Publicidade

Jornal do Brasil

Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 1° de abril de 2017. Você é mentiroso?

Mas, primeiro: e o que é a mentira?

 

 

Pinóquio em gravura italiana do século 19      Pinóquio em gravura italiana do século 19

 

Segundo: não me parece que exista uma resposta única. Pode ser (1) a omissão da realidade , para não ferir desnecessariamente alguém (mulher feia, doente terminal, namorado apaixonado…); pode ser 2) uma manipulação da taxa de realidade (sem prejuízo de outrem), com a finalidade de divertir, dar brilho, crescer aos olhos de terceiros, arranjar um emprego; 3) se desculpar por uma falta menor (não pude comparecer por compromisso de última hora). Ou… como para o nosso querido poeta Mário Quintana:

    “a mentira (às vezes) é uma verdade que se esqueceu de acontecer!”

Terceira pergunta: e por que o Dia da Mentira cai no 1° de abril e não em outro dia?

Vamos lá: a estória mais verdadeira (?) que conheço,  diz que a tradição surgiu na França, porque até o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 22 de março, data que marcava a chegada da primavera. E as festas duravam uma semana e terminavam no dia 1º de abril.

Mas em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX, da França, determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1º de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano se iniciaria em 1º de abril.

“Gozadores” , então, passaram a ridicularizar esses renitentes e passaram a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Daí, é fácil imaginar o “ha! ha! caiu no primeiro de abril!”

Aproximadamente duzentos anos mais tarde, essas brincadeiras se espalharam por toda a Inglaterra e, a seguir, para todo o mundo. No Brasil, o primeiro Estado a “aderir ao calendário” foi Pernambuco, onde uma barriga ( furo jornalístico falso) foi publicada no jornal “A Mentira”, noticiando a morte de D. Pedro II em 1° de abril de 1848!!!

E o jornal, obviamente, desmentiu no dia seguinte. Mas o Imperador tirou de letra: jantou em Petrópolis, com a família. Canja e uma taça de vinho.
Curiosidade. o norte-americano é tão ligado nesse binômio verdade-mentira, e portanto teme tanto a exaltação da MENTIRA (nos demais dias do ano), que o Walt Disney criou em 1940 uma versão construtiva da verdade, baseada no livro As Aventuras de Pinocchio (1883) , mostrando para a criançada o quanto mentir pode ser ruim e prejudicial para a vida das pessoas.

 

E no Brasil, também o Ziraldo, mestre da literatura infanto-juvenil e um dos inventores do Caderno B, do Jornal do Brasil, combateu a mentira através do seu famoso personagem, o Menino Maluquinho. Em “O Ilusionista”, o personagem descobre o mal provocado por roubar, fingir e mentir.

Mas no mundo real, a mentira custou muito caro a um presidente americano, Richard Nixon, que em agosto de 1974 teve que RENUNCIAR à presidência da República para não sofrer impeachment (ele mentiu, tentando esconder a sua participação no Caso Watergate).

Falando em presidente americanos, o atual, Donald Trump, criou uma verdadeira campanha contra o que chama de fake news — que de fato existem e muitas vezes são praticadas na imprensa fora do 1° de abril — a ponto de o jornal O Globo ter aderido à campanha, com anúncios inteligentes a favor do cuidado com a verdade que eles avocam com um diferencial de seus veículos de comunicação.

                                                            

Finalmente, a mais sórdida história que ME CONTARAM sobre mentiraras dos jornas. Assis Chteaubriand teria pedido dinheiro ao advogado Dario de Almeida Magalhães, que lhe teria negado. Os Diários Associados publicaram, então, uma nota mais ou menos com este teor: “chega, hoje, de mais uma de suas incontáveis viagens ao exterior, o famoso advogado Dario de Almeida Magalhães, trazendo em sua bagagem uma novidade que pode revolucionar a medicina brasileira: um remédio que cura a hanseniase… o causídico reside na rua tal, númeo tal, apto…”

Desnecessário dizer que enormes filas de leprosos se formaram na caçada de sua morada.

De novo: se for verdade aí está, se for mentira — me perdoem!

 

 

 

 

 

 

.

 

 

 

 

Compartilhe:
Comentar

Comentar:

?>