Arquivo de March 2012

RSS Feeds

1a exposição de HQ ganha homenagem em SP

logo quadrinhos 51
Se você estava pensando em ir a São Paulo para ver a exposição do Angeli, agora tem mais um motivo. Foi inaugurada no Museu Belas Artes de São Paulo uma mostra que irá relembrar e homenagear os 61 anos da primeira exposição internacional de Histórias em Quadrinhos do mundo, organizada na capital paulista em 1951 por Álvaro de Moya, Jayme Cortez, Syllas Roberg, Reinaldo de Oliveira e Miguel Penteado. Conversei com o curador Francisco Ucha a respeito. Confira:

JBlog >> De quem surgiu a iniciativa da exposição?
F.U.: E a intenção foi homenagear essa geração de desenhistas, que abriram um mercado tão difícil. Queremos lembrar nomes de grandes desenhistas que estão quase esquecidos, como Gutemberg Monteiro, Antonino Homobono, Lanzellotti, Rodval Matias, Eugênio Colonnese, Saydemberg, Ignácio Justo, Getúlio Delfim, Manoel Victor Filho e muitos outros.

A iniciativa foi minha. É um projeto que pensei há mais de um ano. Falei com o Moya e ele adorou a idéia e apoiou cedendo os primeiro originais. Depois fomos atrás de outras pessoas que gentilmente cederam suas obras. Os desenhistas Primaggio Mantovi, Rodolfo Zalla, Gutemberg Monteiro (hoje com 95 anos), Izomar, José Menezes foram fundamentais na obtenção do acervo de originais exposto.

O colecionador Adriano Rainho foi o grande fornecedor de revistas clássicas. Verdadeiros tesouros impressos que estão expostos. Grande mérito dessa exposição deve ser creditada a eles.

francisco uchoa curador da expo
Álvaro de Moya explicando a exposição para uma emissora de TV

JBlog >> Qual o objetivo afinal com a expo e os debates, integrar os veteranos e os novatos ou discutir a produção de HQ de hoje em dia?

F.U.: As duas coisas: é importante a integração entre jovens talentos e veteranos. E é importante trazer o processo de produção dos quadrinhos no Brasil, ontem e hoje.

JBlog >> Haverá alguma oficina ou atividade lúdica onde o próprio visitante poderá colocar a mão na massa?

F.U.: Não... Na mostra deste ano, não. Quem sabe, na próxima. O visitante poderá interagir com nossos convidados na série de debates SÁBADOS DE QUADRINHOS NO MuBA!

JBlog >> Haverá venda de material em todos os dias do evento?

F.U: Não. A mostra deste ano será exclusivamente para a exposição de originais de artes-finais e de revistas clássicas, muitas delas esquecidas pelo público e por boa parte dos estudiosos de quadrinhos.

Syllas Roberg escrevendo roteiro
Syllas Roberg escrevendo roteiro de HQ

JBlog >> São Paulo está com várias exposições de quadrinhos. Teve a do Spirit, agora tem a do Angeli no Itaú Cultural e a de vocês. Qual o diferencial desta para as demais?

JBlog >> Elas são complementares de um mundo artístico extraordinário! O Angeli é brilhante! A do Spirit esteve primeiro no Rio e é deslumbrante, com curadoria de minha amiga Marisa Furtado de Oliveira. Tanto a do Spirit, quanto a nossa apresentam originais históricos, bem antigos. E isso é importante para que o público possa ver como os desenhistas trabalhavam nas décadas de 40 a 70. Esses originais dificilmente serão mostrados ao público novamente. É uma oportunidade única.

JBlog >> Acho importante os quadrinhos estarem no Museu de Belas Artes pois mostra um reconhecimento da nona arte. A de 1951 não foi lá. Vocês consideram uma importante conquista para nós, do meio?

