Arquivo de July 2010

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Trailer do filme Thor vaza na internet

O trailer do longametragem sobre o personagem Thor, da Marvel, apresentado esta semana na Comic Con, em San Diego (EUA), vazou na internet. O filme dirigido por Kenneth Branagh com os atores Natalie Portman e Anthony Hopkins só estréia em maio de 2011, mas o trailer você pode ver no clicando AQUI

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Um contrato com o cinema: Eisner nas telonas.

pedofilo de Um Contrato com Deus de will eisner
Em 1978, o grande Will Eisner inventou o termo "graphic novel" (novela gráfica) para convencer seu editor a lançar o livro Um Contrato com Deus, lançado aqui pela editora Devir. Ele é o primeiro volume de uma trilogia que segue com A Força da Vida (1982/3) e Avenida Dropsie: a vizinhança (1995), que foi adaptada para o teatro. Trata-se de um livro denso, como você já deve ter notado pelo fragmento acima.

Pois bem, a boa nova é que Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço será adaptada para o cinema. A notícia veio da boca do produtor Darren Dean, que assina também o roteiro, e terá quatro diretores do cinema independente, cada um contando uma das quatro histórias da HQ. São eles: Alex Rivera ("A Contract with God"), Tze Chun ("The Street Singer"), Barry Jenkins ("The Super") e Sean Baker ("Cookalien"). O elenco principal deve ser anunciado nos próxims meses, e as filmagens estão previstas para começar em 2011.

Veja imagens do livro clicando AQUI.

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Vote em mim. Desta vez é sério...

pedro de luna no atitude.com

Este blogueiro foi indicado ao troféu do 4º Prêmio GRC Quality Music 2010, na categoria Personalidades que trabalham em prol da música independente brasileira. Isso mesmo, além de dar uma força para os quadrinhos, eu também tenho quase 20 anos de serviços prestados a outro segmento. Editei fanzines e jornais, escrevi colunas, produzi shows e campeonatos de skate, rodei por praticamente todos os festivais de rock do Brasil.

Se quiser me dar uma força, basta votar gratuitamente em Pedro de Luna até dia 29 de julho, quinta-feira, no site www.grcmusic.net/4premio (clique no link Votação Popular no rodapé esquerdo). É possível votar QUANTAS VEZES QUISER!

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Um debate sobre a tecnologia 3D em animações.

BugiGangue alienigenas

Parece inevitável. O que parceria moda se tornou o padrão do mercado. Desenho animado infantil agora só se for em 3D. Pensando nisso, a produtora 44 Toons acaba de realizar o primeiro curta nacional de animação em 3D estereoscópico, BugiGangue - Controle Terremoto.

No filminho de apenas 11 minutos, Gustavinho e seus amigos mexem nas coisas de seus amigos alienígenas e acabam iniciando uma batalha entre planetas. Para quem não conhece, BugiGangue é o nome de uma turma formada por sete crianças – Gustavinho, Fefa, Francesco, Mitsue, Bola, Banana e Mariana – e sete alienígenas idênticos e atrapalhados que passam as tardes no clubinho da Bugi, construído em um parque da cidade com material reutilizado.

BugiGangue turminha

Diretor da 44 Toons, Ale McHadd destaca o fato de que o filme foi inteiramente produzido em 3D, da concepção à finalização, e 100% brasileiro:

---- Nós adquirimos uma metodologia de trabalho que inclui desde a questão técnica até o detalhamento do impacto do 3D no orçamento. Esse trabalho nos fez rever e aprimorar uma série de pontos do longa.

Longa? Isso mesmo. O próximo passo da produtora é produzir um longa em 3D com os mesmos personagens, numa aventura no espaço. Quem quiser saber mais a respeito poderá perguntar diretamente ao Ale, que será o moderador de um debate no Anima Fórum amanhã, sexta (23), das 15h às 17h50, no teatro 2 do CCBB. Este bate papo do Anima Mundi terá como tema a tecnologia 3D em animações.

Leia também:
Animação se aprende na escola
Marcos Magalhães: por um futuro mais animado
O Estranho Mundo de Jack para colecionadores

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Oficinas, palestras e debates gratuitos sobre HQ

Época de férias é sempre assim, surgem vários eventos bacanas, inclusive no meio das HQs. Neste domingo, por exemplo, começa a oficina gratuita de Histórias em Quadrinhos em Santos/SP, com Alexandre Manoel, da revista Subversos. Com inscrições gratuitas e limitadas, o curso terá duração de seis semanas, com aulas aos sábados, sempre na Gibiteca Marcel Rodrigues Paes. Cada aula abordará um tema específico: Ideia, Argumento, Gêneros & Ambientes, Personagem, Desenho e Narrativa. Inscrições até amanhã (23) pelo telefone (13) 3288-1300.

oficina de hq em santos com alexandre manoel


Já no outro final de semana, dias 31 e 1º de agosto rola a segunda edição do HQ em Pauta, novamente na Biblioteca Viriato Corrêa, em São Paulo. A programação de cada um dos dias será aberta com a exibição comentada de filmes inspirados nos quadrinhos - dia 31, Rocketeer (1991) e dia 1, Superman II – A aventura continua (1980) – seguido de palestras, mesas-redondas, debates e análise de portfolios.
Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público.

No sábado, às 14h30, acontece a palestra O personagem de quadrinhos: simulacro da realidade, com Spacca. Na sequencia, é a vez da mesa-redonda Além da barreira editorial entre o Brasil e a Argentina, com Eloar Guazzelli e Claudio Martini, sob mediação de Paulo Ramos (autor do ótimo livro Bienvenido, em breve aqui no JBlog). O dia será encerrado com o debate HQs nostálgicas e modernas: é possível gostar das duas?, com Maurício Muniz e Marcelo Naranjo, sob mediação de Jota Silvestre.

