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Rio, 19 de janeiro de 2016. Vinho e notas curiosas

Um gole de memória.

Embora a vinha seja mais velha do que a História, o vinho começou a ser produzido há cerca de 4 mil anos (?), muito provavelmente na Ásia Menor — entre a Pérsia e a Armênia, no Cáucaso, segundo a mais recente pesquisa.
mapa do antigo império persa

Mas só ganhou tenência com a expansão da “onda grega”, iniciada mil anos antes de Cristo.

Lá, na Grécia, ele conheceu o seu primeiro lar. Homero, Platão, Xenofonte, entre outros formadores de opinião da Antiguidade, falaram dele em prosa e verso, exaltando as suas virtudes. Tanto que ele era bebido em cerimônias religiosas, em libações pagãs e na terapêutica médica, como receitava Hipócrates (o pai da medicina) a seus pacientes. Da Grécia o vinho partiu para a Itália e “mudou de deus”. De Dionisio para Baco, aqui magistralmente pintado por Caravaggio. Baco de Caravaggio

Depois a Península Ibérica. Depois o mar-oceano e os quatro cantos do mundo.

Os vinhos eram doces, diluídos em água ou mel e, depois, ainda se adicionava às vezes resina de pinheiro (sobretudo em Santorini, na Grécia). Tudo para não avinagrar logo. E como a garrafa (e o vidro soprado) só teve início por volta de 1.400 da nossa era, o vinho era guardado em ânforas e vedado com estopas umedecidas em azeite. Vinho exposto ao oxigênio é vinagre.
Tanto que “vinaigre” em francês é a fusão de “vin aigre”. Vinho azedo, amargo.

anfora romana

Aliás, tudo indica que o vinho servido na Última Ceia foi produzido com a uva Shiraz, muito comum nas colinas da Palestina. E misturado com mel. 20130727-A Ultima Ceia

Notas curiosas

1) O agrônomo cuida da vinha, o enólogo da vinícola e o sommelier do vinho;

2) O vinho é mais feminino do que masculino. Até semanticamente, porque tirando o substantivo que o designa, todos os outros são femininos: a vinha, a uva, a colheita, a safra, a garrafa, a taça … e a folha de parreira que cobriu (?) dona Eva. Eva

Ou, então, a Mona Lisa, aqui num curioso efeito de photoshop A Monalisa e o bordeaux

3) Uma medida de vinho tinto, seco, com 12% de álcool, seja servido uma taça, uma garrafa (ou duas!!!) — tem muito mais água do que álcool (etílico).
ÁGUA – Cerca de 80% do vinho é constituído de água.
AÇÚCARES – No processo da fermentação, o açúcar da uva representado pela glicose e frutose, é transformado em álcool, porém, uma certa quantidade residual permanece, cerca de 1 a 3g/l nos vinhos secos.
VITAMINAS – A uva contém em sua composição uma série de vitaminas que são transferidas para o vinho. As principais detectadas são: B1 (TIAMINA – B2 (RIBOFLAVINA) – NIACINA (ÁCIDO NICOTÍNICO) – B6 (PIRIDOXINA) – B12 (COBALAMINA) – A (RETINOL) – C (ÁCIDO ASCÓRBICO). Cada uma delas funcionando como catalisadores nas reações orgânicas e ação preventiva de doenças específicas, (como a Tiamina na prevenção do Beri-Beri).
SAIS MINERAIS – O vinho possui uma quantidade significativa de oligoelementos como: Potássio, Cálcio, Fósforo, Zinco, Cobre, Flúor, Alumínio, Iodo, Magnésio, Boro, etc.
ÁLCOOL ETÍLICO – A participação do álcool na composição do vinho gira em torno de 7 a 14 g/litro, nos vinhos secos, que são os mais consumidos. Esse dado vem expresso no rótulo em % p/Vol. ou GL (Gay Lussac), que traduz a porcentagem ou teor de álcool por volume.

