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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 18 de outubro de 2017. Leonardo, o multigênio

Walter Isaacson, jornalista americano, ex-editor do Times, lançou esta semana a biografia “Leonardo da Vinci”, que antes de chegar às livrarias de todo o mundo já é o primeiro colocado na pré-venda da Amazon.com. Pudera!

Leonardo (nasceu em 1452, pra facilitar há 565, signo de Áries)  pensou o helicóptero, a bicicleta, a prancha de esqui, a asa-delta, as máquinas de guerra — o guardanapo e a tampa para as panelas — o arranjo de mesas e nunca teve limites para a sua curiosidade insana. Exemplo bizarro: queria saber como era a língua do tucano?

E foi estudando profundamente os músculos dos lábios que resolveu pintar o enigmático sorriso de (uma das) sua obra-prima: a Mona Lisa.

Leonardo morreu aos 67 anos,  na pequena cidade de Cloux, perto de Ambroise, (Tourraine), no braços do Rei de França, François Premier. Um desses gênios dentro dos quais o Sol nunca se põe, como disse Neruda no enterro do Picasso.

Mas nem todos sabem que Leonardo foi um apaixonado por alimentos e pela liturgia das refeições. Para começar,  foi talvez o primeiro vegetariano — por opção — de que a história traz registro. E um “cinematográfico” cenógrafo de festas! Para agradar ao seu benefactor, o poderoso Duque de Milão, Ludovico Sforza, (para quem trabalhou 13 anos) e considerado o melhor anfitrião da Lombardia,  coordenava espetáculos pantagruélicos, em que não apenas a quantidade, mas a arte de preparar e apresentar os alimentos, bem como de construir atrações que permeavam os pratos, faziam a diferença.

E já naquela época –- há cinco séculos, repito — Leonardo defendia a simplicidade dos alimentos e a beleza de uma mesa bem posta. Registrou no seu diário: “É meu dever tornar cada banquete um feito inesquecível. Juntava libélulas, plantas aromáticas, fontes de água, grilos, água de rosas para enxugar as mãos, pequenas estátuas de marzipã, geleias coloridas e, lá fora, cisnes, sinos, corneteiros e avestruzes dando voltas e mais voltas, para dar movimento à paisagem”.

E anotava tudo o que pensava sobre gastronomia em manuscritos que levavam o nome de “codex”. O que trata dos assuntos da mesa é o Codex Romanoff, cuja cópia foi achada em 1981.

Leonardo nasceu numa fazenda perto da cidadezinha de Vinci, na toscana. Foi criado pelos avós paternos, numa pequena propriedade que cultivava trigo e azeitonas. A alimentação se completava com legumes e vegetais. Por isso, comia-se fava e feijões, grão-de-bico e ervilha, com pão, alho, cebola, nabos e…azeitonas. Além de queijo de ovelha. E, tratando-se da Itália, obviamente bebia-se vinho, desde os 5 anos – com água.

Cresceu gênio. Se tivesse nascido no século XX teria inventado o iPhone, a Internet, o carro elétrico, os drones… Era divertido, perfeccionista (imaginem!), bonito, namorador e gay (sic Isaacson).

Frequentou o fausto dos Borgias,  a pompa dos dodges de Veneza (e do Duque de Milão, como dissemos), dos senhores de Roma, pintou a Última Ceia — pintou o 7!

E pra entrar no clima, que tal a Mona Lisa enófila?

 

 

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Rio, 12 de outubro de 2017. Da água para o vinho

Nesta quinta-feira (12/1017) teremos o feriado de N. Sra. da Aparecida, padroeira do Brasil desde 1980, quando da visita de João Paulo II e a única imagem de santa com a nossa bandeira nas vestes.

Parênteses: e, muito importante, também a comemoração pelos 100 anos da última aparição de N. Sra. de Fátima, na Cova da Iria, Portugal, aos três pastores (Lúcia, Francisco e Jacinta).        

Por isso, muitas, mas muitas missas serão rezadas no Brasil e em Portugal. E os celebrantes vão benzer e beber Vinho de Missa.

Mas o que é Vinho de Missa, ou Vinho Canônico? É qual a diferença para um vinho normal?

O vinho (seja o Canônico, seja o normal)  é preparado a partir da fermentação do mosto da uva. Para produzir esta substância é necessário, primeiramente, separar as uvas dos cachos e depois esmagá-las, amassando toda a polpa até conseguir um líquido viscoso.  A seguir (não vamos nos deter no passo a passo, isso seria um outro blog), as leveduras existentes nos bagos da fruta se transformam em álcool etílico e temos, então,  o vinho de uva (pode-se fazer vinho de caju, de maça, etc).

