Como todo argentino que se preze,
Rodolfo Zalla adora pão e vinho. Mas também histórias em quadrinhos. Em sua homenagem, o cartunista
Marcio Baraldi lançou o documentário Ao Mestre com Carinho, tendo como guia as entrevistas com o artista. São 45 minutos de um papo sincero, mais 25 de extras.
O vídeo começa com o quadrinista contando sua entrada no mundo das HQs. “Quando comecei não se colocava o nome dos desenhistas nos trabalhos. Minha mãe foi contra, meu pai ficou em cima do muro. Eu fazia muitas coisas, como cartazes e publicidade. O gibi Patoruzito foi minha escola profissional”. Em dezembro de 1963, ele chegou ao Brasil, pela cidade de Santos, para desenhar as tiras do Jacaré Mendonça (abaixo) para o jornal Última Hora.
Em nosso país, Zalla conheceu os quadrinhos de terror. “É um gênero mais abrangente por que você tem todo tipo de ambiente, mas sempre preferi HQ ao ar livre”. Naquele momento o mercado não queria mais quadrinhos de faroeste, e a iniciativa de histórias assustadoras fez sucesso. “A primeira da série Mestres do Terror foi com Drácula e vendeu quase tudo, 30 mil exemplares. O Tex vendia 120 mil só em São Paulo. Terror sempre foi um gênero à esquerda, mas quem comprava era apaixonado, fã mesmo”.
Ano passado, o editor Wagner Augusto relançou a revista
Calafrio, com o material original, a R$ 30. “É uma revista cara tanto pra internet quanto pra livraria. Se valeu a pena vamos saber daqui a pouco”.
No doc, Zalla diz que “desenhista quando nasce tem nanquim no sangue. Vai dormir pensando nos desenhos que precisa terminar” e dá um conselho: desenhar sem parar. “No computador, o cara põe cor aqui, efeito ali, mas tudo começa num desenho no papel. O desenho, a cor, a leitura, tudo isso faz do desenhista um cara diferenciado”
Nos extras, além de fotos e muitos desenhos, destaque para a parte em que Rodolfo mostra uma capa do personagem Escorpião pintada em guache, em 1966, que foi proibida. “Foram impressas 30 mil e depois reimprimiram por que a roupa foi copiada do Fantasma, então tiveram que redesenhar e imprimir novamente”.
Se você quer conhecer mais dos precursores dos quadrinhos no Brasil e na América Latina, adquira sua cópia.
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