O domingo começa bem com a palestra Aguerra dos gibis: heróis de papel vs. vilões de carne e osso, com o jornalista Gonçalo Jr. Depois, mesa-redonda Quadrinhos no Brasil e no Exterior: como nosso mercado deveria funcionar, com Eddy Barrows e Danilo Beyruth, sob mediação de Maurício Muniz. Encerrando o dia, às 17h30, debate Scan: ilegal, mas irreversível?, com Levi Trindade e André Morelli, novamente sob mediação de Jota Silvestre.
2 HQ em pauta 2010

E finalmente, no oooutro final de semana, o destaque será o encontro com o quadrinista alemão Flix, lá em Curitiba/PR. Nascido Felix Görmann, o artista inaugurará a exposição Da war mal was, participará de um bate papo e, muito interessante, ministrará uma oficina para professores de alemão batizada "História em Quadrinhos na Alemanha - artistas, locais, temáticas". As atividades acontecerão de sábado (07/08) a terça (10), no Goethe-Institut e na Gibiteca no Solar do Barão, sempre com entrada franca. Mais informações pelos telefones (41) 3262-8244 e 3321-3250, ou clicando aqui.
o quadrinista alemão FLIX

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Ganhe um kit com 6 revistas da Luluzinha Teen!

promo 5 kits Luluzinha Teen julho 2010

A Ediouro está oferecendo cinco kits, cada um com seis exemplares da revista Luluzinha Teen (FOTO), para os leitores aqui do JBlog. Para participar, basta enviar um e-mail para bzaobzao@gmail.com dizendo seu nome, sua cidade e qual artista você gostaria de ver nas histórias da turma. Vale tudo: músico, banda, ator, atriz, etc. Nacional ou internacional. Participe!
Luluzinha Teen e banda Cine

A edição com a participação da banda Cine faz parte do kit.

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Mônica e Lulu: duas adolescentes de sucesso

TMJ e Luluzinha Teen no Caderno B 17-07-2010

Renovação é a palavra chave para explicar o sucesso editorial de duas revistas em quadrinhos impressas em plena era digital. Originalmente, tanto a dentuça Mônica quanto a feminista Luluzinha já são umas senhoras. Mas ambas foram submetidas a um processo de rejuvenescimento, originando novos produtos.

Em apenas um ano de vida, Luluzinha Teen já chegou a marca de 80 mil exemplares por edição. Por sua vez, a Turma da Mônica Jovem se aproxima do segundo ano de circulação vendendo acima de 400 mil unidades. E que ninguém ouse falar em concorrência. O próprio Mauricio de Sousa prefere dizer que todos são participantes de mercado, e afirma que há espaço para todo mundo:

---- Cada lançamento gera mais leitores e isso é salutar para todos. Mais ainda para os leitores que podem escolher, criticar ou paparicar alimentando seu interesse.

O editor Daniel Stycer, da Ediouro, concorda que existem semelhanças, mas também diferenças:

---- A Turma da Mônica Jovem é um ótimo produto, assim como quase tudo o que Mauricio de Souza faz. Mas acredito que a TMJ se destina a um público um pouco mais jovem que Luluzinha Teen. Diferentemente da TMJ, que começou investindo bastante no universo fantástico, nossas temáticas sempre foram mais voltadas para o mundo real.

Porém, ambos mostram-se muito felizes com os resultados de seus lançamentos.

--- Confesso que superou até nossas expectativas. – diz Mauricio. --- Isso só aumenta nossa responsabilidade com todos esses antigos e novos leitores que abraçaram a idéia. Nesses dois anos sentimos que estamos no caminho certo, mas que não podemos nos acomodar no sucesso. É um público exigente e que sabe o que quer.

Stycer, por sua vez, frisa o posicionamento do novo produto:

--- Estamos bastante satisfeitos por termos conseguido consolidar a Luluzinha Teen em tão pouco tempo. Neste curto período, atingimos uma participação no mercado bastante significativa no segmento que atuamos, ocupando o 2º lugar.

Daniel Stycer editor da Luluzinha Teen

Stycer, editor da Luluzinha Teen: satisfeito com o 2o lugar no mercado.


DIÁLOGO CONSTANTE COM O LEITOR
Parecido ou não, o fato é que tanto a revista produzida em São Paulo quanto a elaborada no Rio de Janeiro pegaram carona em temas e ídolos do momento. Quando o filme Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, estreou nos cinemas brasileiros, rapidamente saiu uma versão em dois exemplares com a Turma da Mônica Jovem no papel dos protagonistas. Da mesma forma, Luluzinha teve uma edição chamada “Depois do Crepúsculo”.

Desde a primeira edição, em junho de 2009, quando tivemos a participação da Pitty, que procuramos trazer para a revista elementos do cotidiano dos jovens. Isto faz com que a gente esteja ligado em temas do dia a dia deles e também de seus ídolos. – explica Daniel. ---- O especial Crepúsculo teve relação direta com "a invasão dos vampiros" na literatura e no cinema. Nada impede que Lulu participe de outras sagas.

Aliás, se aproximar dos leitores é cada vez uma prioridade. Eles estão no comando e participam dos roteiros utilizando os canais da internet, como o Twitter, o Orkut e o e-mail. Mauricio explica que algumas sugestões dos leitores já foram adotadas nas histórias:

----- Já mudei até nome de personagem. Quadrinhos é comunicação e não se faz mais dentro de uma sala sobre uma prancheta. Hoje tem que ser interativo com o público para funcionar com agilidade.

Houve também uma grande transformação social. O adolescente de hoje é bem diferente de 50 anos atrás, não existe mais a distinção entre o “Clube do Bolinha” e o “Clube da Luluzinha”.

---- O que mudou, a nosso ver, é que até o início da adolescência, principalmente, meninos e meninas hoje em dia têm muito mais facilidade de se relacionar do que tiveram outras gerações. As barreiras caíram. Meninas jogam futebol, trocam figurinhas, garotos não têm vergonha de mostrar que são vaidosos. --- explica Daniel.

