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Porco, ostra e rock à brasileira

capa do livro do Galvao 2010

Nos anos 90, a banda goiana NEM distribuía seus CDs demos personalizando-os. As capas eram feitas em pano com colagens de purpurina, e o rótulo desenhado a mão. Um trabalho artesanal que ficava a cargo do guitarrista Galvão. Uma década depois, o artista embarcou para a Itália, não para fazer shows, e sim realizar outro grande sonho: lançar a sua primeira novela gráfica, As crônicas bizarras do Absurdyum (Editora Lavieri).

Apesar das aventuras por Goiânia e São Paulo, atualmente o autor da série de tiras Vida Besta reside em Florianópolis (SC) e nesse momento encontra-se na terra da pizza em turnê de divulgação. E em alto estilo, participou da Comicon, uma das mais importantes convenções de quadrinhos do mundo e que acontece em Nápoles.

De lá, o músico/desenhista seguiu para Milão e estará amanhã em Bolonha. Na sequência vai ao Salão do Livro de Turim (14 e 16), Caserta (21) e Roma (25). Não será a primeira vez que ele pisa na Europa, mas foi o velho continente que o inspirou após a viagem de 2008.

---- A cabeça voltou de lá cheia de idéias erradas. Agora, eu confesso que estou com muito frio na barriga por dividir a atenção com quadrinistas consagrados num festival tão grande como o Comicon.

O modo como a Editora Lavieri conheceu o trabalho de Galvão prova que o mundo dá voltas. Uma amiga conhecia os seus desenhos através da revista italiana Internazionale, e utilizou-as num projeto de conclusão de curso de línguas em Nápoles. Coincidentemente, na mesma época em que o ilustrador terminava de escrever e desenhar As crônicas bizarras do Absurdyum.

---- Ela traduziu o livro todo numa correria danada para mostrar pro editor da Lavieri no Comicon de 2009. O Marcello, que é o editor, se interessou desde o início e a gente vem conversando desde então, acertando do projeto gráfico até as coisas burocráticas. Foi um ano de muita conversa e claro, fiquei muito feliz por ele ter apostado tanto no meu trabalho.

Galvão faz questão de destacar que para chegar a Europa pela porta da frente, foi necessário muito sacrifício.

----- Eu fechei quase 100 páginas em um pouco mais de um mês. Confesso que foi um trabalho um pouco mediúnico. Me tranquei no meu apartamento/estúdio por várias semanas, rabiscando, escrevendo mais de 15 horas por dia, enchendo a cabeça de café e trocando muita idéia com meu amigo Roctavio de Castro, escritor e roteirista de ficção científica, que me mostrou vários caminhos pra trama toda. Esse é o primeiro livro de uma trilogia hecatômbica e já estou trabalhando no segundo volume. Quero terminar tudo até a metade do segundo semestre.

as cronicas de absurdyum Galvao

A recompensa está a caminho. Durante a convenção de Nápoles, o artista terá a oportunidade de conhecer ao vivo e a cores o quadrinista Milo Manara, um dos expoentes da HQ italiana ao lado de Guido Crepax, criador da sexy Valentina.

--- Esses dois serviram de pesquisa para várias cenas onde a personagem Ostra aparece em cenas mais intimistas e sensuais. Quando eu era menor lia bastante Tex e histórias do Corto Maltese (de Hugo Pratt). Há um tempo li algumas coisas da Diabolik (das irmãs Angela e Luciana Giussani), que eu não conhecia. Esta viagem será uma oportunidade boa pra tirar o atraso, quero muito conhecer o que tem sido feito por lá.

OSTRA, PORCO E ROCK AND ROLL
Os protagonistas de As crônicas bizarras do Absurdyum são um caipira radioativo, uma garota chamada Ostra e um leitão, que se reúnem pra alimentar frustrações, colher sonhos e semear desejos. Apesar de não tocar mais na banda NEM, Galvão confessa que a experiência foi parte fundamental de um dos períodos mais loucos da sua vida.

---- A música é algo fundamental na minha vida, um divisor de barreiras em muitos aspectos e isso reflete no meu trabalho como quadrinista. Os personagens do meu livro não são exatamente roqueiros, mas vão a shows, cantarolam músicas conhecidas e soltam tiradas do cenário rock. Numa parte da história eles estão conversando enquanto ao fundo rola um show diabólico da banda Mechanics de Goiânia, que há 16 anos atrás me fez querer montar minha própria banda de rock. Bons tempos aqueles.

Vencedor de dois prêmios HQ Mix, o goiano-catarinense está prestes a fazer carreira internacional, na esteira de brasileiros como os gêmeos Gabriel Ba & Fabio Moon, Rafael Grampá e Marcello Quintanilha. Mas nem por isso, ele tira da cabeça o desejo de editar seu novo livro por aqui, já que originalmente ele foi escrito em português.

--- Lançar lá fora antes de lançar aqui ainda é ainda meio estranho pra mim. Saber que já tem gente lendo em outra língua, em outro país que não o meu, me deixa um pouco confuso, sobre o que esperar como resposta dos leitores. Muita coisa na história é puramente brasileira e, às vezes, regionalista. Então, evidentemente, estou louco pra lançar num formato bonitinho nas prateleiras das livrarias e bancas do Brasil. E que autor não quer isso, né?
as cronicas abusdyum galvao fragmento

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