Arquivo de November 2009

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Exposição revela a grandeza do Playmobil

playmobil recebe visitantes

Termina hoje no Museu Conde de Linhares, em São Cristovão, a exposição "Playmobil 35 Anos". Este repórter conferiu o evento ontem e ficou admirado com a grandeza do universo do bonequinho. Organizada cronologicamente e por temas (trasnportes, habitação, etc) reúne coleções particulares com muita coisa que sequer foi lançada no Brasil. Até mesmo as caixas do brinquedo, que foi fabricado em dois momentos por aqui, primeiro pela Troll e depois pela Estrela, ganharam um lugar de destaque. Atualmente quem detém a licença para venda aqui é a Sunny, de São Paulo.

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Marmanjos como eu fizeram um mergulho no passado relembrando coleções clássicas, como a do velho oeste, medieval e dos operários. Eu não sabia o quanto o Playmobil tinha evoluído a ponnto de articular as mãos, de ter barba e até olhos puxados, na versão japonesa! Conheci também versões especiais como a do Harry Potter e a série 1,2,3 para crianças menores de 3 anos, onde o cabelo não sai e o braço não mexe. Destaque também para as customizações tanto de bonecos quanto de cenários. A fabricante alemã, Geobra, nunca fabricou linhas como Segunda Guerra Mundial, nem bebida alcóolica ou cigarro - no máximo o cachimbo do índio. Mas já existe celular.

playmobil indios

playmobil  medieval

playmobil  harry potter

playmobil transportes

Além dos bonecos, havia ainda uma área reservada a quadros inspirados no Playmobil (que venderam muito bem) e ensaios fotográficos. Na área de recreação, as criancas podiam brincar com o boneco e assistir ao recém-lançado DVD interativo. O curador César, o divulgador Carlos Alberto e toda equipe do fórum Playmobil Brasil estão de parabéns. É uma pena que às vésperas do natal a exposição acabe sem ao menos se transferir para um shopping center. Se a fabricante brasileira tiver visão estratégica, vai perceber que uma turnê do "Playmobil 35 Anos" poderá não só aproximar o velho e o novo consumidor do boneco - que perdeu espaço pro Lego - quanto aquecer suas vendas.
playmobil carlos alberto

Acima, Carlos Alberto mostra os quadros. Fotos: Pedro de Luna

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No papel, Aline em sua maior intimidade

Aline + Otto + Pedro capa

Na esteira da minissérie “Aline” na TV Globo, a editora Devir lança a coletânea de tiras “Aline + Otto + Pedro”, de Adão Iturrusgarai. Como sempre, a maioria das piadas envolve sexo, mas desta vez o autor foi além, publicando também uma paródia de ensaio de revista pornô, onde a protagonista aparece nua em poses bem explícitas. Não são inéditos, saíram numa revista em 1999, mas o suficiente para que o livro venha com a recomendação para leitores adultos impressa na contracapa.

Há de se fazer uma distinção entre o humor erótico de Milo Manara e Guido Crepax, já comentados aqui no JBlog algumas vezes, do humor mais escrachado de Adão e que Angeli já fazia nos anos 80, com os personagens expondo suas partes íntimas ao leitor de forma provocativa. Tanto é que o gaúcho que hoje mora na Patagônia não vê nada de excitante na Aline. “Não imagino ninguém se masturbando vendo os desenhos. Se bem que já recebi cartas de leitores dizendo que se excitavam com a Aline das tiras. Acho que quem vê o meu desenho da Aline e se excita deve ir correndo procurar ajuda psiquiátrica”, rebate.
tira Aline chama o Procon

O interessante é fazer o seguinte raciocínio: quando um personagem de quadrinhos vai se tornando público e, sobretudo, popular, o leitor cria uma espécie de intimidade. Como se o conhecesse, bem como seus hábitos, sua história, seus parentes e amigos. E desta vez aparece a Aline em sua maior intimidade, onde exibir os pêlos púbicos é pinto - com o perdão do trocadilho. “Eu não vou "limpar" o meu trabalho só por que mais público pode vir a comprar meus livros”, explica Adão. “Essa série de desenhos foi criada justamente na época que estava rolando uma serie de tiras da Aline posando nua pruma revista de mulher pelada. Não acho que peguei pesado”.

