Arquivo de February 2011

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A vida de Fidel Castro em quadrinhos

Amigo leitor, este JBlogueiro acaba de chegar da Argentina, onde volta encantado com os quadrinhos de Gustavo SALA, e vai pra São Paulo. Mas aproveita pra deixar este post do jeito que chegou aqui.

Kleist é realmente muito bom. Li os dois dele, do Johnny Cash e do Elvis. Adorei. Parabénsà editora.

Ele veio ao Brasil em 2009 para um seminário de jornalismo em quadrinhos em Porto Alegre, e participou da 6a edição do FIQ, o grande festival de HQs de Belo Horizonte.

Agora se liga no próximo lançamento, sobre Fidel "quase batendo as botas" Castro.

biografia de fidel castro em quadrinhos

>>> BIOGRAFIA DE FIDEL CASTRO EM QUADRINHOS
A Editora 8INVERSO prepara para março o lançamento de “Castro”, biografia em quadrinhos sobre Fidel Castro, de autoria do premiado quadrinista alemão Reinhard Kleist. Inédita no Brasil, a obra aborda a vida do líder cubano desde a revolução de 1958 até seu afastamento do poder, como visto nos últimos anos. “Castro” é narrado por um jornalista que, na Cuba de 1958, pesquisa a vida de um líder rebelde chamado Fidel Castro. Subitamente, o jornalista vê-se envolvido na revolução que mudaria Cuba e marcaria o mundo para sempre.

A obra de 288 foi escrita e ilustrada por Reinhard Kleist, quadrinista premiado na França, Alemanha e Estados Unidos, e tem prefácio do jornalista alemão Volker Skierka, biógrafo de Fidel que também contribuiu com a pesquisa histórica para compor os textos de “Castro”. Para melhor ilustrar a obra, Kleist passou um mês em Cuba, em 2008, o que lhe rendeu também o livro de viagem em quadrinhos “Havana”. A tradução de “Castro” é assinada por Margit Neumann e Michael Korfmann.

Selo 8INVERSO Graphics é um dos destaques da editora
Esta é a terceira graphic novel publicada pelo selo 8INVERSO Graphics — e também o terceiro trabalho de Kleist lançado no Brasil pela editora. Em 2009, ainda em seu primeiro ano de vida, a 8INVERSO lançou “Johnny Cash – uma biografia”. Escrita e desenhada pelo artista alemão, a obra narra a vida do músico americano Johnny Cash. Em 2010, “Elvis”, organizada por Kleist e Titus Ackermann, editor da revista de quadrinhos alternativos Moga Mobo, reuniu os melhores quadrinistas da Alemanha em torno de diferentes períodos da vida do Rei do Rock.

“Castro” chega ao mercado brasileiro cinco meses depois de lançada na Alemanha. A 8INVERSO foi a primeira editora gaúcha a comprar direitos autorais do exterior já em seu primeiro ano de vida.

>>> FIM DO RELEASE.

Fique atento que o que Kleist faz e a Inverso lança costuma ser ótimo.

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Prêmio 3 em 1 para HQs em Pernambuco

logo da PADA - pernambuco

Se você adora um prêmio, inscreva-se no Troféu P.A.D.A. de Incentivo aos Quadrinhos Pernambucanos 2011, realizado pela Produtora Artística de Desenhistas Associados (P.A.D.A.). "Devido a problemas nos três últimos anos, juntamos anos de 2008, 2009 e 2010, numa só premiação. Obviamente, o regulamento sofreu algumas mudanças conforme poderão ler mais abaixo. Mas, o mais importante continua: você, leitor, poderá continuar votando", explica José Valcir no site com o regulamento completo.

As categorias estão divididas em quatro grupos: ESPECIAIS, VOTO POPULAR, NACIONAL e PERNAMBUCANOS. Na categoria “ESPECIAIS”, serão entregues os prêmios de Amigos dos Quadrinhos; e Grande Contribuição para os quadrinhos Nacionais. Para se inscrever, o trabalho deve ter sido publicado no período entre 1 de janeiro de 2008 e 31 de dezembro de 2010. Boa sorte a todos os participantes!

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Olivier Coipel vem para evento no Rio de Janeiro

desenho de Olivier Coipel

Acontece de de 25 a 27 de fevereiro, das 10 às 19 horas, a KomiKong, uma feira de HQs que vai agitar a Rua Jornalista Orlando Dantas número 07, perto da saída do metrô do Flamengo. A principal atração será o desenhista francês Olivier Coipel, que faz os quadrinhos da Marvel. É dele os traços de Legion of Super-Heroes, The Avengers, House of M, Uncanny X-Men, Poderoso THOR, etc. Copipel falará ao público no sábado (26) das 10h às 13h.

Os brasileiros também estarão bem representados através das palestras de Carlos Rafael (de Battlestar Galactica, Highlander, Buck Rogers, e Edgar Rice Burroughs Princess of Mars da Dynamite Comics), Lipe Dias (de William Shatner TekWar e The Mis-Adventures of Adam West) e o carioca John Calvet (escritor da Twilight Girl, da Cross Pains Comics, e diretor do filme "Who is the Midnight Girl?" da IDEOGRAPH Films).
capa de Carlos Rafael

John, ou João para os mais chegados, falará sobre o filme "Who is the Midnight Girl?" (veja o trailer), que conta a história de um desenhista de quadrinhos vivendo um triângulo amoroso. "Foi feito com um elenco de atores de Nova Iorque. Agora iniciamos a fase de montagem e finalização", conta. O camarada aí também produziu quatro Trashmanias, o Festival de Terror do Rio (Castelinho do Flamengo, Sesc Tijuca, Casa de Cultura Lauro Alvim e o último no Museu do Telefone) e duas Artcon Brazil. "Um evento só de quadrinhos 100% nacionais", frisa.

O I KomiKong terá, claro, venda de quadrinhos nacionais e importados, exibição do documentário "Quadrinhos", do Canal Brasil, e palestras com os produtores da série. Imperdível, hein?
cena de Who is the Midnight Girl de John Calvet

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Nova temporada do Animania começa dia 21

Zeca e Seth do programa Animania

Sabe quem está de volta? O programa Animania, na TV Brasil. No primeiro programa da temporada 2011, destaque para o filme Nave Sub D, de Pedro Aguilera, e dois curtas: A História da Calcinha, de Gordeff, que trata da evolução desta peça íntima ao longo dos séculos, e Via Web, Animator vs Animator Full, de Leonardo Amaral, que mostra como uma luta pode ser uma grande brincadeira. Divirta-se com Zeca e Seth a partir da próxima segunda (21) às 19h30. Se perder, a reprise rola na quinta, às 20h.

