Arquivo de June 2010

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Um colecionador e seus 70 mil quadrinhos

Kendi Sakamoto e seus quadrinhos

Kendi Sakamoto, 55 anos, nasceu no interior de SP. Mudou-se para a capital paulista em 1973, onde descobriu os gibis das décadas de 30, 40 e 50, o que aumentou sua paixão pelos quadrinhos. Hoje, o empresário de call Center guarda sua coleção de 70 mil exemplares numa chácara de 6 mil metros quadrados, numa area de 120 metros quadrados, construída para preservar esse verdadeiro patrimônio cultural. O JBlog Quadrinhos conversou com Kendi, um dos maiores colecionadores de HQs do Brasil.

JBlog >> Kendi, o que você acha do termo “Comic Hunter”? Você se considera um caçador de quadrinho?
O termo é relativamente novo no Brasil,e que atualmente há poucos, infelizmente. Quem viveu a era de ouro dos quadrinhos hoje esta com mais de 70 anos de idade, aposentado, dependendo do INSS, etc.... Nao tem infelizmente renda para comprar gibis antigos. Fiz o site cultural Gibi Raro para preservar a memoria dos quadrinhos publicados no Brasil e valorizar seus desenhistas, principalmente os desenhistas e editores nacionais do passado.

JBlog >> Em se tratando de coleção de HQs, nem sempre o mais antigo é o mais valioso, e sim o que tem mais procura. No seu caso, é o Mickey número 01, que vale R$ 2.000, correto? No entanto, analisando pelo lado afetivo, quais os gibis mais preciosos pra você?
Há outros gibis mais antigos, mais raros, como a Edição de São João do Gibi, da década de 40, que nem valor comercial tem, pois há apenas 4 exemplares no Brasil. Pelo lado afetivo, meus heróis são Tarzan, Reis do Faroeste, Bronco Piller, Fantasma, Mandrake, Cavaleiro Negro, etc..., que nem sempre tem valor comercial alto, pois há muitos exemplares ainda com os colecionadores e curiosos.

JBlog >> O desenhista, a história, a editora, tudo isso influencia no valor histórico de um quadrinho de colecionador? Cite alguns casos.
Sem duvida, o desenhista e a história têm que trabalhar numa ótima sintonia. Se for um herói que veio da TV ou do cinema, o desenhista pode caricaturar o personagem com o rosto a que estariamos acostumados, facilitando o entrosamento, o relacionamento e a emoção da proximidade. Já a editora, tanto faz, desde que ela prime pela qualidade.

No caso da EBAL, os quadrinhos em balão sempre foram feitos em maquinas de escrever, garantindo uma qualidade melhor que a dos concorrentes, que eram escritos a mão e nem sempre revisados, apresentando algumas vezes, erros de grafia.

JBlog >> Soube que existem dois homens em SP, Idalino Rodrigues dos Santos, de 58 anos, e Geraldo Cachola, de 73, que possuem respectivamente 100 e 200 mil gibis. Você os conhece?
Sim, eu os conheço, são ótimas pessoas, que conhecem muito o mundo maravilhoso dos quadrinhos, mas que se encaixam mais na condição de vendedores que de colecionadores. Um colecionador tem o seu lado afetivo com os seus heróis e dificilmente trabalha com vendas, no Maximo com trocas.

JBlog >> Existe uma competição entre colecionadores ou, pelo contrário, há uma irmandade onde um ajuda o outro?
Houve uma época de competição sadia e acirrada, pois quando alguém conseguia determinado exemplar que conseguia completar a coleção, era uma festa compartilhada com todos, pois a busca tinha terminado. Isso às vezes demorava muitos anos. Da minha parte, por exemplo, na coleção do Fantasma só faltava o numero 4. Demorei 6 anos para completar, pois alguns mercenários, sabendo da minha procura, vinham oferecer o exemplar, com valores 10 vezes maior do que valia. E nisso a paciência oriental me ajudou. Foram muitos anos de espera, paguei mais do que devia, mas completei a coleção.

