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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 20 de julho de 2017. E o homem foi à lua sem fazer seguro.

Todo dia 20 de julho se  celebra o maior feito planetário já realizado pelo homem (no caso não tinha mulher, mesmo): a primeira ida de astronautas à Lua (1969), na Missão Apolo 11, levando os americanos Edwin Aldrin, Neil Armstrong e Michael Collins, a bordo da nave Eagle.

E Armstrong foi o primeiro ser humano a pisar no solo lunar. Vinte minutos depois, saltou Aldrin,  cuja imagem abaixo, fotografada por Armstrong  no meio daquele mar de gelo —  e que aparece refletido no capacete — é de uma solidão e de uma beleza só comparáveis ao sono do Padre Eterno (parodiando Guerra Junqueiro).

 

Agora o mais extraordinário: vocês sabiam que os três astronautas que foram à Lua não tinham seguro de vida? A NASA não fazia seguro corporativo e nenhum deles fez seguro individual. E, pasmem, nenhuma seguradora os procurou.

Mas, por insistência da família e amigos, sabe o que fizeram, então?
Os comandantes Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins, tripulantes da Apollo 11, deixaram com as esposas alguns “produtos” que poderiam ser valiosos para colecionadores, garantindo algum dinheiro para os parentes. Cartões com vistas da Lua com a assinatura dos três e do Nixon, então presidente dos EUA, milhares de cópias dos uniformes, réplicas da Apollo 11, além de objetos pessoais de cada um: relógios, canetas, óculos, etc.

O temor de uma tragédia era compartilhado, aliás, pela NASA e pelo próprio presidente americano, que já tinha o rascunho de um discurso triste, para o caso de que os tripulantes tivessem ficado pelo caminho — ou “nos cornos da lua”, como dizem os portugueses quando querem significar que algum lugar é muito longe — e outro que pronunciou, saudando os heróis na volta.

O triste,  escrito pelo seu ghost-writer, William Safire, terminaria dizendo … “o destino determinou que estes homens, que foram explorar a Lua, em paz — hão de ficar na Lua, para sempre, descansando… em paz”.

Felizmente, os três voltaram heróis e Nixon foi recebê-los numa base, no Pacífico.

E ficaram velhinhos — sempre celebrados — e eram recebidos na Casa Branca, como aqui, com Obama.

Armstrong morreu em 2012, aos 82 anos do coração. (Eu teria morrido do coração na decolagem da Apolo 11).

PS: falando em voar, palmas para o nosso piloto-pioneiro, Alberto de Santos Dumont, que nasceu num 20 de julho.  Ei-lo em 1901, sobrevoando a Torre Eiffel, de colarinho duro de goma e chapéu de aba (ambos artifícios para parecer mais alto do que os seus um metro e 56cms), com o seu balão dirigível N’6.

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E embora pouco popular nos EUA é internacionalmente reconhecido como o inventor do avião com motor e gasolina — O 14-Bis — que, ao contrário do Flyer, dos irmãos Wright, não precisava de catapultas ou ventos contrários para se içar do solo.

Detalhe:  era também um apaixonado por carros. Foi ele quem fundou, em 1907, o Automóvel Clube do Brasil. Anos antes havia inspirado a Maison Cartier a criar o relógio de pulso. Era um dandy.

Mas “pra não perder altura e altitude”, termino com a lira do nosso poeta Drummond, que andava a pé (ou de ônibus), e que no  dia seguinte à descida dos astronautas na lua,  começou assim a sua crônica no Jornal do Brasil: “OK, o americano pode ter pisado na lua. Mas não vai nunca pisar no luar…”

Coisa de gênio.

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