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HQ ganha um espaço maior na universidade

É fato que as HQs estão ganhando cada vez mais espaço também nas universidades. Mais uma prova disso é o simpósio "História e Quadrinhos: pesquisa e ensino em História e as interações com a Nona Arte", que acontecerá dentro do XXVI Simpósio Nacional de História, de 17 a 22 de julho, na USP, em São Paulo.
Aos interessados em apresentar trabalhos ou participar como ouvinte, aí vai uma cópia da entrevista que realizei com a Dra. Gêisa Fernandes (FOTO), coordenadora deste encontro.

profa. Gêisa Fernandes - foto MA Brandt

JBlog >> É perceptível que, aos poucos, a HQ vai ganhando espaço na, arram, "academia". Ela é tema de teses e até de simpósios. A que a senhora atribui esta mudança?
Gêisa - Ao reiterado esforço, senão do meio acadêmico como um todo, pelo menos de diversos de seus setores, no sentido de diminuir a separação entre o que acontece dentro da universidade e as experiências da chamada “vida real”. A ideia de um ambiente fechado em seus próprios problemas, parecido com um clube de difícil acesso (e membros algo esnobes) permitiu, por um lado, a sobrevida da autonomia acadêmica, o que me parece uma importante conquista, sobretudo se pensarmos em momentos conturbados da vida política do país.

Por outro lado, o processo de construção e estabelecimento de um espaço para o exercício da crítica e do livre pensar passa também por algumas imposições restritivas, indispensáveis para o reconhecimento da instituição frente à sociedade. Em outras palavras: para que o conhecimento produzido pela academia fosse reconhecido pela sociedade (com um todo e não apenas pela própria acadêmica) como “sério”, foram eleitos temas igualmente respeitáveis, linguagens “pesquisáveis”, objetos “importantes” cuja análise pudesse resultar em “ciência”. Não era o caso das histórias em quadrinhos.

O fato de que o número de trabalhos acadêmicos e de eventos ligados a quadrinhos venha aumentando diz respeito, portanto, tanto a uma alteração no modo como a sociedade enxerga a universidade, vista agora como uma instituição que precisa dialogar, sob pena de se tornar obsoleta, com os agentes sociais; quanto à (nova) imagem que universidade busca construir para si.

JBlog >> Eu tentei o mestrado na UFF com uma tese sobre HQ. Na UFF primeiro o projeto tem que ganhar uma pontuação alta para, depois, ter o direito ou não de se fazer a prova e a entrevista. Minha pontuação nem me permitiu fazer a prova. No entanto, fora do ambiente acadêmico público, o projeto tem sido super bem recebido em faculdades como ESPM e FGV, que analisam o mercado. Por que esta miopia dentro de algumas universidades públicas? Seria a USP uma exceção?
Gêisa - Eu tenho uma história bem parecida para contar (risos). Aliás, duas: meus projetos de mestrado e de doutorado também não receberam notas que os classificassem para a entrevista da UFF, tendo sido recebidos, porém, na UFPE (mestrado) e na USP (doutorado). Nesta última, apesar da enorme concorrência, obtive uma classificação boa o suficiente para tornar-me bolsista da Capes.

No meu caso, porém, não posso falar em miopia das universidades públicas. O que talvez aconteça (e estou entrando no terreno da opinião) seja uma confluência de fatores, tais como: a presença de núcleos de excelência dentro das universidades (o que, em si, é bastante positivo), que formal ou informalmente privilegiam determinados projetos (ou determinada metodologia ou bibliografia) em detrimento de outros, diminuindo a pluralidade dos programas, o que é uma pena.

A USP (e acentuadamente a Escola de Comunicações e Artes, ECA) de fato, se mostra bastante pródiga na produção de material de análise sobre quadrinhos. Porém, este espaço também não veio “naturalmente”, mas sim é fruto da perseverança e do esforço de pesquisadores como o Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro, coordenador do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA. O papel de destaque do Prof. Waldomiro no que diz respeito à inclusão do Brasil no panorama internacional da pesquisa sobre quadrinhos é reconhecido por grandes nomes da área, como o Prof. Dr. John Lent (Temple University).

JBlog >> No caso do simpósio, que tipo de público vocês pretendem reunir? Quadrinistas, historiadores ou curiosos pelo tema?
Gêisa - Este ano a programação para quem se interessa por Quadrinhos está variada. A ECA será o local de dois importantes eventos: em julho (entre 17-23) ocorre o XXVI Simpósio Nacional de História da ANPUH, o qual contará este ano com um espaço reservado para as HQs, denominado “História e Quadrinhos: pesquisa e ensino em História e as interações com a nona arte” e, em agosto, entre 23 a 26, será a vez da primeira edição das Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos.

O primeiro evento visa discutir as relações entre História e a linguagem das Histórias em Quadrinhos, enfocando aspectos como: ensino, fidelidade histórica, tensão entre ficção e realidade, registro histórico e registro ficcional.

O segundo, por sua vez, enfoca a divulgação de avanços científicos relacionados às histórias em quadrinhos nas diversas áreas do conhecimento, de modo a promover o intercâmbio de novos saberes e experiências. Ambos os encontros visam reunir aqueles que, de algum modo, estão envolvidas com quadrinhos (como você mesmo citou: pesquisadores, pessoas ligadas à produção de HQs, estudandes, apreciadores em geral).

Será uma boa maneira de se descobrir que tipo de trabalho está sendo feito com quadrinhos hoje, por quem e com que resultados. Creio que teremos gratas surpresas.

JBlog >> Estou há meses procurando por programas de intercâmbio e pesquisa entre instituições brasileiras e européias para fazer uma pesquisa de campo por lá, e não encontrei nada. Nem mesmo em embaixadas, consulados, etc. O que falta para estreitar esses laços? Seria a HQ um campo de pesquisa ainda novo, de vanguarda, ou mesmo em processo de reconhecimento e legitimação?
Gêisa - Dentre as alternativas que você colocou, fico com a última pois, apesar dos inegáveis avanços, é possível afirmar que o campo ainda busca reconhecimento e legitimação. Há um artigo de Thierry Groonsteen, autor de algumas dezenas de livros sobre arte sequencial (perceba como a própria linguagem experimenta definições, na tentativa de afirmar sua própria identidade), que lança uma questão bem próxima desta que você levantou (Why are Comics still in Search of Cultural Legitimization?, Comics and Culture, MTP, 2000). Groonsteen sugere que o preconceito acadêmico se baseia no que ele chama de “4 pecados” dos quadrinhos: ser um produto híbrido, carregar o estigma de “subliteratura”, estar ligado à caricatura (outra forma de arte marginal) e ser considerado “coisa de criança”.

