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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 29 de junho de 2017. Pedro, o santo de ponta-cabeça

Hoje é Dia de São Pedro, o santo que é tudo: pescador, ex-pecador, nome de vinho caríssimo, fundador da Igreja Católica, chave de ouro das festas juninas..

Pedro morreu de cabeça para baixo. Chamava-se Simão, ou Simeão. Nasceu em um vilarejo da Galileia, levou a vida de moço como homem comum, pescador e pecador, até que junto com o seu irmão André foi convocado por João Evangelista para fazer parte do grupo mais próximo de seguidores de Cristo. E tornou-se um dos apóstolos preferidos por Jesus, que admirava sua liderança firme e lhe deu o nome de Pedro.

Um dos vinhos mais caros do mundo, o Château Petrus, é uma homenagem a São Pedro. No rótulo está estampada a imagem dele segurando as chaves do céu. (Com esse vinho na taça, eu acho que as aqui da terra também!)

 

Petrus, também significa pedra, rocha.  Jesus (lhe) teria dito: “És Pedro! E sobre esta rocha construirei minha Igreja”.

E assim aconteceu. Ele é considerado o fundador da Igreja Católica Romana e está perpetuado na extraordinária construção do espaço central da Praça do Vaticano, em Roma — a Basílica de São Pedro — que além de símbolo do Catolicismo, abriga tesouros da criatividade artística. Apenas um exemplos: a Pietá, de Michelangelo.

 

Mas a sua proximidade com Cristo e a sua liderança, exasperaram o Imperador — Nero — que ordenou a sua execução. Até aí, nenhuma surpresa. A surpresa veio do pedido de Pedro: ele queria (e foi atendido) ser crucificado de cabeça para baixo, por se julgar indigno de morrer na mesma posição de Cristo.

Vejam, abaixo, a reprodução da belíssima tela de Caravaggio (16001) que justifica o título.

sao-pedro

Morreu com 64 anos (muitos anos depois de Cristo) e o seu túmulo encontra-se sob o altar central da Basílica que leva o seu nome.

São Pedro, como Santo João e Santo Antonio, em ordem inversa,  são os âncoras das festas juninas no Brasil, embora Santo Antonio e São João sejam mais populares quando se acendem as fogueiras.

Em compensação, São Pedro é, ainda,  porteiro do céu e padroeiro dos pescadores. No imaginário popular e, nas comunidades pesqueiras do Norte e Nordeste do Brasil, São Pedro é comemorado em alto-mar, com uma procissão em meio às ondas (até de rios), como nesta imagem, no “rio-mar-amazonas”.

PROCISSÃO DE SÃO PEDRO PERCORRE O RIO NEGRO. FOTO de BRUNO KELLY / A CRÍTICA

E para os católicos que praticam orações, rezem esta:

“Glorioso apóstolo São Pedro, com suas 7 chaves de ferro abra as portas dos meus caminhos, que se fecharam diante de mim, atrás de mim, à minha direita e à minha esquerda. Abra para mim os caminhos da felicidade, os caminhos financeiros, os caminhos profissionais e me dê a graça de poder viver sem os obstáculos.  Que assim seja. Amém.”

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Rio, 24 de junho de 2017. São João, o santofesteiro

Embora Santo Antonio seja mais popular (durante o ano todo), São João é “a cara” das festas juninas no Brasil.  Mas é no nordeste que “se acende a fogueira”. Sobretudo em Caruaru e Campina Grande, na Paraíba.

Por quê?

Porque além de coincidir com o período de chuvas (uma bênção dos céus) é o mês da colheita, principalmente do milho – princípio ativo — da comilança “do arraiá”.

milho verde

E come-se tudo que engorda: salgados e doces. Leitão, frango da roça, bolinhos de carne, arroz-doce, canjica, mandioca em calda, bolo e broa de fubá e de milho, doce de batata-doce, de abóbora, de cidra com rapadura –furundum– de mamão em pedaços, pão de cará, pão-de-ló cortado, paçoca, pé-de-moleque, batata-doce, mandioca, amendoim torrado, pipoca, pamonha, cuscuz e o que mais estiver no prato.

