glauco veio da revista Chiclete com Banana, editada por Toninho Mendes e estrelada por ele, Angeli e Laerte, entre outros. Com estes dois, Glauco criou a tira Los Três Amigos, com personagens inspirados neles próprios (Angel Villa, Laerton e Glauquito), em aventuras passadas no México. Quem não se lembra dos Miguelitos e do León de Chácara, cujo membro arrastava pelo chão de tão grande?

revista GERALDAO


Em maio do ano 2000, o cartunista criou seu primeiro quadrinho para a Internet, com o personagem Netão, que passa as noites na frente do computador movido a manivela. Mesmo com o advento da tecnologia, Glauco continuava desenhando a mão, usando o PC apenas para colorir seus desenhos. Seu filho Raoni, assassinado na mesma noite que o pai, também queria ser cartunista e o ajudava nos trabalhos.

Nascido em 10 de Março de 1957, Glauco era casado e tinha três filhos.
Seu humor direto e sem hipocrisia quebrou tabus e possibilitou que uma geração inteira de jovens brasileiros, como eu, visse o sexo e as drogas com outros olhos e um sorrisão no rosto.

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