Mas e as leitoras, será que não se ofendem algumas vezes? “Não faço distinção entre leitores e leitoras. Mas eu não sou do tipo que vai ficar se pré-censurando. Isso é uma espécie de filosofia que sigo. E quem me acusar de "extremamente" machista que dê uma olhada na minha trajetória e vai se dar conta que é o contrario. Vide a Aline, mulher, casada com 2 caras, que transa com outros, que trabalha, que é resolvida em todos os sentidos”.
tira Aline nao do no 1o encontro

Ontem foi dia da minissérie na TV, que avaliação você faz da versão televisiva? “Eu gostei. Mas não devemos esquecer que é uma adaptação. É diferente da minha Aline de papel. Se você for ver o especial de fim de ano vai ver que estão todas as minhas piadas das tiras. O texto das tiras é quase o roteiro”. E finaliza: “tem coisas que eu gosto mais e outras que eu gosto menos. Mas acho que foi um passo legal que a Globo deu e o resultado ficou bem divertido. É claro que "periquita arregaçada" não poderia passar na telinha”, brinca Iturrusgarai.
tira Aline loja de cds

tira Aline detetive careiro

tira pai da Aline fofoqueiro

Entre as tiras desta coletânea, destaque para esta do pai da Aline, também presente na minissérie global.

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Laerte recebe medalha do MinC

Laerte recebe medalha da OMC

O quadrinista paulista Laerte Coutinho foi condecorado com a insígnia da Ordem do Mérito Cultural, em cerimônia realizada na quarta-feira à noite no Rio de Janeiro. Criada em 1995 pelo Ministério da Cultura, a OMC é o reconhecimento àqueles que se destacaram por suas contribuições à cultura brasileira. Parabéns, Laertón!

Foto: Ricky Goodwin

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Exposição faz retrospectiva de Tim Burton

exposicao tim burton no moma

Da última vez que falamos sobre Tim Burton aqui no JBlog foi para destacar a edição especial do DVD “O Estranho Mundo de Jack” (LEIA). Enquanto o criador de “Edward Mãos de Tesoura”, “Beetlejuice”, “A Noiva Cadáver” e “O Barbeiro de Sweeney Todd” finaliza o seu mais novo filme, “Alice no País das Maravilhas”, ele ganha uma merecida homenagem no MoMa (Museum of Modern Art) em Nova Iorque.

As paredes do museu foram cobertas com trabalhos iconográficos do artista fazendo uma retrospectiva de sua carreira, dos primeiros rabiscos a objetos inéditos, filmes amadores, storyboards, maquetes, bonecos e figurinos, entre outras coisas, mas sempre com o estilo obscuro Burton de ser.

Se você tem férias a vencer e uma poupança considerável, aproveite. A exposição vai até abril de 2010. Confira o site do evento.

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Reunião de quadrinistas sábado em SP

gravura do Angeli

No próximo sábado (28) às 14h rola um evento legal numa loja bacana de São Paulo, a Cachalote. Ulisses Garcez, da revista Sociedade Radioativa, lança nova publicação, La Gira, um relato etílico sobre a 1ª turnê da banda Ordinária Hit em terras platenses (Uruguai e Argentina). Ah, o grupo fará um pocket show semi-acústico, e autografará a HQ pros interessados. Entre as várias outras atrações da tarde, reza a lenda que Laerte e Angeli estarão no local vendendo e autografando suas gravuras (como esta acima, de Angeli). O mapa da mina é: rua Min. Ferreira Alves 48, na Pompéia. Compareça, quadrinistas costumam ser gente boa.

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As muitas ideias por trás das risadas

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Existem duas maneiras diferentes de assistir ao DVD duplo “Sessão de Desenhos vol. 1” (Warner), com mais de quatro horas de desenhos animados clássicos dos anos 60. Uma, com olhar saudosista, relembrando aqueles momentos gostosos de comer biscoito assistindo TV, e compartilhar isso com os filhos e sobrinhos de hoje em dia. A outra, com a visão de um pesquisador, interessado em analisar o que diziam os desenhos da época.

