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Rio, 13 de junho de 2013: Santo Antonio de Lisboa é o mesmo do de Pádua?

É.

E a dupla identidade dá-se porque ele nasceu em Lisboa, em 1195 e morreu em Pádua, na Itália, com 36 anos, em 13 de junho de 1231. O santo, de acordo com seu testamento, foi enterrado na pequena igreja de Santa Maria Mater Domini, perto de um convento fundado por ele em 1229.

Essa igreja foi incorporada à atual Basílica de Santo Antonio, em Pádua, naquela cidade.



Observação: esta linda imagem me foi enviada pelo João Candido, filho do artista, com a seguinte explicação: "foi pintado por meu pai para o altar da capela que fica em frente à casa onde nossa família morava, hoje Museu Casa de Portinari, em Brodowski. A curiosidade é que fui eu quem posou para o Menino Jesus que Santo Antonio segura em seus braços..."

Um pouco de história.

Para começar, o seu primeiro nome era Fernando. Nasceu em Lisboa, repito, numa casa próxima da Sé, no local onde posteriormente se ergueu a Igreja sob sua invocação, que lá está até hoje.



Fez os primeiros estudos na Igreja de Santa Maria Maior, ingressando por volta de 1210, como noviço, na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de São Vicente de Fora.

Com 18 ou 19 anos, entrou no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, um importante centro de cultura medieval e eclesiástica da Europa, onde realizou os estudos em Direito Canónico, Filosofia e Teologia.

Em 1220, Fernando abraçou o espírito de evangelização e trocou a Regra de Santo Agostinho pela Ordem de São Francisco, recolhendo-se no Eremitério dos Olivais de Coimbra.

E adotou o nome para Antonio.


Logo a seguir, decidiu deslocou-se para o Marrocos, onde esteve um tempão. Mas, como foi acometido por grave doença, os Superiores da Ordem resolveram repatriá-lo. No regresso, uma forte tempestade arrastou o barco para as costas da Sicília.

Sobreviveu mas passou o resto de seus dias na Itália.

Lá, Antonio se notabilizou como exímio teólogo e grande pregador. Após contatos com o papa Gregório IX, regressou a Pádua, onde veio a morrer, muito doente, em 13 de Junho de 1231.

O mito, o santo, o casamenteiro, o "achador"de coisas perdidas, o apoio do selim.



Santo António detém o recorde de canonização da igreja católica: foi declarado santo menos de um ano depois da sua morte -- precisamente 11 meses e 17 dias após falecer.

É o santo padroeiro das cidades de Pádua e de Lisboa


DEVOÇÃO

Santo Antonio é considerado santo casamenteiro.

Por que? Porque segundo o Padre Jorjão, ele é um "craque" para achar coisas perdidas. Melhor (?) até do que São Longuinho...
Ora, quem acha coisas ... acha marido!
Parênteses: ah, sim, ele também ajuda o pessoal a se equilibrar em cima do cavalo, porque aquela parte saliente da sela, na qual o montador pode se apoiar, leva o seu nome.

Tradição

No Brasil, muitas moças do interior costumavam retirar o Menino Jesus dos braços das estátuas do santo, antes da procissão, prometendo devolvê-lo depois de alcançarem o seu pedido. Outras, colocam a imagem de cabeça para baixo, prometendo, também, só "colocá-lo de pé" outra vez quando Ele " lhes arranjar" marido.
Estes rituais são geralmente feitos na madrugada do dia 13 de Junho.

Ainda há um outro costume que é muito praticado pelos seus devotos. Todo o dia 13 de Junho, as igrejas distribuem aos pobres os famosos pãezinhos de Santo Antônio. A tradição diz que esse alimento deve ser guardado dentro de uma lata de mantimento, como garantia de que não faltará comida durante todo o ano.

Há quem diga que o pão não mofa, mantendo-se fresco pelo período de um ano.

Bom, mas além de seu lado “santo”, Santo Antonio abre as festas juninas, que em certos lugares do Brasil, sobretudo no Nordeste, duram o mês inteiro e são mais populares do que o próprio Carnaval.
Dança-se quadrilhas, montam-se arraiais, quermesses, fogueiras e folguedos...



E come-se tudo que engorda. Salgados e doces, sobretudo os feitos com milho, já que junho é o mês da colheita. Além de leitão, frango da roça, bolinhos de carne, arroz-doce, canjica, mandioca em calda, bolo e broa de fubá e de milho, doce de batata-doce, de abóbora, de cidra com rapadura –furundum-- de mamão em pedaços, pão de cará, pão-de-ló cortado, paçoca, pé-de-moleque, batata-doce, mandioca, amendoim torrado, pipoca, pamonha, cuzcuz e o que mais estiver no prato.

E bebe-se, além de muita pinga, o tradicional quentão de vinho, uma espécie de grogue europeu traduzido "pro arraiá". (Faz-se também um quentão com pinga, mas aí não é pra santo: é pro diabo. Seguem as ilustrações das duas versões.

Lá vai a receita (da tradicional, de vinho tinto).

Mas se feito com vinho branco, também, como na foto.



