Arquivo de April 2010

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Rio, 30 de abril de 2010: boas falas!

GREEN CORK: Campanha de reciclagem de rolhas de cortiça
autor: Quercus

A rolha de cortiça é um produto que garantiu e deverá continuar a garantir a plantação dos sobreiros, um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do continente europeu.

O GREEN CORK é um Programa de Reciclagem de Rolhas de Cortiça desenvolvido pela Quercus, em parceria com a Corticeira Amorim, a Modelo/Continente, a Biological, o Corpo Nacional de Escutas, a Unesco e outros parceiros, no âmbito do Ano Internacional do Planeta Terra. Tem como objetivo não só a transformação das rolhas usadas noutros produtos, mas, também, com o seu esforço de reciclagem, permitir o financiamento de parte do Programa “CRIAR BOSQUES, CONSERVAR A BIODIVERSIDADE”, que utilizará exclusivamente árvores que constituem a floresta autóctone portuguesa, entre os quais o Sobreiro.

A internacionalização do projeto já está sendo negociada. Em breve, as rolhas usadas de outros países europeus começarão a ser recicladas em Portugal.

Mais informação: http://www.condominiodaterra.org/port/green.html


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Rio, 25 de abril de 2010: os cravos de Portugal, há 36 anos

E às 0h20 da madrugada de 25 de abril de 1974, Portugal encerrava uma ditadura de 48 longos anos. Num só dia, o regime político que vigorava desde 1926 caiu, sem grande resistência das forças leais ao governo, porque essas na sua maioria cederam perante o movimento popular que rapidamente tomou conta do país. Este levante é conhecido, também, como a Revolução dos Cravos Vermelhos null
Abril, afinal, é o mês das rosas e dos cravos. O levante foi conduzido pelos oficiais intermediários da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães, que tinham participado da Guerra Colonial.
Todo o mundo livre cantou com Portugal, naquele alvorecer Grandola, Vila Morena, do Zé Afonso

A seguir, Portugal passou por um período conturbado que durou cerca de 2 anos, marcados pela luta entre a esquerda e a direita. Foram nacionalizadas as grandes empresas. Passado um ano realizaram-se eleições constituintes e foi estabelecida uma democracia parlamentar. A guerra colonial acabou e as colônias africanas tornaram-se independentes antes do fim de 1975. Nesta época o Brasil atravessava uma ditadura "braba". Daí...

E por falar em Portugal, todos sabem o que é o sebastianismo?
O Sebastianismo foi um movimento místico-secular que ocorreu em Portugal na segunda metade do século XVI como conseqüência da morte do rei D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, em 1578. Basicamente é um messianismo adaptado às condições lusas e à cultura nordestina do Brasil. Traduz uma inconformidade com a situação política vigente e uma expectativa de salvação, ainda que miraculosa, através da ressurreição de um morto ilustre.
Apesar do corpo do rei ter sido removido para Belém[carece de fontes?], o povo nunca aceitou o fato, divulgando a lenda de que o rei encontrava-se ainda vivo, apenas esperando o momento certo para volver ao trono e afastar o domínio estrangeiro.

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Rio, 23 de abril de 2010: Saravá São Jorge!

Ogum na Umbanda é São Jorge, santo guerreiro.