Hoje, infelizmente os raros colecionadores ja completaram as suas coleções e não ha mais irmandade.

títulos raros da coleção Kendi Sakamoto

JBlog >> Qual é a maneira correta de armazenar revistas em quadrinhos para proteger de traças, etc
É dificil, pois ha uma combinação de temperatura e umidade adequadas. Nem mais nem menos. As revistas devem ficar um exemplar com a lombada virada para o lado direito e o outro exemplar do lado esquerdo, para que a lombada não fique alta, permanecendo o gibi uniforme e melhor conservado.

Também não pode ficar no plástico totalmente fechado, pois ha necessidade de ventilação para o papel, a fim de se evitar fungos. Não pode ter luz excessiva, senão o papel fica quebradiço e amarelado.

Um dos componentes para se proteger de insetos e o acido bórico, mas atualmente estou colocando pimenta do reino em grão, debaixo das prateleiras. Há pessoas que dizem que o inseto sempre sai do chão para depois subir.

JBlog >> Além de HQs, o senhor coleciona também pôsteres, vídeos, bonecos ou materiais relacionados a quadrinhos?
Eu coleciono também pôsteres de filmes antigos de cinema. Tenho quase todos os de Tarzan publicados no Brasil, alem de épicos e filmes de faroeste. Tenho também uma boa coleção de lobby cards de vários gêneros, principalmente os ligados a quadrinhos. No que se refere a vídeo, tenho mais de 1000 DVDs, englobando os que saíram em quadrinhos.

Kendi Sakamoto e parte de sua coleção de HQS

JBlog >> Aos poucos os quadrinhos estão ganhando mais espaço no computador e no celular. Você lê HQ através destas mídias?
Eu aprecio os quadrinhos mais antigos. O herói do passado era mais integro, tinha a honra como virtude, não matava e levava o criminoso para ser julgado. Os heróis de hoje tem crise existencial e muitas vezes ficam contra a lei. Mas leio quando possível, pois tenho que estar sempre atualizado. Os quadrinhos atuais são magníficos, os desenhistas têm o auxilio do computador e o papel e de melhor qualidade que os de antigamente.

JBlog >> Há quem diga que os colecionadores é que sustentam o mercado de quadrinhos no Brasil. Você concorda?
Isso vale para todos os países. Se o herói não entrar no gosto popular, a tiragem diminui até ele desaparecer.

JBlog >> O que você achou da Turma da Mônica Jovem e da Luluzinha Teen?
Sinal dos tempos. Há mais de 40 anos, meu pai vinha algumas vezes a São Paulo e me comprava alguns mangás importados do Japão e me falava que um dia os gibis do Brasil seriam parecidos com os mangás.

Eu achava impossível, pois os heróis e modelos de formato americanos predominavam na sua totalidade e tinham o gosto popular. Mas temos que nos adaptar. Parabenizo o Mauricio de Sousa, pela atualização da tendência.

JBlog >> Kendi, o que o levou a fundar uma editora?
Sou um profissional da área de Call Center muito conhecido. Faço projetos no Brasil e em vários países, sobre capacitação, consultoria e estratégia em Call Center. Quando fui publicar o primeiro livro, Alice no País do Contact Center, fui a uma editora que colocou alguns obstáculos, principalmente de remuneracao baixa. Assim, montei a Editora Laços.

O livro vendeu 2.000 exemplares, é um sucesso na área de Call Center. Depois escrevi O Call Center do Dr. Hanz, no mesmo segmento, a seguir um livro sobre cinema chamado No Tempo das Matinês e O Mocinho do Brasil, escrito pelo excelente jornalista Gonçalo Junior. Foi o primeiro na área de quadrinhos, que continua um grande sucesso.

JBlog >> O livro do Tex foi o primeiro lançamento da Editora Laços?
Sim, é o primeiro na parte de Quadrinhos. Poucas pessoas sabem que o personagem Tex começou na década de 50 a ser publicado no Brasil, na revista Junior. Dessa forma, como o personagem é um sucesso de publico que dura 60 anos quase ininterruptos, optamos por colocar este titulo, seguido de A Historia de um Fenomeno Editorial chamado TEX.

