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Rio, 13 de junho de 2016. Santo Antonio, sempre ocupado.

Santo Antonio nasceu em Lisboa e morreu em Pádua. É um dos santos mais populares no Brasil e em Portugal.
Prólogo: o Vinícius e o Ciro Monteiro iam para São Paulo no velho Electra — e ambos morriam de medo de avião. Em pleno voo e de repente (não mais do que de repente) o “bicho” entra num CB e começa a jogar polilatudinalmente.
O Vinícius, que já tinha bebida todas, estava mais ou MENOS. O Ciro mais ainda.

Suava, tremia … nisso diz o Vinícius: companheirinho, reza três padre-nossos para Santo Onofre: é tiro e queda.
Ciro já estava no segundo, quando o avião começa a sair daquelas núvens encharcadas de água e estabiliza, lindamente. Fim de trajeto sereno.
Já em Congonhas, esperando as malas, diz o Ciro: poetinha, fico-lhe devendo essa. Nunca mais vou esquecer que Santo Onofre é o protetor dos aviões…
Vinícius sorri no meio da baforada de Hollywood e diz: nunca soube disso, mas, tenho a minha receita. Reze sempre para um santo que ninguém conhece e que está “baldio”que ele vem correndo pra mostrar serviço…

Segunda, 13 de junho, é Dia de Santo Antonio. Viva ele!
Santo Antonio
Essa bela imagem me foi cedida pelo João Cândido Portinari, filho do artista, que posou como Menino Jesus nesse quadro célebre do gênio de Brodowski, SP.

Bom, mas por que sempre ocupado?
Porque ele é o melhor “achador de coisas/pessoas”. E casamenteiro.
Aliás, por que a fama de santo casamenteiro? Três hipóteses.
A primeira resposta aprendi com Padre Jorjão e junta as suas duas aptidões principais. Como ele é ótimo “procurador” –melhor até do que São Longuinho — é o santo certo para “achar marido”, ainda mais no dia seguinte ao dos namorados!
A segunda, uma variação: entre os Bascos, Santo Antonio é considerado o santo que encontra os iguais, ou seja, santo que casa coisas iguais. Por isso, tornou-se costume, as garotas Bascas fazerem peregrinação ao templo de Santo Antonio, em Durango, no dia de sua festa, e rezarem para ele encontrar um “bom rapaz”para cada uma. (Entenda-se: de igual família, de hábitos similares).
Ora, sabendo que havia mulher bonita no pedaço, o rapazes bascos faziam a mesma jornada e ficavam do lado de fora do templo até as moças terminarem as suas preces. É fácil imaginar que muitos casamentos resultaram desses encontros do 13 de junho.
A terceira, a mais pitoresca, nos diz que uma jovem, depois de fazer uma novena à Santo Antônio e não tendo encontrado pretendente, jogou – zangada — a estátua de Santo Antônio que tinha em seu oratório pela janela e a mesma caiu na cabeça de um caixeiro-viajante que passava. Este gritou tanto que ela foi correndo ajudá-lo. Levou-o para dentro e tratou de seu ferimento.
Adivinharam o final!?
PS: especula-se, também, que esta associação entre Santo Antonio e o casamento é inspirada na maioria das imagens em que ele “aparece” carregando um bebê (Menino Jesus) nos braços.
Bom, mas além de seu lado “santo”, Santo Antonio abre as festas juninas, em Portugal e no Brasil.
Dançando a quadrilha
Aqui, em certos lugares, sobretudo no Nordeste, duram o mês inteiro e são mais populares do que o próprio Carnaval. Dança-se quadrilha, montam-se arraiais, quermesses, folguedos…
E come-se tudo que engorda. Salgados, sobretudo feitos com milho, milho verde já que é o mês da colheita. E mais leitão, frango da roça, bolinhos de carne… afora os doces: arroz-doce, canjica, mandioca em calda, bolo e broa de fubá e de milho, doce de batata-doce, de abóbora, de cidra com rapadura –furundum– de mamão em pedaços, pão de cará, pão-de-ló cortado, paçoca, pé-de-moleque, batata-doce e o que mais estiver no prato.
E bebe-se, além de muita pinga, o tradicional quentão de vinho, uma espécie de grogue europeu traduzido “pro arraiá”. Há quem faça com cachaça, mas aí não é “pro santo: é pro diabo!”
Aí vai a receita.

Pode ser servido, também, em canecas. Por último, uma colher de chantilly e, por cima, canela em pó.
Bom, mas com todo o respeito, pergunto eu: não é um pecado associar Santo Antonio a um drinque de vinho tão ruinzinho!

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