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Rio, 21-22 de abril de 2017. O Vinho do Descobrimento

Segundo Ernesto Cabral (alô! nada é por acaso) de Mello, o primeiro vinho produzido no Brasil não foi resultado do mosto da uva, nem o hoje icônico Pêra-Manca, trazido pelo seu homônimo Pedro Álvares.
Foi o Cauim, um fermentado da mandioca.
Segue-se a sua narrativa. “Era uma viagem de aventura (imaginem!) e os tonéis contendo a provisão de vinho para preparar e higienizar alimentos, servir vinhos durante as missas diárias celebradas em cada uma das 13 naus da esquadra e manter o moral dos oficiais, oferecendo 1,5 litros, por dia, para os 1,5 mil homens que se encontravam a bordo — rapidamente se deterioraram.”


O que não impediu, segundo ele (blogueiro da Revista Adega), que os viajantes bebessem aquela zurrapa conformados com a teoria de que “vinho bom é aquele que a gente tem”.
Ao chegarem ao Monte Pascoal, no litoral da Bahia, 44 dias depois, (partiram a 9 de março) contudo, convidaram uns índios para subir à nau capitânea para um encontro com o comandante Cabral. Foi-lhes oferecido (como convém) o vinho de boas-vindas: eles provaram e cuspiram o líquido todo.

Ou seja: os tupís-guaranis preferiram o Cauim … ao Pêra-Manca (avinagrado!)

Nota (Wekipédia): Cauim é uma bebida alcoólica tradicional dos povos indígenas do Brasil desde tempos pré-colombianos.  O cauim é feito através da fermentação da mandioca ou do milho, às vezes misturados com sucos de fruta. Tem alto teor alcoólico.

Mas quando as caravelas deixaram Lisboa, o bom alentejano vinha a bordo!  E o nome não significa uma pera com problemas na bacia, ou ortopédicos, mas deriva de pedra manca (ou oscilante), uma formação granítica de blocos arredondados em desequilíbrio sobre a rocha firme. Trata-se, portanto, de uma toponímia e não do nome da fruta, como se pode pensar.
Obs: Cabral foi o primeira navegador português a usar sistematicamente o astrolábio. Ele hoje descansa do jet-leg de tantas viagens na Igreja da Graça, em Santarém, Portugal. Lá e cá é nome de rua, avenidas, colégios… mas fama mesmo foi quando no Brasil virou nota de mil cruzeiros, tendo estado apenas uma vez em nosso país — por 11 dias (22 de abril a 2 de maio de 1500)

Mas a vinha, na verdade, só chegou ao Brasil trazida por Martin Afonso de Souza, em 1532. Agricultores, mestres de engenho e até alguns fidalgos, começaram então a cultivá-la, visando a produção da fruta e do vinho. Dentre eles, Brás Cubas, que muitos pensam ser apenas o personagem de Machado de Assis, mas que era um nobre português, muito importante para a história do Brasil. Foi o verdadeiro plantador das primeiras parreira vinícola no litoral paulista.

Ao pisar aqui, se fixou numa aldeota à beira-mar e lá fundou a nossa primeira Casa de Misericórdia que, como a de Lisboa, era chamada de Casa dos Santos — daí o nome que acabou por batizando a cidade: Santos.

Mas só cerca de cem anos depois, lá por volta de 1870, começou a verdadeira produção de vinho no Brasil, com a chegada da primeira leva de imigrantes alemães e, a seguir, italianos, ao Rio Grande do Sul.

Eram muitas famílias italianas, provenientes de regiões tradicionalmente ligadas ao vinho, com o Trentino, a Toscana, o Vêneto e Bérgamo (por isso é que gaúcho chama tangerina de bergamota, porque além da parreira eles plantavam árvores frutíferas).

Hoje, produzimos cerca de quatrocentos milhões de litros por ano e a indústria do vinho incorporou estados como Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Paraná — ao lado, evidentemente, dos clássicos “terroirs” do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Ou seja, o mapa da nossa vitivinicltura se dilatou …

Mas para que isto venha ocorrendo, tivemos que primeiro, montar uma das mais avançadas tecnologias de toda a América Latina na cadeia produtiva do vinho; segundo, embora o consumo ande à volta dos 2,2 litros ano/por habitante, não é exagero imaginar que podemos chegar a 5 litros ano de consumo per capita nos próximos 5 anos, como afirma o Sérgio Queiroz, diretor executivo da empresa Baco Multimídia (junto com o sócio Marcelo Copello, um profundo conhecedor do eno-negócio), para quem “nunca se investiu tanto em vinho no país.

E a divulgação multiplica plataformas de mídia: blogs (como este!), sites, espaços em redes sociais, colunas, artigos, palestras, CDs e DVDs, além do “merchandising”, como guardanapos, posters, etc.

Ergo bibamos aos descobridores!

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