Publicidade

Jornal do Brasil

Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 3 de março de 2017. Fi-lo porque quilo: Tó

Este é o último post sobre comida a quilo e seus antecedentes: o pf das pensões, os rodízios e os bufês.

Guarda do seu primo mais simples, o “por quilo”, a mesma lógica de oferecer dupla vantagem: a) para o proprietário, um baixo custo de montagem e manutenção, compras no atacado, alto giro de vendas, desperdício controlado, economia de mão-de-obra, prateleira, adega e geladeira sem estoques paralisados; b) para o cliente, velocidade no servir-se (não necessita esperar o preparo), visão de conjunto “ao vivo” da enorme variedade de escolha (e possibilidade infinita de repetição), custo da refeição inteira igual ou menor ao de um só desses pratos em um restaurante estrelado; escolha de um culinária temática e a total informalidade do ambiente.

No caso do Da Silva, portuguesa.

E inovando o estilo deste blog, com depoimentos apresentados em vídeos (nesta estréia, com deficiência amadora de qualidade técnica: perdoem!) mas com riqueza de veracidade: o próprio pai dos “Da Silva”, António (Tó) Perico, por sua vez filho de um dos mais notáveis empresários da restauração que já reinaram no Rio,  o  célebre Carlos Perico.

E ele é igual. Ri igual, tem as mesmas mãos.

Bom, o que são os DA SILVA,  ele explica neste vídeo. Ele, o veterano Carlos Perico, os precursores, parecem espíritas imaginando o que vai acontecer. Da maravilhosa mas – obviamente – demorada refeição em um restaurante três estrelas ao pós-moderno da gastronomia, há o fator timing. 

Por exemplo: segundo a Folha de São Paulo de 23 de fevereiro passado, o estrelado restaurante Eleven, da Madison Park, em NY,  reformulou o binômio alta gastronomia X experiência muita longa. Demorada. Por exemplo: o menu-degustação não ficou menor, mas ficou mais rápido.  Como? As pequenas muitas entradas chegam juntas, em grupo. Nos pratos principais, as guarnições são colocadas no centro da mesa, para compartilhar.

 

Qual o futuro próximo? Comprar ingressos para um festival gastronômico como se faz para uma temporada teatral? Um chip embutido em cada conta paga em conta de restaurante que remeta à última refeição — para repetir ou variar?

O céu é o limite. Ou o mar. Mas assim como dizia Drummond no dia em que o americano pisou na lua, em 20 de julho de 1969, “eles podem pisar na lua, mas nunca vão pisar no luar…” tudo pode mudar e se transformar na gastronomia, mas a experiência de saciar a fome e a sede com elegância, luz e som adequados, e serviço não tão veloz que pareça pressa, nem tão devagar que pareça afronta, ainda precisam de mil anos para serem substituídos com prazer.

A nós, que nos bastamos!

Compartilhe:
Comentar

Comentar:

?>