F.U: O pessoal do Museu Belas Artes de São Paulo apoiou o projeto assim que o apresentamos, no fim do ano passado. Gostaram muito da idéia. De 1951 até nossos dias houve uma evolução muito grande sim, mas ainda acho que há muito preconceito contra os quadrinhos. E é isso que vamos discutir no próximo sábado, 31 de março, às 14 horas no MuBA: “Ainda há preconceito contra os Quadrinhos?”. Os participantes são os jornalistas Jotabê Medeiros, Álvaro de Moya e Gonçalo Júnior. Imperdível!

JBlog >> Haverá alguma publicação, catálogo ou documentário sobre a exposição?

F.U: Estamos procurando um editor para fazer o registro de toda a exposição. Vamos aguardar um pouco.

JBlog >> No caso específico do Jayme, haverá algum material inédito dele? A viúva gostou da homenagem?

F.U: Nós teremos na exposição diversas artes de Cortez muito interessantes. Desde capas para revistas do Mazzaropi e Oscarito e Grande Otelo, até capas de terror e capas que ele fez, mas que a assinatura é do Miguel Penteado (e nós explicamos isso na exposição). Moya convidou a viúva do Cortez, mas não cheguei a conhecê-la.

alvaro de moya nos anos 50
Alvaro de Moya nos anos 50

JBlog >> Com exceção do Jayme, os outros quatro estão vivos?

F.U: Dos cinco, o único vivo é o Álvaro de Moya, e ele apoiou o projeto desde o princípio e foi o primeiro a ceder as obras. Há desenhos dele que jamais foram mostrados ao público. Uma verdadeira aula de história dos quadrinhos.

A exposição pode ser vista até 26 de maio, das 19h às 22h, de segunda a sexta, das 10h às 20h, e sábado, das 10h às 16h (fechado aos domingos, feriados e excepcionalmente nas datas de 07 e 30/04). O muBA fica na Rua Dr. Álvaro Alvim, 76, Vila Mariana, São Paulo. Tel.: (11) 5576 7300. Mais infos no blog oficial do evento.

Leia também:
Como é a exposição de Angeli no Itaú Cultural
Exposição em Santos com quadrinhos da Lei Maria da Penha
Documentário conta a história de Rodolfo Zalla

 Comentar (1)

Rio+20 inspira concurso de tirinhas ecológicas

concurso de tiras

Com a proximidade da Conferência das Nações Unidas em Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), a editora Qualidade em Quadrinhos realiza seu primeiro concurso cultural, com o intuito de revelar novos talentos da linguagem HQ e contribuir para a promoção da educação e responsabilidade socioambiental.

Até o dia 30 de março, os interessados devem enviar 10 tirinhas de 15 cm de largura por 5 cm de altura, com o tema Educação Ambiental, para apreciação do júri. O primeiro colocado ganhará um Tablet (Mesa Digitalizadora Wacom Intuos4 Small ­ PTK440). As 30 melhores histórias serão publicadas no site da editora e farão parte de uma ação educativa durante a Semana Mundial do Meio Ambiente, que ocorre na primeira quinzena de junho e antecipa a Rio+20.

O resultado será anunciado no dia 9 de abril e o concurso é válido apenas para maiores de 16 anos. Para mais informações acesse o site ou ligue (11) 2281-8866.

Leia também:
Concurso de desenho só para crianças até 29 de junho
Inscrições abertas para 12ª Feira HQ no Piauí
2ª edição do Prêmio Abril de Personagens: inscrições abertas

 Comentar

Como é ser um editor de quadrinhos?

ciclo maison de france

Acontece na próxima segunda (26) às 18h30, na Maison de France, no Rio de Janeiro, um bate papo com três editores brasileiros, que falarão sobre o seu trabalho: a brasiliense Rachel Gontijo (editora A Bolha), o gaúcho Lobo (editora Barba Negra) e o carioca Roberto Ribeiro (Casa XXI). O JBlog antecipou o debate.

JBlog >> Qual é a qualidade mais importante para ser um editor especialmente de QUADRINHOS? Avaliar a parte estética, a possibilidade comercial, o currículo do artista, ou tudo isso e muito mais (o que, por exemplo)?

