1a exposição de HQ ganha homenagem em SP

Se você estava pensando em ir a São Paulo para ver a exposição do Angeli, agora tem mais um motivo. Foi inaugurada no Museu Belas Artes de São Paulo uma mostra que irá relembrar e homenagear os 61 anos da primeira exposição internacional de Histórias em Quadrinhos do mundo, organizada na capital paulista em 1951 por Álvaro de Moya, Jayme Cortez, Syllas Roberg, Reinaldo de Oliveira e Miguel Penteado. Conversei com o curador Francisco Ucha a respeito. Confira:
JBlog >> De quem surgiu a iniciativa da exposição?
F.U.: E a intenção foi homenagear essa geração de desenhistas, que abriram um mercado tão difícil. Queremos lembrar nomes de grandes desenhistas que estão quase esquecidos, como Gutemberg Monteiro, Antonino Homobono, Lanzellotti, Rodval Matias, Eugênio Colonnese, Saydemberg, Ignácio Justo, Getúlio Delfim, Manoel Victor Filho e muitos outros.
A iniciativa foi minha. É um projeto que pensei há mais de um ano. Falei com o Moya e ele adorou a idéia e apoiou cedendo os primeiro originais. Depois fomos atrás de outras pessoas que gentilmente cederam suas obras. Os desenhistas Primaggio Mantovi, Rodolfo Zalla, Gutemberg Monteiro (hoje com 95 anos), Izomar, José Menezes foram fundamentais na obtenção do acervo de originais exposto.
O colecionador Adriano Rainho foi o grande fornecedor de revistas clássicas. Verdadeiros tesouros impressos que estão expostos. Grande mérito dessa exposição deve ser creditada a eles.

Álvaro de Moya explicando a exposição para uma emissora de TV
JBlog >> Qual o objetivo afinal com a expo e os debates, integrar os veteranos e os novatos ou discutir a produção de HQ de hoje em dia?
F.U.: As duas coisas: é importante a integração entre jovens talentos e veteranos. E é importante trazer o processo de produção dos quadrinhos no Brasil, ontem e hoje.
JBlog >> Haverá alguma oficina ou atividade lúdica onde o próprio visitante poderá colocar a mão na massa?
F.U.: Não... Na mostra deste ano, não. Quem sabe, na próxima. O visitante poderá interagir com nossos convidados na série de debates SÁBADOS DE QUADRINHOS NO MuBA!
JBlog >> Haverá venda de material em todos os dias do evento?
F.U: Não. A mostra deste ano será exclusivamente para a exposição de originais de artes-finais e de revistas clássicas, muitas delas esquecidas pelo público e por boa parte dos estudiosos de quadrinhos.

Syllas Roberg escrevendo roteiro de HQ
JBlog >> São Paulo está com várias exposições de quadrinhos. Teve a do Spirit, agora tem a do Angeli no Itaú Cultural e a de vocês. Qual o diferencial desta para as demais?
JBlog >> Elas são complementares de um mundo artístico extraordinário! O Angeli é brilhante! A do Spirit esteve primeiro no Rio e é deslumbrante, com curadoria de minha amiga Marisa Furtado de Oliveira. Tanto a do Spirit, quanto a nossa apresentam originais históricos, bem antigos. E isso é importante para que o público possa ver como os desenhistas trabalhavam nas décadas de 40 a 70. Esses originais dificilmente serão mostrados ao público novamente. É uma oportunidade única.
JBlog >> Acho importante os quadrinhos estarem no Museu de Belas Artes pois mostra um reconhecimento da nona arte. A de 1951 não foi lá. Vocês consideram uma importante conquista para nós, do meio?
F.U: O pessoal do Museu Belas Artes de São Paulo apoiou o projeto assim que o apresentamos, no fim do ano passado. Gostaram muito da idéia. De 1951 até nossos dias houve uma evolução muito grande sim, mas ainda acho que há muito preconceito contra os quadrinhos. E é isso que vamos discutir no próximo sábado, 31 de março, às 14 horas no MuBA: “Ainda há preconceito contra os Quadrinhos?”. Os participantes são os jornalistas Jotabê Medeiros, Álvaro de Moya e Gonçalo Júnior. Imperdível!
JBlog >> Haverá alguma publicação, catálogo ou documentário sobre a exposição?
F.U: Estamos procurando um editor para fazer o registro de toda a exposição. Vamos aguardar um pouco.
JBlog >> No caso específico do Jayme, haverá algum material inédito dele? A viúva gostou da homenagem?
F.U: Nós teremos na exposição diversas artes de Cortez muito interessantes. Desde capas para revistas do Mazzaropi e Oscarito e Grande Otelo, até capas de terror e capas que ele fez, mas que a assinatura é do Miguel Penteado (e nós explicamos isso na exposição). Moya convidou a viúva do Cortez, mas não cheguei a conhecê-la.

Alvaro de Moya nos anos 50
JBlog >> Com exceção do Jayme, os outros quatro estão vivos?
F.U: Dos cinco, o único vivo é o Álvaro de Moya, e ele apoiou o projeto desde o princípio e foi o primeiro a ceder as obras. Há desenhos dele que jamais foram mostrados ao público. Uma verdadeira aula de história dos quadrinhos.
A exposição pode ser vista até 26 de maio, das 19h às 22h, de segunda a sexta, das 10h às 20h, e sábado, das 10h às 16h (fechado aos domingos, feriados e excepcionalmente nas datas de 07 e 30/04). O muBA fica na Rua Dr. Álvaro Alvim, 76, Vila Mariana, São Paulo. Tel.: (11) 5576 7300. Mais infos no blog oficial do evento.
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