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Rio, 20 de abril de 2017. Chez Ricardo Lapeyre

Não gosto do tradicional provérbio “quem herda não furta”, porque parece defesa dos privilégios das famílias reais. Prefiro a interpretação inglesa para DNAs bem sucedidos, que propõe nature X nurture, em tradução livre: berço X nutrição. Ou seja, receber e desenvolver virtudes, talentos, etc.

Ora, nada mais apropriado para situar o magnífico chef que se tornou o Ricardo Lapeyre, 29, no mapa gastro-genético da segunda geração de craques “de chapéu alto”.  Ele é filho do veterano Claude, o francês vindo de Reims, lá na região da Champagne, que se naturalizou ipanemense durante os 20 anos (1977-97), que pilotou os fogoes do Hippo

 

    Mas vamos adiante,   observando o conceito de nutrição — com trocadilho. Ricardo, aos dois anos, foi passar as férias (?) com os avós paternos e voltou “brincando de se esconder” … num panelão. Com toque blanche na cabeça, ça va sans dire.  Aos 17 foi para Paris estudar história, mas rapidamente conseguiu um estágio com Alain Ducasse, depois foi para a Bélgica, trabalhar no restaurante Comme chez soi, um cinco estrelas maravihoso. Pronto: tava carimbado o destino do garçon — não, perdão, chef!

No Rio, pra não ir muito longe, trabalhou no Laguiole (com uma comida contemporânea), a seguir, criou a Brasserie com o seu nome no topo do RB1, na Praça Mauá e, agora, fundou esse consulado da gastronomia francesa na Barra: o Bistro Lapeyre, no Vogue Square.

Foto do site: www.bistrotlapeyre.com.br

Um espaço rigorosamente fiel aos bistrôs, tanto na arquitetura quanto na decoração (André Piva), com salão privê cheio de fotos na parede dele pequeno, com a avó, pai, por aí e, única no Rio, uma adega de queijos. Montada pelo especialista André Deolindo, guarda preciosidades (comi um Pont l’Eveque de fazer as pazes com o François Holande!) e há os afinados (finalizados no local) e os outros. Que surgem no carrinho, após a refeição e antes da sobremesa, lindamente. Vinhos? Pra todos os preços. Falem com o Joãozinho de Souza, sommelier de longo curso. bom, agora…

Conta mais, Ricardo!

Dicas: peçam uma terrine de coelho para abrir os trabalhos, vieiras com creme azedo ou gratinadas de entrada, o jarret de veau (stinco de vitela, 13h de forno) com ragout de lentilhas. Um bom queijo para “mudar de boca” e, a grand finale, um éclair au chocolat ou (prefiro) o entremêt de chocolat (uma super mousse).

Mas… atenção: esse é o menu completo à la carte. Todos os dias de semana tem um menu formule (executivo) a CR$ 78,00, capaz de demorar da chegada à saída menos de uma hora e tão Paris quanto a Torre Eiffel.

Parabéns, Ricardo, Claude e Cristóvão Duque, subchefe. Detalhe: Ricardo conhece a história de cada ingrediente, o nome em francês e português, é um chef presente diariamente e não nega a receita da receita. E quando está elaborando um prato é mais atento do que uma cirurgião revascularizando um cristão!

Vida longa, mon cher!

 

 

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