Eu me propus às duas coisas. Afinal, para quem gosta do tema é importante saber um pouco mais sobre os americanos William Hanna e Joseph Barbera. Com a decadência dos desenhos animados para exibição em salas de cinema, os dois perceberam que o novo mercado estava na TV e investiram numa produtora. Começaram com Jambo & Ruivão, Don Pixote e Pepe Legal (de 1959), aproveitando a imensa oferta de programas de faroeste naquele período. O resto é história conhecida, como a capacidade de fabricar frases marcantes e gritos de guerra como “iabadabadoo” ou “scooby dooby doo”.

BICHOS
Praticamente todos os desenhos de Hannah−Barbera tinham bichos como personagens. Lula Lelé, Peter Potamus (hipopótamo), Esquilo Sem Grilo, Matraca Trica (urso) & Fofoquinha (foca), Pepe Legal (cavalo), Formiga Atômica e Coelho Ricochete são apenas alguns dos vários exemplos. O que me intrigou é que cachorros como o Precioso (do desenho Xodó da Vovó) e Rafeiro (do Pepe Legal) contém elementos do boxer Mutley. O primeiro ri igualzinho, o segundo pede biscoitos caninos para fazer alguma coisa (assim como Mutley que, no desenho da Esquadrilha Abutre pedia “medalha, medalha, medalha” para o Dick Vigarista).
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CHEFES E MILITARISMO
Também é interessante notar a quantidade de personagens que são subordinados a chefes, sejam coronéis de polícia ou militares, e se dividem entre super−heróis com poderes especiais ou detetives. Para citar alguns: Coronel Mandragão comanda o Campo Frostbite, no Pólo Norte, o Capitão que gerencia o parque do “marinheiro” Lula Lelé e o chefe dos detetives Olho−Vivo e Faro−Fino.

Há também inúmeros desenhos utilizando mísseis, tanques, aviões, navios, submarinos e todos os vilões querem conquistar o mundo. É bem possível que isso seja um reflexo da paranóia que se instalou no pós−guerra, quando a Terra viveu uma guerra fria entre EUA e URSS. Não por acaso, no excelente episódio dos Jetsons deste DVD, em determinado momento Jane Jetson recomenda ao filho Elroy que “não brigue com os meninos russos” durante uma excursão às minas de sal na Sibéria.
Militarismo hannah-barbera


POLITICAMENTE INCORRETO
Há críticas veladas ao sistema em diversos desenhos, seja em referência a mídia, ao caos da cidade grande em desenvolvimento (poluída para o camponês Gaguinho) e, surpresa, ao próprio capitalismo e a pobreza causada por ele, onde temos o gato Manda−Chuva como o ícone principal. Aliás, "Chequemate", desenho do gato que abre o DVD é o melhor de todos. Retomando o raciocínio, nos dois desenhos do “Bob pai, Bob filho” não há qualquer referência a figura materna. Não se fala em morte ou divórcio, seria então Bob Pai um pai solteiro em plenos anos 60?

gaguinho e manda-chuva


O que dizer de personagens que fumam? No desenho em que vive um detetive, Patolino não só fuma o tempo todo, como sofre assédio sexual da cliente. No episódio dos ratos Hal e Morton fica subentendido que ambos são alcóolatras. E o que dizer de Peter Potamus que ajuda o gigante quando João do Pé de Feijão quer pegar de volta a galinha dos ovos de ouro? Mas extremo é o desenho da Feiticeira Faceira que encontra uma Branca de Neve loira, de cabelos compridos, que vive como empregada de sete anões gêmeos idênticos.

