Foi numa tarde de agosto de 1959 que dois filhos de imigrantes criaram um dos maiores sucessos do mundo dos quadrinhos, com 300 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. Se estivesse vivo, no ano que vem o roteirista René Goscinny comemoraria os 50 anos dos personagens Asterix & Obelix, ao lado do companheiro e desenhista Albert Uderzo. Após o falecimento do parceiro em 1977, Uderzo assumiu os dois papéis, escrevendo e ilustrando. O primeiro álbum solo foi “O Grande Fosso”. Dali em diante vieram mais de uma dúzia.
Por ocasião de seu aniversário de 80 anos,
Uderzo ganhou um presentão de sua filha Sylvie:
“Asterix e seus Amigos”, um livro comemorativo no traço de 34 artistas diferentes. O álbum de 60 páginas foi lançado no Brasil pela editora Record e já está a venda nas melhores livrarias e pela internet. Toda a renda será destinada para o
Défenseur des Enfants, uma instituição criada pelo parlamento francês cujo principal objetivo é a divulgação da Convenção dos Direitos da Criança (ONU).
Além do caráter “filantrópico”, o mais legal do projeto é justamente a pluralidade de estilos. O garoto
Tito, por exemplo, interage com Asterix & Obelix completamente estilizados e de olhos bem pequenos. E o que falar do exagero do alemão
Brösel, com os olhos do baixinho narigudo saltando para fora? Sua HQ é sobre uma corrida de bigas onde os gauleses competem contra a escuderia Enzus Ferrarus. Curiosamente, no longa-metragem
Asterix nos Jogos Olímpicos há uma corrida semelhante e um dos pilotos é Michael Schumacher, cujo personagem Schumix pilota uma carruagem vermelha com o emblema da Ferrari.
Sob o olhar de
Baru, temos a dupla nos dias de hoje com os policiais fazendo o papel dos romanos e, claro, levando uma bela surra. E falando neles, o mestre
Manara, famoso pelo desenho de belas mulheres, apresenta uma história sobre a esposa de um soldado romano que, cansada de ver o marido chegar machucado em casa, resolve tirar satisfação com os gauleses. É também a bela mulher criada por
Beltran que derruba Asterix & Obelix, porém pelo caminho do coração. Observe abaixo a dupla num traço bem realista.
Quem também marca presença são os personagens Lucky Luke, Umpa Pá e Humberto Milfolhas. O primeiro é um
cowboy criado por Goscinny e Morris. Os outros dois são um índio Pele-Vermelha e um europeu, também frutos da parceria Goscinny-Uderzo, criados antes de Asterix, e cujos álbuns foram lançados no Brasil na década de 80. E não é só no velho oeste que os gauleses foram parar. O chileno
Vicar levou os dois até Patópolis para conhecer Tio Patinhas, Professor Pardal, Pato Donald e seus sobrinhos.
Uderzo não escapou ileso, protagonizando várias das histórias do livro, como a desenhada por
Lloyd, o mesmo artista que ilustrou “V de Vingança”, cujo roteiro é de Alan Moore, e que foi brilhantemente adaptado para o cinema. É impressionante como Asterix & Obelix ficam diferentes quando pintados apenas com lápis de cor! Por
Tutatis!
Taí um livro indispensável na prateleira dos verdadeiros fãs. E uma homenagem à altura do aniversariante. Porém não esqueça: independente de quantos anos você tenha, nunca chame o Chatotorix para cantar na sua festa de aniversário. Ou o céu poderá cair sobre a sua cabeça...