JBlog >> O senhor publicou um site chamado Gibi Raro. No entanto já existe o Guia dos Quadrinhos que visa catalogar as produções. Qual a diferença de um site para o outro?
O site Gibi Raro não é comercial e tem o objetivo de preservar a memoria dos quadrinhos no Brasil, catalogando os gibis da década de 30 aos dias de hoje. Quem clicar em Zap e depois na letra O, e localizar O Lobinho, vai se maravilhar com as capas deste gibi da década de 40, que trouxe as primeiras capas do Batman, Superman e outros heróis dos quadrinhos. Da mema forma, vai poder ver na letra T, todos os gibis de Tarzan publicados no Brasil,etc...

Respeito o Guia dos Quadrinhos, que também tem uma função muito nobre.

JBlog >> Por fim, o senhor tem filhos e netos? Eles gostam de quadrinhos também? Acredita que os gibis em papel ainda tem uma vida longa?
Tenho os filhos Tavane e Richard. Anda não tenho netos, mas infelizmente eles gostam mais dos quadrinhos mais atuais. Tomara que o gibi em papel tenha vida longa. Mas como acompanhamos no mundo, mesmo a tiragem dos jornais esta diminuindo. A tendência no futuro será ler gibis virtuais.

Kendi Sakamoto e super herois da coleção

Fotos: Walter Tommasi/Divulgação

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MAD torce pelo "chuléxacampeonato"

Mad 27 copa do mundo

Aproveitando o clima de Copa do Mundo, a revista de humor MAD pegou a febre das figurinhas. Isso mesmo, os doidos chegaram a conclusão que a coisa mais importante da Copa do Mundo é completar o álbum da Copa. Por isso o leitor que comprar a nova edição da MAD, de número 27, ganha inteiramente grátis uma série de cromos (nada colantes) exclusivos para o colecionador trocar e colar nos buracos do seu álbum. A criação e o desenho ficaram por conta de Raphael Salimena.

Entre os destaques desta edição estão o garoto prodígio João Montanaro, de apenas 14 anos, Pablo Mayer, e um pôster gratuito com toda a Seleção, e a matéria “Curiosidades sobre a Copa que Você Nunca Verá numa Bandeja do McDonald’s”, feita por Jackson. A atual versão da MAD, que é uma revista americana, é editada pela Panini, depois de ter passado pelas mãos da Vecchi e da Record.

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Jogue o game, veja o filme e leia os quadrinhos

HQ principe da persia no caderno B do JB

Ao longo do tempo, certos jogos de videogame se tornaram tão populares que viraram filme. É o caso de Príncipe da Pérsia, criado no final dos anos 80 para o modelo Apple II, e relançado diversas vezes para computadores e consoles diferentes. Na carona do filme produzido pela Disney, em cartaz nos cinemas brasileiros, a editora Record lançou no Brasil a versão em quadrinhos.

Para entender o presente, é importante voltar ao início de tudo. E ninguém melhor para falar sobre isso que o próprio Jordan Mechner, criado do game, no posfácio do livro. “Fazer HQs era uma ocupação perfeita para um garoto inclinado à solidão e que sonhava acordado. E os jogos de computador tiveram o mesmo efeito nos anos 80”.

Inspirado nas histórias de Ali Babá, Simbad, Aladim e no conto As 1001 Noites, Jordan terminou de programar o jogo no final da década de 80. Aos poucos ele foi se popularizando e, em 1992, tornou-se um sucesso mundial. “Foi quando lançamos a segunda aventura do príncipe, The Shadow of the Flame”, relembra o autor, fã dos quadrinistas franceses Hugo Pratt, Enki Bilal e François Schuiten.

Vinte anos depois, Príncipe da Pérsia contabiliza 10 milhões de cópias vendidas em todo mundo. Em março deste ano foi lançada mais um game, The Forgotten Sands, que inspirado no filme com Jake Gyllenhaal no papel principal. Aliás, quando a Disney decidiu produzir o longa-metragem, Jordan sabia que era a hora de realizar um sonho antigo e transformar Príncipe da Pérsia também numa novela gráfica. “Queríamos que a conexão com os videogames fossem num nível mais profundo. Não queríamos que fosse evidente logo na primeira olhada”.

principe da persia pag 68

principe da persia pag 69

Com o objetivo de fazer uma nova abordagem sobre a obra, Mechner montou uma equipe de primeira, com o roteirista iraniano A.B. Sina e o casal de ilustradores Le Uyen Pham e Alex Puvilland. A versão em HQ respeita a importância do tempo – que no game aparece em forma de ampulheta, como o prazo para o jogador cumprir a missão – dividindo a história em duas dimensões paralelas, se alternando entre os séculos IX e XIII.

