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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 20 de outubro de 2015. Rio e Minas, dois estados supersticiosos.

Ando pelo calçadão de Copacabana, inaugurando a luz filtrada desse primeiro dia de primavera (prima-vera = o primeiro verão)  Drummond no por do sol   e “encontro” o nosso poeta-oceano, sentado, calmo, de bronze …com a fitinha do Bonfim no pulso. Mais carioca impossível, mais mineiro … não há.
São dois estados supersticiosos, (a Bahia não vale!), haja vista os santos e orixás que nos povoam.

20120916-Drummond com a fita do Bonfim

A fita original foi criada em 1809, tendo desaparecido no início da década de 1950. Conhecida como medida do Bonfim, o seu nome se deve ao fato de medir exatos 47 centímetros de comprimento, a medida do braço direito da estátua de Jesus Cristo, Senhor do Bonfim, postada no altar-mor da igreja mais famosa da Bahia.

A estátua foi esculpida em Setúbal, Portugal, no século XVIII. A “medida” era confeccionada em seda, com o desenho e o nome do santo bordados à mão. E o acabamento feito em tinta dourada ou prateada. Era usada no pescoço, como um colar, no qual se penduravam medalhas e santinhos, funcionando como uma moeda de troca: ao pagar uma promessa, o fiel carregava uma foto ou uma pequena escultura de cera, representando a parte do corpo curada com o auxílio do santo (ex-voto).

20151019-Fitas amarradas no gradil
Como lembrança, então, adquiria uma dessas fitas, que simbolizava a própria igreja. Hoje, elas ficam amarradas no gradil da Igreja do Bonfim.

Não se sabe quando se deu a transição para a atual fita, de pulso. O certo é que lá pelos meados da década de 1960 esta nova fita já era comercializada nas ruas de Salvador. Foi adotada pelos hippies baianos, como parte de sua indumentária. Daí por diante ela “migrou” para outros pulsos e, segundo os entendidos, cada cor simboliza um Orixá.

Cores para cada Orixá.

Verde: Oxossi
Azul claro: Iemanjá
Amarelo: Oxum
Azul escuro: Ogum
Colorido ou rosa: Ibeji(erê) e Oxumaré
Branco: Oxalá
Roxo: Nanã
Preta com letras vermelhas: Exu e Pomba gira
Preta com letras brancas: Omulu e Obaluaê
Vermelha: Iansã
Vermelha com letras brancas: Xangô
Verde com letras brancas: Ossain

Por sua vez, a fita branca traz paz, calma e sabedoria; a amarelo, prosperidade e otimismo; a azul, tranquilidade e harmonia; a vermelha, desejo; a verde, esperança; a roxo, saúde; e a rosa, carinho.

Fico em frente à estátua: atrás dele o Atlântico, atrás de mim o Rio. Rio em sol… cantado pelo Drummond

Canto do Rio em Sol

Guanabara, seio, braço
de a-mar:
em teu nome, a sigla rara
dos tempos do verbo mar.

Os que te amamos sentimos
e não sabemos cantar:
o que é sombra do Silvestre
sol da Urca
dengue flamingo
mitos da Tijuca de Alencar.

Guanabara, saia clara
estufando em redondel:
que é carne, que é terra e alísio
em teu crisol?

Nunca vi terra tão gente
nem gente tão florival.
Teu frêmito é teu encanto
(sem decreto) capital.

Agora, que te fitamos
nos olhos,
e que neles pressentimos
o ser telúrico, essencial,
agora sim és Estado

(parte)

 

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Rio, 15 de outubro de 2015. Abaixo a faca de peixe.

E o garfo, também.

Porque não sei se sabem que há dois garfos diferenciados dos normais: o de peixe e o de salada.

O garfo de peixe tem um dente mais grosso que os outros e isso serve para ajudar a separar as espinhas. Já o de salada é diferente, também: têm três dentes mais largos, para facilitar a dobra das folhas.

E a faca de peixe não corta, é cega: apenas separa a carne das espinhas. Ora, como quase sempre o peixe vem acompanhado de legumes ou batata, há a necessidade de uma faca que corte. Uma faca de peixe não “encara” uma batata noisette, por exemplo e, muito menos, uns aspargos ou uma batata “ao murro”.

20120318-faca para peixe

Logo, inútil. Anos 50 e para trás.

Garfo (colher) e faca são utensílios de mesa relativamente recentes (se considerarmos os dois últimos mil anos).

20120318-Catarina de Médicis

Quando Caterina de Médici se casou, em 28 de Outubro de 1533, com Henrique, futuro Duque de Orleans e futuro rei da França, trouxe consigo um enxoval completo com garfo, faca e colher.

Vejam como era uma mesa ideal naqueles tempos — e durante os 400 anos seguintes — sobretudo nos banquetes, jantares das cortes e das embaixadas.

20120318-o diagrama dos pratos e talheres

Curiosidade: O garfo na mão esquerda e a faca na direita vêm dos tempos de Luís XIV, já que os canhotos eram discriminados.