Mauricio de Sousa na prancheta

Mauricio diz que é preciso interagir com o leitor


SITE, DESENHOS NA TV E FILME EM 3D

Na semana passada, Mauricio estreou o novo site da TMJ. No entanto, ainda não vai ser agora que uma das maiores reivindicações dos jovens leitores será atendida: a de ler gratuitamente as histórias.

--- A internet é a democratização da comunicação. Mas também é um território em formação e tem seus problemas. --- diz Mauricio. --- Nós já publicamos histórias da Turma Clássica no site que são lidas gratuitamente na internet. Mas isso só é possível por termos bastante material de arquivo e que não canibalizam nossos produtos de venda. Afinal temos que pagar as contas no fim do mês. Mas estamos estudando alguma forma de abrir histórias da TMJ também.

Nas palavras de Marcelo Adriano da Silva, coordenador de marketing da editora Panini, a idéia do novo site foi reunir o universo da revista com interatividade, oferecendo desde o preview das revistas e até a criação de comunidades.

--- Hoje a Panini investe principalmente nas redes sociais. Temos uma equipe para trabalhar e informar com exclusividade os lançamentos dos produtos do Mauricio de Sousa, além de TV aberta e fechada onde está o nosso público.

Num momento em que começa a preparar sua sucessão na empresa, Mauricio se entusiasma ao falar de tecnologia. Os desenhos animados da Turma Clássica, como ele costuma chamar, estréiam na TV aberta neste sábado logo após a TV Globinho. Mas em breve serão lançadas as animações em 3D da Turma da Mônica Jovem, Turma do Penadinho e Astronauta.

--- A onda 3D veio com tudo e estamos também nessa. E os desenhos animados da turma jovem provavelmente serão realizados com a técnica do Avatar. --- anima-se o desenhista. --- As plataformas de comunicação estão surgindo a todo o momento. Além dos gibis temos que estar nos desenhos animados da TV, no cinema, na internet, nos games, no celular e o que mais vier. Veja que a revolução eletrônica não impede que vendamos bem os gibis em papel. A convivência é natural.

De fato, além dos canais eletrônicos, este senhor artista que em breve completará 75 anos de vida, continua produzindo muitas obras impressas. Agora os leitores encontram nas bancas os gibis da Mônica em inglês e espanhol, e na Bienal do Livro de São Paulo será lançado o primeiro livro da coleção Turma da Mônica Jovem. Além disso, existe um projeto para a revista do Chico Bento Jovem, com envolvimento ecológico, mas não em estilo mangá. A idéia é mostrar ao jovem que não é uma "regra" tentar a vida profissional na cidade e que o campo é um ótimo lugar para se conseguir qualidade de vida.

Turma da Mônica em inglês e espanhol

primeiro livro da Turma da Monica Jovem

Acima: gibis em inglês e espanhol e o 1o livro da Turma da Mônica Jovem


NOVIDADES CONSTANTES
Trabalhar com o público teen (12 a 15 anos) e tween (8 a 12 anos) exige novidades periódicas, como é o caso da Luluzinha Teen, que este mês levou para as páginas da revista a banda Cine, formada por quatro garotos de São Paulo.

---- Lulu quer sempre surpreender seus leitores. --- diz Stycer, destacando também ações interativas como o hotsite "participe da história", o especial do catálogo de moda e as edições especiais como a que foi escrita pela Thalita Rebouças (amigos.com.voce).

Também não existem fronteiras e limites para as ideias de Mauricio de Sousa. Depois de lançar suas publicações na China, ele está prestes a colocar seus desenhos animados na TV chinesa. E continua sonhando com a adoção do seu personagem Pelezinho como mascote da Copa de 2014, como noticiado com exclusividade aqui no Jornal do Brasil, em abril do ano passado.

--- Quando falei ao Pelé sobre a ideia ele adorou. Mas isso depende de negociação não só com os responsáveis pelos contratos do Pelé, mas com a CBF e a FIFA. Mesmo que não seja o símbolo de 2014 como uma justa homenagem ao melhor jogador de futebol de todos os tempos, pode ser um segundo mascote para alguns projetos junto aos organizadores desse espetáculo.

revista da Mônica lançada na China
Luluzinha Teen e sua turma jovem

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15 curiosidades sobre Os Simpsons

os simpsons na calçada da fama

É isso mesmo que você está vendo. A série de TV norte-americana Os Simpsons está na calçada da fama, em Hollywood. Afinal, no ar desde 1987, o desenho animado da família amarela já bateu recordes mundiais, entre eles o da série com mais personagens convidados no mundo. São inúmeros atores, cantores, bandas de rock e até presidentes que fizeram uma pontinha em episódios. Rolou até um anúncio na Angola, no ano passado, onde fizeram uma versão negra deles. Por essas e outras, o site Odee.com criou um infográfico com as 15 coisas que você precisa saber sobre Os Simpsons. Veja aí embaixo:

as 15 coisas que vc precisa saber sobre Os Simpsons

Leia também:
Marge Simpson na capa da revista Playboy
Tudo sobre o livro Super Heróis nos Desenhos Animados

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Desenhos da Turma da Mônica na TV aos sábados

Desenho animado da Turma da Mônica

Conforme noticiado aqui no JBlog, a partir deste sábado (17) os espectadores da TV Globo poderão curtir os desenhos animados da Turma da Mônica logo após o programa TV Globinho. “Um doente, sua irmã e a grande competição de cuspe à distância”, “Os milhos”, “O guarda-chuva voador” e “Picadeiro” são as historinhas exibidas no sábado de estréia. Mais uma conquista pros fãs de quadrinhos e desenhos animados nacionais para animar as nossas manhãs de sábado.

Leia também:
Desenhos do sábado de manhã inspiram CD com bandas de rock

Desenho animado da Turma da Mônica 2

Desenho animado da Turma da Mônica 3

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HQM apostará em mangás, inclusive nacionais

os 3 primeiros mangás da editora HQM

Mais uma editora aposta no filão do quadrinho de formato japonês. No dia 17 de julho, a HQM lança seu primeiro livro de HQ em mangá, Who Fighter e O Coração das Trevas, de Seiho Takizawa, com três contos de guerra: uma sobre os lendários “Foo Fighters”, apelido dado pelos pilotos da Segunda Guerra Mundial às misteriosas bolas de fogo, tidas como OVNIS; outra sobre um coronel que decide desertar, criando um reino particular no coração das florestas da Birmânia (atual Mianmar); e, por fim, uma viagem surreal através de gerações de tanques de batalha. Estou muito curioso para ler. Espero que esse aí chegue na minha caixa postal.