O livro preza pelo romance e a aventura, com uma boa direção de arte, utilizando tons amarelos, marrons e pastéis, próprios da região desértica. Também preservou o lado filosófico, representado pela figura do pavão e do leão, com mensagens positivas. Em duas cenas distintas, por exemplo, o príncipe repete a mesma frase: “ninguém me deu o poder de tirar uma vida”. Resta saber até aonde o filme terá semelhanças com a HQ, onde a princesa tem um olho amarelo e outro verde. Afinal, mesmo com tanta tecnologia, ainda é mais fácil criar o impossível com um papel e uma caneta.

principe da persia pag 14

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Blogueiro de quadrinhos hoje na TV Brasil

pedro de luna e liliane reis no estudio movel

Hoje, quinta, na TV Brasil (antiga TVE), às 18h, vai rolar uma entrevistona comigo no programa Estúdio Móvel, falando sobre assuntos diversos, entre eles QUADRINHOS!!! Não perca!

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Meio século de criatividade e bons negócios

Ilustrador premiado, Gian Calvi comemora 50 anos de carreira e sua exposição no Rio de Janeiro foi prorrogada por mais um mês. As histórias em quadrinhos são um capítulo importante nessa fábula real. Afinal, na infância, o menino Gian e seu amigo Fernando montaram uma biblioteca na garagem e emprestavam gibis para o pessoal. Essa e outras ele me contou ao vivo no Centro Cultural dos Correios. Mas vamos do início, como manda o figurino.

Gian Calvi selecionando material pra exposiçao

exposicao gian calvi 50 anos

ERA UMA VEZ...
Ao completar 50 anos de carreira, Gianvittore Calvi continua com a energia e a motivação de um iniciante. Nascido numa aldeia de 600 habitantes chamada San Martino di Calvi, perto de Bergamo, no centro-norte da Itália, ele chegou ao Brasil de navio em 1947 aos 12 anos e falando um dialeto que ninguém entendia, o bergamasco. “Se você falasse em italiano na rua achavam que você era muito besta”, relembra. Aos 18 pediu ao pai para que conseguisse uma entrevista numa revista.
“Na época, eu copiava os desenhos da Seleções. O pessoal da redação olhou e falou: meu filho, sinceramente, desiste disso. Parei de desenhar por 10 anos”.

PIONEIRO NA ESDI
Desiludido Gian Calvi começou a cursar a faculdade de construção civil e se mudou para Cabo Frio. “Foi quando eu li no jornal que Carlos Lacerda criaria a Escola Superior de Desenho Industrial e decidi fazer o vestibular”. Na época, casado e com dois filhos, uma mudança radical. Assim como fez parte da primeira turma da ESDI, foi o primeiro a abandonar o curso.

Quanto a isso, ele não poupa críticas. “A pessoa sai da universidade falando difícil, mas sem timing de escritório. A gente faz capa de livro em quatro, cinco horas, sob pressão. A universidade em geral é incapaz de formar gente que crie. Quantas patentes saem da universidade? Essa dependência não é boa para o país”.

ENTRANDO NO MERCADO DE TRABALHO
Morando num quarto na casa dos pais, Gian começou a estagiar no estúdio de Marius Lauritzen, que era cartunista do Jornal do Brasil. Lá, ele viu que o Banco do Comércio de Café não tinha logomarca. Criou uma, vendeu para a empresa e tornou-se sócio de Marius. Com humildade, Calvi diz que não é artista, apenas executor e autodidata. “Meu professor foi a madrugada, aprendi fazendo”.

ilustracao de gian calvi

ENTRANDO NA PUBLICIDADE
De lá, ele foi convidado para ser diretor de arte na TV Globo sem entender nada de TV. “O importante na vida é o que você vai fazer, não o que já fez”. Mais uma vez Gian não ficou muito tempo e saiu para trabalhar com Mauro Salles no Grupo Técnico de Propaganda. “Eu também não entendia nada de publicidade”, diverte-se. “Mudei para São Paulo e como lá não tinha escritório, eu trabalhava no quarto de hotel usando a cama como prancheta”.

