Um circo onde as mulheres são o show

Depois de lançar vários álbuns de Milo Manara, para deleite dos leitores de quadrinho erótico, a editora Conrad investe num autor nacional do gênero. O paulista Victor Diógenes acaba de debutar nos quadrinhos com "Juliet Circus" (72 págs) contando a história de Juliet, a menina cujos pais são donos de um circo. E nesse ambiente ela cresce, vira artista e descobre seu corpo (e de outras garotas do picadeiro).
Ao transformar acrobatas, trapezistas e outras profissionais circenses em pin ups, abusando de suas formas, cores e figurinos, Victor lança um olhar sofre mulheres que muitas vezes são vistas como coadjuvantes. Ao inverter os papéis, são os homens que passam para o segundo plano. Um dos personagens mais interessantes, que só aparece de máscara, remetendo ao protagonista de "V de Vingança", some da história sem revelar sua face.
Também vale destacar as experiências de Victor, ao distorcer o rosto de alguns personagens ao longo dos quadros, em referência aos desenhos abstratos de Picasso.

Se não há nada a retocar quanto aos desenhos, às cores e a forma como o artista explora as páginas duplas, por outro lado o roteiro não se sustenta da mesma maneira. Os diálogos e a narrativa deixam a desejar, tornando a leitura arrastada. Chega um momento que dá vontade de folhear as páginas sem ler o texto. E a história acaba sem um grande final. Ou mesmo um que deixe o leitor curioso para uma possível continuação. Um caso em que o ilustrador é superior ao roteirista.
Ainda assim vale a pena conhecer o site da personagem. Talvez com vistas ao mercado estrangeiro, Victor já criou inúmeros produtos como bottons colecionáveis, posters, capas para iPhones e iPads, camisetas e fichários. Enfim, toda uma estrutura para Juliet voar longe. Seja na cama elástica, no trapézio ou num tiro de canhão.

Leia também:
O quadrinho erótico em alta
Vampiros urbanos seduzem blogueiro
Disney lança DVD comemorativo pelos 70 anos de "Dumbo"