Rachel - Para ser sincera, não acredito na existência dessa categoria editor de quadrinhos. Um editor é um editor, independente de ter um interesse maior em quadrinhos, literatura, filosofia etc. Acho que alimentar este tipo de categorização é desinteressante, ainda mais quando se está falando do mercado editorial, que muitas vezes parece acreditar que sua função é justamente essa, de continuar a estabelecer definições, categorias para que possa também continuar a se nutrir desse conjunto imaginado de leis.

Mas respondendo diretamente a sua pergunta, para mim o melhor tipo de editor, independente do que ele ou ela escolha editar, é aquele que não tem medo. Não tem medo de abrir espaço(s) para o desenvolvimento de conteúdo(s). Que não tem medo de trabalhar com risco. E claro, que também não tem medo de ter tesão no que publica e/ou de publicar o que lhe dá tesão. Sim, porque a relação editor-conteúdo-artista é fisica. Tem que ser fisica. Indissociável do tórax, abdômen e pelve. Se não, qual é a graça?

Lobo - Um editor tem que ter sensibilidade para transitar por todas as áreas empresa EDITORIAL X ARTE X COMERCIAL X PUBLICIDADE X DISTRIBUIÇÃO X ... um trabalho de sucesso é o resultado dos esforços conjugados. Mas claro, paixão pelo que faz é fundamental.

Roberto - Nós relativizamos nossa função como "editor de quadrinhos". Desde 1991, realizamos eventos internacionais em torno da linguagem dos quadrinhos. Ao longo dos anos, vimos a possibilidade de criar uma série específica que chamamos de "Cidades Ilustradas" convocando autores, nacionais e internacionais, que visitavam nossos eventos.

Em seguida, publicamos algumas obras fora da série principal. Hoje, publicamos apenas livros da série "Cidades Ilustradas". Este ano, três novos livros devem ser publicados: São Luís com os Gêmeos, Manaus com Mutarelli e Niterói com Joaquim da Fonseca.

A nossa principal atividade continua sendo a organização do Rio Comicon na cidade do Rio de Janeiro assim como foi, durante quase 12 anos, o Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) em Belo Horizonte. Mas, exercendo atividades como editor, sempre procuramos nos pautar pelo respeito aos autores e ao público, discutindo abertamente, com os autores, todas as questões relacionadas com a produção do livro.

Sempre buscamos a transparência na relação com os autores. Em nosso caso, como não nos consideramos realmente editores de quadrinhos, destacamos sempre a qualidade narrativa e estética da obra.

Como a maior parte de nossos livros são patrocinados, a questão comercial assume uma função menor em nossas preocupações. Agora, é evidente que o editor de quadrinhos necessita conhecer o mercado nacional e avaliar os autores com maior potencial de conquistar público.

rachel contijo
Rachel: "Talvez a maior vantagem é que nós só publicamos o que a gente gosta"
Foto: Leandro Pagliaro/Rio Comicon


JBlog >> Vivemos um momento bom em termos editoriais. A quantidade de quadrinhos sendo publicada é tão grande, que na maioria das vezes não dá pro jornalista nem pro público acompanhar (e comprar). O que vocês fazem para conseguir se diferenciar num meio tão competitivo?

Rachel - Essa diferenciação acaba acontecendo de uma maneira muito mais orgânica do que se imagina. Principalmente, pelas escolhas editorias de cada editora. É claro, ajuda também pensar em novas linguagens para promover projetos editoriais, linguagens que tradicionalmente não seriam utilizadas para certos tipos de publicação.

No caso d’A Bolha, por exemplo, pouco tempo atrás, resolvi chamar o artista italiano radicado em Portland, Luca Dipierro, para desenvolver três animações. A proposta era que elas funcionassem como trailers, acompanhando os três primeiros lançamentos da coleção de literatura da editora, dar maior visibilidade ao projeto ao sair do esperado: “olhem, este livro foi lançado” (insira foto da capa aqui)”, “leiam o primeiro capitulo aqui” (insira link pdf ou qualquer outra ‘tecnologia’ de leitura de páginas - aqui)

Eu acho que essa coisa de sair um pouco do que se é esperado, daqueles métodos que já se tornaram inclusive invisíveis por serem utilizados quase que automaticamente no mercado editorial, pode funcionar. Essa brincadeira entre/com linguagens me interessa bastante.