Mas para os católico ele é um mártir. São Jorge nasceu na Capadócia -- hoje um sofisticado balneário na Turquia -- no ano de 280. Vinte anos depois, mudou-se com a mãe (viúva) para a Palestina, vindo a ingressar no exército do imperador romano Diocleciano, que gostava dele e o promoveu a conde. Mas Diocleciano começou a implacável perseguição aos cristãos e Jorge se opôs a ele e à corte, defendendo cada vez mais a sua fé em Cristo. O imperador, então, condenou-o às mais terríveis torturas. Mas Jorge consegiu sobreviver às lanças dos soldados, permaneceu firme sob o peso de uma imensa pedra e "fez o milagre" de resistir às navalhadas que recebeu, assim como ao calor de uma fornalha de cal. O imperador, enlouquecido de ódio, mandou então decapitá-lo em 23 de abril do ano 303 da nossa era.
Morreu o corpo e nasceu a lenda.
O culto a São Jorge se espalhou pelo Oriente e pelo Ocidente. Ele tem uma multidão de devotos em diversos países. São Jorge é o santo patrono da Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Lituânia, da cidade de Moscou e, extra-oficialmente, da cidade do Rio de Janeiro (título oficialmente atribuído a São Sebastião). Além de ser padroeiro dos escoteiros... e do Coríntias!
Sua figura demonstra garra, força e luta. . Tornou-se o padroeiro da guerra e da tecnologia, simbolizando todo aquele que trabalha nas linhas de frente, abrindo novos caminhos e alargando fronteiras mas, ao mesmo tempo, protege seus filhos e guarda a sua (nossa) casa.

E a espada-de-são-jorge? Por causa de suas folhas pontudas é associada ao poder de cortar as energias negativas, a inveja, olho-grande, magia e maus-olhados em geral. Aguns dizem que espanta os maus espíritos, além de atrair coragem e prosperidade. Confira na foto.


Mas por essa ninguém esperava: existe um vinho (gaúcho) chamado São Jorge. Mas -- e com todo respeito ao chefe dos orixás e aos queridos riograndenses, acho que só mesmo usando a espada dele, depois, para cortar a ressaca...

Bom, amigos: se souberem mais "causos" sobre São Jorge, em nome do santo me contem! (Ou neste próprio blog, em "comentários" ou para o e-mail: rbarreto@jb.com.br)




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Rio, 22 de abril de 2010

Bom, como já disse em outros posts recentes, estive em Paris no início do mês. Tomara que vocês -- queridos blogleitores -- também estejam (no todo, ou em parte!) prestes a desembarcar no Charles De Gaulle. Então, aí vão as minhas...

Dicas de Paris


A) Sofisticados: null

1)Le Grand Véfour – tel 429635627 (reservar c/antecedência) – 17, Rue de Beaujolais. Fundado em 1760, era o preferido do Proust, Malraux, etc. Hoje, pertence ao grupo Taittinger: é o máximo!

2)L’Ambroise – tel 42785145 - 14, Rue Montaignc. É o resto mais in do momento. Ao lado da Place dês Vosges. Caro. Caro, mas excelente.

3)Alain Ducasse (au Plaza Athenée). 25, Av. Montaigne – tel: 01-53676500. Ótimo. Caro ( tipo 300 euros p/pessoa, com tudo!).

4)Lapérouse – 51, Quai des Grands Augustins. – tel: 01-43266804. O restaurante do Salvador Dali, do Proust e do André Malraux. Caro: ótimo.

5)L’ Ami Louis – 32, Rue Vert Bois – tel: 01-48877748. Médio (de preço) e bom: bem parisiense (mal humor “y compris”).

6)ASTRANCE – a novidade mais “Fernand Adrià” de Paris. 4, Rue Beethoven (16ème) – 01-040508440


B) Médios

1) D'CHEZ EUX -- um velho endereço gourmet ã antiga,que os diplomatas brasileiros frequentam (fica perto da nossa Chancelaria), com comida fartíssima e especializada na delícias do sudoeste: gansos, patos, charcuterie, patés e uma mousse de chocolate... bem, o garçom põe a terrina inteira na mesa e tantas colheres de pau quantos comensais. IDEAL para almoço e visita ao Museu Rodin, a seguir, para fazer “o quilo”.
2, Av. de Lowendal, Paris 7 - tel: (01) 47-05-52-55

2)Lê Vieux Bistrô (ao lado da Notre Dame) – 14, Rue Du Cloître, para depois da missa cantada das 11h30 na catedral, aos domingos. A “cara” de Paris.

3) Gamin de Paris - os grelhados são ótimos, é simples, descolado e tem a melhor tarte Tatin. Fica no Marais que é super divertido. 51, rue Vieille du Temple 4º - tel 01 42789724

4) L'Avenue – bacana no almoço. Reservar 41, avenue Montaigne, tel. 01 40701491 (É o Relais do Plaza mais em conta!)

