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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 18 de agosto de 2017. Rabos de galo

Ou seja, cocktail.  E por que esse tema? Porque nesta semana (16/8) comemorou-se — ou pranteou-se — 40 anos da morte do Elvis Presley. E como a sua estréia no cenário mundial através do Rock and Roll se deu no contexto de uma América (EUA) de filmes, bares e shows, dá para juntar as pontas.

E o coquetel começou como uma bebida eminentemente preparada em bares, donde a importância de um barman, ou bartender,  como muito bem defende a Deise Novakoski, uma vez que não há necessidade de se definir o gênero do(a) profissional.

E o termo foi cunhado a partir da associação de idéias com o colorido das misturas — parece um rabo de galo.  E segundo os drincólogos designa um drinque que combina duas ou mais bebidas, sendo pelo menos uma alcoólica e no qual costumam ser adicionados gelo, frutas ou ervas (aipo, menta), creme de leite, açúcar, etc.

Mas não nasceu com o Rock ou Elvis. Nasceu no final do século XIX, mas teve o seu apogeu durante a Lei Seca, década 20-30, como uma fórmula para, de um lado amenizar o terrível gosto das bebidas fabricadas ilegalmente, com um álcool fabricado em garagens e, do outro, disfarçar os eventuais flagrantes dos fiscais —  já que parecia inocentes sucos ou infusões.

O caso típico é o Bloody Mary.

E o mais emblemático, com repertório imenso de histórias (e anterior à Lei Seca) é o Dry Martini, até hoje o coquetel mais famoso do mundo ocidental.

Dry Martini

(foto do site Mixology News)

Esta receita foi criada especialmente para o velho John Rockefeller, por volta de 1890

Ingredientes

2 partes London dry gim
1 parte vermute seco francês
dashes bitters de laranja

Taça: martini
método: mexido
Decoração: azeitona e/ou casca do limão

Modo de preparar

Misturar os ingredientes no mixing-glass com gelo com o auxílio da bailarina.
Coar para taça apropriada.
Colocar uma azeitona. Obs.: azeitona não pode ser conservada em óleo nem recheada.

Outro clássico da antiga, o Horse’s Neck, o preferido da minha mulher, assim chamado porque a casca da laranja cortada em espiral realmente lembra o pescoço de um cavalo.

Horse’s Neck:
Ingredientes
2/10 de brandy
– 8/10 de ginger ale
– 1 dose de Angustura bitter (opcional)
– casca de limão ou laranja
– 1 cereja.

Modo de preparar:
Descasque um limão ou laranja em forma de espiral.
Coloque uma das extremidades da espiral sobre a borda de um copo long drink, de modo que o resto da casca desça, enrolada, dentro do copo.
Monte o drinque colocando gelo quebrado no copo, depois o brandy e o ginger ale.
Por fim, o bitter.
Decore com uma cereja e sirva com um canudo.

Manhattan
Ingredientes
2 doses de rye whiskey (na sua falta use uísque americano ou canadense)
1 dose de vermute tinto
2 gotas de Angostura
1 cereja

Modo de fazer
Em um copo misturador, ponha de cinco a seis cubos de gelo e todos os ingredientes, exceto a cereja. Mexa rapidamente com uma colher longa e coe a mistura sobre uma taça de coquetel. Decore com a cereja, que deve ficar no fundo da taça. Não coma a cereja antes de terminar de beber, porque vai adoçar sua boca e alterar seu paladar.

Negroni
Ingredientes
1 dose de gim
1 dose de Campari
1 dose de vermute tinto
1 tira de casca de limão

Modo de fazer
Em um copo baixo, conhecido como old-fashioned, coloque quatro pedras de gelo. Adicione as bebidas e mexa bem. Decore com a casca de limão.

Mas os cocktails podem ser classificados em dois grupos:

Cocktails-Before Dinner, (antes do jantar) e Cocktails-After Dinner (depois do jantar)

No grupo dos Before Dinner, encontramos os cocktails mais secos ou meio secos, dependendo dos ingredientes utilizados que são, regra geral, aperitivos de ordem vínica, amargos, aguardentes e sucos como os das receitas acima.  Os After Dinner, tal como a designação nos diz, são pedidos após as refeições. Na sua composição predominam as aguardentes, licores e cremes (de leite, de menta, café, cacau, etc). Mas andam fora de moda – o normal, hoje em dia, são os digestivos clássicos: Porto, licores, conhaques, bagaceiras, etc. Contudo, aí vao alguns “remanescentes” dos anos 60-70.

Regras de Ouro

Um cocktail correto não adiciona mais do que quatro elementos: um álcool como base, um licor (no máximo dois) para aromatizar e um suco de fruta. Também se utilizam xaropes para colorir e adoçar ligeiramente.

Os sucos de fruta devem ser naturais.

Os equipamentos devem ser mantidos em condições de higiene absoluta: um copo sujo destrói qualquer mistura.