Lobo- Fico feliz em colaborar com o mercado de quadrinhos neste momento. Acho que a concorrência e a variedade fundamentais para um mercado saudável, em fase de crescimento. A segmentação do público resolve esta questão, não acreditamos que todos vão leitores vão comprar nossos livros, mas já temos leitores suficientes pra fazer valer a nossa operação.

Roberto - Esta pergunta decorre das questões levantadas anteriormente. A nossa série é tão específica que quando publicamos um novo autor já existe uma demanda pela coleção, mas também dispomos de uma verba para divulgação dos livros.

lucillekardec

Lucille e Kardec, dois bons títulos recentes da Barba Negra


JBlog >> A edição por conta própria já é uma realidade. Diversos artistas estão abrindo suas próprias editoras, imprimindo pequenas tiragens ou usando mecanismos de financiamento como o crowdfunding. Na visão de vocês como editores, qual é a vantagem de trabalhar com uma editora?

Raquel - Eu acho muito legal essa crescente independência, autonomia, do artista em relação a editora/editor. Isso acaba forçando as editoras a reavaliarem sua relação com conteúdo e, mais importante ainda, repensarem as relações artista-editor. Essas quebras nas estruturas de poder são extremamente necessárias.

Bom, não sei muito bem responder a esse questionamento, sobre vantagens e desvantagens de publicar com A Bolha. Talvez a maior vantagem é que nós só publicamos o que a gente gosta. E a desvantagem é que ao procedermos assim, não temos a menor chance de nos transformamos em megalópole editorial. Ainda bem.

Lobo - A autopublicação é uma grande possibilidade. Antigamente os quadrinistas podiam testar estilos gráficos e narrativos nas revistas mensais e semanais. Este mercado se perdeu no Brasil, mas hoje os custos gráficos baixos e as novas tecnologias de impressão possibilitam ao artista testar o seu trabalho e correr atrás do próprio público. Entender os processos que envolvem a criação, produção e comercialização do livro ajudam o quadrinista a entender parte do trabalho que uma editora faz, facilitando um diálogo posterior.

Roberto - Os autores perceberam que, no caso de pequenas tiragens, eles podem, perfeitamente realizar suas próprias produções. As produções independentes estão avançando em todos os países. A internet e as redes sociais ajudam a tornar a obra conhecida do público. As grandes editoras tornam a obra e o autor presentes nas principais livrarias do país e servem para maiores tiragens.

De toda maneira, assistiremos nos próximos anos a uma evolução maior dos independentes e a enorme distância que os separava dos grandes editores deve continuar se reduzindo. Antigamente, os autores independentes sonhavam, em um dia, tornarem-se mainstream mas, hoje, ser um autor ou coletivo independente é uma escolha onde podem, inclusive, ganhar mais dinheiro e controlar toda a cadeia de produção. É legítimo e saudável desenvolver a auto-gestão.

roberto ribeiro
Roberto Ribeiro, editor da Casa XXI e diretor da Rio Comicon

Leia também:
Quadrinho impresso, digital ou os dois?
Quadrinistas aderem ao crowdfunding

Inscrições abertas para 12ª Feira HQ no Piauí

 Comentar (1)

Angeli ganha uma exposição só sua em SP

angeli - foto Rubens Chiri

Está rolando no Itaú Cultural, em São Paulo, a Ocupação Angeli, com uma estilização do estúdio habitado pelas criações do cartunista. A curadoria é da designer gráfica Carolina Guaycuru, que também é esposa do artista, e fica em cartaz até 29 de abril. Paralelamente vai rolar uma mostra de filmes HQ, com 13 produções, onde quase todas fazem alguma referência a Angeli. Entre os destaques, Dossiê Rebordosa, de César Cabral, o longa-metragem Woody&Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'roll, de Otto Guerra, e o documentário Angeli, de Beth Formaggin. Tudo com entrada franca. Mais informações: (11) 2168-1776.

carolina e angeli - foto Rubens Chiri
Carolina e Angeli, casal de artistas


angeli e laerte - foto Rubens Chiri
Angeli e Laerte, velho amigo de guerra. Ou seria amiga?