Transitando pelo setor de propaganda, conheceu muita gente e começou a fazer free lancer para o Aroldo Araujo. “Ele era um one man show. A agência era ele: atendia ao telefone, era o responsável pela mídia, pela criação, tudo”.

O mais curioso é que pulando pra lá e pra cá, de emprego em emprego, nem sempre a motivação era financeira. “Eu não mudava por um salário maior, pelo contrário, a emoção do novo sempre me instigou mais”. Com o tempo, ele abriria sua própria agência, a Casa do Desenho (posteriormente Casa da Criação), onde trabalhou seu filho Marco - na época com 17 anos e hoje um dos sócios diretores. Pouca gente sabe, mas a primeira filial foi em Bogotá, a Casa de La Criación.
logomarca da Casa da Criação

“ME SINTO LATINO AMERICANO”
Apesar de italiano, Gian Calvi conhece muito bem os países da América Latina. Foi quando começou a perceber que os livros daqui eram produzidos na Espanha, sem características locais. “Lá no Equador, os personagens eram espanhóis pintados de marrom claro, e não índios!”. Decidiu então criar um programa de livro didático com identificação local. “Fizemos os primeiros livros equatorianos feitos por equatorianos”. Dali em diante, o criativo reproduziu o modelo em praticamente todos os países, com exceção do Chile, Honduras e Guatemala. “Nasci na Itália, mas eu me sinto latino americano”.

No caso brasileiro, ele fez uma pesquisa e identificou que 99% das árvores utilizadas em livros infantis eram pinheiros. “Uma árvore que nem é nativa do Brasil.
Os modelos eram de fora, não tinha fauna e flora típica”. Ironicamente, o estalo veio de um estrangeiro, durante a Feira do Livro Infantil de Bolonha. “Eu mostrei o meu portfólio para um editor inglês e ele me disse: ok, tecnicamente você sabe desenhar. Mas cadê a sua cidade aqui?”.

Durante uma viagem a Cuba, ele começou a rascunhar o que viria a se chamar Crianças Criativas, um centro de pesquisa da iconografia latino-americana que esteja ligado com a indústria de alta tecnologia. “Lembro-me de ver os livros cubanos com desenho de criança com metralhadora, aquela paranóia da invasão americana”.
A violência estava presente em todo o continente. “O meu filho Gian Sebastian aprendeu a andar na Nicarágua, entre sandinistas com metralhadoras nos ombros”.

Uma grande parceira das Crianças Criativas é a sua atual esposa, a bibliotecária Lucila Martínez, que Gian conheceu em Bogotá, onde ela trabalhava para a UNESCO. “Ela é uma das autoras da Lei do Livro, que fortalece a indústria gráfica para que produza seus próprios livros”, conta orgulhoso.

ilustracao de crianças por Gian Calvi

O EMBRIÃO DAS CRIANÇAS CRIATIVAS
Articulando, conseguiu US$ 75 mil com a UNICEF e começou a montar uma espécie de centro de imagem latino-americana. “Fomos para São Paulo, morar de favor num quarto e sala da minha amiga Auta Rojas. Levei a Lucila e o Gian, que ainda era bebê, para apresentar pessoalmente o projeto ao José Mindlin, que era o dono da empresa Metal Leve”. O falecido advogado e empresário adorou o projeto, que virou prioridade na FIESP. “Conseguimos um escritório lá dentro e estipulamos duas metas: sensibilizar os empresários do ramo de calçados, que copiavam os modelos de fora, e da indústria mobiliária”.

Até hoje, Gian se mostra indignado com a ausência dos governos nos grotões do país. “Uma biblioteca na Colômbia tem 7.000 visitantes por semana, por que lá é um espaço de lazer, não de aprender, a família toda vai pra lá”.

EM DEFESA DO LIVRO INFANTIL
Uma das polêmicas em torno do mercado editorial tem como foco o ilustrador, que até hoje não é reconhecido como autor. Ou seja, não tem direito a porcentagem das vendas referentes ao direito autoral. Mas até nisso, Gian Calvi foi pioneiro.
“Fui um dos primeiros a defender a co-autoria. A ilustração vai além do texto, tem que oferecer algo mais”.

