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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

A vitivinicultura natural, orgânica e biodinâmica

Se, por um lado, o holograma de uma adolescente tipo Barbie, projetada num telão de vidro gigante, em Tóquio, esta semana, dançando uma mistura de “rock” e “break”,  botou milhares de jovens japoneses em estado de transe, como se estivessem assistindo a um show ao vivo dos Beatles

por outro lado,  Nicolas Joly, um aristocrata francês que transformou uma vinícola de 1130 — La Coulée de Serrant — em um laboratório biodinâmico, são exemplos desse maravilhoso mundo em transformação.

“Não quero produzir, apenas, um bom vinho. Quero produzir um vinho verdadeiro”, diz ele.

nicolas joly

Vinhos Naturais. São uma espécie de genérico dos orgânicos e biodinâmicos. São produzidos sem nenhuma adição de sulfito. O sulfito, aliás, é uma espécie de satanás dos vinhos, porque segundo os cientistas essa substância utilizada para ajudar a conservar o vinho é a culpada pelas dores de cabeça que “se apresentam” na manhã seguinte à uma noite de degustação de taças de vinhos comuns. “Vinhos naturais não dão dor de cabeça. A ressaca é culpa do sulfito”, diz o cantor Ed Motta, assumidamente radical na defesa dos vinhos naturais. “Hoje em dia só bebo vinhos orgânicos da Borgonha.” (charme é charme)

Vinhos orgânicos

Para começar, uma distinção que se impõe. Linguisticamente falando, não é o vinho que é orgânico — porque o que é orgânica, ou biológica (como designam os franceses) – é a vinha. Não necessariamente o vinho dela resultante. Ou seja: o que a legislação exige para conceder a “certificação biológica” é que os vinhos sejam produzidos a partir de parreiras sobre as quais não se apliquem agrotóxicos, herbicidas, pesticidas e outras químicas, para combater as pragas, corrigir o solo, etc.

Adiante: as uvas são cultivadas, portanto, de forma totalmente natural, sem inseticidas, pesticidas nem agrotóxicos. Mas permitem a adição de substâncias químicas (inclusive o sulfito em doses reduzidíssimas) para conservação ou correção de sabor. Ou seja, o que as diferenciam das vinhas rigorosamente naturais é que estas não admitem o  anidrido sulfuroso ou SO2.

Além disso, a agricultura orgânica acredita que dispensar o uso de pesticidas e fertilizantes químicos faz com que a uva nos ofereça maior pureza em seus sabores e possa melhor refletir as características da terra onde foi plantada. O enólogo-chefe da vinícola Nativa – braço naturalista da Viña Carmen, um terroir-referência do Chile — o jovem e calmo (orgânico?) Felipe Ramirez, trazido ao Brasil pela Mistral (leia-se Ciro Lila e a minha amiga Yoná) vai mais longe. Segundo ele, as parreiras já vivem estressadas pelo enlouquecedor ciclo “existencial”.  

Se planta, faz-se a rega, se corta, venta, faz sol, faz chuva, faz-se a poda…se alguém não se preocupar com o seu timing e o seu habitat, conclui Ramirez, ela nunca poderá dar bons vinhos.

Parênteses: no cultivo de vinhas orgânicas, as ervas daninhas que crescem ao lado do parreiral são comidas por gansos, até o desenvolvimento dos cachos. A partir daí, os gansos são retirados, visto que comem as uvas (sacanagem o ganso além de não degustar um Merlot ainda corre o risco de virar foie-gras!!!).

Além disso, nos vinhedos ecológicos, usam-se vespas para combater aranhas que furam as uvas, aveia plantada entre as fileiras do vinhedo para fertilizá-lo, insolação privilegiada para o combate os fungos – e outras soluções criativas — como plantar os parrerais na encosta que dá para o leste, porque o sol da manhã é bactericida.

No Brasil, o primeiro vinho certificadamente orgânico foi apresentado ao mercado em 1997. Foi o Cabernet Sauvignon Juan Carrau Orgânico, um vinho com grande personalidade e de características marcantes.

Vinhos biodinâmicos

Estes são produtos de parreiras e terroir quase místicos!  A agricultura biodinâmica foi desenvolvida a partir de oito conferências do filósofo austríaco Rudolf Steiner, proferidas a agricultores da Alemanha, em 1924 onde apresentou uma visão alternativa de agricultura baseada na ciência espiritual da antroposofia, lançando os fundamentos do que seria a agricultura biodinâmica. Ou seja, um ecossistema autossustentável, no qual os resíduos orgânicos devem ser reciclados e assim retornar novamente ao sistema.

Além disso, a biodinâmica considera a influência de forças cósmicas, em especial da Lua e do Sol, para a determinação das práticas culturais a serem realizadas, tais como: plantio, poda, fertilização, colheita, vinificação, engarrafamento, entre outras.

Pode-se descrever como princípios do cultivo biodinâmico: Valorização do solo e da planta em seu habitat natural, através do uso de preparados e compostos de origem vegetal, animal e mineral; aplicações dos compostos em épocas precisas, levando em consideração as influências astrais e os ciclos da natureza;   aplicação dos preparados biodinâmicos em doses homeopáticas; preparados biodinâmicos de plantas medicinais com a finalidade de prevenção de doenças nas plantas; cobertura verde entre as filas de videira para controle de nematoides, proteção do solo; adubação verde; e utilização do calendário biodinâmico para a realização das atividades vitícolas.

Vejam a propósito que interessante depoimento de uma brasileira (capixaba) que é sommelière em Paris, a craque Marina Giuberti

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4 Comentários

Comentários:

  • Apenas no intuito de colaborar, a química foi maltratada.

    O SO2 é um gás, não o sulfito. Adicionar SO@ iria acidificar dramaticamente qualquer meio. Sulfito é um sal, provavelmente sulfito se sódio – Na2SO3, com propriedades químicas bem diferentes do anidrido. Aliás, o nome anidrido vem da etimologia “sem água”, quando em contato com água, o anidrido se converte em ácido.

    Carlos Gouveia

    7 de novembro de 2015 às 09:16

    • Obrigado pelo elegante alerta, Carlos. Já corrigi no texto original e… apendi a lição. Abraços, Reinaldo

      reinaldo

      18 de novembro de 2015 às 11:27

  • Olá, parabéns pelo blog!
    Conte conosco para dicas e informações sobre:
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    Desde já os meus agradecimentos!

    vera

    16 de novembro de 2015 às 14:39

    • Obrigado, Vera. Obrigado pela oferta de informações; se precisar não hesitarei em pedir-lhe. Abraços, Reinaldo

      reinaldo

      18 de novembro de 2015 às 11:24

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