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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

25 de abril 1974-2016: Viva Portugal

Há quarenta e dois anos, às 0h20 da madrugada de 25 de abril de 1974, Portugal encerrava uma ditadura de 48 longos anos.
Num só dia, o regime político que vigorava desde 1926 caiu. O levante foi basicamente conduzido pelos oficiais intermediários da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães, que tinham participado da Guerra Colonial.
Mas ao lado do Exército, estava o povo, que cantou naquele alvorecer Grandola, Vila Morena, do Zé Afonso — a música-senha, aqui interpretada “de fazer chorar” pela Amália Rodrigues — a cotovia de Portugal.

A seguir, Portugal passou por um período de euforia: “todo mundo fala e ninguém dorme, há reuniões até alta horas e os escritórias ficam com as luzes acesas até de madrugada. Depois, Portugal entrou num conturbado estágio que durou cerca de 2 anos, marcados pela luta entre a esquerda e a direita. Foram nacionalizadas as grandes empresas.
Passados cerca de três anos, no entanto, realizaram-se eleições constituintes e foi estabelecida uma democracia parlamentar. A guerra colonial acabou e as colônias africanas tornaram-se independentes antes do fim de 1975. E elegeu-se presidente um bizarro militar, germanófilo e de monóculo, António Spínola.
António Spníloa
Vida que segue. Proponho comemorarmos com um Vinho do Porto, “a cara de Portugal”.
Mas e qual a diferença entre um vinho do Porto e um outro vinho de mesa português?
Primeira: por decreto de 1756, do poderoso Marques de Pombal, só é vinho do Porto aquele produzido EXCLUSIVAMENTE com uvas provenientes da região demarcada do Douro;
Segunda: são 15 castas tintas e 14 brancas, recomendadas pela legislação:
Castas Brancas
Esgana Cão, Folgasão, Gouveio ou Verdelho, Malvasia Fina, Rabigato, Viosinho, Arinto, Boal, Cercial, Côdega, Malvasia Corada, Moscatel Galego, Donzelinho Branco e Samarrinho.
Castas Tintas
Bastardo, Cornifesto, Mourisco Tinto, Donzelinho, Tinta Amarela, Malvasia, Tinta Barroca, Periquita, Rufete, Tinta Francisca, Tinta Roriz, Tinta Barca, Tinto Cão, Touriga Francesa e Touriga Nacional

O vinho do Porto se divide basicamente em dois tipos. O Rubi, um vinho jovem, escuro, que pode ser medianamente ou muito encorpado, e cujo blend varia segundo o estilo de cada Casa.
E o Tawni, que é o Port mais comum. É uma mistura de vinhos de vários anos que conservados em tonéis durante um certo tempo, perdem a cor escura e ganham aquela coloração alaranjada.
Curiosidade: ao contrário do que seria “lógico”, o vinho novo é escuro e o envelhecido vai ficando mais claro, repito, alaranjado. Classifica-se como vintage aquela safra cuja colheita é de um mesmo ano e excepcional. Envelhece cerca de 20 meses em barril e depois é engarrafado; já o LBV (late bottled vintage) também deverá vir de uma colheita especial e estagia de 2 a 4 anos em barrica antes de ser engarrafado.
Vinho do Porto vintages

O Porto branco, seco, está na moda como drinque. E pode ser apreciado em copos longos, com água tônica, gelo e uma folha de hortelã. É o portonic.
O grande Eça de Queiroz, além de todas as suas virtudes como escritor era um fazedor de frases, como o Nelson Rodrigues. Dizia: todo vinho português se pudesse, seria do Porto!

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Rio, 19 de abril de 2016. Malbec World Day

Como a data universal caiu neste domingo, a celebração foi ontem, 19/abril, no consulado geral aqui no Rio. Fui e saí convencido – com todo o respeito — que a Festa Nacional da Argentina não deveria ser comemorada a 25 de maio ou 9 de julho.
E sim no dia 17 de abril: o Dia do Malbec.
A data é tão importante, que o convite é assinado pela consulado geral do Rio, pelo ministério de relações exteriores (e culto) da Argentina e pela presidência da República.
Confiram convite Malbec
Esta uva, junto com o tango, é uma embaixadora do país que deveria estar na folha de pagamento da “Cancillería”…
Em sua quinta edição, o Malbec Day é a celebração dessa uva e desse vinho. Organizado pelo Wines of Argentina, órgão responsável pela divulgação dos vinhos do país, o Malbec Day é formado por uma série de eventos culturais simultâneos em 44 países pelo mundo. E além se Nova Iorque, Londres, Xangai … realizou no consulado argentino no Rio, no Edifício Argentina, na Praia de Botafogo, uma noite de cordial de degustação, com a presença de 15 “ bodegas expositoras”.
Na foto, o meu querido cônsul Marcelo Bertoldi e eu (a “media luz”?)
Bertoldi e eu
E a Laura Frati, secretária e tradutora do português para o espanhol (portenho) e vice-versa. Miss Malbec