5) Chez Renée – Bistrot tradicional, sempre cheio 14, bolulervard Saint-Germain, tel.01 43543023 (recomendação do Claude Troisgross)

d) Baratos (para Paris!)
null



1) Chartier, 7 Rue du Faubourg Montmartre – 01-47708629 (melhor
p/almoço).
2) Brasserie Lipp – 151 Blv. St. Germain – tel: 01-45485391 (preferida do
Mitterrand).
3) Brasserie Bofinger – 5-7, Rue de la Bastille – tel: 01-42728782

4) Le Petit Villiers – 75, Av. de Villiers – tel: 01-48889659

5) Brasserie Balzar (recomendação do cônsul parisiense Goisbault) 49 Rue des Ecoles
tel 01 43 54 13 67

6) A La Petite Chaise (fundada em 1680) 36, Rue de Grenelle – 01-42-22-13-35

7) Chez Fernand – (Breno) 9, Rue Christine – tel: 01-43-25-18-55

8) Chez Paul – Rue de de Charonne esq. Boulv. St. Antoine (dica do Paulo e Chicô Gouvêa)
Obs: ostras! peixes selecionados/diferentes! Restaurante RECH – 62, Avenue des Ternes – tels: 01-45-72-29-47 –

1) Le Baratin (melhor omelete)
3, Rue Jouyce Rouve, Belleville

2) Bouillon Racine
3, Rue Racine, St. Germain de Près (no meio da tarde)

3) Aux Lyonnais
32, Rue Saint-Marc, Opera

4) Les Fous de l’Ile
33, Rue de Deux Ponts, Île de St. Louis

5) Le Petit Troquet (recomend. Breno)
28< Rue de l1Exposition – tel: 01-4705-80-39

6) Chez l'Ami Jean restaurant in Paris
Address : 27 rue Malar (perto dos Invalides) – recomendação Roberta Sudbrack (modernoso) Phone : +33 (0)1 47 05 86 89

7) A La Petite Chaise (o restaurante mais velho de Paris: 1680)
36, rue de Grenelle – tel: 01-42221335

8) Café Constant (recomendação do Breno)
139, rue St. Dominique – tel: 01- 47537334

9) Le Petit Pontoise
9, Rue Pontoise – 01- 43292520 (recom. Luis Fernando Verissimo e RPB)

10) La Fermette Marbeuf (é lindo: art deco e bacará) – p/almoço ou jantar
5, Rue Marbeuf – tel: 01-53230800 (ver www.fermettemarbeuf.com)

Allez! Bon Appétit!

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Rio, 19 de abril 2010: ah, os ingleses

Há alguns blogs atrás, falando dos ingleses, contei o seguinte "case" verdadeiro: o espumante mais premiado em Paris, em 2009, aopos três dias de um "blind test" em que concorreram mais de cem sparklings foi ... ingles! O excepcional Nyetimber’s Classic Cuvée 2003.
Que é um verdadeiro "champagne" do ponto de vista da sua elaboracão, já que é produzido com as uvas Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier, pelo metodo tradicional da segunda fermentacão na garrafa, e a sua graduacão alccólica (12%) é, também, idêntica a dos seus "pares" de Epernay e Reims. E custa na Fortnum & Mason, "templo" da elegância e bom gosto no servir desde 1707 --- haja vista que os sommeliers circulam de casaca --- custa, dizia eu, algo como 33 libras, ou seja, cerca de R$90,00.
Um deles, aliás, o que me apresentou o produto e contou a historia, quando eu ia entrar no clima euforia-solidária me cortou polidamente com a frase: not so bad, don't you think?
That is England.
E por falar no humour dos ingleses, aí vai a obra-prima de hoje:

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Rio, 16 de abril de 2010: os melhores "bordeaux" de 2009


Eu disse aqui no blog sobre a minha estada em Londres, mês passado, que uma das "London Shop - wine and spirit merchants" (site www.bbr.com -- vale uma visita) null
que mais me impressionaram foi a Berry Bros & Rudd, no n 3 da James's Street. Pois bem, eles acabam de me mandar essa lista fabulosa, que divido com vocês.