4) Pode-se fazer vinho branco com uvas tintas, mas não se pode fazer vinho tinto com uvas brancas. E isso porque quando se colocam os bagos de uva nos tonéis, e que eles começam a ser prensados – seja com o pé, a chamada “pisa”, seja por máquinas – o primeiro líquido que sai é branco, como a polpa da uva. Então, se imediatamente se retirarem as cascas de uva tinta, as polpas e o mosto estarão produzindo um vinho branco; se esperarmos algumas horas (de 6 a 12h), estaremos produzindo um vinho rosé.
Mas o inverso não ocorre. Se prensarmos as cascas de uma uva branca ela não produzirá um vinho de outra cor.

5) As garrafas de vinho têm, na sua imensa maioria, 750 ml porque o vidro soprado foi descoberto pelos artesãos de Murano(Veneza) no século XVII. E essa medida era a maior quantidade de ar soprada continuamente autorizada pelas autoridades, para evitar que os sopradores sofressem embolia pulmonar.

Como hoje o processo é industrial, pode-se engarrafar …

tamanho das garrafas de vinho

Meia, 350 ml; padrão, 750 ml; magnum, 1,5 lit; double magnum, 3lit; Jeroboam, 4,5lit; imperial, 6 lit (se for de champagne é Matusalém); Salmanazar, 9 lit, Balthazar, 12 lit e Nabucodonosor, 15 lit. Essas denominações sofrem variações, (bordeaux e bourgognes e em outros países), mas a escala tradicional é essa.

Sem esquecer a taça (200 ml) que permite provar de um, de outro, mais outro … Aliás, nos tempos das ânforas, os escravos ou pagens iam até esses recipientes encher as canecas ou taças de seus senhores, para servi-los.

Foram precursores do “by the glass”.

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5 Comentários

Comentários:

  • Barretão, ficou faltando uma na sequencia: Nabucodonosor
    Kaleco Sá – Rio

    R: tem toda a razão, Kaleco. E essa é de 12 litros! Faltou tb especificar a chamada meia garrafa, de 375 cl lit; e a de 500 cl, bastante incomum.
    Obrigado pela dica

    reinaldo

    19 de janeiro de 2016 às 16:00

  • Errei de novo!
    São 375 ml (e não cl), 500 ml e 750 ml!!!
    Reinaldo

    reinaldo

    19 de janeiro de 2016 às 16:08

  • Reinaldo, Você consegue ser cada vez melhor! Parabéns! Neidson Miranda – Rio

    Acabei de ler e tenho um só comentário: brilhante! Breno Neves – Rio

    Querido Reinaldo Um privilégio. Brilhante, instrutivo e super agradável de ler e absorver tantos conhecimentos, Somente você mesmo . Parabéns ! Grande abraço Guilherme Sampaio Ferraz – Rio

    Também acho.VC sempre apresenta artigos excelentes. Que Bom estarmos juntos. Abs. Eduardo Frias – Rio

    Olá Reinaldo, entre as coisas que melhoraram ao longo do história aí está o vinho. Saúde ! Paulo Senise – Rio

    Espetacular: vinho, arte, história…pode haver encontro melhor? Obrigada Reinaldo! Miriam Cutz – Rio –

    Carlos Silva Ramos

    20 de janeiro de 2016 às 22:02

  • Parabéns, Reinaldo
    Carlos Laet – Rio

    reinaldo

    21 de janeiro de 2016 às 10:40

  • Belo texto, como todos os outros que vc escreve. gostei imensamente de saber que o vinho teve a a a Grécia como o seu primeiro lar, ao lado de grandes filósofos que tanto aprecio:. Homero, Platão, Xenofonte, entre outros . beijos.
    Vanda Klabin – Rio

    Valeu, Reinaldo. Belo texto.
    Paulo Bertazzi – Rio

    reinaldo

    21 de janeiro de 2016 às 18:52

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