Claro que o livro, infantil ou não, é importante, mas como disputar a atenção com TV, videogame, celular e internet? “Temos excesso de oferta, o tempo ficou curto e a capacidade de escolher piorou”, responde sem pestanejar. “O livro deixou de ser um objeto de prazer. Eu não vejo livros na sala das pessoas, e é justamente com eles que eu gasto mais dinheiro”.

Em segundo lugar, ele aponta a ausência do hábito. “Como uma criança vai tocar, folhear livros, se os pais não foram leitores? O passatempo se tornou mais importante que a cultura”. Por fim, ele cita a questão da baixa estima e a infra-estrutura deplorável das escolas públicas. “O professor de hoje tem medo da turma, seja por que ela é agressiva ou por saber mais que ele, através da internet”.

livros infantis de gian calvi


FAMÍLIA CALVI
Do primeiro livro, Zig Zag Zeg, editado pela editora Rio Gráfica, do qual nem ele tem um exemplar, até os próximos 10 a serem lançados esse ano, quanta história se passou. Parte dela está reunida na exposição 50 anos vendo as coisas de outro jeito, que pode ir do Rio de Janeiro para a Itália.

Avô de quatro netas – duas delas vieram dos EUA só para a exposição – Gian conseguiu passar adiante sua paixão por livros. “A capacidade lúdica que os livros proporcionam ainda é fascinante e não acabará nunca”, diz o filho Marco Calvi, lembrando o espaço das grandes lojas de livros nos shoppings. “Assim como o DVD não acabou com o cinema, a internet com o jornal, o livro sempre terá seu espaço”.

Seu irmão Gian Sebastian corrobora da mesma opinião. “O livro talvez tenha perdido um pouco de espaço, mas as boas histórias nunca vão perder o seu espaço na vida das crianças. O que essas novas ferramentas proporcionam é a possibilidade das crianças experimentarem elas de uma forma muito mais envolvente”.

Quando era criança, Sebastian costumava levar os amigos até sua casa de Itaipava, onde ficavam fascinados com os desenhos e cartazes na parede. Da mesma forma, sua casa é decorada com muita cor. “Sempre busco enchê-la de estímulos, quadros, tecidos, móveis que me contam uma história interessante”.
livros do selo criancas criativas Gian Calvi


O RECOMEÇO
Carreira internacional, inúmeros livros e selos publicados, prêmios aos borbotões. Hoje nada disso é tão importante para ele quanto as Crianças Criativas. Além de livros, Gian e a esposa vendem também fantoches produzidos numa ONG de mulheres pobres de Campinas (SP). “A proposta é que o professor leia o livro ou passe o desenho animado do livro, depois peça aos alunos que reinterpretem a história ou dublem o filme usando os fantoches”. Através desta forma lúdica, o casal quer estimular as crianças a falarem dos problemas do dia-a-dia.

Um exemplo de utilização dos brinquedos é o grupo de bonecos nus (abaixo), utilizados para falar de abuso sexual. “A criança acaba por tocar no local onde foi abusada”, explica. Já existem mais de 70 atividades criativas para praticar em sala de aula. E enquanto Gian Calvi existir pode ter certeza que continuarão a surgir tantas outras.
fantoches criancas criativas de Gian Calvi


INOVAÇÃO
Inovar é preciso. Que diga Gian Sebastian, gerente de criatividade e inovação da Coca-Cola Brasil. Em sua opinião, o mercado editorial deve fazer duas coisas:

1- Entender que o seu negócio é o conteúdo do livro e não o objeto livro. O valor de um livro está na qualidade da estória e da forma como ela é contada. Acredito que aquelas editoras que tiverem estórias fantásticas continuarão a ter um negócio saudável e virtuoso.

2- Explorar ao máximo a oportunidade que essas novas tecnologias trazem para tornar essas estórias ainda mais atrativas e construtivas para as crianças.