Bordeaux 2009 The Best of the Best null

Our Top 3

Ch. Latour, Pauillac 20/20
Ch. Mouton-Rothschild, Pauillac 19.5/20
Ch. Palmer, Margaux 19/20

Score: 18.5/20

Ch. Figeac, St. Emilion
Ch. Haut-Bailly, Pessac Leognan
Ch. Lafite Rothschild, Pauillac
Ch. Leoville-Lascases, St.Julien
Ch. La Mission Haut-Brion
Ch. Margaux, Margaux
Ch. Petrus, Pomerol
Ch. Pontet-Canet, Pauillac
Score: 17.5/20
Ch. Haut Brion, Pessac-Leognan
Carruades De Lafite, Pauillac
Domaine De Chevalier Blanc, Graves
Les Forts De Latour, Pauillac
Ch. Giscours, Margaux
Ch. Grand-Puy-Lacoste, Pauillac
Ch. Guiraud, Sauternes
Ch. Montrose, St. Estephe
Ch. Pavie Macquin, St. Emilion
Ch. D'yquem, Sauternes

Score: 18/20
Ch. Ausone, St. Emilion
Ch. Cheval Blanc, St. Emilion
Ch. La Conseillante Pomerol
Domaine De Chevalier Rouge
Cos D'estournel, St. Estephe
Ch. Leoville-Poyferre, St. Julien
Ch. Lynch Bages, Pauillac
Le Pin, Pomerol
Ch. Pichon-Longueville-Baron, Pauillac
Ch. Rieussec, Sauternes
Ch. Suduiraut, Sauternes
Vieux Chateau Certan, Pomerol
Score: 17/20

Alter Ego De Palmer, Margaux
Ch. Batailley, Pauillac
Ch. Brane-Cantenac, Margaux
Ch. Branaire Ducru, St. Julien
Ch. Les Carmes Haut Brion, Pessac
Chapelle d'Ausone, St. Emilion
Ch. Doisy-Vedrines, Sauternes
Ch. Ducru-Beaucaillou, St. Julien
Ch. La Fleur-Pétrus
Ch. D'issan, Margaux
Ch. Larcis Ducasse, St Emilion
Ch. Leoville-Barton, St. Julien
Les Pagodes De Cos
Ch. La Tour Blanche

Santé!













































































































































































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Rio, 11 de abril de 2010: Roberta Sudbrack no céu e na terra

Já se falou tudo de bom dessa chef premiadíssima – mas ainda é pouco. Roberta é uma poetisa do quilate de um Manuel Bandeira... null cinzelando o cotidiano, o simples, até transformá-lo em poesia do paladar.
A sua sobremesa quente-fria de polpa de fruta do conde gelada, casada com compota quente de morango, servida numa taça de dry martini é a materialização desse poema de Bandeira:

Irene no Céu
Irene preta, Irene boa, Irene sempre de bom humor
Imagino Irene entrando no céu:
- Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença

Só que a Roberta em vez de riscar os versos no papel (ou digitá-los no laptop), faz as suas rimas no forno e no fogão.

E o seu Parnaso é um chalé laranja ali no canal do Jardim Botânico, (não como nessa foto dos anos 40)
null mas ainda hoje um tugúrio integrado a um cenário de paz e charme. Ali, numa cozinha de vidro virada para o salão do andar de cima e para a paisagem na altura das amendoeiras, ela e a sua artilharia de cozinheiros trabalham, trabalham e trabalham.

Nem para as abelhas tudo é mel nessa vida!

Mas - que bom! - o resultado é um Paris-carioca, onde com a atenta presença da atendente de salão, Marianne, e do maître José Roberto, entre outros e outras, oferece ao público o “melhor do simples”, para usar a sua própria definição do seu fazer culinário.

E por simples se entenda ingredientes “normais”, como ovo caipira, beringela, tapioca, caviar de quiabo e tantas, tantas releituras das receitas da vovó.