Fotos: Rubens Chiri

Leia também:
Exposição Angeli Genial e Laerte no Centro Cultural dos Correios
Quadrinhos dos anos 80, como Chiclete com Banana, são relançados

 Comentar

Lei Maria da Penha em quadrinhos

capa da revista BASTA

A Gibiteca Municipal Marcel Rodrigues Paes, em Santos (SP), inaugurou a exposição “Basta – Diga Não à Violência contra Mulher”. A mostra traz imagens da revista de história em quadrinhos de mesmo nome, editada recentemente pela Prefeitura de Santos, por meio da Secretaria da Defesa da Cidadania e da Coordenadoria de Políticas Pública para a Mulher.

A HQ com 20 páginas aborda de forma lúdica e didática, os abusos e violências cometidos contra a mulher, detalhes da Lei Maria da Penha e como a vítima pode procurar ajuda nestes casos. Segundo dados da Agência Patrícia Galvão, em 2010, houve 735 mil casos de algum tipo de abuso, seja físico, sexual, psíquico ou moral contra mulheres.

Conversei com o produtor do projeto, Fábio Tatsubô:

JBlog >> De quem foi a iniciativa?
Fábio: A iniciativa do projeto foi da Coordenadoria do Direito das Mulheres de Santos/Secretaria de Defesa da Cidadania. A Fernanda Vannucci (coordenadora) tinha a intenção de criar um material gráfico falando sobre a Lei Maria da Penha que não ficasse restrito a folhetos explicativos e que pudesse ir além, retratar como acontecem os casos e orientar as vítimas de violência doméstica nos seus direitos e como procurar ajuda.

JBlog >> Como rolou o projeto?
Fábio: A Coordenadoria do Direito das Mulheres apresentou todas as informações da realidade regional, as principais autoridades do assunto na Cidade e o ponto principal, foi que gostaríamos de contar a história mais próxima das formas que elas acontecessem. Fugimos da narrativa didática e de cartilha, para que pudéssemos ter um começo, meio e fim; conflito dramatúrgico e linguagem cinematográfica com diversidade de planos. E principalmente, a violência não seria explícita, mas sublimada.
revista Basta - pag interna

JBlog >> Quanto tempo demorou do roteiro até a finalização?
Fábio: Foram seis meses, entre pesquisa, entrevistas, criação do argumento, roteirização, colorização, balões e letras e finalização do arquivo.

JBlog >> A HQ é só virtual?
Fábio: A revista foi lançada pela prefeitura de Santos em novembro de 2011. Está sendo distribuída em toda a cidade e nas séries de ações da Coordenadoria do Direito das Mulheres. A versão online é uma forma de poder propagar a informação para além da fronteira da Cidade.

JBlog >> Havia alguma mulher na equipe que produziu a revista?
Fábio: A produção artística foi feita por mim, Ed Ki Hap!, Alexandre Bueno e Renato Cássio. Mas não conseguiríamos reproduzir nada sem a participação efetiva da Fernanda Vanucci e da Silvia Barreto, que nos orientaram e deram todo o suporte.

revista Basta - pag interna 2

A mostra pode ser conferida até 31 de março na Gibiteca Marcel Rodrigues Paes, que funciona de segunda a sábado, das 9 às 19 horas, e domingo, das 9 às 14 horas, no Posto 5, orla da praia, próximo a Avenida Conselheiro Nébias. Bem legal.