SONS E CENÁRIOS
Numa década onde a psicodelia estava em alta, isso se refletia nos cenários dos desenhos, com cores e formas alucinantes. Árvores coloridas e tortas, texturas diversas e móveis da época dão um charme a mais quando se assiste aos desenhos sessentistas nos dias de hoje. O que dizer do jazz de alto nível nos desenhos do Manda−Chuva? As trilhas e as músicas de orquestra são um ponto forte, bem como os temas marcantes, como o composto para o “Porky Pig Show”, do porco Gaguinho.

OS HERCULÓIDES
Outro detalhe importante do DVD duplo “Sessão de Desenhos vol. 1” está nos Extras. Especialistas do meio explicam que os monstros estavam em alta nos anos 60 e o desenho dos Herculóides virou um grande sucesso por misturar naves espaciais com dinossauros. Mas, também, por ser pioneiro em usar personagens com fisionomias e corpos humanos, ao invés de personagens cômicos ou animais engraçados.

Os Herculoides


Por fim, não é preciso dizer muito mais sobre Hannah−Barbera. A biografia deles está em diversos sites da internet, bem como um portal brasileiro onde um fã disponibiliza mais informações, temas musicais, etc. William Hanna morreu em 2001 e Barbera em 2006, seu estúdio foi adquirido pela Cartoon Network e, numa fusão de empresas, hoje pertence a Warner, sua outrora concorrente.

Sobre o DVD, é mais que recomendado. Um ou outro desenho está com o som mais baixo, mas as dublagens em português são originais, e bem diferentes das versões originais em inglês, que, inclusive, vem com aquelas risadas do público gravadas aos finais das piadas, para fazer o espectador rir também. A Warner informa que em dezembro sairá o primeiro volume dos anos 70. Mas ainda não tem previsão para o lançamento do segundo volume dos anos 60. Taí duas ótimas dicas para presentes de natal.

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HQs em três acordes

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Marcio Baraldi é figurinha fácil no mundo brasileiro dos quadrinhos. Não só por envolver rock, política e HQs, mas também pelo seu temperamento. Enfiou na cabeça que precisa lançar um livro por ano e cumpriu com a promessa. Ele enviou para o JBlogHey Ho Let´s Go” (Editora Rock Brigade/GRRR), o quarto da dupla Roko Loko e Adrina Lina, e o 12º de sua carreira. O resto eu deixo por conta das palavras de Sidney Gusman no prefácio: “Ele é, indiscutivelmente, um baita marqueteiro de si mesmo” (...), “está longe de ser um virtuose do desenho, abusa no trocadilho dos nomes” e “produz feito um alucinado”.

Eu mesmo aceitei o convite de escrever um breve testemunhal que estampa o rodapé deste livro, mas reconheço que ele ficou aquém de edições anteriores. Baraldi utiliza muitas histórias de uma página só e nem sempre muito engraçadas. As mais bacanas são as dos metaleiros que pregam com a Biblack, “Mc Lanche Infeliz” e “Uma Banda Muito Massa”, com os músicos do Massacration.
Black Donald marcio baraldi

Biblack marcio baraldi

A meu ver o ponto negativo é o excesso de HQs que fazem propaganda de si mesmo ou de seus produtos. Há histórias sobre as festas de uma determinada revista, aparições em programas de TV (onde, claro, o Marcio deu entrevista) e uma predominância de tiras envolvendo bandas de heavy metal.

Mas há quem goste, garante o autor. “As HQs de festa são uma das marcas registradas do Roko-Loko e dão muito ibope entre as bandas e a roqueirada, porque dá espaço pra eu colocar zilhões de músicos numa mesma HQ. Muita gente se vê na HQ e depois comenta, coloca no seu próprio site”. E quanto aos programas de TV, ele explica que “são uma homenagem porque eles são tão importantes quanto as bandas. Se não fossem eles as bandas não teriam espaço na TV, pois as grandes emissoras sempre ignoraram o rock no Brasil, sobretudo o pesado”. Melhor que ler a resenha deste blogueiro é conferir o próprio livro, a venda pelo site do autor.

Massacration Marcio Baraldi

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Para quem odeia reuniões...