Lá estivemos, o Carlos Ramos, o Sérgio Pereira e eu, para um almoço de sexta-feira (no resto da semana, só há noite). De entrada, uma salada com folhas orgânicas, atum confit, tomatinhos, o tal ovo caipira, rabanete, pepino, vagem francesa e tapenade.

Depois, para juntar o dia com a noite, veio uma taça de doce de leite com farofa de banana ouro (lançamento).

O prato principal é o leitãozinho (mamão) assado em baixa temperatura por muitas horas, acompanhado – mas não no prato, numa cumbuquinha ao lado --de duas mancheias de batata croustillante.

Da sobremesa já falamos: um choque térmico -- inverno e verão -- na boca!

Ah!, sim, e agora o fantástico. Esse menu tipo executivo oferece para a harmonização vinho ou cerveja. Vejam a relação: vinho Albariño Rias Baixas (Espanha) ou cerveja Traquair, Stron Scotch Ale (Escócia). Vinho Chianti Clássico Querciabella ou cerveja Voll-Dann, Doble Malta (Espanha).

É o futuro. Por sorte, eu mesmo, num blog recente do início do ano, já dizia que “as commodities” do prazer 2010 serão: vinho, cerveja, azeite e sal!

Voilà!

Vida longa para essa estilista da gastronomia é o que pedem lá do céu Vatel, Baco e Gambrinus! E que passeando na garupa da sua moto (versão, quem sabe, do pingo que esqueceu nos pampas)
null a inspiração, a coragem e a curiosidade nunca se afastem da sua mão de fada.

Bem haja!

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Rio, 8 de abril de 2010: Londres ou Paris?

Depende. Porque ambas são cidades-emblema. E têm muito em comum – e abissais diferenças. Ambas foram fundadas pelos romanos, por exemplo. Mas Londres é 100 anos mais moça --- é de 43 depois de Cristo, isto é, nasceu no século 1 da nossa era.

Chamava-se Londinium e a já no século II, tornou-se a capital da província Romana Britânica. A cidade, nessa época, era cercada por uma muralha onde hoje se localiza a City e a sua população andava à volta de 50.000 habitantes.
Mas pelo menos desde o século XIX, o nome Londres se refere à metrópole desenvolvida em torno desse núcleo que, hoje, abriga a sede de mais de 100 das 500 maiores empresas da Europa. É, também – e ainda -- um dos maiores centros financeiros do planeta.

“Londres” exerceu forte influência na política, null nas finanças, na educação, no entretenimento, na mídia, na moda, nas artes e, em suma, num certo modo de ser do mundo ocidental durante todo o século dezenove e na segunda metade do vinte. Donde ter-se tornado um importante destino turístico – e/ou mercado de trabalho -- para visitantes e residentes nacionais, europeus e estrangeiros. Tanto que é uma espécie de segunda pátria dos indianos. E voltou a ser “in”.

O Tâmisa é o rio urbano mais despoluído de todo o continente.

Mas, hoje, falemos de Londres. É a cidade grande que cuida melhor do seu habitante/morador. Os metrôs, por exemplo, que datam de 1898, foram "repensados" na maioria das suasde suas linhas. Plataformas mais amplas, escadas rolantes na maioria das estações, informações claras e o sistema de ônibus aquele show de lógica. Os onibus (chope duplo) que andam por uma rua ... voltam por ela.

E a gastronomia? E os vinhos? Bom, aquela "boutade" do Eça de Queirós de que o inglês "é um gajo que se veste bem ... para comer mal" , já era. Londres é, hoje, um mapa gastronômico das melhores cozinhas do mundo. E em termos de vitrines, butiques de vinhos e...prêmios, (não sei não) começa a fazer "bonito" perto de Paris e Nova York.
A Berry & Bros, por exemplo, nullna James’s Street, metrô Green Park, fica aberta de 2ª-6ª, das 10h/18h. Lá, os mais antigos comerciantes de vinho da Grã-Bretanha fazem negócio (nesse mesmo lugar) desde 1698 e sua herança está refletida nos painéis e salas de degustação.

