Publicidade

Jornal do Brasil

Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 2 de agosto de 2017. Por que não um robô-sommelier?

Este, o sommelier de ontem.

O de depois de amanhã será assim?

Calma, esse apenas serve café.  Em São Francisco, nos Estados Unidos, foi inaugurado o Cafe X, um quiosque em que a bebida é servida por um robô, sem intervenção humana. Pedir o café é muito simples: você pode usar o touchscreen disponível no local ou então um aplicativo no seu celular. Em apenas 20 segundos a bebida chega quentinha – pode ser um café puro ou  um cappuccino. Foto e texto de Monalisa Briganti, do site Mexido de Idéias.

 

Mas voltemos a Hoje e ao serviço do vinho. E me atenho ao Rio de Janeiro, pra não cometer esquecimentos e injustiças. Temos aqui um time de sommeliers (super-humanos), que cito de cabeça: Deise Novakoski,  Danio Braga (fundador da ABS-Rio em 1983),  Célio Alzer, Ricardo Farias, Euclides Penedo Borges, Marcos Lima, Dionisio Chaves, Marcelo Copello, Paulo Nicolay e alguns outros craques que involuntariamente hei de ter omitido nesta lista, aos quais antecipadamente peço desculpas).

Mas e aí? O que faz um sommelier?

Bom, enquanto o agricultor cuida da parreira, o enólogo da vinha e o sommelier cuida do serviço do vinho.  Obviamente essas funções não se esgotam em cada respectiva qualificação e, hoje, todos entendem bastante de todas as áreas que formam o circuito que vai da escolha das cepas, passa pelo plantio da muda, os cuidados com a parreira, a colheita, vinificação, armazenamento, engarrafamento e rotulagem (afora os dizeres legais), distribuição, venda e… o vinho na taça.

Na origem da designação, eles eram os encarregados do transporte da “somme” (em francês), o conjunto de utensílios que os nobres carregavam em suas mudanças (panelas, travessas, pratos, copos, garrafas…). De uns 60 anos para cá, aproximadamente, eles são os responsáveis finais pela harmonização da comida com o vinho adequado, a palavra vinho entrando aí como síntese dos produtos derivados dos fermentados e destilados da uva: champagne (espumantes), conhaques, aguardentes, e … limonada suíça, ou tipos de chás, ou infusões, ou água mineral Pedras Salgadas, quando o cliente não quer (ou não pode) consumir bebida alcoólica.

Mas o campo de atuação de um sommelier/sommelière avançou sobre as áreas conexas: auxilia na escolha dos rótulos e a sua rotatividade (quando não executa a compra direta), zela pelo armazenamento — não só das garrafas mas dos copos/taças que melhor se adéquam à maximização do prazer da degustação —  como passou a ser consultado (além dos restaurantes e assemelhados, obviamente) por distribuidoras de vinho, supermercados, caterings e atua, ainda, junto a cerimonialistas na montagem de festas de casamento, celebrações de empresas, recepções de governo, eventos gastronômicos;  participa de programas de TV, dá palestras, ilustra posters indicando vinhos ou preços, assina blogs, colunas e outras mídias.

E mais: ele(ela) também sugere cerveja, saquê e até charutos, em refeições-gourmet!

Há, contudo, um primeiro problema à vista: (típico dos nossos tempos de “enxurrada de informações”) o cliente que entende tanto, mas tanto de vinho, que há uma inversão de papéis. O sommelier  (humano) fica passivo e o cliente mostra sabença … como nesse divertido vídeo de Porta dos Fundos.

O segundo problema é mais grave.

A tecnologia do 5G  (Gbps — gigabits por segundo), prevista para estar disponível no mercado em 2020, vai alterar radicalmente a transmissão e consequente acesso a conteúdos em volume e velocidade não imaginados nos dias atuais, com 99% de confiabilidade.  Ou seja, na outra ponta, está nascendo um novo consumidor de informações — e aplicações delas, sem os excessos da gozação acima — cuja desnecessidade de interlocução humana será quase total.  O que vai impactar de forma brutal nos atuais empregos. No campo, por exemplo, drones irão dispersar defensivos agrícolas para debelar pragas e epidemias; frotas de caminhões autônomos (sem motoristas) vão cruzar estradas sinalizadas por computadores. A inteligência artificial vai espalhar robôs para ocupar postos de centenas de profissões (sem falar no M2M — máquinas falando com outras máquinas).

Mas ainda no campo da relação pessoa a pessoa,  há um avanço a caminho de um (desejável) futuro próximo, na direção do atendimento a enófilos com deficiência visual (PCD) — coordenados pela ABRASEL — que teria por resultado o treinamento de sommeliers  capazes de descrever oralmente a cor, consistência, características dos reflexos (bolhas, “colar”, etc)  do vinho solicitado, para que o consumidor sem visão possa “juntar as pontas” e somá-las às características ao olfato, paladar e tato (taças) e percorrer assim o despertar dos sentidos que precedem a uma degustação correta.

Passo depois-de-amanhã:  e por que não um robô-sommelier?

Bom, assim como no início mostramos robôs servindo café,  já existem chatbots (abreviação de robô de chats), um software que gerencia troca de mensagens, para atender clientes sobre vinhos. A marca Reservado Concha y Toro, da vinícola do mesmo nome, lançou um chatbot para auxiliar os consumidores. A plataforma, batizada pelo nome de “Renato”, (foto abaixo!) funciona como um consultor virtual que utiliza uma linguagem simples e descomplicada para abordar o universo dos vinhos. A ideia é de que o consumidor possa interagir assim como junto a um amigo: fazendo perguntas e recebendo respostas diretas e objetivas.

Ora, daí para que um robô com “o taste-vin” no colar, solícito, até bonito (na categoria robô), seja o Baco pós-moderno dos restaurantes, aquele que indica o melhor vinho (não o mais caro!) para aquele pedido e depois vai até a adega pegar a garrafa (as taças estarão sobre a mesa), serve,  faz um comentário inteligente e se retira (de costas) até um canto do salão — parece uma questão de (pouco) tempo.

O que nos salva — por enquanto — é que pelo menos o cliente-enófilo será de carne e osso! Ou não?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Compartilhe:
Comentar

Comentar:

?>