Uma das piores sensações que existe é quando você se reúne por horas e, ao final, chega a conclusão de que nada foi resolvido e tudo não passou de uma grande perda de tempo. Assim também acontece na empresa onde Dilbert trabalha. O personagem criado por Scott Adams em 1989, inspirado em experiências corporativas reais, chega ao Brasil novamente pela editora L&PM. Neste quinto volume da série de livros de bolso, com preço econômico de R$ 11, o leitor irá se divertir com as situações inusitadas do protagonista, seus colegas de escritório, o chefe e, claro, os terríveis gerentes de marketing e Recursos Humanos.
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despedido dilbert

Mas "Odeio Reuniões!" não traz apenas tirinhas sobre reuniões. Há espaço também para críticas ácidas a política, às farsas do sistema capitalista e situações inusitadas, como a sequência de tiras sobre a instalação de câmeras na cabeça dos funcionários.
Abaixo uma breve seleção de algumas delas. Divirta-se e procure o seu na banca ou na livraria mais próxima.
cameras dilbert

software dilbert

dilbert candidato

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Dois recortes da juventude negra

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Depois da exposição sobre quadrinhos africanos (LEIA), coincidentemente começam a chegar em nossas prateleiras as HQs do continente vizinho. Dois belos livros em quadrinhos estão disponíveis e fazem parte do catálogo da editora francesa Gallimard Jeunesse.O mote do Ano da França no Brasil pode ter contribuído, mas a qualidade de "Negrinha" (Desiderata) e "Aya de Yopougon" (L&PM) podem endossar o coro dos leitores ávidos por mais títulos made in Africa.

"Negrinha" mostra o ponto de vista de dois franceses sobre o Rio de Janeiro dos anos 50, no entanto sem os clichês tradicionais. Olivier Tallec (desenhos) e Jean-Christophe Camus (texto) - este filho de um francês com uma brasileira - contam a história de Maria, uma menina morena de 13 anos que mora em Copacabacana, cuja mãe, Olinda, é uma negra que tem preconceito com outros negros e faz de tudo para esconder da filha sua origem humilde. “Uma morena de Copacabana não é uma negrinha da favela”, diz uma tia de Maria quando esta vai a favela conhecer sua avó e seus parentes. Na verdade, o preconceito é mostrado por uma via de mão dupla, tanto por parte de quem mora no morro quanto de quem está no asfalto.

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No entanto, Maria é uma menina inocente que vê beleza em tudo, cercada por personagens secundários como a dondoca que gasta dinheiro com bebidas e jogo do bicho, o porteiro galanteador e, claro, o vendedor de amendoins batizado de Toquinho, provavelmente em homenagem a época bossanovista da então capital do país. Apaixonada pelo menino, Maria descobre o samba na favela Pavão-Pavãozinho e que, de certa forma, todo mundo é meio parente nas comunidades menos favorecidas economicamente. Os desenhos em aquarela reforçam a poesia desta bela história de amor e descobertas.

COMO SER JOVEM NA COSTA DO MARFIM DOS ANOS 70
Por sua vez, em "Aya de Yopougon # 1", Clément Oubrerie (arte) dá forma a história de Marguerite Abouet (texto). A autora conta um pouco do cotidiano num bairro popular de Abidjan, na Costa do Marfim, no ano de 1978. Na ocasião, Marguerite tinha 19 anos e de certa maneira se coloca no roteiro no papel da estudiosa Aya, que prefere estudar a sair à noite com suas amigas Bintou e Adjoua. O livro é divertidíssimo e sua narração flui facilmente, ensinando ao leitor as expressões, os costumes e as modas da África, ainda que datados da época de 70.

Um dos méritos deste primeiro volume das histórias de Aya - num total de quatro - é tratar das questões reais que envolvem a juventude africana, como o sexo livre, a gravidez na juventude, a promiscuidade, o machismo, a influência da cultura estrangeira (sobretudo francesa e americana), os valores e a relação conflituosa entre os aldeões ("caipiras"), os pobres da cidade e os ricos (representados pela figura do Senhor Sissoko, dono da Solibra, "a cerveja do homem forte"). Ao final, há um bônus instrutivo ensinando receitas típicas (gnamankudji - um suco de gengibre - e sopa de amendoim), como usar o pano na cabeça ou como saia, e até mesmo como rebolar!