Na esteira, a HQM valoriza o trabalho made in brazil e lançará também duas produções nacionais: Vitral e O Príncipe do Best Seller, ambas realizadas pelo Futago Studio, das autoras Shirubana e Soni. Veja algumas páginas AQUI

Leia também:
A força das antologias em mangá
Prêmio Internacional de Mangá
Alice no País das Maravilhas em formato mangá

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Bye bye, Harvey Pekar. Você vai fazer falta.

harvey pekar

O quadrinista norte-americano Harvey Pekar faleceu às 01h de ontem, aos 70 anos de idade, de causa mortis ainda não divulgada. Em 1990 foi diagnosticado câncer linfático, o que o inspirou na HQ Our Cancer Year. Recentemente, ele havia desenvolvido também câncer de próstata.

Ao lado de quadrinistas underground como Robert Crumb, Pekar começou a ter seus roteiros publicados e a fazer fama no circuito alternativo. Ambos se conheceram em 1962 e o autor do gato Fritz e Mr Natural dizia que Pekar era a alma de Cleveland. "Ele é apaixonado e articular. Ele é implacável. Ele é judeu. Aprecio a maneira como ele abraça toda aquela escuridão", declarou certa vez a um jornal.

O trabalho mais conhecido de Pekar é American Splendor, que carrega sua marca registrada de valorizar o heroísmo do homem comum, da classe trabalhadora, o humor da vida cotidiana. Em 1987 ele ganhou o American Book Award por sua primeira antologia da American Splendor e, e em 2003, a adaptação cinematográfica ganhou o Grande Prêmio do Júri de filmes dramáticos no prestigiado Sundance Film Festival.

Aqui no Brasil, a editora Conrad lançou o álbum Bob & Hary - dois anti-heróis americanos (Conrad Editora), em parceria com Crumb. Pekar foi arquivista de hospital em Cleveland e crítico esporádico de jazz e passou rapidamente à condição de gênio das HQs modernas. Mais um que vai fazer falta por aqui...

Harvey Pekar na capa da American Splendor

Leia também:
Adeus, Frank Frazetta, mestre do realismo
Falece o criador do boneco Playmobil

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Novo site da Turma da Mônica Jovem

novo site da Turma da Monica Jovem julho 2010

A revista Turma da Mônica Jovem foi lançada em agosto de 2008 e tem feito muito sucesso. Muitos leitores escrevem pro JBlog perguntando como fazer para ler as revistas pela internet. Enfim suas vozes foram ouvidas e seus e-mails e posts lidos. Pelo menos em parte. Entra no ar HOJE o novo site, com capas, algumas páginas, informações exclusivas, enquetes e quiz. Haverá ainda um espaço para os leitores criarem seu perfil na comunidade do site, formando uma rede de divulgação e um ponto de encontro com seus personagens preferidos.

Futuramente, o site terá um canal de vídeo para o internauta incluir depoimentos sobre a turma, além de escolher as histórias de Mônica, Cebola, Magali e Cascão que gostaria de reler.

Para acessar o novo site, escolha qualquer um desses dois endereços:

turmadamonicajovem.com.br ou revistaturmadamonicajovem.com.br

Leia também:
Entrevista com Mauricio de Sousa
Desenhos animados de Mauricio de Sousa na TV Globo
Personagem Tina ganha sua própria revista

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Seja famoso e vire uma revista em quadrinhos

A indústria cultural – e com as editoras não tem sido diferente - caminha num vício que, pelo visto, não tem cura: a de se aproveitar ao máximo de pessoas midiáticas, com grande exposição mundial, para o lançamento de produtos.

O jogador britânico David Beckham é o tema de uma revista em quadrinhos escrita por Peter Rogers e ilustrado por Matt Bellisle e Pablo Martinena. A publicação contará vida do craque desde a infância, quando sonhava jogar no Manchester United, até seu casamento com Victoria. Fame: David Beckham (CAPA abaixo) chegará às lojas em setembro, por um preço de US$ 3,99, e também será vendida pela internet.

hq david beckham CAPA

O atleta vai inaugurar uma série de revistas biográficas da Bluewater Productions, que vai incluir 50 Cent, Robert Pattinson, Taylor Swift, Lady e os protagonistas da saga Crepúsculo, Robert Pattinson e Kristen Stewart.

Em novembro, a editora norte-americana Harper Collins lançará em seu país uma versão em quadrinhos do livro O alquimista, de Paulo Coelho, lançado há 20 anos e que já bateu a casa das 30 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Os desenhos ficarão a cargo de Daniel Sampere. E, claro, o romance será adaptado para os cinemas, assim como fizeram com Veronika Decide Morrer, do mesmo Paulo.
Abaixo, duas páginas já prontas e divulgadas pela editora.

O Alquimista em quadrinhos de Paulo Coelho 2010

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HQ Mix reconhece articulistas e pesquisadores

banner HQ MIX

Saiu a lista de indicados para o 22º Troféu HQ Mix, onde o voto é realizado apenas com os profissionais da área. Na opinião deste blogueiro, este critério é muito bom pois impossibilita que aqueles com mais amigos internautas ou os mais populares ganhem, gerando um vício na premiação sem retratar os melhores daquele ano de fato. Vale lembrar, por exemplo, que este é um dos quesitos que colocou o Prêmio Ângelo Agostini em cheque este ano (leia o post).

Além disso, o HQ Mix também está mais sintonizado com as mudanças do meio, e premia o melhor articulista (valorizando o trabalho de nós, jornalistas) e o melhor trabalho acadêmico (mestrado, doutorado, MBA, graduação). Na lista deste ano, também foi criada a categoria Destaque Internacional, premiando os brasileiros com trabalhos publicados originalmente no exterior.

