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Rio, 22 de setembro de 2016. O Rio em flor

Ando pelo calçadão de Copacabana, inaugurando a luz calma do primeiro dia de primavera (prima + vera = primeiro verão) e “encontro” o nosso Drummond, o poeta-oceano, sentado, sereno, de bronze …com a fitinha do Bonfim no pulso. Atrás o Atlântico, a África, as lendas e crendices.
20120916-Drummond com a fita do Bonfim

A fita original foi criada em 1809, tendo desaparecido no início da década de 1950. Conhecida como medida do Bonfim, o seu nome se deve ao fato de medir exatos 47 centímetros de comprimento, a medida do braço direito da estátua de Jesus Cristo, Senhor do Bonfim, postada no altar-mor da igreja mais famosa da Bahia.

A estátua foi esculpida em Setúbal, Portugal, no século XVIII. A medida era confeccionada em seda, com o desenho e o nome do santo bordados à mão. E o acabamento feito em tinta dourada ou prateada. Era usada no pescoço, como um colar, no qual se penduravam medalhas e santinhos, funcionando como uma moeda de troca: ao pagar uma promessa, o fiel carregava uma foto ou uma pequena escultura de cera, representando a parte do corpo curada com o auxílio do santo (ex-voto).

20151019-Fitas amarradas no gradil
Como lembrança, então, adquiria uma dessas fitas, que simbolizava a própria igreja. Hoje, elas ficam amarradas no gradil da Igreja do Bonfim.

Não se sabe quando se deu a transição para a atual fita, de pulso. O certo é que lá pelos meados da década de 1960 esta nova fita já era comercializada nas ruas de Salvador. Foi adotada pelos hippies baianos, como parte de sua indumentária. Daí por diante ela migrou para outros pulsos e, segundo os entendidos, cada cor simboliza uma divindade do candomblé.

Cores para cada Orixá.

Verde: Oxossi
Azul claro: Iemanjá
Amarelo: Oxum
Azul escuro: Ogum
Colorido ou rosa: Ibeji(erê) e Oxumaré
Branco: Oxalá
Roxo: Nanã
Preta com letras vermelhas: Exu e Pomba gira
Preta com letras brancas: Omulu e Obaluaê
Vermelha: Iansã
Vermelha com letras brancas: Xangô
Verde com letras brancas: Ossain

Por sua vez, a fita branca traz paz, calma e sabedoria; a amarela, prosperidade e otimismo; a azul, tranquilidade e harmonia; a vermelha, desejo; a verde, esperança; a roxo, saúde e a rosa, carinho.

Fico em frente à estátua: atrás o Rio. O Rio em sol, cantando por Drummond.

Guanabara, seio, braço
de a-mar:
em teu nome, a sigla rara
dos tempos do verbo mar.

Os que te amamos sentimos
e não sabemos cantar:
o que é sombra do Silvestre
sol da Urca
dengue flamingo
mitos da Tijuca de Alencar.

Guanabara, saia clara
estufando em redondel:
que é carne, que é terra e alísio
em teu crisol?

Nunca vi terra tão gente
nem gente tão florival.
Teu frêmito é teu encanto
(sem decreto) capital.

Agora, que te fitamos
nos olhos,
e que neles pressentimos
o ser telúrico, essencial…

E vai por aí: é longo. Mas Drummond não tem pressa: cansei de ser moderno, agora serei eterno! Drummond no por do sol

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