O irônico da situação, é que para ultrapassarmos estes preconceitos, para de fato estabelecer um diálogo com a academia, não basta querer ou celebrar o aumento de estudos sobre o tema, o equivalente a mostrar, digamos, por que a academia precisa dos quadrinhos. O ponto mais delicado dessa discussão surge quando os termos são invertidos, ou seja, quando as pessoas que produzem e consomem quadrinhos se perguntam por que os quadrinhos precisam da academia.

Sobre intercâmbios, você tem razão, ainda são poucos, mas existem. A Profa. Dra. Valéria Bari, por exemplo, realizou na Universidade Carlos III de Madrid parte de seu doutorado, com uma tese que subvertia justamente um dos “4 pecados” de Groensteen, o de que “quadrinhos são coisa de criança”. Os resultados demonstraram que os quadrinhos não só estimulam as crianças a ler, como facilitam a migração para outras para outras formas de literárias, auxiliando na formação plena do jovem leitor.

JBlog >> Como a senhora enxerga a HQ dentro da Economia da Cultura (ou Criativa), que acaba de ganhar uma pasta dentro do Ministério da Cultura, na gestão Anna de Holanda?
Gêisa - Ainda é um pouco cedo para arriscar qualquer prognóstico a respeito do impacto que a pasta poderá ter para os Quadrinhos, seja do ponto de vista da obtenção de recursos para projetos na área, seja no fomento a atividades que, de alguma forma, envolvam a produção e o consumo de HQs.

A princípio, a medida parece bastante positiva, na medida em que a nova pasta se alinha com o conceito de Economia Nova, baseada em criação e que busca romper com as amarras da economia industrial clássica, como informa o portal da Cultura do MinC e, neste sentido, deveria contemplar linguagens pouco lembradas pelos recursos públicos. No entanto, o (talvez superestimado) episódio envolvendo a retirada da licença Creative Commons do site indica que talvez o próprio Ministério precise se posicionar mais claramente a respeito de suas diretrizes.

E aí, se animou de participar do simpósio? Nos vemos em São Paulo então.
Para mais infos visite o site do evento.


Leia também:
O diferente status das HQs no Brasil e nos Estados Unidos
Propostas de políticas públicas para as HQs no Brasil
Evento na Universidade de Brasília discute as graphic novels

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E concurso de desenho para adultos também!

cartaz ecocartoon 2011

Desde a primeira edição o JBlog Quadrinhos divulga o Salão Internacional Pátio Brasil de Humor sobre o Meio Ambiente, ou simplesmente ECOCARTOON. O tema deste ano será a “Conservação da Biodiversidade” e os vencedores recebem premiação em dinheiro: R$ 4 mil, R$ 2 mil e R$ 1,5 mil para os primeiros três colocados, respectivamente. O autor da obra escolhida pelo júri popular recebe R$ 750 e o júri também concede 15 menções honrosas. Todos os trabalhos que participam da exposição são incluídos no catálogo. Então cá estou eu novamente falando do concurso, agora em seu quarto ano consecutivo. É uma pena que a assessoria não tem o hábito de me contactar depois para avisar sobre o resultado final (rsss).
Leia o regulamento no site oficial.

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Concurso de desenho para crianças

tirinha da turma do gabi

Já estão abertas as inscrições para o 5º Concurso Cultural da Turma do Gabi, com o tema "Bichos". Podem participar crianças e jovens de todo o país com idade de 9 a 14 anos. Os desenhos devem ser feitos em papel ofício e enviados para o Casarão Cultural Pau Preto (Rua Pedro Gonçalves, 477, Jardim Pau Preto, CEP: 13.330-210, Indaiatuba, SP). A premiação para os três melhores trabalhos serão um MP3 e um kit de revistas da Turma do Gabi, criação de Moacir Torres lançada pela Editora Júpiter II. A exposição com os trabalhos selecionados estará acontecendo de 04 a 31 de Julho no Casarão Cultural. Inscrições até 30 de Junho. Maiores informações: (19) 3875-8383 – 3834-6319 ou no blog da Turma.

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Quem quer lançar um livro sobre o livro?

O Melhor Amigo - Antonio Cedraz

As publicações da Turma do Xaxado são impressas pelo seu próprio autor, Antonio Cedraz. “Mas as publicações são vendidas basicamente aqui em Salvador e não chegam a público de outros estados. Agora preparei uma edição com tiras com a Marieta, como personagem principal, falando sobre livros e leitura. Estou buscando uma editora que se interesse pela obra e que tenha condições de colocar em livrarias e gibiterias”, conta o autor, que desenha há mais de 30 anos.

“O MELHOR AMIGO” é uma coletânea de tiras sobre o livro e a leitura e também sobre assuntos variados para fazer rir e refletir. A protagonista é a personagem Marieta, estudiosa e defensora da língua portuguesa. “As histórias em quadrinhos são um excelente meio de transmissão de dados, de informações, de conhecimento e de entretenimento. A recomendação de usar histórias em quadrinhos nas escolas consta do volume dos PCN dedicado ao ensino da Língua Portuguesa”, explica Cedraz, frisando que suas HQs têm sido utilizadas por escolas em campanhas de incentivo à leitura e como material de apoio em diversas disciplinas, desde o ensino infantil ao nível superior.

Se alguma editora tiver interesse em examinar o projeto, basta contatar o mestre baiano pelos tels (71) 3357-5289 e 8860-2224 ou cedraz@xaxado.com.br

O Melhor Amigo - Antonio Cedraz tirinha

O Melhor Amigo - Antonio Cedraz tirinha 2

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Exposições de grafiteiros agitam o verão

grafite de Marcelo Ment

Mais duas mostras legais para sacudir o verão de 2011, ambas de grafiteiros. Prestes a completar 13 anos de carreira, Marcelo MENT apresenta uma coleção de pôsteres exclusivos na loja La Cucaracha (Rua Teixeira de Melo 31H, Ipanema). Serão exibidas duas séries numeradas e assinadas, uma delas com 10 pôsteres pintados a mão livre e duas com 20 unidades cada, de artes criadas exclusivamente para a exposição, impressas e customizadas pelo artista. O suporte é um papel Canson antigo, dos anos 80, recuperado pelo artista. A exposição foi inaugurada ontem (09/02) e fica aberta para visitação até o dia 16.