O troféu desse ano será a escultura do personagem Astronauta de Mauricio de Sousa, em homenagem aos 50 anos de carreira do autor completados em junho de 2009. Para ver a lista completa de indicados clique AQUI.

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Desenhista paulista indicado ao Eisner 2010

O desenhista paulista Ivan Reis, contratado pela DC Comics para ser o desenhista oficial do personagem Lanterna Verde há quatro anos atrás, é um dos indicados para o Eisner Awards, considerado o Oscar do gênero. Ele assina com Geoff Johns e Oclair Albert a série Blackest Night, que concorre na categoria Best Limited Series or Story Arc. A premiação acontecerá no dia 23, nos Estados Unidos. Veja aqui a lista completa de indicações.
eisner award 2010

Leia também:
Will Eisner passado a limpo

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Políticas públicas para os quadrinhos

capa do caderno B de 03-07-10

Edital, fundo municipal, eventos e gibitecas. Existem algumas iniciativas pelo Brasil, mas ainda são poucas. Confira abaixo e na íntegra, sem edição, a matéria publicada hoje na capa do Caderno B aqui do JB, uma grande conquista para a classe.

materia do Caderno B do JB 03-07-10

Desde os anos 1950 os autores de histórias em quadrinhos lutam por mais apoio público para o segmento. Integrante da cadeia produtiva do mercado editorial, mas também das artes visuais e, por que não, da literatura, as HQs começam a ser cada vez mais reconhecidas pelos governos em suas três esferas, mas ainda são poucas as ações efetivas para aumentar a promoção, a circulação e difusão dos produtos e seus criadores.

Infelizmente o Estado do Rio de Janeiro ainda engatinha no assunto, mesmo tendo sido a sede da Bienal Internacional de Quadrinhos no início dos anos 90, e abrigando tantas editoras e artistas de renome. Justamente no estado ao lado, São Paulo, é que se encontram a maior quantidade de bons exemplos. A começar pelo ProAC, um programa de incentivo a cultura no Estado, que há alguns anos criou um edital específico para as HQs contemplando 10 projetos com R$ 25 mil cada, sendo que ao menos um dos selecionados deve ser de fora da capital.

EDITAL DO ESTADO DE SP OFERECE R$ 25 MIL POR HQ
André Sturm, coordenador da Unidade de Fomento e Difusão de Produção Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, explica que um proponente pode aprovar somente um projeto no mesmo edital. E mais: os direitos autorais são integralmente do autor, que pode sim negociar segundas e demais tiragens.

---- Foi uma idéia que tivemos, observando o crescimento da produção de quadrinhos e a inexistência de uma política de apoio a essa produção. E foi um sucesso com grande número de inscritos. O autor decide como gastará os recursos, quanto ficará de cachê. Há no edital alguns parâmetros de como a obra deve ser impressa, mas cabe ao autor negociar.

SUBVERSÃO NA CAPITAL: AGORA VAI.
Na capital paulista, em 2004 um grupo de alunos do Instituto de Artes da UNESP criou um fanzine com a proposta de transformá-lo em revista. O nome já havia sido escolhido: Subversos, o mesmo de um grupo de pichação.

---- Mas imaginávamos que a prefeitura ou qualquer outro possível patrocinador jamais se interessaria em financiar uma revista tão experimental como era --- explica o editor e quadrinista Alexandre Manoel.

Quatro anos depois, em 2008, recém formados e com muito mais experiências na área, os artistas resolveram inscrever a Subversos no VAI, o programa de Valorização de Iniciativas Culturais do município, que contempla jovens entre 18 e 29 anos moradores da cidade de São Paulo, destinando aproximadamente R$ 20.000 por projeto. A verba pode ser usada em diversas despesas e elas variam de acordo com as necessidades de cada um.

----- No nosso caso, mais da metade da verba ficou com a gráfica. Mas havíamos reservado também verbas para transporte e ajuda de custo dos colaboradores, que, obviamente, era um valor bem baixo, mas que deixou eles contentes. Inclusive muitos me disseram que foi a primeira vez que receberam algum dinheiro para fazer quadrinhos.

capa da Subversos numero 6


Decididos a caminhar por conta própria os editores fecharam uma parceria com a editora Devir, que possibilitou diminuir os custos de impressão e melhorar a distribuição, comercializando a revista em outras cidades e estados do país. Assim, a Subversos continuou gratuita em São Paulo e vendida a R$ 4,90 para os leitores de outras regiões. Alexandre atenta para a liberdade editorial:

---- A prefeitura nunca interferiu em nosso conteúdo e nós nunca precisamos apresentá-lo antes da revista ser impressa. Isso foi uma das coisas que nos deixou apreensivos no começo, principalmente com aquela onda de caça aos quadrinhos, com governos processando editoras e recolhendo obras de bibliotecas.

Uma vez que o VAI só permite a renovação de contrato uma única vez, os contemplados em 2009 não puderam se inscrever novamente. Mesmo assim os subversivos lutam para continuar com a revista.

---- Os planos futuros são continuar com a Subversos gratuita e conseguir um patrocínio maior, que possa dobrar nossa tiragem - que na sexta edição foi de cinco mil exemplares -, e possa pagar os colaboradores com valores da tabela de mercado. No momento aguardamos o resultado de um edital de uma grande empresa de telecomunicações, vamos ver no que dá.

Dos projetos de HQs patrocinados pelo VAI, além da Subversos, havia ainda as revistas Humor em Quadrinhos e Menisquencia, e o livro O Beabá do Berimbau. Cada um com uma mesma linguagem, mas com propostas diferentes.

