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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 28 de novembro de 2016. Cuba Libre?

Não dá para esquecer. Entre os personagens que povoaram os extraordinários Anos 60 (Anos Dourados) no Rio de Janeiro, haviam os locais — a energia do JK, o doido do Jânio, Maria Esther Bueno, Pelé e Garrincha e os que vinham pelo jornal, cinema e TV preto e branco: Kennedy, Mao, Beatles e o eletrizante Fidel Castro. Incendiava o nosso peito adolescentes (eu tinha 15 anos e em diante), tanto quanto a motocicleta do Marlon Brando, o porche do James Dean. O nome do jogo: era liberdade. E as barbas do Fidel em Sierra Maestra eram o outro nome desse jogo.
Fidel em Sierra Maestra

A liberdade 24h. Da mini saia de Mary Quant à maconha, do biquini à bossa nova, tudo era um hoje — que a gente achava que não precisava de amanhã.

Sim, mas e daí?

Daí que surgiu no Rio um drinque chamado Cuba Libre. Já existia, é claro: surgiu em Cuba … muitos anos anos antes. Na época da independência da ilha (1895-1808), em que os EUA apoiaram os cubanos contra a Espanha. Mas chegou aqui com o prestígio de “derrubar ditadores” (no caso o Batista!). E o nome parecia uma senha!
Cuba Libre

É a mistura do rum – o original, cubano — com uma Cola-Cola, gelo e limão. Em toda a minha vida eu devo ter tomado umas trezentas Cuba Libres!

Mas as meninas — ah! as meninas do meu tempo! — preferiam coisas mais leves. Quando não era coquetel de frutas, era licor de peppermint com “schnapps” mas, como não se achava, ia com água tônica mesmo e muito gelo. Um long drink.
pepper

As mais heavy metals iam de Hi-Fi (vodka com Fanta laranja) e sangria. Vinho nem se falava entre jovens, caipirinha ainda “não tinha nascido” e o chope às vezes.

E haja rosto colado (y otras cositas más…) ao som de Frank Sinatra, Pepino di Capri, Ray Charles, Adamo, Sacha Distel, Brigitte e/ou … pauleira: Elvis, Bil Halley e seus cometas e a nossa Jovem Guarda.

Saudades?

Não. Já lá vão mais de cinquenta anos. Eu teria que ter saudades de meus pais, das lutas estudantís, do Mello e Souza e da Faculdade Nacional de Direito, das namoradas … é melhor deixar quieto.

Ia doer muito.

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Rio, 24 de novembro de 2016. Da série: você sabia?

1) O vinho é mais feminino do que masculino. Até semanticamente, porque tirando o substantivo que o designa, todos os outros são femininos: a vinha, a uva, a colheita, a safra, a garrafa, a taça … e a folha de parreira que cobriu (?) dona Eva.

A Monalisa e o bordeaux lìnstant Taittinger Eva

2) Uma medida de vinho — uma garrafa ou um copo — tem muito mais água do que álcool.
ÁGUA – Cerca de 80% do vinho é constituído de água. elemento. O vinho pode, portanto, contribuir para a hidratação.
AÇÚCARES – No processo da fermentação, o açúcar da uva representado pela glicose e frutose, é transformado em álcool, porém, uma certa quantidade residual permanece, cerca de 1 a 3g/l nos vinhos secos.
VITAMINAS – A uva contém em sua composição uma série de vitaminas que são transferidas para o vinho. As principais detectadas são: B1 (TIAMINA – B2 (RIBOFLAVINA) – NIACINA (ÁCIDO NICOTÍNICO) – B6 (PIRIDOXINA) – B12 (COBALAMINA) – A (RETINOL) – C (ÁCIDO ASCÓRBICO). Cada uma delas funcionando como catalisadores nas reações orgânicas e ação preventiva de doenças específicas, (como a Tiamina na prevenção do Beri-Beri).
SAIS MINERAIS – O vinho possui uma quantidade significativa de oligoelementos como: Potássio, Cálcio, Fósforo, Zinco, Cobre, Flúor, Alumínio, Iodo, Magnésio, Boro, etc.
ÁLCOOL ETÍLICO – A participação do álcool na composição do vinho gira em torno de 7 a 14 g/litro, nos vinhos secos, que são os mais consumidos. Esse dado vem expresso no rótulo em % p/Vol. ou GL (Gay Lussac), que traduz a porcentagem ou teor de álcool por volume.