Em tempo: como o gancho para essa matéria foi a morte do Elvis, aí vai o contraponto. Para muitos, milhares de adoradores, Elvis não morreu. Está com 82 anos, vivendo uma second life em algum lugar do planeta. E teria uma aparência mais ou menos assim.

Para outros, ele não morreu porque é a marca de uma época de ruptura, de efervescente transgressão que uniu a juventude do mundo na segunda metade do século XX.

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Rio, 13 de agosto de 2017. Parabéns, papai.

.No Brasil, a comemoração surgiu em 1953, trazida pelo publicitário Sylvio Bhering. Naquele ano, a homenagem foi feita em 14 de agosto — uma sexta-feira — dia de São Joaquim.

Sabem quem foi São Joaquim?   O pai de Maria, (marido de Santa Ana, a mãe), portanto avô de Cristo. Pai com açúcar, como dizia o Oswaldo Aranha, referindo-se aos avôs)!

 

E por que agosto?  Porque era um mês vazio para os lojistas. Maio tem o dia das Mães; junho, os santos populares; julho, o movimento das férias escolares. Agosto precisava de uma turbinada.  E Bhering optou pelo domingo, dia em que o comércio fechava as portas (mas que passaram a funcionar nesse dia e de lá para cá).

Nos EUA, o Dia dos Pais é comemorado no terceiro domingo de junho. Outros países comemoram segundo o calendário de acordo da lógica católica. Portugal, Espanha e Itália, celebram os pais todo dia 19 de março, dia de São José.  Já na Alemanha, os pais são homenageados no dia da Ascensão, que acontece 40 dias depois da Páscoa (variável, portanto). E na Rússia, a data é 23 de fevereiro, dia do “defensor da pátria”(todos os pais que estão em combate, heróis nacionais, etc)

Aliás, sempre que se pensa em dia dos pais, vem a imagem clássica do pai de mãos dadas, sempre perto, alegre, festejando com a família.

Mas aqui vai a nossa homenagem ao pai que tem que estar longe porque é essa a sua profissão?

Adiante. Se você já deu para o seu pai livro, pijama, bermuda, camisa polo,  ou CD/DVD — que tal oferecer “ao velho” um Vinho do Porto?

Mas qual? Primeiro:  sabem a qual é a diferença entre um vinho do Porto e um outro vinho (normal!) português?  Primeira: por decreto de 1756, do poderoso Marques de Pombal, só é vinho do Porto aquele produzido EXCLUSIVAMENTE com uvas provenientes da região demarcada do Douro. E quais são essas uvas?

Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinta Amarela e a Tinto Cão. Há outras, cerca de 20 variedades, mas são produções especiais.

Ou seja, o Porto é um vinho que nasce “normal” – planta-se a parreira, colhe-se a uva, esmaga-se os bagos, filtra-se o líquido, mas… aí adiciona-se álcool vínico (tipo aguardante de uva) para retardar a fermentação. A seguir, é separado o vinho da “manta” (resto das cascas) e o líquido é colocado em tonéis que seguirão por via férrea, ou pelo rio Douro, em barcos chamados rabelos, para os armazéns de Vila Nova de Gaia. E, de lá, para o mundo.

E como escolher um (bom) o vinho do Porto? Bem, existem, basicamente, três tipos. O Rubi, um vinho jovem, escuro, que pode ser medianamente ou muito encorpado, e cujo blend (uvas que entram na sua composição) varia segundo o estilo de cada Casa. E o Tawni, que é o Port mais comum. É uma mistura de vinhos de vários anos que conservados em tonéis durante um certo tempo, perdem a cor escura e ganham aquela coloração alaranjada. E duram até 100 anos!  Preço médio: entre 60 e 80 reais. Mas há Portos desde R$ 35,00 até R$ 3.500,00!

Em tempo: a “ampola” de Porto não exclui enviar pelo WhatsApp do coroa um vídeo desse tipo.

Este blog deseja a todos os pais (biológicos, “adotados” ou às mães que funcionam com pais) um dia muito preenchido e feliz.

A maioria de nós se esforça por merecer!

 

 

 

 

 

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Rio, 2 de agosto de 2017. Por que não um robô-sommelier?

Este, o sommelier de ontem.

O de depois de amanhã será assim?

Calma, esse apenas serve café.  Em São Francisco, nos Estados Unidos, foi inaugurado o Cafe X, um quiosque em que a bebida é servida por um robô, sem intervenção humana. Pedir o café é muito simples: você pode usar o touchscreen disponível no local ou então um aplicativo no seu celular. Em apenas 20 segundos a bebida chega quentinha – pode ser um café puro ou  um cappuccino. Foto e texto de Monalisa Briganti, do site Mexido de Idéias.

 

Mas voltemos a Hoje e ao serviço do vinho. E me atenho ao Rio de Janeiro, pra não cometer esquecimentos e injustiças. Temos aqui um time de sommeliers (super-humanos), que cito de cabeça: Deise Novakoski,  Danio Braga (fundador da ABS-Rio em 1983),  Célio Alzer, Ricardo Farias, Euclides Penedo Borges, Marcos Lima, Dionisio Chaves, Marcelo Copello, Paulo Nicolay e alguns outros craques que involuntariamente hei de ter omitido nesta lista, aos quais antecipadamente peço desculpas).