Já o chamado vinho de missa, em geral tinto mas não necessariamente, como veremos a seguir, leva um acréscimo de açúcar e de aguardante de cana ou de uva, para cortar a fermentação (o vinho deixa de envelhecer), o que o torna mais licoroso, mais alcoólico (entre 16% e 18% GL) e mais longevo.

Observação: já de alguns 20 anos para cá, o Vaticano autorizou celebrar-se a missa com vinho branco, porque as freirinhas não aguentavam mais lavar aquelas toalhinhas imaculadamente brancas com manchas “de sangue”.

Mas por que “a lógica da Igreja” quer um vinho mais doce e mais alcóolico?

Porque, como dissemos, ele precisa durar mais e resistir às precárias condições em que, em geral, é guardado: em velhas cômodas junto com velas, incenso e mirra, batinas, etc.

No Brasil, três empresas gaúchas abastecem esse mercado: Salton, Aliança e Chesini. Mas a maior fornecedora é a Salton, que há mais de 60 anos fabrica o Vinho Canônico.

É um vinho elaborado em Bento Gonçalves, RGS, a partir de um corte de uvas Moscato (50%), Saint Emilion (40%) e Isabel (10%). Trata-se de um rosado licoroso doce, com graduação alcoólica de 15º GL, comercializado em garrafas de 750ml, a menos de R$ 15,00 a unidade — no varejo da empresa.
A maior procura é para fins religiosos, mas há consumidores que buscam o vinho para beber com a sobremesa ou mesmo como aperitivo, provavelmente por conta do preço.

Já o vinho de missa Aliança, licenciado desde meados da década de 1970, apresenta como diferencial o fato de ser um branco licoroso doce. Ele é elaborado com vinho-base de uvas Moscato, ao qual é adicionado álcool vínico e açúcar.
Com 17,6º GL, o produto é vendido em garrafões de dois litros, por preço similar no varejo da Cooperativa Aliança – único local em que é encontrado –- em Caxias do Sul.
É um produto feito mais para atender às paróquias pequenas.

Por último, temos a Adega Chesini, de Farroupilha, fez uma inovação em 2006: oferece o ‘vinho de missa’ em embalagens bag-in-box de cinco litros.

E deu certo: hoje o produto chega a mais de 20 Estados – sendo 95% do público consumidor formado por igrejas e o restante por apreciadores de vinho doce a baixo custo.

Você já provou? Eu já (e estou falando do não-bento, porque o bento tem outro significado). Mas é muito ruinzinho.

Por isso, e excluído para o sacerdote (?) é melhor vê-lo de longe, no alto … no altar, na liturgia da consagração.

E depois, em casa, degustar um … Châteauneuf- du- Pape pra ficar no clima!

 

 

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Rio, 4 de outubro de 2017. Vinho e Natureza

Nesta semana, 4/10, se comemora o Dia da Natureza. Nada mais oportuno do que falar de vinhos naturais, orgânicos e biodinâmicos.

Quais as diferenças?

Vinhos Naturais. São produzidos sem nenhuma adição de sulfito (SO2), diz o consultor francês Jacques Trefois, um dos maiores especialistas no assunto. O sulfito, aliás, é uma espécie de satanás dos vinhos, porque essa substância, utilizada para ajudar a conservá-los é a culpada pelas dores de cabeça que aparecem horas depois.

Vinhos Orgânicos. São produzidos com uvas cultivadas de forma totalmente natural, sem inseticidas, pesticidas nem agrotóxicos. Mas permitem a adição de substâncias químicas para conservação ou correção de sabor.

Vinhos Biodinâmicos. São um passo (muito) além: segundo Marcelo Omega, do Portal Exame, são os “orgânicos-esotéricos”. Além de não utilizar química no plantio das uvas, os produtores respeitam o calendário lunar e fazem preparos com ervas, água da chuva e até chá para borrifar nas parreiras, como faziam nossos avós Adão e Eva.

De alguma forma  é um retorno há milhares de anos, quando se produzia vinho sem nenhuma intervenção química, equilibrando apenas frio e calor, luz e sombra e observando o relógio biológico que marca plantio e colheita.  Afinal, o vinho, como o azeite, o linho e o trigo, acompanham a humanidade desde antes da História.

Vida que segue:  há 40 anos, um então jovem aristocrata francês — Nicolas Joly — depois de uma carreira bem sucedida no mercado financeiro americano, larga tudo e volta para o Loire, para transformar as terras da família em produção de vinhos biodinâmicos.

Surpreende o mundo do vinho. Passou a utilizar algas marinhas nas secas e arnica nas floradas, para cuidar de suas parreiras. “Não quero produzir apenas um bom vinho. Quero produzir um vinho verdadeiro”, diz Nicolas. E conclui: “nós agimos de modo a ajudar a vinha a se alimentar das particularidades do solo e do microclima que a envolve.

