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Rio, 2 de setembro de 2016. Um programão no Rio

Imperdível.
Mauá é o nome que ficou desse figuraça: o gaúcho Irineu Evangelista de Sousa, Barão e depois Visconde de Mauá. Comerciante, armador, industrial e banqueiro. Dentre as suas maiores realizações, como se fosse pouco, registre-se a implantação da primeira fundição de ferro no Brasil, a construção da primeira ferrovia – a sua estrada de ferro — e a instalação da iluminação pública a gás na cidade do Rio de Janeiro, em 1861.
Por isso, nada mais justo do que a homenagem que o Roberto Maciel prestou a este homem que se alimentava mal, rapidamente, mas que transformou o Rio-Colônia em Rio-Gourmet.
Por que?
Porque a sociedade carioca, que até então só recebia parentes e convidados para almoço (à noite se recolhia à trilogia do silêncio: casa, caserna, convento e se contentava com uma sopa de cajú gelada), passou a receber para saraus que entravam pela madrugada.
Com a iluminação, a cidade se acendeu junto.
O carioca começou a praticar gastronomia, isto é, comer socialmente, na companhia de amigos, compartilhando a experiência do prato e do copo fora do anel familiar. Companheiro vem de cum panis: aquele que divide o pão. Nem por acaso, datam desse fim de século XIX as primeiras confrarias da cidade e as confeitarias: Colombo, Cavé e outras.
Por isto, repito, a homenagem ao “barão” (detesto o título de visconde), com um bistrô bem brasileiro, no alto do museu mais alto e mais bonito do Rio, na praça que leva o seu nome e de onde ele “observa” o novo Boulevard Olímpico e o seu entorno, é um resgate. Na foto a bela perspectiva do museu MAR.
Praça Mauá

Parênteses, aliás o Barão inspira gastronomias… Em 2012, o nosso conselheiro e amigo Paulo Roberto Direito (na foto com a sua vice, Maria Luiza Nobre), criou a Confraria do Barão, constituída por membros do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ, mas incorporando convidados da comunidade gourmet do Rio.
Maria Luiza Nobre e Paulo Roberto Direito
Os almoços são sempre realizados no restaurante Bazzar, em Ipanema, com cardápios temáticos, valorizando sempre a culinária e os ingredientes da cozinha regional fluminnse.
Os almoços são trimestrais. Somos, atualmente, cerca de 35 confrades.

Sim, mas e o programa?
O programa é “visitar” o novo Rio 2016 que fica, aquele “para além das Olimpíadas”, como dizem os portugueses, que o competente prefeito Eduardo Paes preparou para os cariocas de todos os pontos cardeais da cidade e os que se tornam cariocas vindos do outro Brasil, ou de fora, ao compartilharem a Cidade que feriu o velho e o feio, para mostrar que o seu sangue não tinha se coagulado.

Descer a Av. Rio Branco (a numeração começa com o Nº 1, na Praça Mauá) de VLT, partindo do Santos Dumont ou da Cinelândia e flanar com os olhos pela arquitetura dos prédios, a cara de Belle-Époque francesa, observando as calçadas e as gentes desse agora quase boulevard, a artéria inaugurada em 1906, pelo prefeito Pereira Passos, para ligar o Rio “de mar a mar” (com trocadilho com o museu!)
Saltar na Parada dos Museus e caminhar até o museu (visível desde Niterói!).
Sexto andar.
Primeiro, visitá-lo. Para abrir o apetite.
Depois, reservar mesa no bistrô, porque o restaurantecom está sempre cheio (bem haja!), inclusive de estrangeiros.
Sala Cheia

Vejam, agora, o alguns pratos do menu, brasileiro — sem ser xenófobo. Exemplo? Entre as bebidas, por exemplo, lá estão o Armagnac e o Calvados!!!
Armagnac
Mas há, também, uma cachacinha Veja cuja garrafa parece de conhaque (e servida por um maître mais elegante do que o Fred Astaire)
Cachaça Vega
ENTRADAS
CAPUCCINO DE FEIJÃO VERDE
PASTEL DE MINAS CURADO
BOLINHOS DE CARNE SECA
SALADAS
PEITO DE PATO CURADO,com salada exótica de manga e castanha de caju
ABÓBORA COZIDA EM ESPECIARIA,gratinada com brie, amêndoas e mix de folhas
LÂMINAS DE PUPUNHA E SALADA DE BACALHAU,com azeitonas, tomate assado e cebolinhas
CARPACCIO DE CARNE DE SOL,com abóbora e queijo coalho
PRATOS
PICADINHO DE CAJU (VEGANO) com ovo orgânico e farofa de shitake
NHOQUE DE MILHO, com lâminas de palmito ao molho queijo canastra
NHOQUE DE BANANA DA TERRA, ao molho de rabada e agrião
MIGNON DO SOL, entremeado com queijo manteiga, cebolinhas e banana grelhada farofa crocante
MEXIDÃO DE MIGNON DE SOL, com feijão verde, queijo coalho, couve, ovo e alho
LÍNGUA AO VINHO TINTO,com crocante de cebola roxa e arroz cremoso
SOBREMESAS
CARTOLA BEIJUPIRÁ,banana grelhada e gratinada com queijo, açúcar e canela
ABACAXI COZIDO
ARROZ DOCE
CUSCUZ COM TAPIOCA COM BABA DE MILHO VERDE

Boa carta de vinhos e cervejas. Drinques antigos: Cosmopolitan, Dry Martini, Manhattan…

Bom passeio, bom almoço. Ou boa digestão, se o cruzeiro de VLT for ao inverso.

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3 Comentários

Comentários:

  • Obrigado pela força, Maria Luiza: publiquei em comentários!

    reinaldo

    6 de setembro de 2016 às 16:55

  • Sempre gentil a mana. Venha pra cá que eu levo você lá no primeiro dia! Bjs

    reinaldo

    6 de setembro de 2016 às 16:56

  • Parabéns mais uma vez Reinaldo! Adoro sua coluna.
    Com grande satisfacão eu vi que você mencionou a Confeitaria Cavé, que é mais antiga que a Colombo mas talvez não tenha o devido reconhecimento.
    Tomo a liberdade de sugerir umas linhas escritas por você na sua coluna sobre a Cavé.
    Beijo carinhoso.
    Daniela Montenegro Messeder

    Querida Daniela, que bom “saber” de você! E a idéia é excelente. Vou passar por lá para fotografar (de repente um garçom “de época”) por aí. Aliás vou lhe enviar a minha história da Colombo.
    Bjs!

    Daniela Montenegro Messeder

    7 de setembro de 2016 às 07:43

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