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Rio, 24 de junho de 2017. São João, o santofesteiro

Embora Santo Antonio seja mais popular (durante o ano todo), São João é “a cara” das festas juninas no Brasil.  Mas é no nordeste que “se acende a fogueira”. Sobretudo em Caruaru e Campina Grande, na Paraíba.

Por quê?

Porque além de coincidir com o período de chuvas (uma bênção dos céus) é o mês da colheita, principalmente do milho – princípio ativo — da comilança “do arraiá”.

milho verde

E come-se tudo que engorda: salgados e doces. Leitão, frango da roça, bolinhos de carne, arroz-doce, canjica, mandioca em calda, bolo e broa de fubá e de milho, doce de batata-doce, de abóbora, de cidra com rapadura –furundum– de mamão em pedaços, pão de cará, pão-de-ló cortado, paçoca, pé-de-moleque, batata-doce, mandioca, amendoim torrado, pipoca, pamonha, cuscuz e o que mais estiver no prato.

E no copo? Ah, bebe-se o tradicional quentão de vinho, (pode ser de cachaça também), uma espécie de grogue europeu traduzido pro sertão. Coloca-se o vinho numa panela e deixa-se ferver. Quando estiver em ebulição, flamba-se para fazer a queimada. Acrescenta-se açúcar, gengibre, casca de laranja, canela e cravo. Deve ser servido em copos ou canecas. Veja essa receita, simples.

Há quem goste…

Adiante: segundo o portal “Sua Pesquisa. com”, esta tradição foi trazida para o Brasil pela corte de D. João que além de genuinamente ibérica, sofreu também grande influência de elementos culturais chineses e franceses.
De Portugal, o culto aos santos, a mesa farta e os “casamentos na roça”. Da França, a dança marcada, característica típica das danças nobres (polca, minueto) e que, no Brasil, se refundou nas típicas quadrilhas.

polcaDançando a quadrilha

Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. O que até pouco tempo atrás era uma das marcas da festa de São João: é bonito, provoca emoção. Mas, hoje, é crime, no Brasil e em Portugal. Nota desta semana do jornal Público, informa: “lançar balões de São João podendo levar a uma multa até aos cinco mil euros por pessoa singular”. Sobraram as fogueiras e a brincadeira de saltar por cima. Dá emoção mas, também, exige cuidado: são cada vez mais frequentes os casos de acidentes, queimaduras…

Um gole de história: segundo a Wikipedia, “a festas dos santos populares (festas juninas) ou celebração do meio do verão (em inglês: Midsummer), nasceram no período do solstício de verão (no hemisfério norte), para celebrar justamente a colheita (lá de trigo, entre outras) e transição entre a primavera e a tão esperada presença ostensiva do sol, com a entrada do verão.

Vejam essa festa “de olho azul”, na Estônia.

E esse culto ao sol , representado pelas fogueiras e folguedos ao ar livre, faz tanto mais sentido, quanto mais ao norte se festejava o fim do frio e das sombras, como na Dinamarca, Estónia, Letônia, Lituânia, Finlândia, Noruega e Suécia, no Reino Unido e, “por contágio cultural”, na França, Itália, Portugal, Espanha… e nas suas então colônias tropicais, dentre elas o Brasil.

Bom, e agora o homenageado:  João (Batista). Primeira pergunta: ele era primo de Cristo? Era. Primo mais velho. E foi quem o batizou. (Vejam abaixo o belo quadro de Leonardo Da Vinci).
batismo de Cristo

Segunda: como viveu? Viveu uma uma vida extremamente difícil e com muita oração. São João passou a ser conhecido como profeta, homem enviado por Deus.  E batizava a todos que se arrependiam. Era humilde e discreto e, no entanto, a sua festa é a mais alegre e barulhenta dos três. Lançam-se estalinhos, rojões, fogos de artifício, (um perigo) acendem-se e pula-se fogueiras, bebe-se, canta-se e dança-se até de manhã!

São João protege a amizade, a saúde e o conhecimento, dos que rezam para ele, como nós, deste blog.

Viva São João!

PS: esses franceses, são campeões em misturar foie-gras com jabuticaba! vejam esse convite que acabo de receber da Aliança Francesa do Rio (sou membro!).

Das 17h às 19h, teremos uma scène ouverte, onde o palco estará aberto aos alunos que poderão apresentar músicas a sua escolha, antecedendo ao show de forró e jazz do conjunto “Messiê Forró”, exclusivo para os alunos da Aliança Francesa, que começará às 19h. 

O grupo é composto por músicos franceses e brasileiros que farão um show embalado pelo baião e outros ritmos nordestinos com influências europeias como gipsy jazz, la chanson, le klezmer, la musette, entre outros. No repertório, grandes clássicos franceses como La Javanaise, La Foule, La Vie en Rose e Pas a Pas ganharão uma roupagem nordestina num arraiá franco–brasileiro.
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