Aya e amiga

amiga de aya escolhe roupa


Para finalizar, mais duas observações: Aya ganhou um prêmio em 2006 no Festival de Angouleme, na França, e pode consolidar uma tendência que começou com Persépolis (de Marjane Satrapi) de retratar a realidade cultural pouco conhecida de países exóticos como o Irã (no caso de Satrapi) e a Costa do Marfim através dos quadrinhos, realizando uma globalização quadrinhesca muito saudável. Vale também citar que tantos o ilustrador de "Aya" quanto de "Negrinha" não são quadrinistas, e sim ilustradores debutantes no mundo das bandas desenhadas. O JBlog estará acompanhando os próximos capítulos destas mudanças no mercado.

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Animação se aprende na escola

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Este ano fui convidado para integrar o júri oficial do 8o Animarte, o festival brasileiro estudantil de animação. Fiquei surpreso com a qualidade dos vídeos produzidos no ensino médio, tanto das escolas particulares (que estão utilizando este recurso para ensinar, por exemplo, geografia, história e ecologia) quanto de programas voltados para a rede pública de educação.

Na categoria "Universitários", assisti a ótimos videoclipes utilizando animação, onde, claro, a música boa acaba somando (ou tirando) pontos. Achei sensacional a iniciativa da UFMG que propôs para os alunos de Artes a criação de vídeos sobre temas ligados a escola de Medicina. O resultado foi surpreendente. Gostei também ver o que se produz por aí nos cursos de design gráfico e até de criação de games. Não dá mais pra pensar a animação como uma vertente do cinema clássico ou uma extensão dos quadrinhos.

Na categoria de vídeos dos universitários estrangeiros o nível técnico é praticamente profissional. A China Academy of Arts e, principalmente, a CSC Animazione (de Turim, na Itália) despontam como núcleo de grandes talentos. Destaco também belos trabalhos da Grécia e da Argentina. Se continuar nesse caminho teremos um futuro promissor para a animação, muito além do que é exibido nas TVs abertas para as crianças do Brasil.

Ah, e boa parte dos vídeos tem blogs próprios. Confira os vídeos de Opus Dei (abaixo a sequencia do personagem Jesus) e U Sciroccu (imagem lá em cima).

Jesus opus dei animacao

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História em Quadrinhos é coisa de gente grande

Era uma vez uma criança que gostava de ler histórias em quadrinhos e sonhava em sobreviver escrevendo e desenhando suas aventuras. Assim como este personagem fictício, existem centenas de pessoas Brasil afora com o mesmo sonho. E, pela primeira vez, desponta no horizonte uma possibilidade real de se desenvolver um mercado sólido de HQs no país.

A luta pela valorização das HQs não começou hoje. Desde os anos 50 algumas associações já defendiam a criação de políticas públicas para o segmento como contrapartida para a enxurrada de publicações estrangeiras. Em 2006 um deputado do Piauí apresentou o Projeto de Lei 6.581 que estabelecia mecanismos de incentivo para produção, publicação e distribuição de revistas em quadrinhos nacionais. Entre as diversas propostas, destacava−se a criação de programas específicos por parte de bancos e agências de fomento federais, como linhas de crédito para autores independentes e financiamento para abertura de pequenas editoras.

Situada entre a literatura e as artes visuais, as HQs são hoje um importante elo da cadeia produtiva editorial, contribuindo significativamente para a chamada Economia da Cultura. Estudiosos apontam o Brasil como o 5º maior mercado consumidor do mundo. No cinema, os quadrinhos são uma fonte inesgotável de inspiração e de lucros fantásticos. O poder da narrativa gráfica também se faz presente nas escolas através das adaptações de clássicos da literatura, ainda que em sua maioria viabilizados apenas através de leis de incentivo.