Leia também:
Saiba quem é Fábio Tatsubô
Heroínas das HQs contra o câncer de mama

 Comentar (3)

Quadrinistas aderem ao crowdfunding

Mercenary Crusade
O grupo de quadrinhos Kaplan Project Comics lançou em novembro do ano passado a webcomic Mercenary Crusade, acompanhada da distribuição gratuita de 3.500 cards no Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte. Foi a segunda grande iniciativa digital dessa turma, que em 2009, lançou O Legado, considerada por muitos a primeira HQ para iPphone do Brasil.

Agora a turma utiliza o sistema de financiamento coletivo (crowdfunding) através do site movere.me para viabilizar a impressão de um jogo de cartas colecionáveis (Card Game) baseado nos personagens. O público que contribuir com a primeira tiragem receberá uma série de recompensas, podendo inclusive aparecer nas histórias. Conversei com Alex D’ates sobre a ideia.

JBlog >> Qual é o foco de vocês?
Alex D’ates - Nosso foco é no universo (personagens e histórias) que habitam a Lua Kaplan. Estamos investindo pesado nisso, e todas as mídias possíveis são viáveis para divulgar e distribuir esse universo. Atualmente estamos trabalhando com hqs digitais (distribuídas no site), além da campanha do Card Game (que é um produto físico) baseado nos personagens da história. Também estamos desenvolvendo outro produto voltado aos meios digitais, mas é algo para divulgar nos próximos meses.
Mercenary Crusade


JBlog >> Sobre os cards, a ideia é o crowdfunding pra fazer um jogo completo?
Alex D’ates - Exato, distribuímos cerca de 3.500 cards para as pessoas que visitaram nosso espaço no FIQ-BH. Na ocasião, lançamos a 1a parte da hq "A Criatura dentro das Sombras" que é o Episódio I de Mercenary Crusade (que terminou ontem, com 19 partes ininterruptamente publicadas).

Como em nosso espaço havia um Ipad e outros dispositivos para que o leitor pudesse conhecer a história, mas todos digitais optamos por criar o card como um souvenir para que o público lembrasse-se de nós e pudesse acessar o site.

O card game já estava em desenvolvimento, mas devido ao claro interesse do público lá presente, nós terminamos o jogo. Conhecendo a respeito de crowdfunding decidimos que seria uma plataforma interessante para o lançamento do jogo.

O jogo é um jogo de cartas (sem mais nenhum acessório), onde cada jogador monta seu baralho (ou deck) com os cards disponíveis, baseado em 3 personagens (da história) que ele escolhe previamente para lutar contra o trio do oponente. No movere.me as pessoas tem a possibilidade de contribuir e receber várias recompensas relacionadas ao card game: cartas avulsas, boosters (pacote) e até decks completos, prontos pra jogar.

JBlog >> O foco agora é nos 2 personagens mercenários, certo?
Alex D’ates - Em 2009 nós lançávamos hqs isoladas, abordando vários personagens a cada história. Atualmente estamos trabalhando em Mercenary Crusade, que acompanha as aventuras de Málef e Ryaad, os dois protagonistas.

JBlog >> Quantas pessoas trabalham na empresa e como é o processo de criação
e produção de vocês?

Alex D’ates - Atualmente o Kaplan Project Comics é composto por uma equipe de hã... 2 pessoas: Alex D'ates (eu) e Gio Vieira. O processo de produção e criação é totalmente colaborativo, uma construção e direção coletiva de enredos, narrativas e concepts, seguida de uma etapa solo, onde cada um tem que fazer o que foi designado para, em seguida, haver uma avaliação do trabalho.

gio e alex

Gio e Alex (à direita) na FIQ-BH

Para contribuir com o projeto acesse o página dele aqui.

Leia também:
Novo site comprova boa aceitação da webcomic
Quadrinho impresso, digital ou os dois?
QD Comics lança rede social de quadrinhos

 Comentar

Primeiras imagens de Hotel Transilvânia

Hotel Transilvânia

Foram divulgadas as primeira imagens da animação Hotel Transilvânia, com data de estreia prevista no Brasil para 05 de Outubro. No elenco de dubladores estão os atores Adam Sandler, Steve Buscemi e Selena Gomez, entre outros.O filme mostrará o resort cinco-estrelas de Drácula, onde os monstros e suas famílias podem viver livres sem os humanos para importunar.