Um gole de história.
A uva Malbec é originária do sudoeste da França, região de Cahors, próximo a Bordeaux, onde é conhecida pelo nome Côt. a uva Malbec
Quando a praga filoxera devastou os parreirais europeus, ela foi trazida para a Argentina pelo empenho do visionário Domingo Faustino, que contratou o enólogo francês Michel Aimé Pouget para transformá-la na marca de Mendoza. E produto nacional.

Aliás, foi também decisivo o apoio do então presidente Sarmiento, a cara do nosso embaixador Marcos Azambuja: confiram o presidente Sarmiento é o Azambuja
Mas só em 1996, quando o legendário Nicolas Catena resolveu produzir os primeiros vinhos 100% Malbec é que o experimento surpreendeu. A safra de estreia, o “Adrianna Malbec 2004”, conquistou a nota 98 do crítico Robert Parker. Recentemente, esse mesmo vinho, safra 2012, foi eleito o melhor Malbec da Argentina pelo guia Descorchados 2015, tendo recebido a nota 97 (mais alta nota dada a um vinho argentino nesse ano).
A coloração do vinho Malbec é intensa. A cor é escura, puxando para o vermelho escuro e o violeta denso. O aroma do vinho, por sua vez, varia muito de acordo com o terreno onde a uva foi plantada. No geral, entretanto, apresenta aromas que lembram frutas vermelhas e ameixas maduras. E madeira.
Como é um vinho tinto com personalidade, o Malbec não é muito versátil no quesito harmonização. Combina bem com as carnes argentinas, especialmente com a carne bovina e de cordeiro vai bem também com matambre, com todos os embutidos e até com empanadas empanadas hambúrguer de picanha e queijos fortes.
Ele pode ser elaborado varietalmente com 100% Malbec ou com cortes de outras tintas, sobretudo a Cabernet Sauvignon.
Ou seja, a festa no consulado argentino no Rio dissolveu os 1.261 km que unem a fronteira do Brasil e da Argentina e uniu os dois países numa imensa taça de Malbec.
Saúde! Salud!

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E além de tudo pintou a Mona Lisa.

Faz hoje,(13 de abril) 564 anos que morreu um desses gênios dentro dos quais o Sol nunca se põe, como disse Neruda no enterro do Picasso.
Leonardo Da Vinci.

Mas além de pintor, pensou o helicóptero, a bicicleta, a prancha de esqui, a asa-delta, as máquinas de guerra — o guardanapo e a tampa para as panelas.
o pré-helicóptero

Mas poucos sabem que ele foi um gourmet no sentido plural da expressão.
LEONARDO DA VINCI foi o primeiro vegetariano — por opção — de que a história faz registro. Um cozinheiro de mão cheia que, de quebra, inventou o guardanapo e a tampa para as panelas.
Mestre de banquetes em Milão, Leonardo não apenas inventava utensílios, como coordenava eventos pantagruélicos, em que não apenas a quantidade, mas a arte de preparar e apresentar os alimentos, bem como de construir atrações que permeavam os pratos, faziam a diferença. E pontuavam a escala de prestígio do seu benefactor — o poderoso Duque de Milão, Ludovico Sforza — considerado o melhor anfitrião da Lombardia.
Duque de Sforza

E já naquela época –- há cinco séculos, repito — Leonardo defendia a simplicidade dos alimentos e a beleza de uma mesa bem posta. Registrou no seu diário: “É meu dever tornar cada banquete um feito inesquecível. Libélulas, plantas aromáticas, fontes de água, grilos, água de rosas para enxugar as mãos, pequenas estátuas de marzipã, geleias coloridas e, lá fora, cisnes, sinos, corneteiros e avestruzes dando voltas e mais voltas, para dar movimento à paisagem”.

E anotava tudo o que pensava sobre gastronomia em manuscritos que levavam o nome de “codex”. O que trata dos assuntos da mesa é o Codex Romanoff, cuja cópia foi achada em 1981.