Mas e aí? O que faz um sommelier?

Bom, enquanto o agricultor cuida da parreira, o enólogo da vinha e o sommelier cuida do serviço do vinho.  Obviamente essas funções não se esgotam em cada respectiva qualificação e, hoje, todos entendem bastante de todas as áreas que formam o circuito que vai da escolha das cepas, passa pelo plantio da muda, os cuidados com a parreira, a colheita, vinificação, armazenamento, engarrafamento e rotulagem (afora os dizeres legais), distribuição, venda e… o vinho na taça.

Na origem da designação, eles eram os encarregados do transporte da “somme” (em francês), o conjunto de utensílios que os nobres carregavam em suas mudanças (panelas, travessas, pratos, copos, garrafas…). De uns 60 anos para cá, aproximadamente, eles são os responsáveis finais pela harmonização da comida com o vinho adequado, a palavra vinho entrando aí como síntese dos produtos derivados dos fermentados e destilados da uva: champagne (espumantes), conhaques, aguardentes, e … limonada suíça, ou tipos de chás, ou infusões, ou água mineral Pedras Salgadas, quando o cliente não quer (ou não pode) consumir bebida alcoólica.

Mas o campo de atuação de um sommelier/sommelière avançou sobre as áreas conexas: auxilia na escolha dos rótulos e a sua rotatividade (quando não executa a compra direta), zela pelo armazenamento — não só das garrafas mas dos copos/taças que melhor se adéquam à maximização do prazer da degustação —  como passou a ser consultado (além dos restaurantes e assemelhados, obviamente) por distribuidoras de vinho, supermercados, caterings e atua, ainda, junto a cerimonialistas na montagem de festas de casamento, celebrações de empresas, recepções de governo, eventos gastronômicos;  participa de programas de TV, dá palestras, ilustra posters indicando vinhos ou preços, assina blogs, colunas e outras mídias.

E mais: ele(ela) também sugere cerveja, saquê e até charutos, em refeições-gourmet!

Há, contudo, um primeiro problema à vista: (típico dos nossos tempos de “enxurrada de informações”) o cliente que entende tanto, mas tanto de vinho, que há uma inversão de papéis. O sommelier  (humano) fica passivo e o cliente mostra sabença … como nesse divertido vídeo de Porta dos Fundos.

O segundo problema é mais grave.

A tecnologia do 5G  (Gbps — gigabits por segundo), prevista para estar disponível no mercado em 2020, vai alterar radicalmente a transmissão e consequente acesso a conteúdos em volume e velocidade não imaginados nos dias atuais, com 99% de confiabilidade.  Ou seja, na outra ponta, está nascendo um novo consumidor de informações — e aplicações delas, sem os excessos da gozação acima — cuja desnecessidade de interlocução humana será quase total.  O que vai impactar de forma brutal nos atuais empregos. No campo, por exemplo, drones irão dispersar defensivos agrícolas para debelar pragas e epidemias; frotas de caminhões autônomos (sem motoristas) vão cruzar estradas sinalizadas por computadores. A inteligência artificial vai espalhar robôs para ocupar postos de centenas de profissões (sem falar no M2M — máquinas falando com outras máquinas).

Mas ainda no campo da relação pessoa a pessoa,  há um avanço a caminho de um (desejável) futuro próximo, na direção do atendimento a enófilos com deficiência visual (PCD) — coordenados pela ABRASEL — que teria por resultado o treinamento de sommeliers  capazes de descrever oralmente a cor, consistência, características dos reflexos (bolhas, “colar”, etc)  do vinho solicitado, para que o consumidor sem visão possa “juntar as pontas” e somá-las às características ao olfato, paladar e tato (taças) e percorrer assim o despertar dos sentidos que precedem a uma degustação correta.

Passo depois-de-amanhã:  e por que não um robô-sommelier?

Bom, assim como no início mostramos robôs servindo café,  já existem chatbots (abreviação de robô de chats), um software que gerencia troca de mensagens, para atender clientes sobre vinhos. A marca Reservado Concha y Toro, da vinícola do mesmo nome, lançou um chatbot para auxiliar os consumidores. A plataforma, batizada pelo nome de “Renato”, (foto abaixo!) funciona como um consultor virtual que utiliza uma linguagem simples e descomplicada para abordar o universo dos vinhos. A ideia é de que o consumidor possa interagir assim como junto a um amigo: fazendo perguntas e recebendo respostas diretas e objetivas.

Ora, daí para que um robô com “o taste-vin” no colar, solícito, até bonito (na categoria robô), seja o Baco pós-moderno dos restaurantes, aquele que indica o melhor vinho (não o mais caro!) para aquele pedido e depois vai até a adega pegar a garrafa (as taças estarão sobre a mesa), serve,  faz um comentário inteligente e se retira (de costas) até um canto do salão — parece uma questão de (pouco) tempo.

