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Rio, 8 de dezembro de 2016. Portugal, a bola da vez

Em 1965, o jornalista David Nasser escreveu um livro que chamou de “Portugal, meu Avozinho”. E todo mundo achou normal, inclusive os portugueses.
Hoje isso seria um disparate tão inapropriado como (ainda) chamar a China de o tigre adormecido, ou o Brasil de o país do futuro. E outras parvoices superadas.
Portugal é a bola da vez, repito, no novo mapa da Europa — pelo menos para os brasileiros. E não apenas porque apenas 7.482 kms separam o centro do Brasil do centro de Portugal em linha reta (ou cerca de 9h de voo), mas porque é mais fácil encontrar brasileiros em Lisboa e Cascais do que nórdicos, ingleses e outros europeus “lá de cima” (com ou sem Visa Gold).
linha reta BR Portugal
E tudo isso vem a propósito da bela festa comemorativa dos 105 anos da Câmara Portuguesa do Rio, organizada pelo atual presidente Ricardo Coelho e a secretária executiva, Marlene Alves, com o decidido apoio do diretor Paulo Simões, um português-brasileiro.

A nossa Câmara, a primeira criada no mundo e à qual o novo governo português de então (1911) deu grande apoio — um dos atos da primeira República de Portugal, chefiada por Manuel Arriaga Manuel_de_Arriaga_-_Fotografia_Vasques e que encontrou todo o suporte do nosso então presidente, Hermes da Fonseca (marechal que casou-se já velho com a artista Nair de Tefé, que promovia festas até de manhã no Palácio do Catete e, mais tarde, construiu o primeiro cinema na Av. Atlântica, que batizou com o seu nome às avessas: Rian) Hermes e que desde então funciona a pleno no Rio.

Mas por que os dois presidentes deram tamanha importância a uma Câmara de Comércio portuguesa na capital do Btasil? Porque segundo o belo livro-álbum encomendado pelo presidente anterior da Câmara, Paulo Elísio de Souza para celebrar o centenário da CPCI-RJ — A Outra Margem do Atlântico — já em 1894 estimava-se que os portugueses tinham mais de 55% de todos os estabelecimentos comerciais ou industriais registrados no Rio de Janeiro. O que representava quase 70% do capital circulante na praça. E essa “elite lusa” não cansava de investir na sociedade carioca-brasileira, criando diversas associações, como a ACRJ (hoje ACRio), o Mercado de São Sebastião, o antigo Centro de Abastecimento e Distribuição do Estado da Guanabara (Cadeg), o Mercadão de Madureira, etc.

Outros “patrícios” criaram firmas-empresas emblemas do seu tempo, que atuam até hoje com sucesso, como a Confeitaria Colombo em 1984 (Manoel Lebrão = “O freguês tem sempre razão”) Manoel Lebrão (vejam a pinta “do gajo”, imortalizado em bronze na sua aldeia natal, Vila Nova Cerveira, “na terrinha”) ou a Souza Cruz, criada e tocada pelo Albino Souza Cruz, que se tornou sócio do Joquei Clube Brasileiro e amigo dos figurões que o frequentavam, entre eles o Ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha, o interventor do RGS quando vinha à capital, Flores da Cunha e tantos outros “badalados” da alta roda do Rio da época.

Albino

Adiante: Portugal de hoje. Em uma fase da economia criativa em que tanto se fala em mobilidade urbana e infraestrutura, Portugal dá banho. E em energia eólica, desde o fim dos anos 80, é um exemplo. O que transformou o país de uma nação de fado e passado em “hub” para o resto da Europa. Mais globalizado do que muitos outros mercados mais ao norte.

No que concerne as relações bilaterais com o Brasil, desde os anos 90 houve grande incremento das importações de produtos primários portugueses e, mais recentemente, tecnológicos: foi lá que aprendemos o inovador sistema de cobrança de pedágio eletrônico, por exemplo. Ou a construir fachadas modernas, que permitem visão de dentro para fora e vice-versa, como as que serão vitrine do novo MIS, em Copacabana, obra da portuguesa Seveme. E mesmo cidades com imagem de anteontem, como Braga, são hoje polos de TI, conectividade e experimentos no campo da inteligência artificial e robótica.

Na outra mão e da nossa parte, temos oferecido boas oportunidades para o investimento português no Brasil, sobretudo nas áreas têxtil, de energias alternativas, construção civil, turismo e telecomunicações. Tanto que o Brasil é, atualmente, o principal destino do capital português fora da Europa.

Mas, por tudo isso e na mão dupla, Portugal e o Brasil somam, atualmente, um mercado de cerca de 250 milhões de pessoas que falam português e “moram” — como queria Pessoa — na pátria dessa língua. E as caravelas que ajudaram Portugal a “dar novos mundos ao mundo”, segunda a feliz expressão de um empresário português, nos séculos 15 e 16, foram “promovidas” às fibras óticas da internet (a caravela do século XXI) que nos permitem conectar, em tempo real, esse contingente que habita nove países em cinco continentes e forma a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Bem haja!

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