Em um final de semana especial, Drácula convida algumas das mais famosas criaturas – Frankestein e sua noiva, a Múmia, o Homem Invisível, uma família de lobisomens, e mais – para celebrar o aniversário de 118 anos de sua filha Mavi. Para Drácula, não há problema em juntar todos esses monstros lendários – mas seu mundo fica prestes a acabar quando um cara normal chega ao hotel e se interessa por Mavis.

Hotel Transilvânia 2

Leia também:
Os Vingadores chegam ao cinema em abril
Documentário conta a história de Rodolfo Zalla
Arte Sequencial será destaque em Minas Gerais

 Comentar

Inscreva-se em concurso de personagens

Estão abertas as inscrições para a 2ª edição do Prêmio Abril de Personagens, que no ano passado contou com mais de 600 inscritos e deu origem a duas novas revistas em quadrinhos. Este ano apenas um vencedor será contemplado. Ele celebrará contrato com a Editora Abril e receberá R$ 5 mil. Para o diretor do Núcleo Infanto-Juvenil da Abril Mídia, Dimas Mietto (FOTO), a expectativa é dobrar o número de participantes em 2012.

Se no ano passado os contemplados eram de terror e futurismo, será que o vencedor será de outro gênero? “Na realidade, estamos em busca de boas ideias em qualquer gênero”, despista o executivo.

Dimas Mietto - editora Abril

Dimas: "o plano original sempre foi ter apenas um vencedor. No ano passado, fomos surpreendidos pela qualidade das obras e, por isso, publicamos duas".


Para participar, a pessoa deve criar personagens voltados para crianças de ambos os sexos, entre 7 e 12 anos, até 30 de abril pelo site do concurso.

Leia também:
Três títulos novos da Abril estréiam nas bancas de jornal

 Comentar (1)

Por que o Moebius vai deixar saudade

moebius de chapeu

Ele gostava de usar chapéu. Dizia que era para cobrir a calvície precoce. Mas poderia ser para proteger seu cérebro, tão fértil e criativo. Jean Henri Gaston Giraud, mais conhecido pelos pseudônimos Gir e Moebius, faleceu no último sábado, aos 73 anos, deixando um importante legado para o mundo das histórias em quadrinhos.

Nascido numa família pobre em Nogent-sur-Marne, uma comuna francesa no subúrbio de Paris, o artista começou a desenhar sãos 15 anos. Durante uma viagem ao México, seus pais se separaram, e aquele cenário marcou a sua cabeça. Seu primeiro personagem de sucesso, o tenente Mike Blueberry, explorava o gênero western com o nariz quebrado e um chapéu sobre a cabeça.

Anos depois, Gir conheceu em Paris o chileno Alejandro Jodorowsky, que curtia metafísica e ficção científica. O desenhista passou a adotar de vez o pseudônimo Moebius, em homenagem ao cientista August Ferdinand Möbius, a quem se atribui a autoria do oito deitado, a fita símbolo do infinito.

Jodorowsky também gostava muito do México, tendo filmado lá El Topo (1970), cujo cartaz foi desenhado por Moebius. A dupla começaria a se firmar como uma referência em ficção científica, trabalhando para filmes como Duna e Alien, o Oitavo Passageiro – neste, o francês criou as roupas dos astronautas inspirado em armaduras samurais e roupas de baseball. O designer também criaria os figurinos e os cenários de Tron (1982) e a aparência do personagem He-Man e seus amigos. Fora das telas, produziram a série Incal (anos 80) e Depois do Incal (anos 2000), lançados no Brasil pela editora Devir. Em 97, ilustrou a versão francesa de O Alquimista, do escritor brasileiro Paulo Coelho.