Parênteses: de uns bons 30 anos para cá tudo evoluiu — salvo a mesa de banquetes do Palácio de Buckingham

20120318-ballroom

— mas inglês é inglês, monarquia é monarquia e “a pátina do tempo” rende milhares de libras para a economia da UK.

Mas, voltando. E evoluiu, primeiro, em função do espaço físico tanto nos restaurantes quanto nas mesas domésticas; segundo, porque nos restaurantes estrelados o serviço é trocado depois de cada segmento (entrada, peixe, etc) e, em casa, ou é peixe, ou é massa ou é carna. Salvo as exceções, obviamente.

E,terceiro, porque num mundo prático cada utensílio tem que ser apropriado para o seu uso — e não apenas como enfeite.

Ou então voltamos à cena genial do Chaplin “repensando” a funcionalidade do garfo e dos pãezinhos:

Moral da história: abaixo a faca e o garfo de peixe, as licoreiras, a galheteiras (aqueles vidrinhos com azeite e vinagre — hoje todo mundo quer ver a garrafa com a marca do azeite, o nível de acidez, etc) — os copinhos de licor, o paliteiro, a cigarreira de prata…

Ou seja, tudo o que a gastronomia moderna superou para atingir o seu grau de “o melhor do simples”, mantra da Boa Mesa contemporânea.

E não pode inspirar “raiva”, como cada vez que eu tento cortar uma cenoura com uma faca para peixe e tenho que roubar a outra, de carne, para completar a cirurgia.

Cortemos a faca de peixe!

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Rio, 5 de outubro de 2015. Um grego em Londres: dica gourmet!

Um grego?

São tantos! E nem vou falar do príncipe Philip, um bonito e atlético grego (até hoje, com 90!) que nasceu na Villa Mon Repos, localizada na ilha de Corfu, em 10 de junho de 1921 e aos 18 anos (1939) entrou para Marinha Real Britânica.

E que conquistou a jovem Elizabeth.

20131023-A raínha Elizabeth em 1945

Uma moça “quase normal”, mas com um sentido de missão que se iniciou como enfermeira, durante a guerra e se consagrou nesses longos 60 anos de reinado.

Casaram-se em 1952, numa cerimônia que povoou o imaginário de milhares de pessoas.

20131022-casamento da Raínha com Philip

Não, o heleno a que me refiro é o mais criativo restaurante grego de Londres — quiça de muitas ilhas gregas: o MAZI.

Fica em Notting Hill e como o nome sugere é uma cozinha grega, elaborada a partir dos ingredientes “achados” no mercado e para ser compartilhada.

Mazi significa juntos e supõe um conjunto de pequenas comidas. E cada prato é servido quando fica pronto — nada é pré-preparado.

A casa é acolhedora, mas sem luxo, Poderia ser uma casa de família (grega) de bom gosto! Dois salões e um jardinzinho contíguo, com mesinhas.

20131023-visual do Mazi

Sugiro irem mais de quatro pessoas (repito: o charme é provar um pouco de cada segmento) e escolherem duas ou três opções dos subtítulos — JARS (potes, ou seja entradinhas); SALADS, HOT PLATES; SIGNATURE DISHES e DESSERTS.

Dos primeiros, recomendo uma Spicy Tiropita, torta de queijo feta crocante com pimenta leve e um iogurte com pepino, tomate, dill … e alho.

A salada pode variar da típica grega para uma de atum com beterraba e queijo de cabra. (Eles também produzem os saborosos myzithra, kaseri e kefalotiri, em geral comidos com hortelã em cima).

Já nos “pratos quentes” a nossa escolha foram pratinhos de Courgette Cake, abobrinha, pepino e menta; Feta Tempura with lemon marmalade and caper meringue, o começo está claro mas caper é alcaparra; Cod Souviaki with pork strip in rice paper, pedacinho de bacalhau e filezinhos de porco, envoltos em papel de arroz; Pork Tenderloin, celery and avgolemono sauce, lombinho de porco com molho de ovo e limão grego.

20131022-prato grego

Finalmente (nos salgados), Lamb Duet of saddle and cutlet, tzatziki spring roll, costeletinhas de carneiro com iogurte, alho e pepinos; Beef Filet kontosouvil, fume tomato pulo, flé de porco com folha de uva e polpa de tomate.

20131023-porco enrolado em papel de arroz

Ufa! E, de sobremesa, um Greek Yoghurt mousse, grape pudding and cinnamon rusks, uma musse de iogurte grego com pudim de uvas e canela.

Duas ampolas de Gerovassiliou Avaton 2006, um tinto da Macedônia que segundo o Marcelo Copello, é elaborado com as casta Limnió, Mavrotraganó e Mavroúdi (várias uvas locais plantadas mescladas). Amadurece 20 meses em barricas novas de carvalho francês. Cor vermelho- granada escuro. Aroma denso, com frutas negras maduras, amoras, ameixas, madeira, baunilha, ervas, violetas.

E uma conta per capita de cerca de 60 libras. Que valem cada “penny”.

Endereço: 12-14 Hillgate Street – tel 020-72293794 a dona é a simpática e tolerante (até ender grego!) Christina, que obviamennte fala um inglês impecável e o site é www.mazi.co.uk

Nâo percam!

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