Esse impulso atrai outros vitivinicultores. Aubert de Villaine, o legendário co-proprietário do Domaine de La Romanée-Conti, uma “casa” que vem do século 18, também se rendeu ao cultivo biodinâmico  e há 10 anos (2007), converteu a sua emblemática propriedade de cerca de 1,8 hectares, situada na Borgonha, em um marco na produção de vinhos “ambientalmente responsáveis”. A tal ponto,  que até o uso dos cavalos foi reintroduzido no preparo do terreno, para não “ofender” o solo, como ocorre com o uso de máquinas.

Ou seja, esses “poetas da vinha” não abraçam só um sistema de produção agrícola, mas uma filosofia de vidasegundo a qual (como na moderna medicina) o projeto existencial deve se orientar para a prevenção – e não para a doença, que é a falha da natureza.  Eles creem que uma vinha plantada na época e idade certas e no lugar certo,  o que implica em conjugação das fases da lua, direção dos ventos, hora do plantio,  regas e, enfim, colheita — nunca ficará estressada.

No Brasil, o primeiro vinho certificadamente orgânico foi apresentado ao mercado há 20 anos, em 1997. Foi o Cabernet Sauvignon Juan Carrau Orgânico, um vinho com grande personalidade e características marcantes.

Hoje, os produtores mais atentos às tendências do mercado e da sociedade, acrescentaram um novo diferencial: a sustentabilidade.  Dois exemplos: a Lifford Wine Aggency, por exemplo, em parceria com a também americana Californian Winery iniciou a elaboração de um vinho verde especialmente para o mercado canadense: Plantatree.  As garrafas são PET biodegradáveis, os rótulos impressos em papel reciclado e ilustrados com tintas orgânicas.

E para cada garrafa de vinho vendida, uma árvore será plantada no solo canadense.  A tradicional Sicília, lança o Purato, um vinho cujo rótulo é um discurso de respeito à natureza. O papel e papelão, 100% reciclado; o vidro também e a tinta 100% vegetal. A rolha é rosca e não cortiça, para não “descascar”o sobreiro.

Este blog aprova e aplaude essas conquistas ambientais, mas roga … Baco nunca nos desampare!

 

 

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Rio, 27 de setembro de 2017. O vinho Riesling

Nada define melhor a casta Riesling do que essa descrição do crítico e consultor de vinhos, português, Rui Falcão: “esta uva sobrevive no inverno gelado ou nos climas tórridos; produz vinhos com 7º ou 15º; dispensa lotes de outras variedades e está no lote das castas mais veneradas pelos apreciadores…. ” E conclui (apaixonado):  “é a casta mais expressiva e dramática, a mais transparente na transposição do terroir para o vinho, a mais pura e cristalina!”

Parênteses: esse tema estava na mesa (e nas taças) do belo palacete que abriga a residência dos cônsules alemães no Rio, onde almoçamos a convite do próprio — Klaus Zillikens e do embaixador da Alemanha no Brasil, Geoge Witschel. Ambos falam correntemente o português e o assunto foi a atualidade e perspectivas turísticas para a cidade e o estado RJ.

De volta ao vinho: a uva Riesling tem raíz alemã — é a grande estrela do Vale do Reno, plantada no Rheingau desde 1435 — mas também é produzido na Áustria, na França (Alsácia), na Nova Zelândia, nos Estados Unidos, no Canadá e no Chile. É um dos vinhos brancos mais extraordinários do planeta; envelhecem e apresentam “uma certa austeridade”, segundo o Larousse du Vin,  que não se encontra nos brancos das regiões quentes.

(na foto, a garrafa típica)

A distribuidora Vinci, assim fala dessa pérola dos vinhos brancos: os Riesling podem ser elaborados em diversos estilos: secos, meio doces e doces. Até porque, além de escoltar salsichas e chucrutes, peixes e mariscos, esta casta serve perfeitamente como matéria prima para a elaboração dos melhores vinhos de sobremesa do mundo, conhecidos como Beerenauslese (colheita tardia); além dos Eiswein (icewines), arrancadas dos parreirais já gelados no início do inverno.

Os brancos secos costumam ter boa e equilibrada acidez e são extremamente aromáticos, frutados, algo minerais, sobretudo quando são varietais (produzidos só com uma casta). Os aromas mais comuns remetem a frutas cítricas frescas ou amarelas, como damasco e pêssego.

Eu também gosto muito de apreciá-los com queijos leves.

Prosit!!!

 

 

 

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Rio, 22 de setembro de 2017. O que beber com esse calor?