A influência do chileno foi tanta, que Moebius parou de beber e fumar, e virou vegetariano. Também demonstrou desde sempre ter a mente aberta a todos os tipos de quadrinhos. Com o norte americano Stan Lee, ilustrou uma graphic novel do Surfista Prateado. Em sua tese de mestrado, defendida em 1980, pesquisou o mangá japonês. Sua contribuição era tão importante que foi nomeado o Melhor Artista Gráfico da França e fora homenageado até mesmo pelo ex-presidente François Mitterrand, em 85.

desenho de Moebius
desenho de moebius 2

Com suas várias identidades – Gir, Moebius e outras – Jean também desenhou uma série de álbuns sobre sua própria vida (Inside Moebius). Era um senhor que gostava de desafios. Um de seus personagens, Arzach, era um guerreiro que montava um pterodátilo branco, cujas histórias não continham diálogos. Conscientemente ou não, o artista já buscava fazer quadrinhos universais, que não esbarrassem na barreira da língua. Este álbum saiu em português pela editora Nemo, que coloca mais três álbuns de Moebius na praça este mês, um deles o clássico Garagem Hermética.

O trabalho do mestre sempre foi elogiado tanto por veteranos quanto por medalhões, como o britânico Neil Gaiman. Aos 14 anos de idade o autor e roteirista fez uma excursão a Paris e comprou um exemplar da revista Metal Hurlant, cujo co-fundador e um dos mais desenhistas mais ativos era Moebius. Dali em diante virou uma de suas influências principais.

Mesmo com tanto prestígio, a única exposição à altura foi a retrospectiva Transe Forme, inaugurada em outubro de 2010 na Fundação Cartier (abaixo). Ano passado, duas páginas de Arzach foram leiloadas por 130 mil euros.

expo moebius - cartier
moebius - cartier 2
expo moebius 3

Nos últimos anos o artista vivia com a esposa e a filha, dedicando-se ao projeto USB ilustrado, inaugurado com o álbum “Walking in Paris”, que tem o tamanho de um cartão de visita e as músicas em formato mp3. Mas agora Moebius descansa na garagem hermética do céu ao lado de Goscinny e Hergé, criadores de Asterix e Tintin respectivamente, num atelier de primeira.

moebius retrato

Adieu, monsieur Giraud.


Leia também:
Faleceu o editor e roteirista Sergio Bonelli
Adeus, Frank Frazetta, mestre do realismo
Faleceu o artista e editor Dick Giordano
Pai do Playmobil falece, as lembranças não.

 Comentar

The Smiths terá biografia em quadrinhos

Conforme noticiado em agosto de 2011, vai sair uma biografia em quadrinhos sobre o The Smiths. O ex-vocalista da banda, Morrissey, se apresenta hoje no Rio e domingo em São Paulo, durante sua turnê latina. Afinal, querendo ou não, quase 1/3 do repertório do cantor e compositor são de canções da banda inglesa que marcou os anos 80.

O criador do projeto, o escritor norte americano Shawn Demumbrum, ficou surpreso com o resultado. Imaginava arrecadar US$ 3 mil e já conseguiu US$ 5 mil. Com isso, a HQ que será publicada em novembro poderá ganhar mais páginas.

morrissey

Veja a relação de músicas e artistas confirmados:

"Death at one's elbow" - Glen Curren and Madame M
""Shoplifters of the world unite" - Shawn Demumbrum and Matt Goodall
"Rubber ring" - Dennmann
"Girlfriend in a coma" - JP Manzanares
""Stop me If you think you've heard this one before" - Henry Barajas and Christian Vilaire
"Cemetry gates" - Libbi Rich and Mickey Chaney
"That joke isn't funny anymore" - Emily Rich and Jenn Fuguet
"How soon is now?" - Foo! and Sam Lagreen
"Pretty girls make graves" - Thomas Healy and Justin Miller
"Panic" - Matthew Burke and Joshua Green
"What difference does It make?" - Michael Kessler and Jeff Pina
"Handsome devil" - Shelby Robertson
"Suffer little children" - John Chibak

 Comentar