20111119-a cor da uva Gamay

3 Pode-se fazer vinho branco com uvas tintas, mas não se pode fazer vinho tinto com uvas brancas. E isso porque quando se colocam os bagos de uva nos tonéis, e que eles começam a ser prensados – seja com o pé, a chamada “pisa”, seja por máquinas – o primeiro líquido que sai é branco, como a polpa da uva.
Então, se imediatamente se retirarem as cascas de uva tinta, as polpas e o mosto estarão produzindo um vinho branco; se esperarmos algumas horas (de 6 a 12h), estaremos produzindo um vinho rosé.
Mas o inverso não ocorre. Se prensarmos as cascas de uma uva branca ela não produzirá um vinho de outra cor.

4) As garrafas de vinho têm, na sua imensa maioria, 750 ml porque o vidro soprado foi descoberto pelos artesãos de Murano(Veneza) no século XVII. E essa medida era a maior autorizada pelas autoridades, para evitar que os sopradores sofressem embolia pulmonar.
Como hoje o processo é industrial, pode-se fazer a Magnum (1,5 litros e até de 12 litros. Veja abaixo (aquelas pequeninhas, de avião, nem menciono).

5) Os outros tamanhos das garrafas de vinho, são: meia = 375 ml; magnum (acima); jeroboam = 3 lit; rehoboam = 4, 5 lit; matusalem = 6 lit; salmanazar = 9 lit; balthazar = 12 lit
tamanho das garrafas

Obs: primeiro: tem garrafas ainda maiores, (nabucodonossor, melchior, mas aí já é raridade para excêntricos); 2) há variedade de nomenclatura de países para países: esta é a tabela francesa; 3) também para as garrafas de champagne, há outra classificação. Mas o que importa está acima.
Saúde … e força, para erguer uma ampola de 12 litros!

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Rio, 17 de novembro de 2016. Um vinho solto, sem ontem nem amanhã

Há muitos anos reproduzo, tentando atualizá-lo, o post da “chegada do Beaujolais”. E geralmente (re)começo assim: hoje é quinta-feira, a terceira de novembro, data em que às 12.01 da madrugada o Beaujolais 2016 será distribuído por mais de 100 países.

No Japão, o maior importador de Beaujolais do mundo, com sete milhões de garrafas, o lançamento se dá num resort em Hakone, a oeste de Tóquio, numa banheira cheia de vinho…
Beaujolais no Japão

Essa distribuição é “militarmente” planejada. Ainda hoje, 66 anos depois, milhares de pessoas se reúnem à meia-noite e um minuto para prová-lo. Mas nunca antes. Contam que o presidente Mitterrand recebeu o primeiro-ministro alemão numa terça-feira anterior à quinta do lançamento e resolveu surprêende-lo com uma prova antecipada. Não conseguiu, sendo presidente da França!

Ele é produzido 100% com a uva Gammay.

E ao contrário do ciclo milenar da produção de um vinho: colheita, prensagem, armazenamento (mais de um ano), engarrafamento e distribuição, um punhado de produtores de Lyon decidiu, desde 1951, pular essa etapa — e acertaram no milhar! Bolaram uma jogada de marketing espetacular: fixaram uma data-réveillon para a distribuição dos Beaujolais no mundo. Como já disse, no primeiro minuto da terceira quinta-feira de novembro, em toda a França e em todos os distribuidores da marca, no mundo, um cartaz similar anuncia:

Le Beaujolais Nouveau est arrivé

Ou seja: faz-se a colheita no fim do verão e, “vite, vite”, a vinificação e o engarrafamento. Cerca de 2 meses depois, sem barricas, sem descanso, sem maturação, milhares de garrafas têm que estar prontas para embarcar mundo afora. E, pelo menos idealmente, devem ser consumidas até o 31 de dezembro do próprio ano.

Rótulo?
Beaujolais 2016
Esse é o rótulo do Beaujolais engarrafado pelo veterano Joseph Drouhim, distribuído no Brasil com grande competência pela Mistral.

Cor?
Um violeta claro e brilhante como o olhar da Elizabeth Taylor. <
Liz Taylor violeta

Paladar?
Como os demais, tem gosto de compota (sem açúcar) de frutas do campo, com predomínio de amoras, framboesas, cassis e morango. Porém (eu não desisto), lá longe tem “sugestões” de banana (terebentina), no final da boca. Mas é agradável, preenche o paladar e apresenta aspereza.

“Não morde”, dizia um crítico. É uma espécie de caramelo de vinho.

Moral da história: esqueçam o discurso. O Beaujolais é um vinho jovem, sem memória nem responsabilidade. Está mais ligado ao hedonismo do que à degustação tradicional. Não tem pedigree, nem se propõe: é um vinho solto, sem ontem nem amanhã.

Simples assim.

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Rio, 9 de novembro de 2016. Um chef para Donald?