Esse texto foi escrito pensando na primavera (cujo equinócio — aequus = igual e nox = noite, em latim, significando dias e noite iguais, com a mesma duração) que no Hemisfério Sul se inicia neste 22 de setembro. Viva ela!

A seguir, e já no tema (prima vera significa o primeiro verão), as respostas. Primeiro, água. Depois, sucos naturais. Terceiro, em separado ou juntos — mas um de cada vez — cerveja e/ou vinho.  Bier Wein das auf sein moça; Wein Bier auf das rat ‘ich Dir”  é um dito alemão que pode ser traduzido por: “não toque em cerveja depois do vinho, mas vinho depois da cerveja é bom”.

É um pouco a linha do bom bebedor inglês: vá do mais fraco para o mais forte. O Boni e o Ricardo Amaral, por exemplo, às vezes tomam uma taça de cerveja (por favor, não é uma tulipa)    antes das refeições, para hidratar e, na hora da comida, aí sim selecionam o bom vinho. A nova rapaziada europeia, idem. Eu, também, vez por outra.

Ou seja: cerveja como drinque e o vinho para escoltar a refeição.  E vamos começar então pelo tipo de vinho ideal para estas estações que se seguem: primavera e verão.

De preferência, os vinhos brancos tradicionais. E por que?  Porque ao contrário dos tintos, para produzir um vinho branco separam-se as cascas do  suco logo no início da fermentação, o que resulta num produto menos calórico e ideal para ser tomado à temperatura de 8 a 12 graus. E menos calórico, porque as cascas contêm tanino, que são os músculos do vinho tinto — dão-lhe cor, estrutura, firmeza, mas muitas calorias, que é o diferencial do tinto. E os brancos (e rosés) “gostam” de ser refrigerados, porque com relação aos tintos,  os taninos quando submetidos a baixas temperaturas amargam o gosto do vinho.

CURIOSIDADE: pode-se fazer vinho branco com uvas tintas; mas o tinto só podem ser produzido com o esmagamento das uvas tintas.

Agora, a cerveja.

Um pouco de história.

A cerveja é provavelmente provenientes da Mesopotâmia (talvez mais precisamente a Suméria, atual Iraque) mas foi no antigo Egito que ela iniciou a sua carreira. Segundo o sábio grego Ateneu de Náucratis (século III d.C.), a cerveja entrou no cardápio dos egípcios na mais remota antiguidade. Inscrições em hieróglifos e obras artísticas testemunham o gosto daquele povo pelo henket ou zythum, apreciados por todas as camadas sociais.

Os gauleses a chamavam de cerevisia em homenagem a Ceres, deusa da agricultura e da fertilidade. Aliás a deusa parece mais uma Miss Trigo – com todo o respeito – do que uma divindade!

 

Do outro lado da Mancha, temos a Alemanha, a Holanda, a Bélgica e a hoje República Checa como grandes produtores e consumidores de cerveja. Na Bélgica ela era preparada e cultuada nos mosteiros, por monges cervejeiros.

Mas o que é uma cerveja, afinal?

É o resultado da fermentação alcoólica preparada com o mosto de algum cereal maltado, sendo o melhor e mais popular a cevada. Mas outros cereais maltados ou não maltados são igualmente usados, incluindo o trigo, arroz, milho, aveia e centeio. Além disso, como a água é o seu principal elemento, a origem dessa água e as suas características têm um efeito determinante na qualidade da cerveja, influenciando, por exemplo, o seu sabor.  E, muito importante,  por volta do ano 700 dC ocorreu a introdução do lúpulo na composição da cerveja.

O lúpulo, como podem observar, é uma trepadeira de origem européia e muito embora tenha parentesco com a Maconha  não possui propriedades entorpecentes.

 

Usa-se a flor do lúpulo, para acrescentar um gosto amargo que equilibra a doçura do malte e possui um efeito antibiótico moderado, favorecendo a atividade da levedura de cerveja. É utilizado na conservação da cerveja, por possuir propriedades bactericidas e antioxidantes. E a adição do lúpulo à fórmula da cerveja — produzida até então apenas pela mistura da água, malte e aromatizantes, como a camomila, o gengibre, o zimbro e o açafrão — serviu não apenas para “puxar” o sabor para o amargo mas, e sobretudo, para evitar que ela se deteriorasse rapidamente.

Mas além do lúpulo, dezenas de estirpes de fermentos naturais ou cultivados são usados pelos cervejeiros, o que resulta em duas famílias principais de cervejas: as lagers, de baixa fermentação, com aroma suave e teor alcoólico entre 3% e 5%. e as ales, de alta fermentação e sabor frutado, apresentando uma coloração que varia do dourado ao marrom escuro.