E no copo? Ah, bebe-se o tradicional quentão de vinho, (pode ser de cachaça também), uma espécie de grogue europeu traduzido pro sertão. Coloca-se o vinho numa panela e deixa-se ferver. Quando estiver em ebulição, flamba-se para fazer a queimada. Acrescenta-se açúcar, gengibre, casca de laranja, canela e cravo. Deve ser servido em copos ou canecas. Veja essa receita, simples.

Há quem goste…

Adiante: segundo o portal “Sua Pesquisa. com”, esta tradição foi trazida para o Brasil pela corte de D. João que além de genuinamente ibérica, sofreu também grande influência de elementos culturais chineses e franceses.
De Portugal, o culto aos santos, a mesa farta e os “casamentos na roça”. Da França, a dança marcada, característica típica das danças nobres (polca, minueto) e que, no Brasil, se refundou nas típicas quadrilhas.

polcaDançando a quadrilha

Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. O que até pouco tempo atrás era uma das marcas da festa de São João: é bonito, provoca emoção. Mas, hoje, é crime, no Brasil e em Portugal. Nota desta semana do jornal Público, informa: “lançar balões de São João podendo levar a uma multa até aos cinco mil euros por pessoa singular”. Sobraram as fogueiras e a brincadeira de saltar por cima. Dá emoção mas, também, exige cuidado: são cada vez mais frequentes os casos de acidentes, queimaduras…

Um gole de história: segundo a Wikipedia, “a festas dos santos populares (festas juninas) ou celebração do meio do verão (em inglês: Midsummer), nasceram no período do solstício de verão (no hemisfério norte), para celebrar justamente a colheita (lá de trigo, entre outras) e transição entre a primavera e a tão esperada presença ostensiva do sol, com a entrada do verão.

Vejam essa festa “de olho azul”, na Estônia.

E esse culto ao sol , representado pelas fogueiras e folguedos ao ar livre, faz tanto mais sentido, quanto mais ao norte se festejava o fim do frio e das sombras, como na Dinamarca, Estónia, Letônia, Lituânia, Finlândia, Noruega e Suécia, no Reino Unido e, “por contágio cultural”, na França, Itália, Portugal, Espanha… e nas suas então colônias tropicais, dentre elas o Brasil.

Bom, e agora o homenageado:  João (Batista). Primeira pergunta: ele era primo de Cristo? Era. Primo mais velho. E foi quem o batizou. (Vejam abaixo o belo quadro de Leonardo Da Vinci).
batismo de Cristo

Segunda: como viveu? Viveu uma uma vida extremamente difícil e com muita oração. São João passou a ser conhecido como profeta, homem enviado por Deus.  E batizava a todos que se arrependiam. Era humilde e discreto e, no entanto, a sua festa é a mais alegre e barulhenta dos três. Lançam-se estalinhos, rojões, fogos de artifício, (um perigo) acendem-se e pula-se fogueiras, bebe-se, canta-se e dança-se até de manhã!

São João protege a amizade, a saúde e o conhecimento, dos que rezam para ele, como nós, deste blog.

Viva São João!

PS: esses franceses, são campeões em misturar foie-gras com jabuticaba! vejam esse convite que acabo de receber da Aliança Francesa do Rio (sou membro!).

Das 17h às 19h, teremos uma scène ouverte, onde o palco estará aberto aos alunos que poderão apresentar músicas a sua escolha, antecedendo ao show de forró e jazz do conjunto “Messiê Forró”, exclusivo para os alunos da Aliança Francesa, que começará às 19h. 

O grupo é composto por músicos franceses e brasileiros que farão um show embalado pelo baião e outros ritmos nordestinos com influências europeias como gipsy jazz, la chanson, le klezmer, la musette, entre outros. No repertório, grandes clássicos franceses como La Javanaise, La Foule, La Vie en Rose e Pas a Pas ganharão uma roupagem nordestina num arraiá franco–brasileiro.
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Rio, 15 de junho d 2017. Corpus Christi, o que significa?

