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Rio, 22 de setembro de 2017. O que beber com esse calor?

Esse texto foi escrito pensando na primavera (cujo equinócio — aequus = igual e nox = noite, em latim, significando dias e noite iguais, com a mesma duração) que no Hemisfério Sul se inicia neste 22 de setembro. Viva ela!

A seguir, e já no tema (prima vera significa o primeiro verão), as respostas. Primeiro, água. Depois, sucos naturais. Terceiro, em separado ou juntos — mas um de cada vez — cerveja e/ou vinho.  Bier Wein das auf sein moça; Wein Bier auf das rat ‘ich Dir”  é um dito alemão que pode ser traduzido por: “não toque em cerveja depois do vinho, mas vinho depois da cerveja é bom”.

É um pouco a linha do bom bebedor inglês: vá do mais fraco para o mais forte. O Boni e o Ricardo Amaral, por exemplo, às vezes tomam uma taça de cerveja (por favor, não é uma tulipa)    antes das refeições, para hidratar e, na hora da comida, aí sim selecionam o bom vinho. A nova rapaziada europeia, idem. Eu, também, vez por outra.

Ou seja: cerveja como drinque e o vinho para escoltar a refeição.  E vamos começar então pelo tipo de vinho ideal para estas estações que se seguem: primavera e verão.

De preferência, os vinhos brancos tradicionais. E por que?  Porque ao contrário dos tintos, para produzir um vinho branco separam-se as cascas do  suco logo no início da fermentação, o que resulta num produto menos calórico e ideal para ser tomado à temperatura de 8 a 12 graus. E menos calórico, porque as cascas contêm tanino, que são os músculos do vinho tinto — dão-lhe cor, estrutura, firmeza, mas muitas calorias, que é o diferencial do tinto. E os brancos (e rosés) “gostam” de ser refrigerados, porque com relação aos tintos,  os taninos quando submetidos a baixas temperaturas amargam o gosto do vinho.

CURIOSIDADE: pode-se fazer vinho branco com uvas tintas; mas o tinto só podem ser produzido com o esmagamento das uvas tintas.

Agora, a cerveja.

Um pouco de história.

A cerveja é provavelmente provenientes da Mesopotâmia (talvez mais precisamente a Suméria, atual Iraque) mas foi no antigo Egito que ela iniciou a sua carreira. Segundo o sábio grego Ateneu de Náucratis (século III d.C.), a cerveja entrou no cardápio dos egípcios na mais remota antiguidade. Inscrições em hieróglifos e obras artísticas testemunham o gosto daquele povo pelo henket ou zythum, apreciados por todas as camadas sociais.

Os gauleses a chamavam de cerevisia em homenagem a Ceres, deusa da agricultura e da fertilidade. Aliás a deusa parece mais uma Miss Trigo – com todo o respeito – do que uma divindade!

 

Do outro lado da Mancha, temos a Alemanha, a Holanda, a Bélgica e a hoje República Checa como grandes produtores e consumidores de cerveja. Na Bélgica ela era preparada e cultuada nos mosteiros, por monges cervejeiros.

Mas o que é uma cerveja, afinal?

É o resultado da fermentação alcoólica preparada com o mosto de algum cereal maltado, sendo o melhor e mais popular a cevada. Mas outros cereais maltados ou não maltados são igualmente usados, incluindo o trigo, arroz, milho, aveia e centeio. Além disso, como a água é o seu principal elemento, a origem dessa água e as suas características têm um efeito determinante na qualidade da cerveja, influenciando, por exemplo, o seu sabor.  E, muito importante,  por volta do ano 700 dC ocorreu a introdução do lúpulo na composição da cerveja.

O lúpulo, como podem observar, é uma trepadeira de origem européia e muito embora tenha parentesco com a Maconha  não possui propriedades entorpecentes.

 

Usa-se a flor do lúpulo, para acrescentar um gosto amargo que equilibra a doçura do malte e possui um efeito antibiótico moderado, favorecendo a atividade da levedura de cerveja. É utilizado na conservação da cerveja, por possuir propriedades bactericidas e antioxidantes. E a adição do lúpulo à fórmula da cerveja — produzida até então apenas pela mistura da água, malte e aromatizantes, como a camomila, o gengibre, o zimbro e o açafrão — serviu não apenas para “puxar” o sabor para o amargo mas, e sobretudo, para evitar que ela se deteriorasse rapidamente.

Mas além do lúpulo, dezenas de estirpes de fermentos naturais ou cultivados são usados pelos cervejeiros, o que resulta em duas famílias principais de cervejas: as lagers, de baixa fermentação, com aroma suave e teor alcoólico entre 3% e 5%. e as ales, de alta fermentação e sabor frutado, apresentando uma coloração que varia do dourado ao marrom escuro.

Todas devem ser tomadas a uma temperatura de 2 a 6 graus – porque estupidamente gelado só chopp.

E com cerveja (ou com vinho) é muito importante estar-se em boa companhia. Se for casal  tipo “olhos nos olhos”, o brinde tem que ser à la gaúcho: a nós, que nos bastamos! Pros demais, vai bem o tradicional: saúde!

 

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