Todas devem ser tomadas a uma temperatura de 2 a 6 graus – porque estupidamente gelado só chopp.

E com cerveja (ou com vinho) é muito importante estar-se em boa companhia. Se for casal  tipo “olhos nos olhos”, o brinde tem que ser à la gaúcho: a nós, que nos bastamos! Pros demais, vai bem o tradicional: saúde!

 

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Rio, 9 de setembro de 2017. Casa Julieta de Serpa

O terreno onde foi construído o palacete em estilo neoclássico que hoje abriga a Casa Julieta de Serpa, na Praia do Flamengo, 340, foi adquirido por Demócrito Seabra,  filho e genro de ricos comerciantes do início do século XX, por 247 contos de réis. Ali fez construir essa mansão, para viver uma bonita história de amor (aliás a Casa conta duas histórias de amor) com a filha de outro ricaço, Maria José Mendes Campos.

Mas não uma casa qualquer; um palacete, repito, em que todas as peças de acabamento vieram da Europa:  parquets, vitrôs, tapetes, cristais, quadros, mobiliário, bronzes e um piano Pleyel, francês, especialmente fabricado para a residência.

Vida que segue: com a morte de Maria José (1989) ficou morando lá seu filho médico e solteiro, também Carlos Alberto, que finalmente vendeu o palacete para um firma imobiliária que o revendeu ao professor Carlos Alberto Serpa, em 2007.

Começa a segunda história de amor, do casal Serpa que a batizou de Julieta, nome da matriarca e em nome de quem eles se esmeram e manter os valores dessa ilustre senhora: música, pintura, estilo, amigos. E, hoje, nem sei o que tem mais mérito: o casal Serpa ter comprado a Casa, reformado e restaurado cada piso, cada degrau, cada teto, com o esmero de que só esse casal de antiquários é capaz — e preservar a memória da mãe do professor, presente num óleo esplêndido na galeria de quadros e, na foto, junto ao filho e nora. — ou mantê-la viva há mais de 10 anos, não só como um inventário do bom gosto, estilo e elegância do Rio da belle époque, mas como um espaço contemporâneo a serviço do consumidor de cultura lato sensu senso.

Por isso mesmo,  o segredo da permanência e vitalidade do projeto Arte e Cultura da Casa Julieta de Serpa, no cenário do Rio de Janeiro, talvez se revele justamente por essa conexão entre a decoração — os móveis, estátuas, lustres, tapetes, mesas e quadros de época — e a possibilidade de visita e frequência,  hoje e amanhã, pela sociedade carioca, na medida que está sempre acessível à montagem de eventos, tanto em petit comité, quanto para festas de casamento, celebração de bodas, jantares temáticos, desfiles, projeções, performances teatrais ou musicais e degustação de menus especiais… em um todo de profissionalismo, qualidade e atenção.

Como o que foi organizado pela Yacy Nunes, mês passado, ao som de violino, piano, e um grupo divertido e variado, composto (entre outros)  pela Kelly Krishna, Marcia Cristina, Jaqueline Gonzáles, Jorge Salomão, Christóvam Chevalier, Adalberto Neto, Paulo Capelli e eu, em uma mesa;  na outra grande mesa, embaixadores, senhoras amigas do casal e outros convidados.

Cardápio saboroso, espumantes e vinhos de primeira linha e, sobretudo, aquela felicidade de se sentir em um “parênteses de excelência” (tá dura a vida no cotidiano do Rio!), com amigos de longa data e novos amigos. Ajudaram a receber, além do casal anfitrião, o José Renato e o Fernando Rezende.

Vida longa para a Casa Julieta de Serpa!

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Rio, 7 de setembro de 2017. O “discurso” do vinho

Enquanto as refeições-gourmet aceleram a sua tentação do espetáculo, quase uma oitava arte – ou uma experiência existencial em que os “chefs” capitalizam a teatralidade da inovação gastronômica como uma guerra nas (das) estrelas — a indústria do vinho marcha em sentido inverso, para o retorno à naturalidade, ao orgânico, ao bio — à “força do simples”, como se desejasse resgatar na singeleza das ânforas dos gregos a essencialidade do vinho.
anfora romana

E essa “força do simples” foi buscar nos rótulos explicações, dizeres técnicos ou mensagens que, ou por palavras, ou por imagens de comunicação inteligente, transferem ao vinho a sua áurea de bebida mais antiga do que a História. Bons exemplos são o centenário rótulo do fabuloso ícone do Pomerol, o Château Petrus (com São Pedro segurando as chaves do céu)
Château Petrus com chave

ou o notável “affiche” da Taittinger,  que fala por si…
lìnstant Taittinger

Mas tem mais: das explicações que parecem bula de remédio

à imagens de pássaras que cruzam a Cordilheira (vinhos chilenos)

 

ou ao casal dançando tango para brindar o Malbec

examinar uma garrafa de vinho, antes mesmo de abri-la, é uma preliminar de prazer sensorial que só se compara ao seu oposto: vê-la, dias depois vazia, e refazer o filme de sua degustação como nos enredos da Agatha Christie — começa com “o morto” e a trama vai-se reconstruindo até voltar ao desfecho!