Leonardo nasceu no dia 15 de abril de 1452, numa fazenda perto da cidadezinha de Vinci, na toscana. Foi criado pelos avós paternos, numa pequena propriedade que cultivava trigo e azeitonas.
A alimentação se completava com legumes e vegetais. Por isso, comia-se fava e feijões, grão-de-bico e ervilha, com pão, alho, cebola, nabos e…azeitonas. Além de queijo de ovelha. E, tratando-se da Itália, obviamente bebia-se vinho, desde os 5 anos – com água.

Cresceu gênio.

Freqüentou o fausto dos Borgias, dos dodges de Veneza, do Duque de Milão, dos senhores de Roma e do rei de França, François I, em cujos braços morreu em 1519, aos 67 anos, na pequena cidade de Cloux, perto de Ambroise, na Tourraine, França.

Ah!, sim, e no intervalo, pintou a Mona Lisa. E a Última Ceia.

Se tivesse nascido no fim do século XX teria inventado a internet — e pintado essa charge A Monalisa e o bordeaux

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Rio, 7 de abril de 2016. Botequim a céu aberto?

Guardem esse primeiro vídeo: essa é uma refeição chez Paul Bocuse.
Isso é gastronomia.

Vamos adiante. Neste próximo fim de semana – 9 e 10 de abril (2016) – o Rio vai abrigar um evento com este nome em título, sob os pilotis do Museu de Arte Moderna, no Aterro.
gastronomia de rua

Há de ser uma delícia, mas o título é inadequado. Gastronomia, a meu juizo, é a cerimônia que se cria e envolve uma refeição. E dela fazem parte a porta de entrada, o maître, a mesa, a toalha, as taças e copos, os talheres, lustres e tapetes, ar-condicionado ou chauffage (conforme o caso), garçons vestidos adequadamente e, por que não, o tipo e número de convidados – e até o tom das conversas.

Ora, a rua é o contrário. É o espaço do convívio indiscriminado. Da algazarra e da gostosa desordem (ah, os urbanistas!). E o que se come em pé, sentado em bancos de jardim, ou catando com a mão em tabuleiros – tái: essa prova deveria se chamar Comida de Tabuleiro — pode ser muito colorida e saborosa, mas nunca foi nem será gastronomia.

Até porque comida servida na rua não é novidade. Desde as mais antigas feiras da Antiguidade, sobretudo as asiáticas, já se“matava a fome” em praças, armazéns, empórios e bazares árabes.
Depois, vieram as carrocinhas. Aqui no Rio, na época da época da chegada da família real portuguesa, já se servia peixe de água salgada, camarões e bolo de arroz, farofa, galináceos, empadas e pastéis, “carne de gato” e por aí.
Em Salvador, desde que o mundo é mundo, os tabuleiros capricham nos acarajés, abarás, pratinhos de vatapá e caruru, ebôya, ebô, vários tipos de furá e cachaça, afora os doces.

No México, de Jalisco á fronteira, tacos. tacos al pstor

Nos EUA e mesmo na Inglaterra (terra onde foi criado) o sanduíche, a refeição dos apressados.
By the way, vejam o Mr. Sandwich — John Mantagu — o aritocrata ingês, jogador inveterado que bolou a solução para se alimentar sem sair do carteado. Mr. Sandwich

Assim como na Grécia, é a refeição de quem tem tempo … As mezédes — pequenas porções de muitas coisas e de quem pode apreciá-las com vagar — são compostas de patês para comer com pão de berinjela — pequenas porções de muitas coisas — como patês para comer com pão de berinjela (melitzanosalata), coalhada com pepino e alho (tzatziki), ovas de peixe (taramosalata); tomates, abobrinhas, pimentões, berinjelas recheados (gemisto) com carne e molho; bolinhos de polvo ou de carne (keftedes); queijo grelhado à milanesa (saganaki); frutos do mar (lulas, camarões, polvo, mariscos); charutinhos de folhas de uva (dolmadakia) quentes ou frios, servidos ou não, com um saboroso molho de ovos com limão (avgolémono) e, claro, a salada grega chamada de xoriátika (tomates, pepinos, finas fatias de cebola, azeitonas, pimentão verde e uma fatia de um forte queijo de cabra e ovelha, o feta, temperada com orégano.

Na Holanda, o hábito de comer harenque cru, equilibrados na ponta dos dedos, no alto, que escorrega para a boca, é mais antigo do que o primeiro raciocínio de Erasmo de Rotterdam.

E na querida Paris, galettes (crepe salgado) e crepes fazem o encanto de quem cruza os bairros populares, é um pouco o “Paris Canaille”.

crepes+em+Paris

Cependant, however… gastronomia é outro papo.
Querem um exemplo?
Vejam, de novo, o vídeo do início.
E “bon appétit” dentro ou fora de um restaurante.

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