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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 7 de junho de 2017. É bonita a festa, pá

Neste próximo 10 de junho os países lusófonos comemoram O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Este dia também é dedicado ao Santo Anjo da Guarda de Portugal, expressando a longa tradição cristã do país e o culto “à corte celeste”– e aos santos populares.

Mas para os brasileiros, Portugal é a bola da vez, como dizemos cá.

Graças ao louvável esforço (e sacrifício) do governo português na direção de uma significativa recuperação econômica, Portugal é, hoje, referência em inovação tecnológica, conectividade, agricultura de ponta, robótica e inteligência artificial.  Com destaque, ainda, para a mobilidade urbana, infraestrutura e responsabilidade ambiental, cuja joia da coroa é a expansão dos “moinhos” de energia eólica.

Sem falar no marketing institucional que propaga a cultura (o fado moderno, novíssimos escritores e cineastas) e as suas commodities (Vinhos de Portugal, Turismo, TAP) em todas as plataformas de mídia no exterior.

Por outro lado (e com trocadilho!), desta margem do Atlântico, se estreitaram a relações bilaterais com Portugal – afinal é de apenas  7.482 kms a distância que separa o centro do Brasil do centro de Portugal em linha reta — transformando Lisboa no perfeito “hub” para o resto da Europa.

O Visa Gold e a facilidade em investir por lá, levaram mais de 80 mil brasileiros a fixarem residência ao longo do Tejo nos últimos anos.

Aliás, a sinergia espiritual, intelectual e comercial entre Portugal e o Brasil, vem de longe, sabemos todos. E para não recuarmos à Colônia e Império, basta dizer já no fim do século XIX, estimava-se que os portugueses tinham mais de 55% de todos os estabelecimentos comerciais ou industriais registrados no Rio de Janeiro, o que representava quase 70% do capital circulante na praça.  E o topo dessa “elite lusa” não poupava esforços nem recursos para se inserir na na sociedade carioca-brasileira, criando diversas associações, como a ACRJ (hoje ACRio), o Mercado de São Sebastião, o antigo Centro de Abastecimento e Distribuição do Estado da Guanabara, hoje Cadeg, o Real Gabinete Português de Leitura, a Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência, o Liceu Literário Português, o Club Ginástico Português e, ora pois, pois, o Club de Regatas Vasco da Gama.

Em literatura, então, somos há muitos anos “uma editora só”, com variantes ortográficas. E para homenagear essa tanta tinta que escreveu em prosa e verso livros que eram lidos com a paixão por gerações e gerações de portugueses e brasileiros, escolhi — é claro — Camões, o génio da raça, para compartilhar esse belo vídeo, na voz grave de Villaret.

Finalmente, na outra mão e da nossa parte, temos oferecido boas oportunidades para o investimento português no Brasil, sobretudo nas áreas têxtil, de energias alternativas, construção civil, turismo (transportes e hotelaria), telecomunicações, azeite e vinhos — gastronomia.

Tanto que somos, atualmente, o principal destino do capital português fora da Europa.

Como remate positivo,  vale registro que as caravelas que ajudaram Portugal a dar novos mundos ao mundo, segunda a feliz expressão de um pensador português, foram agora “promovidas” às fibras óticas da internet — a caravela do século XXI — que (nos) permitem conectar, em tempo real, esse contingente que habita nove países em cinco continentes e forma a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A esse respeito, termino com as estrofes finais do lindo poema que Manuel Bandeira dedicou a Camões.          

Gênio purificado na desgraça,

Te resumiste em ti toda a grandeza:

Poeta e soldado… Em ti brilhou sem jaça

O amor da grande pátria portuguesa.

E enquanto o fero canto ecoar na mente

Da estirpe  que em perigos sublimados

Plantou a cruz em cada continente,

Não morrerá, sem poetas nem soldados,

A língua que cantaste rudemente

As armas e os barões assinalados.

Bem haja!

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1 Comentário

Comentários:

  • Excelente artigo, Reinaldo, com pé na história e olhar no futuro. Parabéns!
    Paulo Senise – Rio

    Reinado Paes Barreto

    12 de junho de 2017 às 11:05

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