Outra exposição interessante acontecerá em Londrina (PR). O projeto Capstyle, dos grafiteiros londrinenses Hugo e Carão, estará aberto para visitação do público a partir das 20h desta quinta-feira, dia 10, até o dia 28 de fevereiro, no Centro Cultural Eloyr Pacheco. Shapes de skate, telas e MDFs (placas de madeira) pintados fazem parte do projeto, que utiliza as técnicas e estilos do grafite em diferentes mídias. Mais informações: (43) 3024-2740
projeto capstyle
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Documentário sobre Will Eisner agora em DVD

capa DVD Will Eisner Profissão Cartunista

Acontece no próximo dia 24, o evento de lançamento do tão aguardado DVD “Will Eisner: profissão cartunista”. O agito será na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, a partir das 19h. Dirigido por Marisa Furtado, com produção, roteiro, edição e trilha sonora de Paulo Serran, o vídeo já foi exibido em 40 países e reúne entrevistas com Ann Eisner, Art Spiegelman, Bill Sienkiewicz, Denis Kitchen, Jerry Robinson, Angeli, Mauricio de Sousa, Ziraldo, Jano e François Shuiten, além, claro do próprio Eisner (1917-2005), explicando o seu processo criativo e desenhando para as câmeras.

Além dos três episódios já exibidos na TV, o DVD conta com extras especialmente produzidos para esta edição brasileira. Para te deixar super na pilha de aparecer lá e/ou de adquirir o documentário, a diretora conta aqui sobre as negociações, os bastidores e reflexões importantes sobre direito patrimonial, pirataria e comercialização no Brasil versus EUA.

JBlog >> Marisa, qual é a expectativa de vocês?
Marisa - A idéia é difundir o trabalho, conseguir que mais pessoas o vejam e possam se utilizar dele, tê-lo à mão, colecioná-lo e ainda usá-lo pra fins didáticos.

Na Rio Comicon encontrei mais de um professor de desenho, do Ceará, do Rio grande do Norte, do Rio, que me falaram que tinham a Série Profissão Cartunista como referência e a usavam em sala de aula. Mesmo sem estas pessoas terem licenciado o uso do trabalho pra isso - o que seria o correto a se fazer - eu tenho grande satisfação em saber que minha briga pra fazer documentários com grande precisão nos fatos, nas publicações do autor e com profundidade seria enfim reconhecido. Não é fácil fazer produtos pra TV assim por que o mercado audiovisual quer trabalhar na superfície e esse não é o meu interesse.

Minha vontade é me inserir na bibliografia do autor. O Luis Saguar e a Rose Araujo, que fizeram o Almanaque do Ziraldo, me deram um grande espaço em seu livro porque reconheceram que o meu documentário sobre o Ziraldo organizou a obra que nunca antes tinha sido vista em um olhar retrospectivo. Claro estes artistas graças a Deus estão sempre olhando pra frente e pra cima!

frame do doc DVD Will Eisner Profissão Cartunista

JBlog >> Existe a ideia de fazer venda casada do DVD com os livros do Eisner?
Marisa - Isso seria lindo mas não é tão fácil como parece. Quando eu comecei a negociar a distribuição do DVD liguei pra algumas delas e eles me disseram muito amavelmente que isso depende de um sem número de planejamentos e que... não ia rolar. As questões práticas de distribuição não são nada fáceis de entender. Eu por exemplo gostaria que o preço final do produto fosse bem mais baixo pros consumidores mas isso me escapou completamente.

JBlog >> Em tempos de pirataria e de tudo cair na rede, é bem provável que em pouco tempo o doc esteja no Youtube e outros sites afins. O que vocês pensam disso?
Marisa - Foi ótimo você falar nisso porque fica sempre parecendo antipático da parte do autor querer resguardar os direitos. Por que não disponibilizá-lo na rede? No caso dos músicos o autor tem sempre a possibilidade de ganhar com shows, mas quem trabalha de audiovisual vive essencialmente de licenciar a imagem, ou seja o vídeo/filme.

É preciso considerar que há um milhão de gastos envolvidos com a existência de uma obra assim. O Eisner deixou um filho - doente mental - que vive dos direitos do pai, a viúva hoje com 87 anos também vive disso.

Aqui em minha casa guardo umas 60 horas de material bruto que não posso realmente garantir que ainda esteja são, porque não tenho dinheiro pra mantê-la, a obra não gera o suficiente pra isso. Ainda assim mantenho com a obra as masters que precisam ser regeradas a cada ano e meio pelo menos, com novas cópias que são caras e feitas fora da minha pequena produtora.

O amor ao trabalho existe tanto que o DVD só saiu por que houve muita colaboração e trabalho feito de graça, e é só chegar no mercado e já estamos devendo as masters ao distribuidor. Se quisermos cópias temos que pagar por elas, há apenas um desconto pro autor.

O contrato de distribuição que fiz fora do Brasil me deu um advance (NE: adiantamento sobre vendas) que deu pra pagar o seguro, que é obrigatório, e tudo o que foi refeito pra adequar ao público inglês/americano que não lê legenda. Todo o vídeo foi alterado, novas autorizações musicais tiveram que ser pagas e no final eu ainda estou devendo 3 mil dólares por que a distribuidora vendeu 30 mil dos quais 7 são pra pagar o que me adiantaram.

Sei que isso parece uma novela interminável, mas acho importante por que se isso chegar nos ouvidos dos meninos que postam na internet um vídeo como esse por que acham bacana e acreditam que o autor está por cima da carne seca, pode criar alguma consciência neles de quem nem tudo é como parece. Postar um vídeo independente como o nosso é praticamente acabar com a possibilidade de fazermos outros. Meu sobrinho mesmo me falou: “- Pô, meus amigos querem ver, libera aí tia!?!”

Se não fosse por outros trabalhos e serviços que prestamos não daria nem pra lançar o DVD, ele só é possível por que acreditamos que um documentário desta qualidade merece ser assistido.

Mas tem que ter uma solução pro preço final ao consumidor. O Ota me falou que os livrinhos dele foram encarecidos pelo livreiro por que "não podem competir com as revistinhas". O DVD do Eisner aqui é mais caro do que nos EUA, por uma lógica muito cretina: "começamos a vender caro e agora é sujeira com quem já pagou mais, vamos manter o preço assim". E não adianta o autor espernear.

Porque para o distribuidor se vender mil caro e pagar a produção pra ele está bem de destruir o encalhe de 4.000, mas o autor quer que os cinco mil sejam assistidos. É uma lógica perversa.

Acho que assim como os meios de realização estão ficando mais acessíveis com o digital, é preciso pensar em novos modelos de distribuição menos arcaicos. o autor deveria ter isenção fiscal pra distribuir seu próprio produto. Porque não posso vender meu DVD pela internet? Porque preciso de alguém autorizado a fazê-lo?

will desenhando - DVD Will Eisner Profissão Cartunista

É, amigo leitor. Pense nisso, apareça no evento, e assista ao trailer clicando aqui.