LEI E FUNDO MUNICIPAL DE CULTURA
O litoral paulista também tem história para contar. Até o segundo semestre estará em vigor a lei Municipal de Incentivo a Cultura de Santos e da criação do Fundo de Assistência a Cultura. Apesar de não ter lançado editais ou programas específicos para o segmento dos quadrinhos, a região já realizou projetos importantes como o “500 Anos de Brasil em Quadrinhos”, da Secretaria da Cultura de São Vicente, que entre 1999 e 2002 revelou uma geração de quadrinistas e cartunistas.

----- O projeto abriu portas para publicações como: Martim Afonso - A saga, José Bonifácio, Bertioga, Ipupiara - O Demônio das Águas, Anchieta - O Apóstolo do Brasil, entre outras publicações relacionadas à história das cidades do Litoral Paulista --- explica o quadrinista Fábio Tatsubô (FOTO), uma das vozes ativas na região.

O quadrinista Fabio Tatsubô de Santos


A Lei Municipal de Incentivo à Cultura foi justamente a ferramenta utilizada pelo pessoal da Graffiti 76 para viabilizar a publicação de sua revista pela Prefeitura de Belo Horizonte. Lá, os projetos culturais podem ser de duas naturezas: Mecenato e Fundo Municipal. No Mecenato, o valor aprovado deve ser captado pelo proponente. Parte do valor deste patrocínio será, então, abatido do ISSQN devido pela empresa doadora. No FM o valor aprovado é diretamente recebido, em duas ou três parcelas, pelo proponente, que, somente neste caso, precisa propor uma contrapartida social - uma oficina gratuita, por exemplo.

----- A Graffiti já teve projetos aprovados nos dois tipos de incentivo. Nos últimos anos, porém, entramos sempre com projetos junto ao FM, pois não somos bons captadores e consideramos a Graffiti uma revista pouco afeita a parcerias com empresas, por não ter grande valor mercadológico e nem uma postura comercial agressiva. --- explica Fabiano Barroso, um dos editores. --- Além disso, a cada edição destinamos 20% da tiragem de cada publicação à Prefeitura, que distribui as revistas entre suas unidades, escolas, bibliotecas, centros culturais etc. Esta doação está prevista em nosso projeto.

A Graffiti 76 já teve projetos aprovados por nove vezes, o primeiro em 1997. Mas em 2010 foi reprovado. Não se trata de "renovação", pois os projetos, embora contenham conteúdos similares e tratem da mesma publicação, são diferentes. Inclusive o proponente varia: cada ano é um membro da revista. Como os valores variaram de ano para ano, a periodicidade acaba oscilando bastante.

---- Em determinado ano, tivemos verba para apenas uma edição. No ano passado, a verba aprovada foi suficiente para duas edições mais o álbum da coleção 100% quadrinhos (Saída 3).

galera da Graffiti 76

Outros projetos de HQs também já foram viabilizados pela Lei de Incentivo à Cultura na cidade de Belo Horizonte, como a série Farenheit, do estúdio Big Jack, e Estórias Gerais, do roteirista Wellington Srbek em parceria com o desenhista Flávio Colin.

FOMENTO NO PIAUÍ
No estado do Piauí não há leis de incentivo específicas de quadrinhos, mas as leis estaduais e municipais de apoio à cultura têm aprovado projetos na área. Quem fala a respeito é Bernardo Aurélio, do Núcleo de Quadrinhos:

---- Aprovamos recentemente a 10ª Feira HQ na lei estadual e uma publicação na lei municipal. A Feira HQ também já foi aprovada cinco vezes no edital do Banco do Nordeste. Nós nunca conseguimos viajar, mas participamos enviando material para alguns eventos organizados pelas fundações culturais do estado ou SEBRAE. As publicações do NQ acontecem todas patrocinadas pelos editais de cultura ou diretamente pelo estado.

A única unanimidade entre os quadrinistas do Brasil refere-se à realização de eventos do gênero e o retorno imediato que eles trazem para a produção local. É o caso da Feira HQ, que ruma para a sua 11ª edição e une exposição competitiva com premiação e publicações.

---- Ela tem como objetivo fazer certas pessoas produzirem quadrinhos para participar do evento. Isso já é de grande valia. Recebemos cerca de 50 inscrições de vários estados do país, mas quase nada do interior do Piauí. Fazemos uma premiação que não passa de R$ 500 para os primeiros lugares, totalizando uns 2.700,00 em oito categorias competitivas. É um investimento financeiro baixo. Também publicamos revistas com preço médio de R$ 2. É pouco dinheiro. São passos de formiga...

HQs do Nucleo de Quadrinhos do Piaui


FEIRA INTERNACIONAL DE QUADRINHOS
Passos maiores estão sendo dados em Belo Horizonte, desde a migração da Bienal de Quadrinhos do Rio de Janeiro para a capital mineira, onde mudou de nome. Realizado pela prefeitura, por meio da Fundação Municipal de Cultura, o Festival Internacional de Quadrinhos realizou no ano passado a sua sexta edição, novamente com grande sucesso. E os quadrinistas, como Fabiano Barroso, da Graffiti 76, assinam embaixo.

------ Os festivais de grande porte como o FIQ estão tendo impacto cada vez maior sobre os quadrinhos, não somente da cidade, mas do Brasil. Pudemos notar isso na edição passada, quando havia maior quantidade de iniciativas independentes do que privadas. E pude perceber também, talvez pela primeira vez, um contato efetivo entre editores e autores. Gente querendo fechar negócio. Ou seja, um claro indício de que já há um mercado real e ativo, gerando e girando grana.

Na mesma cidade, a Bienal do Livro de 2010 realizou um debate sobre quadrinhos. Mas ainda são ações incipientes, diz Barroso.

--- Os quadrinhos ainda precisam deste "empurrão" no Brasil, não somos um país pronto para os quadrinhos, o povo brasileiro lê em média três livros por ano, compra apenas um. Então um festival como o FIQ é parte de um processo de sensibilização, que envolve, ainda, a entrada dos quadrinhos nas escolas, o esforço da turma independente em publicar e se publicar, a inteligência e visão de editoras como a Zarabatana e a Desiderata, que estão investindo em material de alto nível, e o importantíssimo papel da internet na divulgação e na crítica jornalística (antes inexistente) que se faz sobre quadrinhos.