O que nos salva — por enquanto — é que pelo menos o cliente-enófilo será de carne e osso! Ou não?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Rio, 27 de julho de 2017. “Paris est ici”

O bistrô está para a França, como a tasca para o português, o pub para o inglês, a bodega para o espanhol e o botequim para o brasileiro; uma instituição nacional!  Ou, como no caso, multinacional…

No Rio, há alguns bons restaurantes franceses, algumas brasseries, mas poucos bistrôs.  Atualmente, o La Villa, em Botafogo, é um dos mais representativos.

Fica num sobradão repaginado, espaçoso, com uma varandinha ao ar livre na entrada, (que à noite enche de gente jovem, drincando enquanto espera mesa), um amplo salão embaixo e um outro no segundo andar, que o ágil Grégoire escala mil vezes (durante a hora e meia em que almocei lá), com a velocidade de um bombeiro subindo corda para apagar incêndio. Aliás, se alguém duvidasse que se trata de bistrô, era só conferir o menu enxuto e variado; a carta de vinhos idem e a velocidade com que o patron, ou maître, ou chef, ou o mesmo nas três funções, como é o caso, se desloca e se faz presente, simultâneo, para se ter certeza que estamos numa esquina da França.  Nos bistrôs eles recebem na chegada –“assiez vous, monsieur-dame” — tiram o pedido, repassam a comanda, servem o pão e o vinho, trazem os pratos e, zut, refazem o scipt 100 vezes no almoço e outras tantas no jantar.

A proposta do La Villa não podia ser diferente. Proporcionar uma “cozinha de mercado”, que muda, portanto, conforme as estações;  de segunda a sexta, no almoço, um menu executivo a R$ 39,00  (2 pratos) ou R$ 49,00 – entrada, prato e sobremesa – com variedade de massa, peixes e carnes e sopa no inverno, ou à la carte, com outros bons pratos, também com preços possíveis, sendo o carro-chefe a clássica Bouillabaisse.  De sobremesa, a doceria típica francesa e doces brasileiros, com sorvetes.

 

O serviço obedece ao timing de cada mesa: ora acelera, ora pega leve, mas sempre com atenção ao cliente, até porque a versão mais aceita sobre a origem da palavra bistrot é que ela provém da tradução francesa da expressão russa:  быстро – býstro, que significa ”depressa’,  comando repetido nos cafés pelos cossacos sedentos de beberem mais e mais, quando ocuparam Paris em 1814, depois da queda de Napoleão.

Na hora do almoço, relativo sossego nos dias de semana, mas  à noite, lagitation!  Na frequência, muitas mulheres, algumas sozinhas  (aqui “representadas” por essa charge genial) , executivos da vizinhança e velhos frequentadores, num ambiente que tanto acolhe amigos entre si quanto pessoas sós que se fazem companhia a si mesmas.

 

Finalmente: recomendo de entrada um dos melhores paté(s) de campagne do Rio: é feito com a dose certa de carne suína e fígados de pato e galinha, mais os temperos que fazem a diferença, bem como a baguette, tudo preparado à la maison, ça va de soi. 

 

Bon appétit!

 

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Rio, 20 de julho de 2017. E o homem foi à lua sem fazer seguro.

Todo dia 20 de julho se  celebra o maior feito planetário já realizado pelo homem (no caso não tinha mulher, mesmo): a primeira ida de astronautas à Lua (1969), na Missão Apolo 11, levando os americanos Edwin Aldrin, Neil Armstrong e Michael Collins, a bordo da nave Eagle.

E Armstrong foi o primeiro ser humano a pisar no solo lunar. Vinte minutos depois, saltou Aldrin,  cuja imagem abaixo, fotografada por Armstrong  no meio daquele mar de gelo —  e que aparece refletido no capacete — é de uma solidão e de uma beleza só comparáveis ao sono do Padre Eterno (parodiando Guerra Junqueiro).

 

Agora o mais extraordinário: vocês sabiam que os três astronautas que foram à Lua não tinham seguro de vida? A NASA não fazia seguro corporativo e nenhum deles fez seguro individual. E, pasmem, nenhuma seguradora os procurou.

Mas, por insistência da família e amigos, sabe o que fizeram, então?
Os comandantes Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins, tripulantes da Apollo 11, deixaram com as esposas alguns “produtos” que poderiam ser valiosos para colecionadores, garantindo algum dinheiro para os parentes. Cartões com vistas da Lua com a assinatura dos três e do Nixon, então presidente dos EUA, milhares de cópias dos uniformes, réplicas da Apollo 11, além de objetos pessoais de cada um: relógios, canetas, óculos, etc.

O temor de uma tragédia era compartilhado, aliás, pela NASA e pelo próprio presidente americano, que já tinha o rascunho de um discurso triste, para o caso de que os tripulantes tivessem ficado pelo caminho — ou “nos cornos da lua”, como dizem os portugueses quando querem significar que algum lugar é muito longe — e outro que pronunciou, saudando os heróis na volta.