Ingredientes:
-2 garrafas de vinho tinto (em geral,de garrafão)
-2 xícaras de açúcar
-30g de gengibre
-1 pedaço de casca de laranja
-1 pedaço de canela em pau
-6 cravos da índia
-1/2 garrafa de água
- uma colher de chantilly
-canela em pó

Preparo: coloca-se o vinho numa panela e deixa-se ferver. Quando estiver em ebulição, flamba-se para fazer a queimada. Acrescenta-se o açúcar, o gengibre, a casca de laranja, a canela e o cravo. Deve ser servido em copos ou canecas. Por último, uma colher de chantilly e, por cima, canela em pó.

"Na boa": bem que Santo Antonio podia "achar" um vinhozinho melhor para celebrar o seu dia?




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Rio, 12 de junho de 2013: namorados, conjuguem o verbo mais gostoso da gramática humana: namorar!

Ou, por que será que no Brasil o Dia dos Namorados é celebrado no dia 12 de junho e não no dia 14 de fevereiro, como na Europa e nos EUA?

Ah! (mais uma vez) criatividade brasileira. Primeiro, porque é véspera de Santo Antonio, o santo casamenteiro.

E, segundo, e graças à uma jogada de marketing -- genial -- do publicitário João Dória que, a partir de 1949, convenceu os comerciantes a anunciarem nesse dia, já que junho é um mês de vendas baixas...



Retrocedendo.

Encontrei a seguinte versão para a origem dessa comemoração.

Na Roma antiga, ali por volta do século III da nossa era, o então imperador Claudio II proibiu os casamentos durante os períodos de guerra.
Ele acreditava que os solteiros eram melhores combatentes. Daí um tal de padre Valentim se rebelou contra as ordens do monarca e continuou celebrando casamentos.

Foi preso e condenado à morte. Pois não é que na cadeia ele se casou -- secretamente -- com a filha do carcereiro! Mas não escapou da sentença e morreu no dia 14 de fevereiro, deixando para a sua amada um bilhete em que se assina "Seu Namorado".

Virou santo, mártir da Igreja e patrono dos "pombinhos" que festejam nesse dia o mais gostoso verbo da gramática humana: namorar.

E para ilustrar recorro ao cartaz mais expressivo que conheço da história do cinema. Afinal todo namorado(a) é um pouco astro de Hollywood!



Ou ...



Apreciem sem moderação.

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Rio, 9 de junho de 2013: a internet aproxima os distantes e afasta os próximos

Este é um aforismo que serve para as pessoas e serve para o mundo do vinho.

Hoje é comum ver-se um enólogo/sommelier em frente ao seu computador, em Ipanema, participar de uma prova virtual de Merlots em Lisboa, por exemplo, bebendo prosaicamente um Ice Tea!

E mais: também os "old good times" não voltam mais. Ganhou de presente um Château d`Yquem? Bravos. Mas ... legítimo?

Sim, porque cada vez mais, nem tudo o que é -- é, mesmo -- ou, pelo menos, é tão formidável como o que se pensava.

Como nesse hilariante vídeo!



Há empresas desenvolvendo papéis especiais para a rotulagem, com novas tecnologias de gravação de marcas invisíveis a olho nu. Para o caríssimo vinho francês Château d’Yquem, por exemplo já se usam etiquetas com marcas d’água similares às da fabricação de cédulas de dineiro, fabricadas por uma gráfica de Paris.



E as garrafas de outras grandes vinícolas já imprimem invisíveis códigos de barra nos vidros, cujo leitura só é conhecida por alguns peritos que prestam esse serviço. Se o consumidor estiver em dúvida, entra em contato com uma central que attravés de uma simples fotografia enviada por um iPhone assegura a legitimidade da marca, do fabricante, do ano e da safra.



Finalmente, para assegurar que um vinho é realmente ÊLE com todos os seus valores agregados (safra/ano/região/produtor, etc), cientistas franceses inventaram uma técnica muito parecida como a que é utilizada no mundo das artes plásticas: o método consiste em colocar a garrafa de vinho sob um raio de íon e, com um acelerador de partículas, mede a radiação emitida. Os resultados revelam a idade do vinho que está dentro da garrafa. Em seguida, os dados são comparados com os de garrafas sabidamente autênticas (conservadas nos châteaux de origem).



Uma versão muito avançada do que era o carbono 14 para conferir a idade de um quadro.

Quaisquer diferenças já podem indicar possibilidade de falsificação.

Ou seja: quando o primeiro de nós acertar na mega-sena, (sou candidato) já pode comprar um Margaux, um Brunello, um Barca Velha, um Vega Sicília Unico, um Opus One, um Almaviva e por aí, das melhores safras, e entrar num simples aplicativo do celular que, de novo e através de uma foto identifica -- como no programa Vivino -- procedência, ranking, legitimidade, opinião dos seus seguidores ou de revistas abalisadas e local aonde você o comprou.

Mas, como tudo na vida moderna, cuidado: a nota fiscal eletrônica pode localizar uma origem não-desejada dessa compra --ou do preço -- e cair na mão de um advogado de família que depois -- aí sim -- vai fazer uma festa de Babette!

Ele e o/a cônjuge não incluídos na degustação...

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