Essencialmente, reafirmar a presença real de Cristo, no pão e no vinho consagrados.  Essa tradição — a festa do Corpus Christi — foi instituída pelo Papa Urbano IV no dia 8 de Setembro de 1264 e traduz uma angústia dos cristão na Idade Média:  conferir as liturgias. Tanto que é dessa época o costume de elevar a hóstia e o cálice de vinho, depois da consagração, para satisfazer a curiosidade daqueles que iam à igreja mais para ‘ver’ o Corpo e o Sangue de Cristo, do que para participar efetivamente da missa.

E esse costume, se estendeu para fora das Igrejas, ganhando as ruas, porque a Igreja percebeu que havia necessidade de dar mais visibilidade ainda à Eucaristia, incentivando  a decoração de calçadas e a mobilização popular, enfim, de forma a tornar cada vez mais palpável  a presença de Cristo.  As procissões, que tiveram início ainda no século 13, em Colônia, na Alemanha, também ocupam papel central nas comemorações.

Por outro lado, a procissão de Corpus Christi é, de certa forma, uma parábola à caminhada do povo de Deus, peregrino, em busca da Terra Prometida. O Antigo Testamento diz que o povo peregrino foi alimentado com maná, (grãos do deserto) durante a travessia do povo de Israel rumo à terra prometida.  Com a instituição da eucaristia o povo é alimentado com o próprio corpo de Cristo.

Por isso, a Igreja Católica celebra, em todo o mundo, na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade — 60 dias depois do domingo de Páscoa — a festa do Corpo e Sangue de Deus, popularmente chamada de Corpus Christi.  Inclusive com a cerimônia condizida pelo próprio Papa, em Roma, na Basílica de São João Latrão, como esta com Francisco.

“Este é o momento de rememorarmos a herança mais preciosa deixada por Cristo, o sacramento da sua própria presença’, através da Eucaristia, disse ele.

Obs: segundo os textos no Novo Testamento, eucaristia é o rito cultual (sacramento e sacrifício) instituído por Jesus Cristo na última ceia no qual Ele mesmo se oferece a Deus e se comunga o Seu corpo e sangue em que se converteram substancialmente as espécies pão e vinho. Neste rito sacramental comemora-se a paixão e morte de Jesus. Vejam o esboço a carvão da Última Ceia, o célebre quadro de Leonardo da Vinci (século XV)

Bom feriado!

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Rio, 13 de junho de 2017. Por que casamenteiro?

Porque ele é o melhor “achador de coisas/pessoas”.  Daí achar marido, donde a fama de santo casamenteiro.

E por que a fama?

Duas hipóteses.
A primeira, aprendi com Padre Jorjão: como ele é ótimo “procurador” –melhor até do que São Longuinho — é o santo certo para “achar marido”.

A segunda, junta as duas aptidões: ele é o santo que encontra os iguais. Por exemplo, no passado, era costume as garotas Bascas fazerem peregrinação ao templo de Santo Antonio, em Durango, no dia de 13 de junho e rezarem para ele encontrar um “bom rapaz” para cada uma.  Entenda-se: de igual família, de hábitos similares.
Ora, sabendo que havia mulher bonita no pedaço, o rapazes bascos faziam a mesma jornada e ficavam do lado de fora do templo até as moças terminarem as suas preces. É fácil imaginar que muitos casamentos resultaram desses encontros.

A terceira, a mais pitoresca, nos diz que uma jovem, depois de fazer uma novena à Santo Antônio e não tendo encontrado pretendente, jogou – zangada — a estátua de Santo Antônio que tinha em seu oratório pela janela e a mesma caiu na cabeça de um caixeiro-viajante que passava. Ele gritou tanto que ela foi correndo ajudá-lo. Levou-o para dentro e tratou de seu ferimento.
Adivinharam o final!?
PS:  essa imagens belíssima (óleo sobre tela) me foi cedida pelo meu amigo João Cândido Portinari, filho do artista, que posou como Menino Jesus nesse quadro célebre do gênio de Brodowski, SP, que o pintou em 1942 para a capela em frente à sua casa.

 

Ficha técnica:

Santo António nasceu em Lisboa, Portugal, em 15 de agosto de 1195.  É o  padroeiro da cidade e celebrado em todo Portugal.
Foi batizado como Fernando de Bulhões. Aos 15 anos entrou para um convento agostiniano e trocou o nome para António. Morreu em Pádua, na Itália, em 13 de junho, por isso ficou também conhecido como Santo António de Pádua. Foi Doutor da Igreja.
 