Uma boa oportunidade de ver o quão inovador foi seu pai, Gian Calvi, é conferir a exposição no Centro Cultural dos Correios, no centro do Rio, que foi prorrogada até 27 de junho. A entrada é franca.
selos criados por gian calvi para a ECT

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A face divertida do futebol no CCBB do RJ e SP

Caderno B do JB 08-06-10 pedro de Luna

Apesar de acontecer apenas de quatro em quatro anos, a Copa do Mundo de Futebol é um campeonato de grandes emoções. Se depender de uma seleção de craques do humor, haverá mais alegrias que tristezas. A exposição Craques do Cartum na Copa ocupa o Centro Cultural Banco do Brasil simultaneamente no Rio de Janeiro e em São Paulo, com entrada gratuita.

Para ganhar o jogo, foram convocados trabalhos de 11 artistas, cada um com cinco trabalhos cada, entre inéditos e consagrados. Estão lá desde os famosos Ziraldo e os irmãos Caruso, até – os talentos da geração seguinte, como Dálcio e Gustavo Duarte.

As duas exposições buscam resgatar, divulgar e promover a influência do futebol na cultura brasileira. Os originais trarão caricaturas de jogadores antigos, charges de momentos históricos e até originais inéditos, como o personagem Dieguito que Mauricio de Sousa desenvolveu para Maradona e nunca foi publicado.
cartum de Ziraldo no Pasquim 1980

CENOGRAFIA ESPECIAL
Para o visitante entrar no clima, a exposição simula um campo de futebol. A entrada é entre as traves da baliza, com chão acarpetado simulando o gramado. O som ambiente entoa cantos e reações de torcidas. Os convocados pelo técnico Dunga para a seleção principal também estão em caricaturas de corpo inteiro e tamanho natural.

----- Esta exposição visa reconhecer e valorizar o talento e a criatividade de nossos artistas gráficos que, assim como o nosso futebol, são respeitados em todo o mundo. ---- observa Marcelo Mendonça, diretor do CCBB São Paulo.

Esta opinião é compartilhada pelo diretor do CCBB Rio de Janeiro, Marcos Mantoan, que também montará um telão para a exibição dos jogos.

Para os professores, uma atração a parte será um workshop sobre como utilizar o humor gráfico e quadrinhos em sala de aula, ministrado pelo cartunista José Alberto Lovetro, o Jal, curador do evento. No Rio, acontece hoje às 15h30.
seleção brasileira de 2010 no traço de JAL

ENCONTRO DE GERAÇÕES
Esta é a primeira vez que Gustavo Duarte e Dálcio Machado expõem no CCBB. No caso de Gustavo, seu critério foi escolher as que mais lhe agradava tanto no aspecto gráfico quanto na idéia. Brincalhão, Dalcio explica que utilizou outro critério:

------ Tinha que ter mais caricaturas de jogadores brasileiros do que de argentinos! Brincadeira, escolhi os que eu mais gostava.

Porém, ambos não escondem a alegria em dividir a parede com os veteranos.

---- Estar no mesmo time que o Ziraldo, Mauricio e Henfil nesta exposição me enche de orgulho. Além, é claro, do Paulo e do Chico que são mais próximos e tanto me influenciaram. Como disse ao Mauricio quando o conheci, são todos meus heróis de infância. –-- diz Gustavo.

------ A sensação é mais ou menos a que um jogador novato sentiria se entrasse em campo, olhasse pro lado e lá estivessem, com o uniforme igual ao seu, o Pelé, o Zico, o Rivelino... – endossa Dálcio.
Romário e Felipão no traço de Gustavo Duarte

Dálcio é São paulino, Duarte torce pelo Noroeste, de Bauru, e São Paulo. Ele acredita nas chances do Brasil conquistar o hexacampeonato.

----- Mas se tivesse que apostar, apostaria na Argentina.

Piadas à parte, o Brasil leva essa Copa? Dálcio responde sem pestanjear:

----- Bem, o Dunga está se esforçando muito, fazendo o seu melhor. Portanto, acho que não.