Saúde!

 

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Rio, 1° de setembro de 2017. Festival de vinho e gastronomia do Rio

Deu certo e foi um sucesso, como “áudiovisulaizarão” pelos dois depoimentos — e, sobretudo, pelos números — o 5° Rio Wine & Food Festival, organizado pelos Marcelo Copello e Sérgio Queiroz, do grupo Baco Multimídia, com a chancela de “relevância para o turismo” conferido pela Secretaria Estadual de Turismo-RJ.

Participei da abertura, numa noite mágica, no Gávea Golf, com 17° de frio lá fora e 34° de calor, ou mais, lá dentro, nos salões, com a comunidade do vinho carioca lá dentro, abrigada, reconhecida e feliz. Nessa noite, foi entregue o troféu Vinha Velha para as personalidades (eleitas)  que contribuem de forma significativa para o segmento do vinho no Brasil.

O vencedores de 2017 foram:

 – Personalidade do Vinho: Jorge Lucki

– Produtor Brasileiro do Ano: Vinícola Guaspari

– Importador do Ano: World Wine

– Revelação Mundus Vini: Murillo Regina (Epamig)

 O RWFF também premiou Ramon Justino como “Sommelier do Ano”, prêmio conquistado em concurso promovido em parceria com a ABS-RJ.

Seguiu-se uma semana intensa: CADEG, Morro da Urca, Mercado de Produtores Uptown, Clube Naval – Piraquê, Hotel Gran Meliá Nacional, Auditório da FGV, Copacabana Palace e nos trajetos turísticos feitos pelo Wine Bus.

E os números do balanço final são impressionantes.

Público de 70 mil pessoas, 36 mil garrafas de vinho consumidas (a Deise Novakoski, o Carlos Ramos, o Romeu Valadares, o casal Homero Sodré,  o Roberto Rodrigues e eu, garantimos pelo menos 36 delas!) e outras vitórias que surpreendem e estimulam.

Pra finalizar, uma crítica e os merecidos elogios. Crítica: certos atrasos, poderiam ser evitados. Vamos apostar em maior pontualidade no 6º, ano que vem.

E os elogios:

1) à coragem do Grupo Baco, que desde 2013 promove o Festival de Vinho e Gastronomia do Rio de Janeiro – o RWFF — uma das maiores e mais prestigiadas iniciativas envolvendo o mundo do vinho, gastronomia e cultura existente no Brasil;

2) ao formato inovador e democrático, na medida em que envolve toda cidade e diferentes públicos, movimentando este segmento (vinho e gastronomia) não apenas junto ao consumidor carioca, mas fluminense e de outros estados. Além dos estrangeiros, obviamente, já que contou com a patrocínio/apoio da Wines of Chile/ Pro Chile, Inavi Vinos del Uruguay (que trouxe o maior número de produtores/distribuidores), Uptown Barra, Sebrae-RS; os parceiros oficiais foram Gran Meliá Nacional, Bondinho Pão de Açúcar, FGV, Gávea Golf Club and Resort, Clube Naval Piraquê e Boccati.  Recebeu, também, o apoio institucional da ABIH-RJ, ABS-Rio, Ibravin, Vinhos do Brasil e o apoio governamental da Setur e Embratur. A Rede Meliá, Rede Windsor e Hotel Vila Galé foram os hotéis parceiros, e a Radio Paradiso, a mídia partner;

3) ao evento que mostrou também o bom momento do vinho brasileiro. Um júri formado pelos especialistas Marcelo Copello, Charlie Arturaola, Euclides Penedo Borges, Homero Sodré e Roberto Rodrigues, se reuniu para eleger, numa prova às cegas, o Top Ten da 5ª edição do evento entre nacionais e estrangeiros. Veja a lista dos campeões:

– Espumante Brasil: Espumante VALMARINO-Churchill

– Branco Brasil:MIOLO Cuvee Giuseppe Chardonnay 2015

– Tinto Brasil: AURORA Millesime Cabernet Sauvignon 2012

– Branco Velho Mundo: Riesling Erbach Kabinet 2012, Baron Knyphausen, Alemanha, VINDAME

– Branco Novo Mundo: CASA SILVA Cool Coast Sauvignon Gris 2015, Chile, Vinhos do Mundo

– Tinto Novo Mundo Varietal: PEREZ CRUZ Chaski 2014, Asa Gourmet

– Tinto Novo Mundo Corte: MONTES Alpha M 2012, Chile – Mistral- Tinto Velho Mundo Ibérico: INEVITÁVEL, Casa S. Vitória, Portugal, Vila de Arouca

– Tinto Velho Mundo França,Itália,outros: Nerio Nardo 2012, Italia, VINDAME

 

Como bem sintetizou o Schalom Grimberg, empreendedor do Complexo, “foi um belo intercâmbio de sabores e experiências”.