Neste aspecto, vale destacar a criação de categorias no Prêmio HQ Mix para reconhecer as melhores obras acadêmicas (teses e dissertações) e os melhores articulistas de quadrinhos do país.

Hoje, o Rio de Janeiro conta apenas com o Salão de Humor de Volta Redonda, que este ano, em sua 23ª edição, homenageia o falecido Noel Rosa. O tradicional Salão Carioca de Humor, que acontecia na Casa de Cultura Laura Alvim, parou na XIX edição, em 2008. Em contraponto, também em 2008 foi criado o Salão Dino de Humor do Litoral Paulista que projeta a região, revela cartunistas e premia talentos. Sem falar no clássico Salão Internacional de Humor de Piracicaba, que está com inscrições abertas para sua 37ª edição, onde fará uma exposição em homenagem ao falecido cartunista Glauco. Além do patrocínio da prefeitura, o evento tem por trás o aporte financeiro de empresas como Natura, Belgo, Votorantin e Petrobras.

No que se refere ao esvaziamento, a Gerente de Artes Visuais da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Ana Durães, conta que formou um comitê consultivo na área e anuncia uma mostra vinda da França, em setembro.

----- A secretária Ana Luiza e eu tivemos uma reunião com o vice-cônsul do Japão e também estamos planejando um festival com mostras e oficinas de mangá. A iniciativa da Jandira Feghali de transformar o Centro Municipal de Arte Oduvaldo Viana Filho em um centro de humor gráfico já é uma forma de incentivo. Ainda não criamos um edital, pois estamos fazendo alguns ajustes no prédio, mas pretendemos abrir o quanto antes.

GIBITECAS E LOJAS ESPECIALIZADAS
O calcanhar de Aquiles continua sendo a circulação dos bens culturais, no caso livros e revistas de quadrinhos. Como as bancas de jornal se tornaram pontos de venda de artigos dos mais variados, as lojas especializadas poderiam se tornar a melhor opção. Mas com exceção de Rio e São Paulo, os números não são nada animadores.

Em Santos, existem apenas duas: banca Estátua e Livraria Realejo. As outras lojas fecharam ou adaptaram seus negócios para outros segmentos. Na capital mineira não há uma comic shop, apenas uma loja chamada Leitura, que tem uma seção bem completa. Em Teresina, a cidade está prestes a ganhar sua primeira loja especializada, que se chamará Quinta Capa Quadrinhos.

A capital paulista sedia a Gibiteca Henfil, a mais importante do Brasil, com mais de 10 mil títulos diferentes em acervo. Em Santos, a gibiteca realiza diversas ações com os quadrinistas da região como exposições, oficinas e palestras. A mais importante Mostra Nacional de Fanzines e Publicações Independentes, cuja quarta edição acontecerá de 4 a 13 de dezembro, com exposições, debates, palestras, oficinas e feira de zines. O projeto tem o objetivo de catalogar, identificar debater e preservar a produção independente de histórias em quadrinhos no país.

Por sua vez, a novata Gibiteca de Fortaleza comemora seu primeiro aniversário inaugurando a exposição “O Quadrinho Cearense em Perspectiva”, registrando 80 anos de histórias em quadrinhos do Ceará.

gibiteca Henfil em São Paulo


Em Belo Horizonte, a Gibiteca é vinculada à Biblioteca infanto-juvenil da Prefeitura, o que por si só já é um fator restritivo. Mesmo assim, trata-se de uma ótima biblioteca, com milhares de publicações, muitas delas de qualidade e relevância. Foi doada por um antigo colecionador de quadrinhos mineiro chamado Antônio Roque Gobbo. O quadrinista Fabiano Barroso elogia o espaço, mas faz uma observação relevante:

---- Eu já ministrei oficinas e palestras na gibiteca. A Graffiti 76 já realizou exposições por lá, e acho que outras pessoas e grupos também. Há um trabalho sendo realizado, mas naturalmente, como tudo que é vinculado ao poder público, acho que pode ser um espaço e um material melhor aproveitado.

Situação esquisita ocorre em Teresina, cuja gibiteca fica dentro de um colégio católico de acesso restrito, e principalmente em Londrina, no Paraná.

---- A gibiteca existe, mas não existe. Ela é um departamento da Biblioteca Pública Municipal e está no Centro Cultural da Zona Norte. --- explica o londrinense Eloyr Pacheco, editor do site especializado Bigorna.net.

A gestora das artes visuais no município do Rio diz que pretende criar uma gibiteca no espaço conhecido como Castelinho do Flamengo, mas também uma reserva técnica.

---- Temos um projeto em andamento de modernização e tematização das bibliotecas, onde a Biblioteca do Rio Comprido será voltada principalmente para as HQs.

FINANCIAMENTO PARA O SETOR
Quando o assunto é dinheiro, as opiniões se dividem. Um dos temas mais discutidos no meio refere-se à criação de linhas de crédito e financiamento para os vários elos da cadeia produtiva dos quadrinhos. O assunto está sempre em pauta no litoral paulista, explica Fábio Tatsubô:

---- Uma ala dos quadrinistas quer ter uma editora, alguns já publicam com recursos próprios e vendem os exemplares para bancar o investimento. Outra ala quer uma maior participação dos gestores culturais. Já os editores dão outro direcionamento para esta discussão: o público leitor de revistas de histórias em quadrinhos encolheu e vem envelhecendo há alguns anos. Como publicar se o público não consome? Talvez, uma discussão que antecede o investimento no mercado editorial é criarmos debates para projetos de formação de público e para experiências de novos formatos de mídia.

Para o mineiro Fabiano Barroso, não deveria existir nada específico para as HQs:

---- Prefiro dizer que o que falta é a própria iniciativa de alguém em abrir tal editora. Os créditos existem: BNDES, Banco Popular, bancos privados. Bastam um bom projeto e o CPF limpo.