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Projeto transforma cada música numa HQ

capa do livro e do cd do Quebraqueixo

O brasiliense Evandro Vieira ataca novamente. Desta vez ele conseguiu juntar suas duas paixões, o rock e os quadrinhos, num projeto muito bacana. E o mais curioso: patrocinado pelo poder público. Na entrevista realizada com o camarada, ele conta melhor os detalhes desta empreitada. Acompanhe aí...

JBlog >> Como foi o esquema do FAC? Eles pagaram os custos de gravação e de prensagem do disco e mais a impressão do livro? Ajudaram também nos shows em escolas e no do SESC? Com a grana recebida, deu pra pagar os quadrinistas?
Evandro - Na verdade são dois projetos separados que juntamos num só. Em 2009, nós recebemos uma verba do FAC (Fundo de Apoio a Cultura) da Secretaria de Cultura do DF para gravar e prensar nosso novo CD. A partir daí, começamos a desenvolver esse novo projeto chamado "Quebraqueixo - A Banda Desenhada" que consistia em publicar um livro com as letras das músicas adaptadas para os quadrinhos e também na realização de 14 shows da banda e 14 oficinas de quadrinhos em escolas públicas.

Encaminhamos esse novo projeto para o FAC e novamente conseguimos a sua aprovação. Com a verba do apoio, conseguimos realizar todas as atividades propostas e cerca de R$10.000,00 foram pagos aos artistas para desenvolverem as HQs e o projeto gráfico do livro. O SESC colaborou cedendo espaço para o show de lançamento, mas a produção desse evento foi custeada pela banda.

banda Quebraqueixo - Evandro é o primeiro à esquerda

JBlog >> Achei interessante a sua justificativa de reunir os maiores talentos da cena de DF na HQ. Mas no final, olhando as biografias, parece que muita gente nem mora em BSB ou nem é da cidade. Será mesmo que dá pra dizer que todos os caras bons dos quadrinhos estão ali no livro?
Evandro - Um dos requisitos do nosso projeto era justamente utilizar artistas nascidos ou residentes no DF e isso foi cumprido. Somente o Stêvz e o Didiu (que são brasilienses) não moram mais em Brasília. Faltou muita gente boa no livro, como o Jô Oliveira, Eduardo Belga e outros que foram convidados, mas não puderam participar. Em Brasília há muitos ilustradores, mas nem todos sabem lidar com a linguagem das HQs. No geral, acho que dá um bom panorama da produção local.

JBlog >> Depois da sua iniciativa, é possível que a FAC também viabilize a produção de livros de HQ e revistas como a Samba?
Evandro - Se o projeto for bom e tiver relevância, claro que o FAC e outros editais de cultura irão apoiar. A grande barreira é o conhecimento técnico na elaboração de projetos e lidar com a parte burocrática de prestação de contas.

JBlog >> Você é um grande agitador cultural aí na capital federal. Recentemente esteve no debate do Dia da HQ nacional. Que conclusões vocês têm tirado? A cena local tem crescido em termos de público e de artistas?
Evandro - Um dos temas abordados no debate foi justamente a utilização de verba pública para a produção de HQs. A conclusão é que os artistas reclamam da falta de incentivo, mas não correm atrás. O dinheiro existe, só é preciso saber pedir!
O artista, de qualquer área, se quiser viver de arte, também tem que saber lidar com negócios.

De dois anos pra cá, eu, o pessoal da Samba, do Calendário Pindura e outras pessoas ligadas aos quadrinhos temos nos esforçado em apresentar nossos trabalhos e isso tem surtido efeito. Fazemos nossos camelôs em eventos culturais e shows de rock e isso nos aproxima do público e de outros artistas que estão na mesma situação. Divulgamos nosso material na internet e trocamos revistas com artistas de outras cidades, fortalecendo a cena independente e "DEPENDENTE".

Um dos motivos para o Quebraqueixo misturar música com quadrinhos foi a de formação de público, queremos que o pessoal que gosta do nosso som, passe a conhecer um pouco mais sobre HQs e o pessoal que curte quadrinhos, conheça a nossa banda.
hq da musica Ping-Pong por Gomez

hq por Goes e Mesquita

JBlog >> Você fala em contrapartida social no livro. Foram os shows e oficinas de desenho em escolas? Quem ministrou?
Evandro - Os 14 shows e as 14 oficinas fizeram parte da contrapartida do projeto. Levar atividades culturais pra estudantes de baixa renda foi uma experiência memorável pra todos da banda. Nós incentivávamos o empreendedorismo nos alunos, mostrando que eles podem trabalhar com arte e fazer disso uma fonte de renda. No caso das oficinas, oferecemos o serviço para todos os desenhistas do projeto, mas nenhum pode participar.

Eu não queria acumular atividades, já que fazer o show é bastante desgastante, mas tive que assumir a tarefa e acabei gostando. Havia verba para as oficinas e os alunos que participaram recebiam material de desenho e certificados. Percebi que esses estudantes são muito influenciados pelo graffiti e arte urbana, muitos deles tem futuro nas artes plásticas.

JBlog >> Por fim, o livro é vendido ou uma cota foi doada? Quando vendido, quanto custa? Existe um pacote livro + CD?
Evandro - A tiragem foi de 1.000 exemplares, 10% deles ficaram com o FAC para serem distribuídas nas bibliotecas do DF. Fizemos doação para escolas que realizamos as atividades e outra parte será utilizada para darmos prosseguimento ao projeto em outras unidades de ensino.

Temos o kit com o CD + Livro + Poster A3 por R$ 30 + a taxa do correio. Lembrando que o livro é capa dura A4 e com papel couché 150g colorido. Mais informações aqui.

hq de Amelia Woo

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Adaptação de HQ pode ser um tiro no pé

The Losers HQ de 1970

The Losers nasceu como um livro de guerra da DC Comics, mas o projeto alcançou o sucesso definitivo quando se tornou uma série de histórias em quadrinhos desenhado por Robert Kanigher. Os personagens já tinham aparecido no meio de outras HQs, como é o caso do capitão Johhny Cloud (em All-American Men of War #82–115, entre 1960–1966), Sarge e o Artilheiro (março de 1959), além do capitão Storm, entre 1964 e 1967. Mas foi a partir de 1970 que virou uma série regular.

Não é de hoje que os estúdios americanos estão adaptando HQs para o audiovisual. Pelo contrário. O tema é tão rico que inspirou o jornalista André Morelli a escrever o livro Super-Heróis no Cinema e nos Longas-Metragens da TV. Mas nem sempre a nova versão agrada os fãs mais xiitas. No ano passado The Losers chegou ao cinema. Aqui no Brasil teve a tradução fiel (Os Perdedores) e agora sai em DVD pela Warner.

