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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 8 de março de 2017. Baco vos saúda, meninas!

Até parece uma premonição: todos os substantivos do vinho, tirando o vocábulo que o designa, são femininos: a vinha, a uva, a colheita, a fermentação,  a safra, a garrafa, a taça … e a folha da parreira que cobriu Dona Eva.

Mas do Paraíso para cá, muitos litros correm por baixo da ponte e depois de alguns séculos de perfil discreto, elas vieram à tona, mas — bem do estilo — começando pelas beiras: um rosé gelado, um branquinho doce, um Portozinho para aleitar…

Mas as pipas rolaram. Hoje, milhares de mulheres bebem bons vinhos, falam de bons vinhos e operam bon vinhos. O número de enólogas, sommelières, gerentes de venda, (e aí não tem jeito, entra a melhor no Rio: Yoná) ou, simplesmente, produtoras de vinho por esse mundo afora, é impressionante!

 

E mais: nesse mesmo mundo afora, há na outra ponta uma centena de associações e confrarias de mulheres que degustam vinhos. Seleciono três, pela curiosidade. Na França, o Groupe Femmes et Vins du Monde, realiza degustações internacionais só com mulheres, cada ano em uma capital européia.

Na Itália, Maria Borio, é presidente da Associazione Nazionale Le Donne Del Vino, entidade que congrega 150 mulheres proprietárias ou casadas com proprietários de vinícolas da Itália.

No Brasil, funciona desde 2003 a Confraria das Mulheres Enófilas, com filiais em todos os estados.

 

Adiante: mas a história se faz aos saltos (alto?).

Durante todo os séculos 18 e 19, por exemplo, o vinho e o seu ofício era predominantemente masculino. Com a exceção de três legendas femininas.

A Veuve (viúva) Clicquot, a Madame Pommery e a D. Antónia, brava fundadora da Casa Ferreirinha.

A primeira, perdeu o marido aos 27 anos, bem no início do século 19, e assumiu sozinha o comando da vinícola da família. E transformou a produção e o comércio do champagne num império.

Tanto que liderou pessoalmente sucessivas comitivas internacionais, na Europa, promovendo o seu néctar. E chegou a exportar para meio mundo. Curiosidade: em 1816, as primeiras garrafas de Veuve Clicquot chegaram ao Brasil, encomendadas por carta escrita de próprio punho pelo imperador D. Pedro II.

Madame Clicquot morreu em 29 de Julho de 1866, aos 89 anos, deixando uma bem estabelecida marca de champanhe.

A segunda, também uma guerreira, é a Mme. Pommery (1819-1890), pioneira do ramo a apostar nos rótulos desenhados por artistas e no design das garrafas. E criou o primeiro champagne brut, em 1834.

 

A  terceira, foi outra mulher extraordinária: Dona Antónia (1811-1896), portuguesa, ora pois, que naufragou num rabelo (aquelas barcaças que singram o Rio Douro, levando o vinho do Porto) junto com o marido. Só que ele morreu e ela sobreviveu graças às sete saias  “em balão”, que lhe serviram de boia. Mas não se salvou sozinha: salvou o vinho do Porto, o carro chefe da Casa Ferreirinha. Ou seja: durante o ataque da praga assassina: a phyloxera,  que dizimou o pé dos parreirais nos socalcos da Régua e morro acima, ela pagou o sustento das famílias de vinhateiros até que as vinhas voltassem a dar vinhos. Foi dona de seis vinícolas, dentre elas a hoje emblemática Vale do Vallado- Vale Meão.

Depois, a mulher foi tomando conta da sua taça. No Rio, e sem essa dimensão que envolve plantações-marcas-exportações, como as gigantas europeias,  mas, também, uma pioneira, vem a minha saudosa prima Juarezita Santos, sommelière (foi a  primeira mulher presidente da ABS-Rio (1992) e co-proprietária de um restaurante que fez história,  o Quadrifoglio, com respeitável adega. Além de incentivadora do sorvete com frutas tropicais no Rio, junto com a sócia Renata Sabóia: o Mil Frutas.

Vida que segue…

Claro que a mulher não poderia estar ligada a uma bebida tão mágica, o vinho, sem emprestar a magia de ser mais mágica ainda. Ou seja: foi  e é quase um fetiche de rótulos, anúncios e vídeos.

                                                        

 

Finalizo com uma charge duplamente genial: a Mona Lisa estilizada, curtindo um “by the glass”, outra conquista da mulher na ponta do consumo equilibrado. E hoje diversificado: prova-se um branco e escolta-se a comida com um tinto.

Saúde, Meninas!

 

 

 

 

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