Mas... bomba, bomba! O espumante mais premiado em Paris, em 2009, em um "blind test" em que concorreram mais de cem "sparklings" foi ... ingles! O excepcional Nyetimber’s Classic Cuvée 2003. Que é um verdadeiro "champagne" do ponto de vista da sua elaboracão, ja que é produzido com as uvas Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier, pelo metodo tradicional da segunda fermentacão na garrafa, e a sua graduacão alccólica é idêntica a dos seus "pares" de Epernay e Reims: 12%. E custa na Fortnum & Mason, que é uma loja tão sofisticada que os sommeliers atendem de casaca, 33 libras, ou seja: cerca de R$90,00.
Um deles, que me apresentou o produto e contou a historia, terminou com a exclamacão: not so bad.
That is England.
Cheers!






Bom, bomba, bomba! O espumante mais premiado em Paris, em 2009, em um "blind test" em que concorreram mais de cem "sparklings" foi ... ingles! O excepcional Nyetimber’s Classic Cuvée 2003. Que é um verdadeiro "champagne" do ponto de vista da sua elaboracão, ja que é produzido com as uvas Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier, pelo metodo tradicional da segunda fermentacão na garrafa, e a sua graduacão alccólica é idêntica a dos seus "pares" de Epernay e Reims: 12%. E custa na Fortnum & Mason, que é uma loja tão sofisticada que os sommeliers atendem de casaca, 33 libras, ou seja: cerca de R$90,00.
Um deles, que me apresentou o produto e contou a historia, terminou com a exclamacão: not so bad.
That is England.
Cheers!


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Rio, Domingo de Páscoa (2010): e como combinar vinho e chocolate?

E como combinar Páscoa, vinho e chocolate?
É um casamento complicado mas, como há paixão, possível. Até porque “os cônjuges” se conhecem há milênios. O vinho é quase mais velho do que a história. Há cerca de 6 mil anos já se cultivava a vinha perto do Mar Negro, nas fraldas da cordilheiras do Cáucaso, entre as atuais Turquia e Armênia. De lá expandiu-se para a Ásia Menor, depois para o Egito e, pelos barcos fenícios, para todo o Mediterrâneo. Tanto que foram os gregos e, depois, os romanos, que conferiram ao vinho um lugar essencial em suas respectivas vidas. E a Igreja, mais ainda. Todas as vêzes em que os lavradores primitivos se viram ameaçadas por turbas de invasores, foi em torno dos mosteiros e das catedrais que abrigaram seus vinhedos. E os monges não se contentaram em hospedá-los: eles o melhoraram, porque como tinham tempo e sabedoria, separaram as castas, criaram a poda, cercaram a plantação com muros. E, sobretudo, fizeram experiências, sendo que a mais divina foi a que resultou na descoberta do champagne, pelo beneditino Dom Pérignon, em 1668.

O chocolate também vem de longe, cinco mil anos, por aí. Originário do México, onde os astecas o preparavam de forma líquida, foi levado para a Espanha, por Cortez, em 1528. E tornou-se popular em toda a Europa no século seguinte. Mas o formato em barra/tablete ou ovo, como é conhecido hoje, surgiu na Inglaterra, em 1847, produzido pela Fry&Sons e nunca mais parou de conquistar novos chocólatras: só no ano passado foram produzidos, no mundo, 5,3 milhões de toneladas de chocolate: o suficiente para fabricar 21 bilhões de ovos de Páscoa! E agora surgem os “chocolates de origem”, ou seja, assim como nos vinhos varietais (feitos com uma só variedade de uva), são aqueles elaborados a partir de um único tipo de semente de cacau, exclusiva de regiões como Java, Tanzânia e Santo Domingo, por exemplo.

A propósito: e o ovo, e o coelho, como terão se tornado marcas da Páscoa?

