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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 6 de julho de 2017. Com este frio, conhaque?

    Ou Armanhaque?  Mas qual a diferença?

Pelo menos duas.

A primeira, é que o conhaque é destilado duas vezes e o armanhaque apenas uma. A  segunda, é que o  armanhaque é mais leve do que o conhaque, ligeiramente mais seco, mais  encorpado e  envelhece mais rapidamente.

Mas ambos ganham cores, sabores e aromas quando bebidos em taças pré-aquecidas. Por  que? Porque são destilados densos (o Armanhaque é considerado a eau-de-vie mais  antiga da França) e com o calor – aproximadamente a temperatura do corpo – os  “aromas  escondidos” escalam as bordas e ganham amplitude no nariz e na boca.

Como aquecer as taças? De duas formas. Ou acendendo-se a chama desse aparelhinho e  girando a taça, ou aninhando a taça no calor da mão.

 

 

 O conhaque

Para produzi-lo, utilizam-se as uvas Colombard, Ugni Blanc,  Saint-Emilion e Folle  Blanche. Todas brancas, provenientes da região do mesmo nome na França (em Charente,  acima de Bordeaux). Primeiro, elas fermentam por um período curto: de três a cinco  semanas. Dessa fermentação, obtém-se um vinho branco, ácido, com uma baixa graduação  alcoólica, aproximadamente de 8º a 10º. São necessários oito litros de vinho para produzir  um litro de conhaque.

Aí começa a primeira destilação, que dura cerca de 8 horas e é processada através do  sistema de fogo direto (Alambique Charentais), que produz um líquido  chamado brouillis,  cuja graduação alcoólica é de 27º a 35º.  A segunda, (seconde  chauffe ou bonne chauffe)  demora cerca de doze horas e o princípio e o fim (cabeça e cauda) são removidos para nova  destilação que vai produzir outros álcoolis (eau-de-vie, etc).

O líquido aproveitado da segunda destilação tem 68º a 72º de álcool e é a partir dele que se  vai produzir o conhaque. A destilação do conhaque faz-se obrigatoriamente entre o fim das  vindimas (outubro-novembro) e o dia 31 de março seguinte.

 O armanhaque

A origem das aguardentes  de Armagnac, como dissemos, remontam à Idade Média (eram  conhecidas na Gasconha há mais de 700 anos), quando eram consideradas “remédio” por  servirem de antídoto contra as epidemias. Só no século XVII passaram a ser utilizadas  como bebida. Ele é produzido com as castas: Ugni Blanc, Colombard, Folle Blanche  (mesmas do conhaque) e mais: Baco Blanc, Clairette de Gascogne, Jurançon Blanc, Mauzac  e Meslier e a sua produção é similar à do conhaque, mas (também como já dissemos)    passa apenas por uma destilação (Continous still).  Existem três tipos.

Bas Armagnac: o de melhor qualidade e com um ligeiro sabor a ameixa.

Tenarèze: sabor a violeta.

  Haut Armagnac:  de todos o que requer mais tempo para envelhecer. Tecnicamente de de     qualidade inferior, mas eu gosto muito.

Esses são os digestivos-cardeais da gastronomia francesa. Contudo, outros “conhaques”        são produzidos em outras regiões da França e no exterior.

  • São chamados de brandy. Há excelentes, como os espanhóis, por exemplo.
  • Finalmente, há os “conhaques” populares, se podemos chamá-los assim, fabricados em muitos países, inclusive no Brasil, como o tradicional Conhaque de Alcatrão de São João da Barra e o Dreher —  ambos tiro e queda. Mas queda… cataléptica!
  •  
  • Esses “conhaques” têm a sua popularidade dilatada pela crença de acrescentarem resistência, aquecerem o corpo (principalmente a garganta), estimularem o vigor sexual e possuírem propriedades terapêuticas (???). O caboclo bebe puro ou com mel, o operário com café, o boêmio com cerveja.

Nunca uma advertência foi tão apropriada: beba(m) com moderação!

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