Ou seja, a cara do Rio não é só praia e chope/cerveja.  A diversidade dos vinhos, hoje, também é coisa nossa!

Saúde!

PS: o Grupo BACO Multimídia, idealizador e organizador do Rio Wine and Food Festival, é responsável pela edição da revista BACO, do Anuário Vinhos do Brasil, em parceria com o Ibravin, entre outros produtos editoriais.

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Rio, 25 de agosto de 2017. O luar e o saquê

Eu devia ter uns 11, 12 anos, vivendo numa Lisboa parada dos anos 50. Aos sábados — cinema à tarde, com o meu primeiro amigo brasileiro lá, o Ricardo Câmara Canto (o segundo foi o Pedro Lins, filho do Álvaro). O cinema: Restelo, na Av. Torre de Belém. Dois filmes me levaram ao Japão: 1) Sayonara, produzido em 1957 com Marlon Brando e Miiko Taka; 2) Casa de Chá ao Luar de Agosto, filmado um ano antes.

Os dois faziam parte do projeto de usar Hollyood como Foreing Office de uma estratégia americana para conquistar adeptos para a sua política, seu way of life, seus interesses, etc. E nesse pós-guerra era preciso valorizar o Japão para carpir as bombas atômicas e para sacanear a China, que começava (já naquela época) a incomodar.

O certo é que não há mês de agosto que eu vejo a lua não me lembre “de mim” na platéia, onde nos intervalos uma bola de espelho girava no teto espalhando “estrelas” pelas paredes… e no filme Casa de Chá ao Luar de Agosto, havia uma imensa lua cheia de papel crepon pendurada no teto!

Muitos e muitos anos depois, já taludinho, tive a minha fase japa aqui no Rio. Comida, shiatzu, livros, Xogum e… saquê.

Pois lá vai.

Vocês sabiam que saquê não nasceu no Japão em sim na China? Pois ele veio da China, há cerca de 7.000 anos e só chegou ao Japão no século III da nossa era.

Chegou para ficar. O saquê ou nihonshu é a mais tradicional bebida alcoólica japonesa. Basicamente é feita de grãos de arroz e água, porque a água é o item mais importante para a produção do saquê (como para a cerveja, o uísque, etc).

No início, contudo, os produtores não conheciam técnicas apuradas de fermentação e o saquê era feito de forma um tanto repulsiva: mascava-se o arroz para fermentá lo com a saliva e depois cuspia-se em tachos, para só então iniciar o preparo da bebida.

 

Graças aos sete deuses japoneses, que são:

  • 1 –  Ebisu: o deus dos pescadores. …
  • 2 – Daikokuten: o deus da fortuna. …
  • 3 – Bishamon: deus dos guerreiros. …
  • 4 – Benzaiten: deusa das artes. …
  • 5 – Hotei: deus da felicidade. …
  • 6 – Jurojin: deus da longevidade. …
  • 7 – Fukurokuju: deus da sabedoria. …
  • o processo de mascar o arroz ficou obsoleto e foi substituído pelo koji-kin, um mofo com enzimas que convertia o almidón da arroz em açúcar e que também se usa para fazer amazake, miso, natto e molho de soja.

Aí o consumo do saquê cresceu geometricamente, até porque o saquê era uma importante oferenda nas atividades religiosas, assim como em festividades ligadas à agricultura, a casamentos e despedidas.

Mas o saquê refinado só se tornou popular na segunda metade do século XVIII, Período Edo,  que segundo os historiadores marca o início do período moderno do Japão.

E só no século XX, a tecnologia de preparação de saquê chegou ao produto que conhecemos hoje.