É um filme divertido, que mistura ação e comédia, num ritmo bacana e dinâmico. Para quem gosta de luta corporal, tiros, armas pesadas e perseguições, pode ir na locadora preferida hoje mesmo.

the losers - o quadrinho e o filme em dvd

A trama começa com um americanismo bobo, mostrando uma unidade de forças especiais na Bolívia salvando o planeta de um traficante sul americano. Porém o grupo descobre que foi traído e quer se vingar do vilão, Max, um agente da CIA interessado em começar novas guerras para vender armas poderosas e inovadoras.

Assim como na HQ, cada personagem do longa tem uma habilidade específica: o coronel Clay (Jeffrey Dean Morgan, que viveu O Comediante no filme Watchmen) cria as estratégias; Jensen (Chris Evans, que viverá o Capitão América no cinema) sabe tudo de computador e comunicações; Roque (Idris Elba) é o negro fortão clichê que entende tudo de armas; Cachorrão (Columbus Short) é o expert em veículos;
E, finalmente, o Cougar (Óscar Jaenada), que nos quadrinhos era o Artilheiro, atuando como atirador de elite, e o personagem mais interessante do filme.
Ah, e Aisha (Zoe Saldana, de Avatar), que faz a filha em busca de vingança e se junta ao grupo para acabar com Max, o vilão sem carisma, e seu capanga Wade, que faz o papel do típico cabeça oca.

Cougar e Aisha no filme Os Perdedores

Se o filme não deu o retorno ao investimento de R$ 25 milhões, ao menos serviu para divulgar a HQ para os cinéfilos ou mesmo pro pessoal que lê quadrinhos e ainda não conhecia este aqui.
E você, viu o filme? Leu a HQ? Comenta aí o que achou!

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Documentário sobre um trintão bem maluquinho

capa da 103a edicao do livro do Menino Maluquinho

Em outubro do ano passado, um menino muito maluquinho completou 30 anos de vida. Pensando nisso, a Vila Filmes decidiu fazer um média-metragem documental sobre a emblemática criação do cartunista Ziraldo, sucesso na literatura e nos quadrinhos. Com direção e produção de Caio Tozzi e Pedro Ferrarini, o filme de 30 minutos conta a história do personagem através do olhar de seu criador e também traz depoimentos de leitores de todas as idades. Conversei com o Caio sobre o projeto, confira:

JBlog >> No release diz: "Em um depoimento emocionante, o autor volta ao ano de 1980 para contar histórias sobre o processo criativo do livro, o impacto que a obra alcançou em seu lançamento, dentre muitas outras curiosidades". Pode citar algumas destas curiosidades?
Caio - Pedro, o principal eixo-narrativo do nosso filme é o olhar de Ziraldo para esta história do Menino Maluquinho. Desta maneira, ele conta todo o processo criativo desde quando surgiu a ideia do livro, em uma palestra que ele fez na Ilha do Governador para mães e professores. Nesta época, os antigos participantes do jornal O Pasquim, estavam sendo recrutados para dar palestrar sobre assuntos gerais.

Na ocasião, Ziraldo foi questionado sobre educação de filhos e ele resumiu sua opinião dizendo que criança deveria, antes de tudo, ser feliz pois, só assim, se tornaria um adulto legal, um adulto do bem. Uma das mães que assistiam a tal palestra indagou a ele, dizendo que a tal “tese” poderia dar um livro. Ele não deu muita bola, mas aquilo ficou não saiu de sua cabeça – uma criança feliz se tornar um adulto legal. Imaginou que poderia, então, ser o tema de um livro infantil – que ele estava com vontade de fazer, dez anos depois do lançamento de Flicts, sua primeira obra infantil.

Até uma manhã que estava fazendo a barba, na frente do espelho, e veio em sua cabeça a seguinte frase:”Era uma vez um menino maluquinho”. Era isso que faltava para ele dar continuidade a sua obra.

Ziraldo conta também que o livro foi escrito em pouco mais de 15 dias e pediu a ajuda da família toda para ajudar nos desenhos e ilustrações – tanto que, sua esposa Vilma desenhou a imagem do Pedro Alvares Cabral que está no livro e o filho Antonio, ainda menino, fez a valsinha que está na obra.

O cartunista conta também porque separou os pais do Menino Maluquinho no livro, como foi o primeiro impacto do público na Bienal do livro de São Paulo em 1980 – que a editora publicaria 5 mil cópias e teve de rodar quase 40 mil.

Estas são algumas curiosidades que estão presentes no filme. Uma outra coisa bacana são os depoimentos que o público deu sobre a obra e o personagem. Este é um outro eixo-narrativo do nosso documentário. Leitores de todas as idades que estavam na fila de autógrafo do Ziraldo, durante a Bienal do Livro de 2010, contaram um pouco como a obra foi importante ou impactou sua vida. Para alguns foi o primeiro livro que leu, outros relacionaram a obra aos tempos de colégio. Tivemos boas histórias vindas do público.
cenas do doc sobre o Menino Maluquinho

JBlog >> Por que vocês dois decidiram fazer um curta sobre Ziraldo focando no personagem do MM ao invés de outros como Pererê, que completou 50 anos?
Caio - O Ziraldo é um ícone da nossa cultura, é fato. Eu já tinha um conhecimento muito grande sobre a vida e obra do Ziraldo, por sempre ter sido fã desde criança, e por conta de um projeto sobre a vida dele que eu realizei durante a faculdade. Por isso, me atentei às datas e percebi que o Menino Maluquinho estaria fazendo 30 anos neste ano. E em um ano de Bienal do Livro de São Paulo - em mais uma edição do evento que foi lançado.

Diante desta constatação, percebi que poderíamos então contar esta história através de um documentário que traria não apenas o Ziraldo a recontando, mas também pelo olhar das diversas gerações que fizeram o livro ser este sucesso editorial que foi. Era uma oportunidade e tanto, pois além de tudo, este registro se tornaria histórico por se tratar de duas figuras - criador e personagem - importantes para nossa cultura.

Brinco que é mais ou menos como se, 30 anos depois de sua criação, alguém tivesse feito um registro de Monteiro Lobato falando da Emília.

Talvez não saibamos hoje, mas daqui alguns anos, o impacto seja semelhante. O Pererê também estaria fazendo 50 anos, mas o Menino Maluquinho nos saltou aos olhos pela forma de contar sua história e por nos dar a possibilidade de contar a história do próprio Ziraldo nestes mesmos 30 anos que ele se consagrou como um dos mais importantes autores para criança do Brasil.

