Quadrinho com palavrão na Bahia

Mais uma polêmica envolvendo histórias em quadrinhos e alunos da rede pública de ensino. Desta vez o problema foi a utilização de uma tirinha do personagem Chico Bento retirada da internet, que havia sido modificada. A original não continha palavrões, mas a que estava na web sim.
Segundo um importante telejornal, 10.000 professores da rede pública da Bahia receberam a revista didática, de um total de 50.000 que já haviam sido impressas. O governo do estado tentou “dar um jeitinho” carimbando em cima do palavrão, porém a Associação de Professores quer o recolhimento das revistas.
O uso de palavrões em quadrinhos, inclusive infantis, não é uma novidade. Porém os autores optam por utilizar o recurso de ícones como bombas, estrelas, pregos, cobras, lagartos.
O incidente baiano acontece pouco tempo do caso de São Paulo, quando o governador José Serra também mandou recolher um título por ser de “mau gosto” e conter conteúdo impróprio.
Uma importante revista de cultura publicou uma reportagem com o título “Existe preconceito contra o uso de histórias em quadrinhos nas escolas?”, indagando se a questão seria de inadequação à faixa etária ou puro preconceito ao uso das HQs na educação formal.
No mês passado, outro título sofreu retaliação, o clássico “Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço” (2007, editora Devir), de Will Eisner, resenhado aqui recentemente. Através do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) o livro foi distribuído para bibliotecas, mas também sofreu diversas críticas de docentes.
Claro que o caso de São Paulo repercutiu mais, sobretudo por envolver um futuro candidato a presidência da república. Mas qual é de fato a questão central? O local onde os livros estão e portanto podem ser acessados livremente pelos alunos, como é o caso das bibliotecas? Ou a falta de controle do MEC e dos órgãos responsáveis? Deveríamos voltar com o Comic Code, com a classificação indicativa na capa dos livros e revistas?
Vale lembrar que livros convencionais também foram vetados por conter textos eróticos, frases obscenas ou conteúdo discutível. Mas quem pode avaliar isso? E mais: será que um livro ou uma HQ pode piorar a personalidade de alguém? Mais ainda do que a programação de TV aberta, por exemplo?
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