Do ponto de vista de gastronomia — como matriz de prazer e poder — O Trump tem dois caminhos. A mediocridade ou … veja o último parágrafo.
Donald Trump

Donald Trump perdeu o irmão mais velho por álcoolismo e tomou horror à qualquer bebida que leve álcool. Além disso, foi criado por um pai protestante, frequentando o culto aos domingos no Marble Collegiate Church, em Manhattan. Lá, se impregnou dos conceitos do pastor Norman Vincen Peale, o célebre autor da Força do Pensamento Positivo. E o menino Donald nunca mais esqueceu uma lição que ele repetiu como um mantra na sua bem sucedida carreira.
“Formule e imprima na sua mente um retrato vitorioso de si mesmo. Mantenha viva essa imagem, com tenacidade. Nunca permita que ela se apague ou desapareça. Sua mente vai reter e atualizar esse retrato. Não construa nada que seja um obstáculo à sua imaginação”.

Deu certo.

Mas voltemos ao tema. Poder e gastronomia não necessariamente estão associados – há poderosos que ficaram longos anos no alto comando de seus países e nunca se soube que tivessem algum pendor enogastronômico – imperadores romanos, reis, rainhas (Vitória, Elizabeth da Inglaterra), ditadores (Perón, Getúlio, Salazar, Franco) e, na outra ponta, outros que transformaram a “sala de jantar” numa marca de sua época.
Por exemplo: na foto, um craque. Giscard d’ Estaing espeta no peito do Paul Bocuse a Legião de Honra.
Giscard condecora Bocuse

Até porque para um gourmet (por prazer ou cálculo) uma refeição especial deve ser harmonizada com vinhos adequados e dela fazem parte o que hoje chamaríamos de valores agregados. A iluminação, a disposição dos pratos e talheres + arranjos de flores, o número e o bem-vestir dos convivas, o timing dos serviços e até o tom de voz das conversas. E a intenção final do encontro.

Em suma: é uma experiência estética que pode se esgotar em si mesma ou repercutir em algum objetivo consequente: conquista amorosa, facilidades empresariais-financeiras, relações públicas, diplomacia de relacionamento, prestígio e influência: ou seja, tudo de que o poder também gosta!

Três exemplos.

Primeiro – pasmem – nos EUA. O primeiro presidente americano, George Washington, que governou de 1789-97, adorava vinhos Madeira e tanto ele quanto a mulher, Martha, dificilmente jantavam a sós. Sempre tinham convidados, alguns estrangeiros inclusive.      um dolar, sorte good luck

E  valorizavam a matéria-prima americana. Incentivaram o cultivo de esturjões do Potomac, que serviam na “chouder” Chowder uma sopa de amêijoas ou peixe, tradição da Nova Inglaterra. E como ele um grande fazendeiro, a boa carne de boi confinado.

Segundo: já o terceiro presidente, Thomas Jefferson (1801-1809),  horticultor, líder político, arquitetoarqueólogopaleontólogomúsicoinventor e fundador da Universidade da Virgínia, aprendeu nos tempos de embaixador de  seu país em Paris a gostar de bons vinhos e finas iguarias. E quando se tornou presidente, mandou buscar da França dois chefs – Julien e Lemaire – que faziam o encanto dos convivas na Casa Branca ( foi ele que a inaugurou). Ele adorava o especialíssimo vinho de sobremesa francês Château d’Yquem e tentou cultivar uvas vitivinícolas na Califórnia mas nunca teve o sucesso desejado.

Thomas Jefferson

Terceiro: mas o primeiro casal campeão de charme (em geral) e espetáculos-gourmet em especial, foram os Kennedy (1961-1963). Ele e Jacqueline contrataram o chef também francês René Verdon e a sala de banquetes da Casa Branca brilhou com os jantares de gala ou de Estado, aonde o chefe do cerimonial tinha instruções de mesclar milionários, artistas, nobres europeus, políticos influentes – sem falar nos chefes de estado e suas comitivas.

casal Kennedy

Observação: o segundo casal presidencial campeão de charme são os Obama, Michelle e Barack. Vestem-se bem, têm estilo.
casal Obama

Mas em termos de enogastronomia, fracotes. Já foram fotografados no Oyamel, de cozinha mexicana e no Jaleo, de cozinha espanhola, além de indiano, gregos, etc. Todos em Washington. Mas (me parece) mais um extensão do instinto pessoal do Obama de presença na mídia e de acabamento da imagem de um presidente-estadista. Mas que lá no fundo ele aprecie iguarias e néctares, I doubt it.
Embora Michelle tenha contratado um chef — Sam Kass — que fez a diferença com a sua cozinha sadia, a sua campanha por uma lipoaspiração na merenda escolar nas escolas, o seu horror a frituras, cremes e cristalizados.