Ou alguns deles, porque em 1904, o Instituto de Investigação de Fabricação de Saquê decidiu regulamentar o seu fabrico e classificá-lo da seguinte forma:

*Junmai: É preparado apenas com os quatro ingredientes originais: água pura, arroz, koji e levedura. O nome significa vinho puro de arroz
*Honjoso: É a variedade à qual é adicionada uma quantia de álcool destilado (até 25%), o que melhora o aroma e o sabor
*Ginjo: É feito com arroz cujo grão é polido. Pode levar álcool (honjoso ginjo) ou ser puro (junmai ginjo)
*Daiginjo: O grão de arroz utilizado nele sofre polimento de mais de 50%, resultando numa bebida mais leve, frutada e aromática, dos mais requintados saquês existentes. Pode ser honjoso ou junmai
*Futsu: São os mais básicos, que não seguem processos especiais de polimento; não são necessariamente ruins

Saquês tipo premium podem ser bebidos frios

*Nama: Fresco e com forte sabor de arroz, é o saquê cru, não pasteurizado. Deve ser mantido refrigerado para não estragar.
*Genshu: É aquele que alcançou um teor alcoólico de 20% (alto) já na fermentação e não foi diluído
*Koshu: É o saquê envelhecido por um a dez anos. O resultado é uma bebida mais adstringente e terrosa. O saquê taru, envelhecido em barris de cedro, ganha sabor de madeira
*Nigori: De aspecto leitoso, resultante da adição ou preservação de partículas de arroz ou koji por meio de filtragem rústica. De sabor pesado, é servido após as refeições, como na imagem abaixo.

Atualmente, essas diversas regiões do Japão produzem o saquê, mas a região que tem a fama de fabricar o melhor de todos é o distrito de Fushimi, em Kyoto. Existem hoje cerca de 1.600 fabricantes de saquê no Japão. E aqui um flash em vídeo do museu do saquê, em Kobe.

Kenkô!

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Rio, 18 de agosto de 2017. Uma boa pedida

A primeira impressão é de amplitude. Largueza. Assim são os salões do novo restaurante Varandas, no Shopping Estação, em Itaipava. Novinho em folha: inaugurado há menos de dois meses. Além disso,  vinhos e gastronomia estão na mão de veteranos profissionais.

 

Márcio Moualla, o sócio maior e produtor de vinhos; Paulo Nicolay, veterano consultor e de vinhos e crítico de enogastronomia; João Souza, experiente sommelier com passagem pelos melhores restaurantes do Rio e o Willians Lopes, maître das antigas (Forneria, em Ipanema).

Nota: paguei a conta normalmente, por isso os elogios são verdadeiros – e nem poderia ser de outra forma.

Mas vamos lá, primeira pergunta: e qual a diferença do Varandas para os outros restaurantes similares?

Primeira resposta: uma boa pegada gastronômica, com  preços, tanto dos vinhos, quanto do pratos, ambos de qualidade, abaixo da média. E um ambiente planejadamente agradável.

Por exemplo: os pratos, (todos com noventa centavos depois da vírgula) são saborosos e custam abaixo da média do mercado, se considerarmos o serviço, o atendimento, o ambiente e, sobretudo, a variedade gastronômica. Recomendo, por exemplo,  de entrada os “Dadinhos de Tapioca”, a R$ 23,90. Meia dúzia de retângulos, preparados com queijo coalho e acompanhados de bolinhos de arroz com geleia de pimenta. E, como pedida principal, a “Polenta Trufada com Ragu de Cogumelos”, a R$ 28,90.  O perfume das trufas percorre o salão…

Mas há as opções clássicas: massas, peixes, frango, ossobuco de vitela e filés, todos com preços no entorno de R$ 53,90 e bastante fartos. O carrê de cordeiro e o de camarões VG são mais caros.

As sobremesas, meio brasileiras (pudim de leite, a R$ 11,90), meio italianas (tiramisu, a R$ 22,90), são deliciosas. Bem como os pães, feitos em casa.

Segunda pergunta: e os vinhos? Seguem a mesma linha.  O corretíssimo Private Collection Cabernet Sauvignon 2015, por exemplo, custa R$ 46,00 e o cliente tanto pode leva-lo para a mesa – quanto para casa.

Há, também, 12 bons vinhos que podem ser apreciados em taças a preços camaradíssimos.  São “ordenhados” no gargalo das garrafas de ponta-cabeça, com vedação para longa conserva.

O volume menor, 25ml, oscila entre R4 1,80 e R4 7,70 – para o top de linha; o volume de 75ml (meia taça), sai em média por R$ 5,60 e a taça padrão (150ml), custa R$ 11,20.

O ambiente é corretamente iluminado e o bar, “com tudo em cima”, vale um brinde. O espaço dos salões é amplo, com decoração acolhedora e cadeiras as confortáveis.

Muito importante: toda a equipe é atenta e atenciosa. E o Paulo Nicolay tem o maior prazer em levar o cliente até a adega para ajudar na escolha.

Ou seja, é uma opção que deve ser provada para os que têm o privilégio de morar ou subir para Itaipava (sobretudo nessa época do ano).

Boa sorte e vida longa ao Varandas, são os votos desta coluna.

 

 

 

 

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