JBlog >> Então vocês já eram amigos pessoais do Ziraldo?
Caio - Como eu disse, já conhecia o Ziraldo há uns cinco anos, por conta de um contato que tive com ele durante meu trabalho de conclusão de curso na faculdade de jornalismo que era um projeto que falava de sua vida. Ele sempre foi muito generoso e atencioso em todos os encontros. Quando surgiu a ideia do curta-metragem sobre o Menino Maluquinho, liguei para ele e contei sobre a ideia. Prontamente, Ziraldo topou e autorizou que fizessemos o filme, apoiando o projeto.

entrevista de Ziraldo no doc do Menino Maluquinho

JBlog >> O curta de trinta minutos será exibido apenas em festivais ou existe a ideia de colocá-lo nos cinemas comerciais precedendo algum longa ou documentário mais curto, por exemplo
Caio - Pedro, a princípio o filme deve rodar mesmo festivais. Mas fica uma ideia, uma possibilidade ver estes outros caminhos de exibição. São outras formas de divulgação que ainda estamos estudando.

JBlog >> O filme foi financiado por quem? Lei de incentivo? Edital?
Caio - O filme foi basicamente um investimento da Vila Filmes. Na verdade , tivemos muito pouco tempo para realizar e montar a estrutura para realizar o filme. Da ideia à sua execução foram poucos meses. Acabamos não buscando, neste caso, leis de incentivo porque todo trâmite de aprovação do projeto e captação de recurso demoraria um tempo que não poderíamos esperar, pois tinhamos, não só, uma data comemorativa para “seguir” – os 30 anos do Menino Maluquinho – mas a necessidade das gravações do filme durante a Bienal do Livro de São Paulo, em agosto de 2010.

JBlog >> A proposta é fazer uma série, emendando com o doc de algum outro cartunista / quadrinista / criativo?
Caio - A princípio não, Pedro. Temos ideias para outros documentários sobre a cultura e artistas brasileiros, mas não sobre quadrinhos ou literatura. Estamos pensando, para o nosso próximo projeto, contar a história de algum cantor/músico através de sua música.

Ficou curioso? Então não seja (ou seja?) maluquinho e veja aqui o trailer oficial.
menino maluquinho na marca do google no dia do seu aniversario em 2010

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Um café com sabor de história em quadrinhos

Sergio e Livia com o premio HQ Mix da Cafe Espacial

A Café Espacial é uma revista mix muito bacana editada pelo Sergio e a Lídia em Marília, interior de São Paulo. Poderia ser só mais uma, porém a dupla está firme e forte editando sem patrocinador, comemorando prêmios e a boa repercussão no meio dos quadrinhos. Nos últimos dias os dois sentiram uma sensação muito boa em ver o impresso indicado na categoria alternativa do Festival de Angoulême, na França. Para contar mais sobre esta história, os editores conversaram comigo.

JBlog >> Geralmente o mais difícil numa publicação independente é manter a regularidade, a periodicidade. Como vocês pensam esta questão?
SERGIO CHAVES: Desde o começo nós já sabíamos das dificuldades, mas mantemos a persistência na publicação porque só assim é possível criarmos algo significativo, maduro.

LÍDIA BASOLI: Pois é, a regularidade é o que torna o trabalho conhecido e também a partir dela, temos um contexto de respeito com o nosso leitor, com quem aprecia nosso trabalho. Por isso a nossa preocupação em manter a regularidade da publicação com muito trabalho.

JBlog >> A Café feita sem anunciantes e por outro lado sem remuneração aos colaboradores, correto? Ela sempre se paga ou sempre dá prejuízo?
SC: Apesar dela ainda não se pagar a cada edição, todo o gasto que temos com a Café Espacial nós consideramos investimento, não prejuízo propriamente. Estamos estudando novas parcerias e anunciantes fixos para a revista principal e desengavetar novos projetos (no momento contamos com o programa HQ Além dos Balões, desde a 6ª edição).

LB: Sim, não tem remuneração alguma, nós investimos do bolso mesmo para que possamos ter uma periodicidade e também qualidade na nossa linha editorial. Pensamos, como o Sergio disse, no contexto de investimento mesmo, pois a partir disso conseguimos novos leitores e também deixar a café cada vez melhor. Todos os nossos colaboradores sabem disso e continuam trabalhando junto para que possamos fazer uma revista cada vez melhor.

JBlog >> Percebo que em algumas edições o quadrinho tem um espaço igual ou menor que outras coisas como matérias, fotos, poesias, etc. A ideia é essa mesmo, ser cada vez mais um MIX e menos uma publicação de quadrinhos?
LB: A ideia é que a revista tenha cada vez mais qualidade editorial numa linha coerente, independente do espaço para quadrinho ou outras artes. Depende do que estamos pensando para cada edição.

SC: Cada edição é elaborada de forma precisa, e apesar do foco maior ser as histórias em quadrinhos - seu espaço em nossas páginas varia, sim, a cada edição.

JBlog >> Acho interessante que vocês sempre falem de algo local, de Marília, por divulgar a região. Por outro lado, pro leitor Brasil afora pode não ter tanto interesse assim. A linha editorial é essa de antes de tudo projetar a cidade?
SC: Não. Nossa intenção é divulgar trabalhos independente da região, justamente para que nosso trabalho não sofra nenhum tipo de limitação ou bairrismo.

LB: Acabamos falando de Marília em algumas edições porque fatos interessantes aconteceram aqui, como a Mostra de Cinema, ou até mesmo a história do Clube de Cinema. Não é intencional, foi coerente com o que estávamos pensando para a edição. Não necessariamente será sempre assim e a revista está aberta para vários espaços sempre. O importante é que o trabalho tenha qualidade e esteja próximo da linha editorial do que pretendemos.

Sergio e Lidia na IV Semana Comic na Bolivia

JBlog >> Há um bom tempo que vejo no Brasil uma linha de HQ poética, experimental, introspectivas, filosóficas, não sei definir, mas enfim, sem ser de humor mesmo. A Mosh era engraçada, de humor. Isso passa tanto por uma nova geração de roteiristas quanto de desenhistas. Como vocês pensam isto no papel de editores mas também de criadores?
LB: Os quadrinhos no Brasil agora estão sendo visto com bons olhos, não que antes não fossem vistos, mas é uma arte diferenciada e provocativa, como podemos perceber nos vários autores que têm surgido tanto no Brasil quanto no exterior. Contudo, ainda se limita muito.