O triste,  escrito pelo seu ghost-writer, William Safire, terminaria dizendo … “o destino determinou que estes homens, que foram explorar a Lua, em paz — hão de ficar na Lua, para sempre, descansando… em paz”.

Felizmente, os três voltaram heróis e Nixon foi recebê-los numa base, no Pacífico.

E ficaram velhinhos — sempre celebrados — e eram recebidos na Casa Branca, como aqui, com Obama.

Armstrong morreu em 2012, aos 82 anos do coração. (Eu teria morrido do coração na decolagem da Apolo 11).

PS: falando em voar, palmas para o nosso piloto-pioneiro, Alberto de Santos Dumont, que nasceu num 20 de julho.  Ei-lo em 1901, sobrevoando a Torre Eiffel, de colarinho duro de goma e chapéu de aba (ambos artifícios para parecer mais alto do que os seus um metro e 56cms), com o seu balão dirigível N’6.

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E embora pouco popular nos EUA é internacionalmente reconhecido como o inventor do avião com motor e gasolina — O 14-Bis — que, ao contrário do Flyer, dos irmãos Wright, não precisava de catapultas ou ventos contrários para se içar do solo.

Detalhe:  era também um apaixonado por carros. Foi ele quem fundou, em 1907, o Automóvel Clube do Brasil. Anos antes havia inspirado a Maison Cartier a criar o relógio de pulso. Era um dandy.

Mas “pra não perder altura e altitude”, termino com a lira do nosso poeta Drummond, que andava a pé (ou de ônibus), e que no  dia seguinte à descida dos astronautas na lua,  começou assim a sua crônica no Jornal do Brasil: “OK, o americano pode ter pisado na lua. Mas não vai nunca pisar no luar…”

Coisa de gênio.

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Rio, 13 de julho de 2017. Dia Mundial do Rock n’ Roll

O Rock n’ Roll é um gênero de show musical que emergiu no sul dos Estados Unidos,  durante a década de 50. E rapidamente se espalhou pelo mundo.

Mais do que um gênero, era uma pulsão reprimida que vazou através do palco e antecipou a ruptura entre o cantor tradicional – distante,  comportado – e uma geração barulhenta de músicos e interpretes que se confundiam “com o outro” e subverteram a relação Artista X Platéia.

Todos participavam do ritmo alucinante do show.

O começo: em 1953, Alan Freed (famoso disk-jockey) organizou o primeiro concerto de rock & roll, ocasião em que compareceram mais de 30 mil pessoas num local com capacidade para — no máximo 10 mil. Resultado: foi tamanho o tumulto na disputa por lugares que o evento foi cancelado com o apoio de numeroso contingente policial.

Meses depois, o concerto foi replanejado e acabou se transformando num estrondoso sucesso. Na platéia, mais de dois terços da audiência era composta por jovens brancos, o que prova  a atração da juventude branca dessa geração pelos valores da  música negra.

Bingo: era esse o caminho!

Tanto pelo ritmo, quanto pela transgressão.

É aí que surge o primeiro popstar do Rock: Bill Haley e seus cometas.

Eles incendiaram o mundo com o Rock Around de the Clock. No cine Rian, no Rio, por exemplo, no lançamento do filme, a minha turma jogava galinhas vivas do balcão para turbinar a animação. E embora ele e seus músicos ainda se vestissem à moda antiga, a galera subia pelas mesas, dançando…

Esse rock inicial era uma simbiose de três matrizes musicais da melhor tradição rural americana: blues, country e jazz.

Nisso, surge o fenômeno maior do Rock:  Elvis Presley, o menino rebelde. (Nem por acaso em 1955, o filme Juventude Transviada, com James Dean como herói, já propunha o desregramento). Caminho sem retorno. Na sequência, vieram os Beatles e o niilismo dos existencialistas parisienses.

A vida era para ser vivida aqui e agora, ruidosamente.

E Elvis surfou nessa onda, transformando-a em tsunami quando teve a feliz inspiração de incluir uma quarta vertente: o gospel e acelerar o ritmo alucinante do Rock com uma coreografia quase erótica de se apresentar. Contagiou a juventude do mundo!

Elvis nasceu em circunstâncias humildes, em uma casa de dois quartos em Tupelo, Mississipi, no dia 8 de janeiro de 1935, mas mudou-se para Memphis, Tennessee, em 1948, com seus pais..

Em 1954, iniciou sua carreira musical no lendário selo Sun Records em Memphis. Em 1956 já era uma celebridade internacional. Estrelou 33 filmes e chegou a vender um bilhão de discos que lhe garantiram prêmios de ouro, platina e multiplatina por seus 149 álbuns. Muito mais do que qualquer outro artista do seu tempo.

Mas seu fim, infelizmente, como o de outros monstros-sagrados, foi lamentável. Elvis morreu com 42 anos, em sua casa no Memphis, em 16 de agosto de 1977.