Pelo visto, até na hora da entrevista os artistas fazem piada. Para rir dos trabalhos desse grupo de feras, basta dar um pulo até o CCBB. A abertura da exposição no Rio de Janeiro para o público aconteceu hoje.
Maradona by Dalcio Machado

Ps- Fui a inauguração para convidados ontem à noite. Confesso que esperava mais. Não vi vários dos trabalhos recebidos por email, enviados pela assessoria de imprensa, como esse do Dunga (abaixo, no traço de Fernandes), e os postados aí em cima (com exceção do Ziraldo). Também pensei que a área de exposição seria bem maior. Nos pouco mais de 30 minutos que fiquei por lá, também não reconheci nenhum dos artistas em questão.
O coquetel típico foi interessante, com vendedores trajados com a roupa da seleção, distribuíndo pipoca, biscoito Globo, hambúrguer, cachorro quente, cerveja e mate (de galão) como se fosse num estádio. Acho que poderia ter rolado também um concurso de humor e uma área para o público também expor seus "trabalhos", mas, enfim, ficam as ideias para a Copa de 2014 no Brasil.


Dunga no traço de Fernandes

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60 anos de muita malandragem no quartel

Sabe quem está comemorando 60 anos de vida? O Beetle Bailey!!! Provavelmente você não conhece nenhum personagem com esse nome, mas é o original que no Brasil foi traduzido para Recruta Zero. Em homenagem às seis décadas do soldado mais preguiçoso do planeta, haverá um bate-papo com Álvaro de Moya, curador da exposição 'Recruta Zero 60 anos´, o desenhista Primaggio Mantovi e o jornalista Gonçalo Junior. O encontro será nesta quinta (10), das 20h às 21h30, no SESC Vila Mariana, em São Paulo. Entrada franca, com retirada de ingressos uma hora antes.

revista antiga do Recruta Zero

Em breve, o JBlog fará uma reportagem mais aprofundada, mas para se ter uma ideia da importância do personagem das HQs, a universidade onde Mort Walker se formou em 1948 criou uma estátua para o filho de seu filho mais ilustre. Abaixo, o artista, e a estátua erguida em 1992 na University of Missouri.

Mort Walker criador do recruta zero

estatua do recruta zero no campus Columbia da univ Missouri


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Oficina de quadrinhos na gibiteca de Santos

oficina de hq em Santos por Fabio Tasubô

A cidade de Santos oferece ao seu povo uma gibiteca, batizada Marcel Rodrigues Paes. E é lá que acontecerá uma oficina de HQ ministrada por Fábio Tatsubô. As aulas acontecerão nos dias 12 e 19 junho, 3 e 10 de julho, das 14 às 17h, e são dirigidas para alunos com noções básicas de desenho. A metodologia do curso incluí trabalho de pesquisa histórica e iconográfica, criação de personagens, roteirização e publicação de uma revista caseira (o fanzine) com narrativas visuais dos principais personagens da história santista.

Fábio Tasubô (abaixo) faturou o prêmio HQMIX 2000 com o projeto ‘500 Anos de Brasil em Quadrinhos’, editou a revista Mangá Kids, e produziu a exposição “Fragmentos da Imigração” (Secretaria de Estado da Cultura) nas comemorações dos 100 anos da imigração japonesa no Brasil.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas a partir de segunda-feira, dia 7, pelo telefone (13) 3288-1300, (13) 3288-1300, ou na própria gibiteca, de 2ª a sábado, das 9 às 19 horas e domingo das 9 às 14 horas. A realização é da Secretaria de Cultura de Santos (Secult).

 Fabio Tasubô

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O lucrativo negócio do leilão de quadrinhos

inedito de Tintin e o cetro de ottokar

Apesar da crise econômica, os leilões de histórias em quadrinhos vão cada vez melhor. Se nos Estados Unidos, gibis de Batman e Super-Homem alcançaram valores superiores a US$ 1 milhão, na Europa as HQs dobraram sua participação nas vendas de arte pública. Segundo informações de um grande semanário francês, em 1998 elas representavam aproximadamente 2,5% do total, hoje chegam a 5%.

No sábado passado, entre as 230 peças relacionadas com Tintin, foi posta a leilão uma prancha dupla da primeira versão em preto e branco do álbum O Cetro de Ottokar (acima), de 1938. A peça teve seu valor estimado entre 250 e 300 mil euros.

No próximo final de semana, em outra casa de Paris, vai a leilão um desenho de Tintin e conchas feito por Hergé para seu amigo Edward Cnapelinckx, um colecionador de conchas, na ocasião do seu qüinquagésimo aniversário. O curador Thibaut Van Houte se mostrou animado pois foi um dos últimos desenhos do artista e estima que a peça possa alcançar de 50 a 70 mil euros.

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