O fato de que anteriormente tínhamos HQs de humor, ou o sucesso das charges e dos cartuns, se deve ao fato de que o humor aproxima o homem de si mesmo, das dificuldades que passamos. Nesse sentido, a poesia também, o que abriu uma grande brecha para que os quadrinhos, como arte, também se apropriassem dessa linguagem.

SC: Infelizmente no Brasil não há continuidade ou mesmo valorização quanto às gerações anteriores. São raros os que procuram ouvir a experiência (independente do resultado) dos quadrinistas da época, etc. Na minha opinião esse aumento de HQs além das de humor é originada por fatores externos, de artes diversas, independente da dos quadrinhos.

JBlog >> Qual tem sido o melhor retorno até hoje por se esforçar para fazer um café tão bom?
SC: O melhor retorno tem sido as críticas e opinião dos leitores, e o fato de criarmos novos leitores a partir de outras artes presentes na revista, a qual ele não estava tão habituado. Isso nos motiva a continuar cada vez mais empolgados, mas sabemos que ainda há muito que melhorar - e temos muitas outras ideias e projetos adiante.

LB: Concordo com o Sergio. Acho que nada pode ser mais importante do que perceber que estamos fazendo um bom trabalho, com qualidade, com retorno do público e de tantas outras pessoas. A questão principal é que mesmo assim sabemos o tanto que podemos, e queremos, melhorar. E estamos há mais de 3 anos tentando fazer um bom café, rs.

CAFÉ ESPACIAL # 8
capa da Cafe Espacial 8 por Andre Diniz

Como é tradição, cada capa é feita por um quadrinista diferente. A mais recente edição da revista ficou a cargo do carioca André Diniz, agora radicado em São Paulo. O roteirista e quadrinista está vivendo um ótimo momento profissional. A editora Devir acabou de relançar a HQ Fawcett, sobre o coronel Percy Fawcett, famoso arqueólogo e explorador britânico que desapareceu ao organizar uma expedição para procurar por uma civilização perdida na Serra do Roncador.

“A primeira edição de Fawcett saiu em 2000 e foi um divisor de águas pra mim. Foi com ela que ganhei meus primeiros prêmios, minhas primeiras matérias na mídia com maior destaque e me tornei mais conhecido do público de quadrinhos. Não lucrei nada na época por mais que tenha vendido muito bem, mas o ganho indireto não teve preço - sem falar no privilégio de ter podido fazer uma parceria com o Flavio Colin, um dos desenhistas mais talentosos que esse país já teve”, conta.

hq Fawcett relançada pela Devir em 2010

E a lista de boas notícias não pára por ali. “Pra 2011, vem bastante lançamento, talvez uns cinco álbuns! Entre os 100% confirmados, tem uma HQ baseada numa lenda africana, tem a adaptação do poema A Cachoeira de Paulo Afonso e a biografia de um fotógrafo do morro da Providência, que tem uma história de vida riquíssima, uma verdadeira lição de vida”.

Pelo visto, se depender de André, Sergio e Lidia, os fãs de quadrinhos terão um prato cheio no ano que ainda está começando.

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Quando os próprios fãs se tornam editores

Da esq pra direita - Fausto Oneto Ivo Milazzo Giancarlo Berardi e Wagner Augusto

Assim como os músicos não esperam mais por uma grande gravadora, muitos quadrinistas nem cogitam bater a porta de uma editora e vão a luta. Mas há casos onde quem banca a publicação de uma obra são apenas apreciadores de HQs.

O Clube dos Quadrinhos (CLUQ), por exemplo, é um “clube” apenas no nome. Formado em 1973 num curso de jornalismo, trata-se de um selo para publicações de qualidade. Quem explica um pouco mais sobre a iniciativa é o jornalista e pesquisador Wagner Augusto (à direita na foto acima).

JBlog >> O CLUQ lança HQs autorais brasileiras ou apenas estrangeiras?
Wagner - Apesar do nome estar associado ao personagem Ken Parker, já lançamos muitos autores brasileiros. Já publicamos Eugênio Colonnese, Wilson Vieira e dois livros do jornalista Gonçalo Junior – “ALCEU PENNA e as garotas do Brasil” (2004) e “BENICIO um perfil do mestre das pin-ups e dos cartazes de cinema” (2006), ambos esgotados.

JBlog >> Como foi o processo para decidir lançar as HQs antigas do Ken Parker no Brasil? Qual o resultado?
Wagner - Inicialmente pensamos em resgatar o personagem que havia sido publicado pela Editora Vecchi, entre 1973 e 1988, e dois anos depois a Best News tentou concluir a coleção é publicou somente mais 2 volumes. Após 10 anos da ultima tentativa de publicação da coleção, resolvemos encarar o desafio e, finalmente, concluímos a Coleção Ken Parker que começou em setembro de 2000 e terminou em fevereiro de 2006. Atualmente a coleção já possui 50% de seus volumes esgotados.

JBlog >> De onde surgiu a idéia de numerar o livro?
Wagner - A ideia surgiu quando estreamos com as nossas publicações, em 1999, com uma minissérie em 2 volumes, Onde morrem os Titãs, foi uma experiência e a tiragem limitada possibilitou numerar a edição. Já tinha visto algo na Itália, como edições especiais para eventos, exposições, convenções e mostras.

Aqui no Brasil o editor Adolfo Aizen, na década de 70, também havia realizado algo parecido. Foi para atender ao apelo de colecionadores e fãs do personagem que resolvemos fazer uma nova publicação com os seus volumes numerados.

exemplares de Ken Parker lançados pelo CLUQ no Brasil

QUEM É QUEM PARKER?
Ken foi criado em 1974 na Itália por Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo (ambos no centro da foto no alto desta postagem) baseado no filme “Jeremiah Johnson” (1972) e se tornou um clássico do western. No blog dedicado ao personagem o baiano Lucas Pimenta convidou inúmeros quadrinistas para desenharem seus personagens ao lado do cowboy justiceiro.
Para adquirir os títulos do CLUQ escreva para cluq@terra.com.br

Na matéria sobre o balanço de 2010 na visão do pessoal de SP, Tony Fernandes diz que o ano foi marcado pela volta dos quadrinhos de western: “A coisa começou com o Arthur Filho, um editor independente que ousou lançar Billy The Kid, feita por autores nacionais. Coincidência ou não, em seguida veio Apache, e Chet, edição comemorativa de 30 anos, lançada pela Ink and Blood Comics, também independente e do sul do país. E, por fim, até a poderosa Panini decidiu entrar na roda lançando Jonah Rex. Os leitores de bang-bangs, os saudosistas, há muito estavam esquecidos pelos grandes editores, esta é que é a verdade”.

E você, gosta deste gênero de HQs? Curte o Ken Parker? Comenta aí!


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