Na opinião de Ana Durães, os programas de financiamento devem existir, mas ainda não existem nas artes visuais por serem mais complexos, mas dá uma boa notícia:

----- O fundo municipal de cultura encontra-se com o Prefeito e atenderá a todas as linguagens assim como o ISS.

dinheiro


Outra questão pertinente refere-se à falta de espaços para exposição, pois as galerias tradicionais ainda privilegiam as artes plásticas mais tradicionais.

- Talvez por que os gibis são relacionados à infância e a adolescência. --- diz Tatsubô ---Um conceito que as HQs são sub arte. Mas como poderíamos ser sub arte se em toda a página a gente utiliza todos os conceitos e técnicas das artes plásticas como: anatomia, simetria, luz e sombras, enquadramento, ponto de fuga, cenário, pintura e ainda, contar uma história de forma dinâmica e atraente?

Nesse ponto, Fabiano Barroso concorda e acrescenta:

---- Quadrinhos na parede são lindos, mas a finalidade mesmo dos trabalhos é o papel impresso (ou, ainda, a internet, nos dias que correm). Por isso, talvez os galeristas não saibam, ou não se toquem, que uma página de quadrinhos em uma galeria, ou num salão de exposições, pode ter um efeito visual talvez muito impactante. Acho que se trata de uma questão de iniciativa, mas não podemos responsabilizar apenas os galeristas ou as escolas de arte. Os próprios artistas podem levantar essa questão e trazer à tona a demanda, como de resto os grandes artistas e as correntes artísticas significativas já o fizeram no passado.

Hqs editadas com recursos do ProAC de SP


A LEI DOS QUADRINHOS
Uma das maneiras de conquistar maior apoio governamental é através da legislação federal. Desde 2006, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 6581/06 que estabelece mecanismos de incentivo para a produção, publicação e distribuição de revistas em quadrinhos nacionais. Em seu artigo 2o, ele prevê que “as editoras deverão publicar um percentual mínimo de 20% de HQs de origem nacional”. Na prática, os lançamentos seriam graduais – apenas 5% no primeiro ano de vigência da lei, 10% no segundo e assim sucessivamente – levando quatro anos para atingir a cota de 20%. Uma analogia com a chamada “cota de tela” (art. 55 da Medida Provisória 2.228-1 de 06/09/2001) que, na teoria, abre mais espaço para os filmes nacionais nas salas de cinema.

O criador do projeto é o ex-deputado Simplício Mario, do PT do Piauí, e pai do quadrinista Bernardo Aurélio. Como o parlamentar não se elegeu em 2008, o projeto ficou estacionado no congresso nacional. Mas o artista não desiste fácil:

---- Não acompanhei mais a lei. Ficou atropelada por falta de alguém cuidando dela. A ideia que ainda considerei trabalhar foi tirar a obrigatoriedade da publicação por uma troca de incentivos fiscais caso a editora alcançasse a cota, mas não consegui apoio ou estímulo. Com o resultado dessa eleição, posso ver se vou à luta de novo...

encontro com deputado Simplicio Mario em 2006


Na foto ao alto, reunião realizada no Rio de Janeiro em 21 de julho de 2006 com o então Deputado Simplício Mário (camisa azul clara, à frente, ao lado de Pedro de Luna, de camisa branca). Leia a matéria sobre o encontro aqui.

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Eles ganharam a HQ de Chico Xavier

chico xavier em quadrinhos edicao de bolso

O JBlog fez uma promoção com a editora Ediouro e ofereceu 10 livros da vida de Chico Xavier em quadrinhos, no formato de bolso. Eis os vencedores:

“A obra de Chico que eu mais gostei foi Obreiros da Vida Eterna”
Adalberto Malheiros – São Paulo, SP

“A obra que Chico psicografou que eu mais gosto é Os Mensageiros.
Eu cheguei a quadrinizar esta obra (mas esta HQ permaneceu inédita), que conta como foi o desencarne de André Luis e mostra muito do que permeia o mundo dos espíritos. Bem profundo, com várias histórias pessoais interessantes, com gente que viveu os maiores descalabros na vida terrena e que finalmente tentam consertar algo.
O estilo de André Luis que se coloca em pé de igualdade com o leitor, é legal por deixar as coisas muito próximas do mundo real em que vivemos”.

Bira Dantas – Campinas, SP

“Adoro Há dois mil anos e 50 anos depois, que relatam histórias relacionadas ao período em que Jesus esteve entre nós, encarnado na Terra”.
Fernanda Luiza Duarte, Jaú – SP

“Uma das obras psicografadas pelo Chico Xavier que mais gosto é Nosso Lar”.
Luiz Cezar Pena – São Paulo, SP

“Dentre os vários livros que tive o prazer de ler psicografados pelo Chico Xavier, sem dúvidas, gostei mais do Nosso Lar, porque foi ele que me despertou para ler todos os demais, com uma linguagem clara que me levou a imaginar tudo o que estava escrito”.
Marcia Britto – São Paulo, SP

“A obra psicografada por ele que eu li e gostei foi NOSSO LAR”.
Mônica Vânia – Rio de Janeiro, RJ

“Minha obra preferida é: Vida e Sexo (Emmanuel)”
Romero Tori – São Paulo, SP

E ainda: Thereza de Barros, Sávio de Souza Moreira e Raul Fernandes. Parabéns! A Ediouro enviará os exemplares direto para suas residências.

Leia também:
O papa também está no gibi!

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Curso de roteiro para histórias em quadrinhos

O que é bom merece bis. O cartunista Spacca estará ministrando novamente um curso de HQ na Faculdade Cásper Líbero, na Avenida Paulista, desta vez de roteiro. São apenas 25 vagas ao custo de R$ 350. Infos pelos telefones (11) 3170-5910 e (11) 3170-5911, ou pelo site da faculdade.
curso de roteiro do Spacca

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Arrepiando os jornaleiros

Atenção, criançada! Está a caminho a 7ª edição da revistinha da Turma do Arrepio, que deve chegar em banca entre terça e quarta-feira. Esta é a capa:
turma do arrepio numero 7

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