Está sepultado na Basílica que leva o seu nome, em Pádua. Mas vive iluminado pelas fogueiras e pelo céu de junho.

 

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Rio, 7 de junho de 2017. É bonita a festa, pá

Neste próximo 10 de junho os países lusófonos comemoram O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Este dia também é dedicado ao Santo Anjo da Guarda de Portugal, expressando a longa tradição cristã do país e o culto “à corte celeste”– e aos santos populares.

Mas para os brasileiros, Portugal é a bola da vez, como dizemos cá.

Graças ao louvável esforço (e sacrifício) do governo português na direção de uma significativa recuperação econômica, Portugal é, hoje, referência em inovação tecnológica, conectividade, agricultura de ponta, robótica e inteligência artificial.  Com destaque, ainda, para a mobilidade urbana, infraestrutura e responsabilidade ambiental, cuja joia da coroa é a expansão dos “moinhos” de energia eólica.

Sem falar no marketing institucional que propaga a cultura (o fado moderno, novíssimos escritores e cineastas) e as suas commodities (Vinhos de Portugal, Turismo, TAP) em todas as plataformas de mídia no exterior.

Por outro lado (e com trocadilho!), desta margem do Atlântico, se estreitaram a relações bilaterais com Portugal – afinal é de apenas  7.482 kms a distância que separa o centro do Brasil do centro de Portugal em linha reta — transformando Lisboa no perfeito “hub” para o resto da Europa.

O Visa Gold e a facilidade em investir por lá, levaram mais de 80 mil brasileiros a fixarem residência ao longo do Tejo nos últimos anos.

Aliás, a sinergia espiritual, intelectual e comercial entre Portugal e o Brasil, vem de longe, sabemos todos. E para não recuarmos à Colônia e Império, basta dizer já no fim do século XIX, estimava-se que os portugueses tinham mais de 55% de todos os estabelecimentos comerciais ou industriais registrados no Rio de Janeiro, o que representava quase 70% do capital circulante na praça.  E o topo dessa “elite lusa” não poupava esforços nem recursos para se inserir na na sociedade carioca-brasileira, criando diversas associações, como a ACRJ (hoje ACRio), o Mercado de São Sebastião, o antigo Centro de Abastecimento e Distribuição do Estado da Guanabara, hoje Cadeg, o Real Gabinete Português de Leitura, a Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência, o Liceu Literário Português, o Club Ginástico Português e, ora pois, pois, o Club de Regatas Vasco da Gama.

Em literatura, então, somos há muitos anos “uma editora só”, com variantes ortográficas. E para homenagear essa tanta tinta que escreveu em prosa e verso livros que eram lidos com a paixão por gerações e gerações de portugueses e brasileiros, escolhi — é claro — Camões, o génio da raça, para compartilhar esse belo vídeo, na voz grave de Villaret.

Finalmente, na outra mão e da nossa parte, temos oferecido boas oportunidades para o investimento português no Brasil, sobretudo nas áreas têxtil, de energias alternativas, construção civil, turismo (transportes e hotelaria), telecomunicações, azeite e vinhos — gastronomia.

Tanto que somos, atualmente, o principal destino do capital português fora da Europa.

Como remate positivo,  vale registro que as caravelas que ajudaram Portugal a dar novos mundos ao mundo, segunda a feliz expressão de um pensador português, foram agora “promovidas” às fibras óticas da internet — a caravela do século XXI — que (nos) permitem conectar, em tempo real, esse contingente que habita nove países em cinco continentes e forma a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A esse respeito, termino com as estrofes finais do lindo poema que Manuel Bandeira dedicou a Camões.          

Gênio purificado na desgraça,

Te resumiste em ti toda a grandeza:

Poeta e soldado… Em ti brilhou sem jaça

O amor da grande pátria portuguesa.

E enquanto o fero canto ecoar na mente

Da estirpe  que em perigos sublimados

Plantou a cruz em cada continente,

Não morrerá, sem poetas nem soldados,

A língua que cantaste rudemente

As armas e os barões assinalados.

Bem haja!

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