Assim como a música, as HQs sofrem com a pirataria através dos scans (páginas escaneadas e disponibilizadas na internet) e o alto custo de impressão, sobretudo em álbuns de luxo, restringindo o acesso ao leitor menos favorecido economicamente. Se por um lado a tecnologia incentivou o surgimento de inúmeros sites especializados e programas de web TV, por outro existe uma utilização aquém das possibilidades da rede por parte das lojas e das editoras, poucos projetos para telefones celulares e aparelhos portáteis, e uma mera transposição do impresso pro meio digital sem aproveitamento dos recursos multimídias.

A realização do Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) em Belo Horizonteque começou nesta terça−feira é uma boa oportunidade para se discutir o mercado como gente grande. Porém ainda é pouco. A maioria dos salões de humor, por exemplo, não incluem debates e oficinas em sua programação. E, fazendo uma mea culpa, os artistas ainda não participam como deveriam dos conselhos e das conferências de cultura. É hora de mudarmos essa história.

Ps - Esse artigo foi escrito na primeira semana de outubro e publicado na edição de hoje, 07/11, do Caderno B. Antes tarde do que nunca, é mais uma conquista para todos nós que gostamos de HQs como lazer ou que fizemos dela profissão.

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Moby Dick salta para além do papel

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Adaptar o clássico de Herman Melville para os quadrinhos seria legal? Seria, mas e se, além disso, houvesse pop ups, (montagens em 3D realizadas com dobraduras especiais) para que saltassem das páginas? Aí ficaria ainda mais bacana. Pensando nisso, Sam Ita fez as duas coisas em “Moby Dick” (Publifolha, R$ 59,90).

O traço, o desenho de Sam é bem simples, bem como as cores utilizadas, privilegiando tons frios. Mas o que esse profissional da engenharia de papel − termo que até então eu desconhecia − criou, e que vale o espaço aqui no blog, são as surpresas em cada uma das 12 páginas. Cada aba esconde uma surpresa, como o canibal que adentra o quarto, ou um redemoinho, a dança dos marujos, etc. Como nos livros infantis, basta puxar uma lingueta ou seguir a instrução de uma seta que algo acontece.

Moby Dick pop up 01

Claro que em uma dúzia de páginas, o texto original ficou super compacto, mas vale a intenção. Quem sabe através desta divertida forma de apresentação, a criançada não vai ler e reler este clássico da literatura, o que dificilmente faria nesses tempos de videogame, internet e TV a cabo? Comentários ao final do post, tripulação!

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Fotos: Pedro de Luna

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Semana com vários eventos divertidos

breganejo blues lançamento rio

Acontece hoje a partir das 20h o lançamento no Rio de Janeiro do livro "Breganejo Blues", do maranhense Bruno Azêvedo, resenhado aqui recentemente (LEIA). O coquetel será com drinks estranhos a base de Guaraná Jesus, Whisky Passport e som ambiente brega, além da presença da Taqueria Guadalupe. Amanhã no mesmo horário é a vez de Fabio Zimbres e seu livro "A Vida é Boa", com tiras que contam uma trágica e prolongada saga de um homem e seu melhor amigo - o copo. Ambos na gibiteria La Cucaracha (Rua Teixeira de Melo 31, Loja H, Ipanema).

Também na sexta, a partir das 18h, rola o coquetel de abertura da exposição Playmobil 35 Anos, no Museu Militar Conde de Linhares. O evento será aberto ao público a partir de sábado. Clique AQUI para saber do que se trata.

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Um livro da minha, da sua, da nossa vida

Às vezes a melhor forma de explicar uma coisa é deixar que seus criadores o façam. Assim aconteceu com o projeto de "O Grande Livro Branco". Criado em dupla, pelo publicitário Hélio Eduardo Lopes e a artista plástica Hannah23, o romance gráfico vem circulando de mão em mão e em breve terá uma tradução em francês, já que muita gente achou o projeto ideal pro mercado franco-belga. Ah, e haverá uma camiseta também.

"O que posso acrescentar, é que, O Grande Livro Branco é uma história comum, sobre o cotidiano, sobre a minha e a sua vida, só que contada a partir do fantástico, do poético e inusitado que reside neste mesmo cotidiano e que esquecemos de ver", explica Hannah23, autora desta página dupla do livro (ABAIXO).