Gordo, deprimido e envenenado por remédios.

Deixou uma legião de fãs, muitos dos quais criaram a sociedade “Elvis não morreu”, bem como clubes de admiradores que o veneram em todas as partes do mundo. Tanto que Elvis é o artista mais imitado do mundo. Estes,  são conhecidos como “Elvis Impersonators”.

Se estivesse vivo, Elvis teria apenas 82 ano e segundo um desenhista francês teria esta aparência.

 

 

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Rio, 6 de julho de 2017. Com este frio, conhaque?

    Ou Armanhaque?  Mas qual a diferença?

Pelo menos duas.

A primeira, é que o conhaque é destilado duas vezes e o armanhaque apenas uma. A  segunda, é que o  armanhaque é mais leve do que o conhaque, ligeiramente mais seco, mais  encorpado e  envelhece mais rapidamente.

Mas ambos ganham cores, sabores e aromas quando bebidos em taças pré-aquecidas. Por  que? Porque são destilados densos (o Armanhaque é considerado a eau-de-vie mais  antiga da França) e com o calor – aproximadamente a temperatura do corpo – os  “aromas  escondidos” escalam as bordas e ganham amplitude no nariz e na boca.

Como aquecer as taças? De duas formas. Ou acendendo-se a chama desse aparelhinho e  girando a taça, ou aninhando a taça no calor da mão.

 

 

 O conhaque

Para produzi-lo, utilizam-se as uvas Colombard, Ugni Blanc,  Saint-Emilion e Folle  Blanche. Todas brancas, provenientes da região do mesmo nome na França (em Charente,  acima de Bordeaux). Primeiro, elas fermentam por um período curto: de três a cinco  semanas. Dessa fermentação, obtém-se um vinho branco, ácido, com uma baixa graduação  alcoólica, aproximadamente de 8º a 10º. São necessários oito litros de vinho para produzir  um litro de conhaque.

Aí começa a primeira destilação, que dura cerca de 8 horas e é processada através do  sistema de fogo direto (Alambique Charentais), que produz um líquido  chamado brouillis,  cuja graduação alcoólica é de 27º a 35º.  A segunda, (seconde  chauffe ou bonne chauffe)  demora cerca de doze horas e o princípio e o fim (cabeça e cauda) são removidos para nova  destilação que vai produzir outros álcoolis (eau-de-vie, etc).

O líquido aproveitado da segunda destilação tem 68º a 72º de álcool e é a partir dele que se  vai produzir o conhaque. A destilação do conhaque faz-se obrigatoriamente entre o fim das  vindimas (outubro-novembro) e o dia 31 de março seguinte.

 O armanhaque

A origem das aguardentes  de Armagnac, como dissemos, remontam à Idade Média (eram  conhecidas na Gasconha há mais de 700 anos), quando eram consideradas “remédio” por  servirem de antídoto contra as epidemias. Só no século XVII passaram a ser utilizadas  como bebida. Ele é produzido com as castas: Ugni Blanc, Colombard, Folle Blanche  (mesmas do conhaque) e mais: Baco Blanc, Clairette de Gascogne, Jurançon Blanc, Mauzac  e Meslier e a sua produção é similar à do conhaque, mas (também como já dissemos)    passa apenas por uma destilação (Continous still).  Existem três tipos.

Bas Armagnac: o de melhor qualidade e com um ligeiro sabor a ameixa.

Tenarèze: sabor a violeta.

  Haut Armagnac:  de todos o que requer mais tempo para envelhecer. Tecnicamente de de     qualidade inferior, mas eu gosto muito.

Esses são os digestivos-cardeais da gastronomia francesa. Contudo, outros “conhaques”        são produzidos em outras regiões da França e no exterior.

  • São chamados de brandy. Há excelentes, como os espanhóis, por exemplo.
  • Finalmente, há os “conhaques” populares, se podemos chamá-los assim, fabricados em muitos países, inclusive no Brasil, como o tradicional Conhaque de Alcatrão de São João da Barra e o Dreher —  ambos tiro e queda. Mas queda… cataléptica!
  •  
  • Esses “conhaques” têm a sua popularidade dilatada pela crença de acrescentarem resistência, aquecerem o corpo (principalmente a garganta), estimularem o vigor sexual e possuírem propriedades terapêuticas (???). O caboclo bebe puro ou com mel, o operário com café, o boêmio com cerveja.

Nunca uma advertência foi tão apropriada: beba(m) com moderação!

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Rio, 29 de junho de 2017. Pedro, o santo de ponta-cabeça

Hoje é Dia de São Pedro, o santo que é tudo: pescador, ex-pecador, nome de vinho caríssimo, fundador da Igreja Católica, chave de ouro das festas juninas..

Pedro morreu de cabeça para baixo. Chamava-se Simão, ou Simeão. Nasceu em um vilarejo da Galileia, levou a vida de moço como homem comum, pescador e pecador, até que junto com o seu irmão André foi convocado por João Evangelista para fazer parte do grupo mais próximo de seguidores de Cristo. E tornou-se um dos apóstolos preferidos por Jesus, que admirava sua liderança firme e lhe deu o nome de Pedro.

