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Rio, 21 de dezembro de 2016. Vinho com esse calor?

Parênteses: hoje é o primeiro dia de verão no hemisfério sul.
solstícios e equinócios
solstício de verão no sul

Ou seja, o sol cruzou o Equador e está mais próximo dessa banda da terra, jorrando luz e calor em cima da gente. O nome vem de sol + stício (parado). Isto é, o sol parece estacionado!
Uma digressão: a maioria das pessoas tem sonhos financeiros “para quando ganhar na mega-sena”. Pois eu tenho sonhos térmicos: morar no outono. Eu correria o mundo escolhendo os melhores outonos (a minha estação). Com neve em cima das montanhas, com lagos onde a cerração de manhã os transforma em tapetes, com sombra e frescor em castelos europeus — e até com chuva fininha no hemisfério norte…

Bom, adiante e respondendo ao título. Sim, com certeza, defendo vinho com esse calor.

Aliás, pergunto: algum baiano (já) deixou de comer vatapá no verão da Bahia? E por favor: reparem na usina calórica com que é feito!

Mais: algum carioca (já) deixou de comer uma feijoada – ou em restaurantes do centro, às sextas-feiras – ou a convite de parentes em um domingão iluminado alegando que estamos no verão?
Algum madrilenho – ou vá lá: europeu em geral, sobretudo “da antiga” – (já) deixou de beber vinho (muitas vezes em temperatura ambiente) em julho e agosto lá no Velho Mundo? E algum inglês deixou de lado o seu chá quando mandavam na Índia, mesmo com o sol enlouquecido de maio em diante?

Nãaaoooo.

Qual a explicação?

Não tenho a explicação científica. Mas o meu mestre-doutor Renato Kovach Kovach concorda com a minha premissa (repito: sem embasamento científico, ele fez questão de frisar) que é a seguinte: contrariamente ao que seria o bom senso alimentar, as grandes pimentas e especiarias aquecedoras são originárias de locais quentíssimos. Assim como bebidas. A velha e boa tequila, por exemplo (em mexicano é masculino – el/un -) nasceu em Jalisco, Guadalajara, lugar quente e úmido; as grandes cachaças brasileiras, idem. São provenientes do lado norte de Minas; do lado sertão da Bahia – Januária, por aí; e da escaldante região dos canaviais nordestinos. Aqui no nosso Estado do Rio, elas são produzidas na Costa Verde, no Vale do Café, em Parati, isto é, litoral e vales tropicais.

E se estendermos o raciocínio às bebidas não alcoólicas, o raciocínio é o mesmo: algum brasileiro já deixou de beber o seu cafezinho fumegante (mesmo do sudeste pra cima) porque estamos em dezembro? E, lá embaixo, algum gaúcho(a) esqueceu o seu chimarrão no escaldante verão de Porto Alegre, ou nas praias lá do sul e até daqui, no Rio?

chimarrão na praia

Minha leitura: 1) o calor provocado por líquidos mais quentes do que a temperatura do corpo joga a favor do bem estar orgânico; 2) o calor faz suar e a perda de água dá sede. Bebe-se água e o corpo se reidrata.

Doutores, nutricionistas e entendidos — por favor — e-mails para este blog (www.jblog.com.br/reinaldo).

Conclusão: sim, pode-se beber vinho no verão. O ideal é que se esteja (e permaneça, em ambiente refrigerado) se for tinto. Nesse caso, recomendo um tinto leve, com graduação alcóolica em torno dos 12º, um pouco mais no máximo.

Mas, preferencialmente, vinho branco (vinho tranquilo ou espumante) ou rosé, idem. São vinhos menos calóricos porque não “carregam” o tanino, músculo dos tintos. E, por isso mesmo, devem ser tomados à temperaturas que variam de 4° a 6º para os espumantes e 8º a 12º para brancos e rosés.
vinho rosé

Outra pedida é o Portonic. Uma dose de vinho do Porto seco, branco, água tônica, gelo e uma tira de casca de limão ou laranja, a cavaleiro no copo!
portonic

De resto o verão é uma bela oportunidade para não complicar a vida: beba com moderação, beba feliz. Seja gentil.

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4 Comentários

Comentários:

  • Meu caro Rei !
    Muito bom artigo, interessantes observações ( como de hábito…). E achei ótimo seu gráfico astronômico sobre os equinóxios e solstícios ! Explico isto com frequência mas com seu desenho vai ficar mais fácil!…Como as pessoas esquecem as coisas do ginásio…
    Abs calorosos
    Renato Kovach
    Médico – Rio de Janeiro

    Reinaldo Paes Barreto

    21 de dezembro de 2016 às 21:14

  • Grande Reinaldo
    Uma vez mais, perfeito.
    Abs

    Octavio Sampaio

    21 de dezembro de 2016 às 22:25

  • Òtima matéria, me fez concordar que se pode sim beber vinho em clima quente ,isto é tendo conhecimento sobre o assunto .Grata

    roselene

    23 de dezembro de 2016 às 06:03

  • Bom dia.

    “O ideal é que se esteja (e permaneça, em ambiente refrigerado) se for tinto.”

    Há que se explicar bem isto… Ambiente refrigerado nao é em caso algum, coloca-lo na geladeira (como muitos no Brasil fazem com os tintos…) Mas consumi-lo em salas com refrigeração (ar refrigerado) por volta de +18…

    Abraços

    Rubens (Genebra - Suíça)

    3 de janeiro de 2017 às 08:17

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