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JBLOG > Helio, o que o livro branco tem que os outros não tem? Qual seu ineditismo ou grande diferencial?
Helio: O GLB conta sua história utilizando uma narrativa gráfica bastante diferenciada das HQs tradicionais, na qual não há uma representação única de sua personagem principal. Todas as suas imagens transitam pelo universo da colagem, a reunião de diversas técnicas de pintura e desenho para a criação de uma identidade única e inimitável, assim como cada página em branco, representada em um Diário Visual. Um designer gráfico conhecido nosso até sugeriu um nome, "literatura de arte", mas não sei se é pretensão nossa tentar iniciar uma nomenclatura.

Outro diferencial é o projeto de marketing que está sendo desenvolvido por trás. O mote do GLB, como está descrito no blog, é "a saga de um livro às procura de uma editora". Já há um site, um blog, Twitter com mais de 80 followers, Flickr, tudo feito pelos autores e que será entregue de bandeja para a editora que topar o projeto. E ainda haverá produtos derivados da obra a serem vendidos: camisas, pôsteres, canecas, bottons...

No que se refere ao enredo,o GLB é uma graphic novel voltada para o público adulto, que mexe com os arquétipos e anseios dos seres humanos. A história de uma mulher que passa por um momento bastante íngreme em sua vida pessoal e profissional, que a sufoca e deprime. E, no meio de suas desilusões e incertezas, percebe que precisa mudar essa realidade.

JBLOG > Vocês querem uma editora que apenas imprima ou distribua ou tem que ser uma que vai investir em marketing e mais um monte de outras coisas? Ou seja, basta uma pequena editora que viabilize a produção ou vocês tem planos muito mais ambiciosos para o livro?
Helio: Há um plano de marketing já acontecendo. Claro que uma editora grande pode arcar com maiores despesas, mas acreditamos que as mídias sociais e outras ações, que não dependem tanto de grana, podem ser de igual ou até maior efetividade.

Até mesmo porque o GLB é uma história intimista, de identificação (como diríamos no marketing) one to one. São os anseios da personagem que, na verdade, são os mesmos de cada ser humano no dia a dia da vida de cada um. Pelo que vivenciamos ao mostrar para outras pessoas, é difícil ter alguém que não se sinta "fisgado" em alguma das páginas do GLB. Porque a gente vive. E, por isso, se identifica.

Podemos dizer que queremos uma editora, seja pequena ou grande, que acredite no projeto e publique o Grande Livro Branco com o carinho de quem descobre e cuida de seu mais bem guardado segredo pessoal. E quer compartilhá-lo com seu melhor amigo.

Para saber mais acesse o site do livro.

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Shows, vídeos e quadrinhos por apenas R$ 1,99

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A próxima edição do Arte Jovem Brasileira, que acontece hoje à noite em Niterói, vai juntar bandas de rock, eletrorock e histórias em histórias em quadrinhos, com entrada a partir de R$ 1,99. No palco, o grupo Flexível REC com referências do rock, eletrônica, brasilidade e jazz daquele que é um dos mais experimentais duos da cidade. Quem também se apresentará é a banda Kazus, que estará lançando em dezembro seu segundo EP intitulado "Atemporal".

Paralelamente aos shows, acontece a exposição “Bandas Desenhadas” desse colunista que vos escreve. Além de tirinhas do personagem Bzão, publicadas durante um ano aqui no Jornal do Brasil, apresentarei histórias do mais novo personagem, o editor Mauro Moura.

Serviço:
Dia 02 de novembro – Arte Jovem Brasileira
Local: Espaço Convés - R. Cel Tamarindo 137 Gragoatá
Bandas: Flexível Rec (pré-lançamento do cd "O insensato prazer das superfícies") + Kazus
Exposição: Bandas Desenhadas, de Pedro de Luna
E mais: Cineclube AJB no telão.
Horário: 20h / Entrada: a partir de R$ 1,99
www.artejovem.org

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