Um dos vinhos mais caros do mundo, o Château Petrus, é uma homenagem a São Pedro. No rótulo está estampada a imagem dele segurando as chaves do céu. (Com esse vinho na taça, eu acho que as aqui da terra também!)

 

Petrus, também significa pedra, rocha.  Jesus (lhe) teria dito: “És Pedro! E sobre esta rocha construirei minha Igreja”.

E assim aconteceu. Ele é considerado o fundador da Igreja Católica Romana e está perpetuado na extraordinária construção do espaço central da Praça do Vaticano, em Roma — a Basílica de São Pedro — que além de símbolo do Catolicismo, abriga tesouros da criatividade artística. Apenas um exemplos: a Pietá, de Michelangelo.

 

Mas a sua proximidade com Cristo e a sua liderança, exasperaram o Imperador — Nero — que ordenou a sua execução. Até aí, nenhuma surpresa. A surpresa veio do pedido de Pedro: ele queria (e foi atendido) ser crucificado de cabeça para baixo, por se julgar indigno de morrer na mesma posição de Cristo.

Vejam, abaixo, a reprodução da belíssima tela de Caravaggio (16001) que justifica o título.

sao-pedro

Morreu com 64 anos (muitos anos depois de Cristo) e o seu túmulo encontra-se sob o altar central da Basílica que leva o seu nome.

São Pedro, como Santo João e Santo Antonio, em ordem inversa,  são os âncoras das festas juninas no Brasil, embora Santo Antonio e São João sejam mais populares quando se acendem as fogueiras.

Em compensação, São Pedro é, ainda,  porteiro do céu e padroeiro dos pescadores. No imaginário popular e, nas comunidades pesqueiras do Norte e Nordeste do Brasil, São Pedro é comemorado em alto-mar, com uma procissão em meio às ondas (até de rios), como nesta imagem, no “rio-mar-amazonas”.

PROCISSÃO DE SÃO PEDRO PERCORRE O RIO NEGRO. FOTO de BRUNO KELLY / A CRÍTICA

E para os católicos que praticam orações, rezem esta:

“Glorioso apóstolo São Pedro, com suas 7 chaves de ferro abra as portas dos meus caminhos, que se fecharam diante de mim, atrás de mim, à minha direita e à minha esquerda. Abra para mim os caminhos da felicidade, os caminhos financeiros, os caminhos profissionais e me dê a graça de poder viver sem os obstáculos.  Que assim seja. Amém.”

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Rio, 24 de junho de 2017. São João, o santofesteiro

Embora Santo Antonio seja mais popular (durante o ano todo), São João é “a cara” das festas juninas no Brasil.  Mas é no nordeste que “se acende a fogueira”. Sobretudo em Caruaru e Campina Grande, na Paraíba.

Por quê?

Porque além de coincidir com o período de chuvas (uma bênção dos céus) é o mês da colheita, principalmente do milho – princípio ativo — da comilança “do arraiá”.

milho verde

E come-se tudo que engorda: salgados e doces. Leitão, frango da roça, bolinhos de carne, arroz-doce, canjica, mandioca em calda, bolo e broa de fubá e de milho, doce de batata-doce, de abóbora, de cidra com rapadura –furundum– de mamão em pedaços, pão de cará, pão-de-ló cortado, paçoca, pé-de-moleque, batata-doce, mandioca, amendoim torrado, pipoca, pamonha, cuscuz e o que mais estiver no prato.

E no copo? Ah, bebe-se o tradicional quentão de vinho, (pode ser de cachaça também), uma espécie de grogue europeu traduzido pro sertão. Coloca-se o vinho numa panela e deixa-se ferver. Quando estiver em ebulição, flamba-se para fazer a queimada. Acrescenta-se açúcar, gengibre, casca de laranja, canela e cravo. Deve ser servido em copos ou canecas. Veja essa receita, simples.

Há quem goste…

Adiante: segundo o portal “Sua Pesquisa. com”, esta tradição foi trazida para o Brasil pela corte de D. João que além de genuinamente ibérica, sofreu também grande influência de elementos culturais chineses e franceses.
De Portugal, o culto aos santos, a mesa farta e os “casamentos na roça”. Da França, a dança marcada, característica típica das danças nobres (polca, minueto) e que, no Brasil, se refundou nas típicas quadrilhas.

polcaDançando a quadrilha

Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. O que até pouco tempo atrás era uma das marcas da festa de São João: é bonito, provoca emoção. Mas, hoje, é crime, no Brasil e em Portugal. Nota desta semana do jornal Público, informa: “lançar balões de São João podendo levar a uma multa até aos cinco mil euros por pessoa singular”. Sobraram as fogueiras e a brincadeira de saltar por cima. Dá emoção mas, também, exige cuidado: são cada vez mais frequentes os casos de acidentes, queimaduras…

Um gole de história: segundo a Wikipedia, “a festas dos santos populares (festas juninas) ou celebração do meio do verão (em inglês: Midsummer), nasceram no período do solstício de verão (no hemisfério norte), para celebrar justamente a colheita (lá de trigo, entre outras) e transição entre a primavera e a tão esperada presença ostensiva do sol, com a entrada do verão.