Pelo simbolismo que um e outro significam para as duas maiores religiões do ocidente, o catolicismo e o judaísmo. Porque em ambas, a existência está ali representada pelo ovo, véspera do nascimento, e pelo coelho, cuja capacidade de gerar ninhadas é associada à capacidade da Igreja de produzir novos cristãos.
Mas o surgimento do ovo de chocolate na Páscoa só se deu a partir de fins do século 17, em substituição aos ovos de galinha, cozidos e pintados, que antes eram escondidos nas ruas e jardins para serem caçados pelas crianças. A pintura dos ovos com cores vivas simboliza as cores trazidas pelo Sol na Primavera. A tradição dos ovos decorados chegou à Europa na Idade Média, null levada pelos cruzados - era prática comum entre egípcios, persas, fenícios, gregos e romanos pintar ovos para oferecê-los como presente em seus festivais de Primavera. Na Polônia e na Ucrânia, null essa tradição foi levada muito a sério. Edward I registra em 1290 a despesa de compra de milhares de ovos para serem distribuídos às pessoas de sua corte. No século XVII, o papa Paulo V abençoou um simples ovo a ser usado na Inglaterra, Escócia e Irlanda. Na Alemanha, é antigo o costume de dar ovos de Páscoa às crianças, junto com outros presentes.




Foi uma descoberta fabulosa dos confeiteiros franceses, que inventaram esse modo atraente de apresentar o chocolate e colocá-lo, ao mesmo tempo, na agenda “gourmet” dos adultos. Vejam essas duas vitrines de Paris que obra-prima!



Só que aí, voltamos “à problemática do título” --- como harmonizá-los?

Vejamos as possibilidades. A primeira: com vinho do Porto. Pelo seu teor alcóolico e doçura, um Tawny envelhecido é o acompanhamento ideal para um chocolate ao leite, enquanto um Ruby é a boa pedida para os mais amargos. Outras opções para escoltar os chocolates, são: o Jerez, como fazem os espanhóis; o Sherry, como preferem os ingleses; ou os “vinhos de sobremesa”, como gostam os franceses: o magnífico Sauternes, cor de ouro velho, ou o Banyuls, também do sul da França ou, ainda, o Muscat Beaumes de Venise, um néctar que se serve na Provence com os chocolates e petit-fours que encerram as copiosas refeições de domingo. (Não é por acaso que os papas ficaram por lá 70 anos!).

Outras: os americanos --- sempre eles, claro! --- criaram dois vinhos feitos sob medida para o chocolate: o Deco Port Chocolate, um fortificado tipo Porto, feito na Califórnia, que recebe chocolate em estado natural na sua composição e o Orange Muscat, também californiano, que como o nome indica vai muito bem com chocolate que leva laranja.

Mas como as religiões sempre foram muito ligadas aos ciclos da natureza, a Páscoa no hemisfério norte (de origem) coincide com o início da Primavera, porque ambas simbolizam o renascer. Ora, consoco dá-se quase o inverso: a Páscoa no hemisfério sul é celebrada no equinócio do outono, a estação do descanso da terra --- o anticlima de sair da casca! E como a globalização ainda não atingiu os ritos religiosos, não podemos adiá-la para setembro...

Nos resta, portanto, resolver essa dúpla contradição: 1) comemorar a força da vida e da liberdade --- seja através da ressureição de Cristo, na Páscoa dos católicos, seja saudando o fim da escravidão no Egito, no Pessach dos judeus (que começa no primeiro domingo de lua cheia da primavera) --- justamente quando a natureza se recolhe e “morre”... ou 2) tentar harmonizar o chocolate ---cuja doçura extrema e textura untuosa “arrebata” as papilas --- com o vinho de mesa EM TEMPOS DIFERENTES (primeiro um, depois o outro), ou abrir uma garrafa de um bom champagne, ou de espumante bem elaborado e convidar a família e os amigos para brindar (mos) o milagre desse encontro -- seja da morte com a vida, na ressureição de Cristo, seja da escravidão com a liberdade, no Pessach dos judeus -- e, depois, comer(mos) os melhores chocolates -- sem culpa! Uma boa Páscoa para todos.

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