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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 9 de fevereiro de 2017. Fi-lo porque QUILO (1)

Além de uma frase que o Jânio nunca disse, porque era pinguço e pirado mas conhecia gramática a fundo (o certo é fi-lo porque quis) é, também, o  nome de um restaurante da Rua Miguel Couto, aqui no centro do Rio que vende comida a peso. Duvido que 90% dos passantes associem a ênclise (epa!) ao doido da vassoura, mas vale o jogo de palavras: o local vive cheio.

 

 

Então, vamos pegar o gancho:  a chamada “comida a quilo” ou “por quilo”, como preferem alguns estabelecimentos, é uma dessas invenções brasileiras que transformou  o almoço – sobretudo nos grandes centros urbanos —  em uma experiência de globalização gastronômica.

Já vi em numa mesma gôndola, sushi, salmão, frango, quibe de carne e churrasco!

Esse sistema começou por volta da década de 1980, competindo principalmente com os tradicionais restaurantes de prato feito, com os buffets de preço único e as redes de fast food que haviam surgido poucos anos antes, sendo que a pioneira foi a Bob`s da Rua Domingos Ferreira, em Copacabana, inaugurada em 1952 e de saudosíssima memória. Sacada comercial audaciosa do Robert Falkenburg  (e, parênteses: é ou não destino,  o rei do hamburguer chamar-se “burg”?),  um socialite, jogador de tênis e     corredor de automóvel, mas com o torque de um Ricardo Amaral da época, (gringo), foi um precursor de modas cariocas.

A Bob’s pegou em cheio. E os hamburgers, os mistos quentes e o sundae, de remate, povoam até hoje a memória gustativa de todo carioca da Zona Sul com mais de 50 anos!

Adiante: nos quilos, os alimentos prontos ficam expostos sobre um balcão (que pode ser refrigerado ou aquecido), e o próprio cliente se serve deles, no estilo self-service. Entretanto, certos alimentos como massas ou grelhados podem ser servidos por funcionários do local, a pedido do cliente ou num espaço específico.

Como as bebidas e complementos: sal, pimentas, azeites, água quente, etc.

Geralmente o preço é calculado por cada 100 gramas e alguns são realmente muito baratos. Tipo R$ 3,80 cada 100 gs.            

Vantagens para o cliente: variedade de escolha, preço — por cerca de vinte reais come-se bem (sem bebida alcoólica) com cafezinho incluído e quem estiver com pressa, liquida a fatura em 15 minutos. E, muito importante: quem estiver querendo (ou precisando) economizar, terá sempre a desculpa (se flagrado) que tem um compromisso dali a meia hora … ou que está em dieta severa e só come saladas e frios.

Vantagens para o dono: comparado com outros tipos de restaurante, as vantagens são o baixo custo de implantação; o ganho em escala, decorrente do preparo dos alimentos em grandes bateladas; a possibilidade de usar cozinheiros menos qualificados e em menor número; a redução de atendentes e a capacidade de servir mais clientes ao mesmo tempo.

Mas há uma variante chique: a) os restaurantes que servem “a peso” na hora do almoço e passam a servir à la carte na hora do jantar; b) os restaurantes cujo bufê observa viés temático; ou seja, comida preponderantemente japonesa, árabe, só na brasa — ou portuguesa.

Como o(s) Da Silva (com trocadilho), cujo blog fica para a próxima semana.

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