Vejam essa festa “de olho azul”, na Estônia.

E esse culto ao sol , representado pelas fogueiras e folguedos ao ar livre, faz tanto mais sentido, quanto mais ao norte se festejava o fim do frio e das sombras, como na Dinamarca, Estónia, Letônia, Lituânia, Finlândia, Noruega e Suécia, no Reino Unido e, “por contágio cultural”, na França, Itália, Portugal, Espanha… e nas suas então colônias tropicais, dentre elas o Brasil.

Bom, e agora o homenageado:  João (Batista). Primeira pergunta: ele era primo de Cristo? Era. Primo mais velho. E foi quem o batizou. (Vejam abaixo o belo quadro de Leonardo Da Vinci).
batismo de Cristo

Segunda: como viveu? Viveu uma uma vida extremamente difícil e com muita oração. São João passou a ser conhecido como profeta, homem enviado por Deus.  E batizava a todos que se arrependiam. Era humilde e discreto e, no entanto, a sua festa é a mais alegre e barulhenta dos três. Lançam-se estalinhos, rojões, fogos de artifício, (um perigo) acendem-se e pula-se fogueiras, bebe-se, canta-se e dança-se até de manhã!

São João protege a amizade, a saúde e o conhecimento, dos que rezam para ele, como nós, deste blog.

Viva São João!

PS: esses franceses, são campeões em misturar foie-gras com jabuticaba! vejam esse convite que acabo de receber da Aliança Francesa do Rio (sou membro!).

Das 17h às 19h, teremos uma scène ouverte, onde o palco estará aberto aos alunos que poderão apresentar músicas a sua escolha, antecedendo ao show de forró e jazz do conjunto “Messiê Forró”, exclusivo para os alunos da Aliança Francesa, que começará às 19h. 

O grupo é composto por músicos franceses e brasileiros que farão um show embalado pelo baião e outros ritmos nordestinos com influências europeias como gipsy jazz, la chanson, le klezmer, la musette, entre outros. No repertório, grandes clássicos franceses como La Javanaise, La Foule, La Vie en Rose e Pas a Pas ganharão uma roupagem nordestina num arraiá franco–brasileiro.
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Rio, 15 de junho d 2017. Corpus Christi, o que significa?

Essencialmente, reafirmar a presença real de Cristo, no pão e no vinho consagrados.  Essa tradição — a festa do Corpus Christi — foi instituída pelo Papa Urbano IV no dia 8 de Setembro de 1264 e traduz uma angústia dos cristão na Idade Média:  conferir as liturgias. Tanto que é dessa época o costume de elevar a hóstia e o cálice de vinho, depois da consagração, para satisfazer a curiosidade daqueles que iam à igreja mais para ‘ver’ o Corpo e o Sangue de Cristo, do que para participar efetivamente da missa.

E esse costume, se estendeu para fora das Igrejas, ganhando as ruas, porque a Igreja percebeu que havia necessidade de dar mais visibilidade ainda à Eucaristia, incentivando  a decoração de calçadas e a mobilização popular, enfim, de forma a tornar cada vez mais palpável  a presença de Cristo.  As procissões, que tiveram início ainda no século 13, em Colônia, na Alemanha, também ocupam papel central nas comemorações.

Por outro lado, a procissão de Corpus Christi é, de certa forma, uma parábola à caminhada do povo de Deus, peregrino, em busca da Terra Prometida. O Antigo Testamento diz que o povo peregrino foi alimentado com maná, (grãos do deserto) durante a travessia do povo de Israel rumo à terra prometida.  Com a instituição da eucaristia o povo é alimentado com o próprio corpo de Cristo.

Por isso, a Igreja Católica celebra, em todo o mundo, na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade — 60 dias depois do domingo de Páscoa — a festa do Corpo e Sangue de Deus, popularmente chamada de Corpus Christi.  Inclusive com a cerimônia condizida pelo próprio Papa, em Roma, na Basílica de São João Latrão, como esta com Francisco.

“Este é o momento de rememorarmos a herança mais preciosa deixada por Cristo, o sacramento da sua própria presença’, através da Eucaristia, disse ele.

Obs: segundo os textos no Novo Testamento, eucaristia é o rito cultual (sacramento e sacrifício) instituído por Jesus Cristo na última ceia no qual Ele mesmo se oferece a Deus e se comunga o Seu corpo e sangue em que se converteram substancialmente as espécies pão e vinho. Neste rito sacramental comemora-se a paixão e morte de Jesus. Vejam o esboço a carvão da Última Ceia, o célebre quadro de Leonardo da Vinci (século XV)

Bom feriado!

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