Conclusão: embora pessoalmente o Donald Trump seja abstêmio, como presidente dos EUA ele deve prestigiar o vinho americano (praticamente os 50 estados produzem vinhos), a riquíssima variedade de ingredientes e insumos da moderna mesa americana e a escola de chefs que lá (NY, Boston, Chicago, Miami) é tão gabaritada como o Cordon Bleu de Paris. E, voltando ao título, para isso, eleger um deles para chefiar a cozinha da Casa Branca e organizar jantares memoráveis.

Nota: o relato desses três presidentes americanos e seus pendores gastronômicos, foi tirado do livre A Raínha que virou Pizza, do excelente crítico de gastronomia, jornalista e gourmet  J.A. Dias Lopes, que tive o prazer de conhecer e com quem convivi quando ele diria a Revista Gula, do grupo do Jornal do Brasil aonde eu trabalhava. O título se refere à raínha Margherita di Savoia (1851-1926), mulher do Rei Umberto 1º da Itália, que tornou célebre a pizza encimada por tomate, mozarela e manjericão, cores da bandeira de seu país.

Vida que segue

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Rio, 3 de novembro de 2016. O Dia das Bruxas não mete mais medo

Segunda, agora, e como todo 31 de ourtubro, comemorou-se O Dia das Bruxas.

Mas por que meter medo, sobretudo em crianças, com aranhas, ratos, morcegos, vampiros — mostrengos, em suma?
monstros

Para produzir uma catarse. Para desmoralizar a morte, superar o abandono e desmascarar o mundo sobrenatural. Como nos contos infantís e até nas cantigas de roda — atirei o pau no gato — (antes de se tornarem incorretas?).
E ao mesmo tempo, ir passando a mensagem: o mundo não é só de fadas e princesas. E acostumem-se a isso.

Na sua versão ancestral, surgiu na Europa, centenas de anos antes de Cristo. Era um ritual dos Celtas, um povo que habitou a Grã-Bretanha e a França entre o ano 2000 e a ano 100 antes da era cristã. Para eles, a noite de 31 de outubro, data de comemorações, até hoje, indicava o início do SAMHAIN, uma importante celebração que marcava três fatos.
O fim da colheita, o Ano-novo celta e também o início do inverno, a “estação da escuridão e do frio”, um período associado aos mortos. “No Halloween, segundo a mitologia deste fantástico povo, era possível entrar em contato com o mundo dos desencarnados”, diz a historiadora Clare Downham, da Escola de Estudos Celtas, na Irlanda.

A crença nos espíritos também despertou outros costumes típicos da festa, como o uso de leite e comida (hoje substituídos por doces) para acalmar os visitantes do além. Curiosidade: na tentativa de acabar com esses festejos pagãos, o papa Gregório III consagrou o dia 1º de novembro para a celebração de Todos os Santos.

Surgiu daí a própria palavra HALLOWEEN, originada de ALL HALLOWS EVE, que em português quer dizer “véspera do dia de Todos os Santos”.

Mas a festa que se celebra nos Estados Unidos e se espalhou pelo ocidente é basicamente uma festa para crianças, que adoram se mascarar… e comer doces! A começar pela abóbora, claro.
Halloween

E os doces do Halloween são uma diversão, porque demandam criatividade. Do tipo:
Ideias horripilantes (olhos e dedos de bruxa)
Divertidas (minhocas, varinha mágica)
Maçãs-do-amor “envenenadas” pela bruxa.
Pirulitos embrulhados nas cores preto-laranja, ou embrulhados em papel branco com desenhos de uma carinha de fantasma ou caveira..
Salsichas e melancias “assustadoras”.
pirulitos das bruxas
Só que aí os adultos entraram no jogo. Nos EUA e na Europa, marmajos(as) vão para os bares fantasiados — numa espécie de Carnaval de feios e bebem drinques … de sangue!

Ingredientes
•2 iogurtes naturais
•1 pacote de morangos ou amoras congelados
•Uma boa dose de vodka
•Cubos de gelo
•Sorvete de morango
Modo de preparo
Para preparar esta bebida, o primeiro passo é bater o iogurte e os morangos ou amoras com a batedeira. Quando conseguir uma mistura homogênea, adicione a vodka (ou cachaça?) e coloque-a em copos. Em cima, acrescente uma bola de sorvete.

Não esquecendo nunca que o pior medo é o medo de vir a ter medo.

Em tempo: vejo hoje(3/11),pela Globonews, o término dos três dias de festa pelo Dia dos Mortos no México, com uma esticada pela Bolívia. Assista.

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