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Rio, 4 de outubro de 2017. Vinho e Natureza

Nesta semana, 4/10, se comemora o Dia da Natureza. Nada mais oportuno do que falar de vinhos naturais, orgânicos e biodinâmicos.

Quais as diferenças?

Vinhos Naturais. São produzidos sem nenhuma adição de sulfito (SO2), diz o consultor francês Jacques Trefois, um dos maiores especialistas no assunto. O sulfito, aliás, é uma espécie de satanás dos vinhos, porque essa substância, utilizada para ajudar a conservá-los é a culpada pelas dores de cabeça que aparecem horas depois.

Vinhos Orgânicos. São produzidos com uvas cultivadas de forma totalmente natural, sem inseticidas, pesticidas nem agrotóxicos. Mas permitem a adição de substâncias químicas para conservação ou correção de sabor.

Vinhos Biodinâmicos. São um passo (muito) além: segundo Marcelo Omega, do Portal Exame, são os “orgânicos-esotéricos”. Além de não utilizar química no plantio das uvas, os produtores respeitam o calendário lunar e fazem preparos com ervas, água da chuva e até chá para borrifar nas parreiras, como faziam nossos avós Adão e Eva.

De alguma forma  é um retorno há milhares de anos, quando se produzia vinho sem nenhuma intervenção química, equilibrando apenas frio e calor, luz e sombra e observando o relógio biológico que marca plantio e colheita.  Afinal, o vinho, como o azeite, o linho e o trigo, acompanham a humanidade desde antes da História.

Vida que segue:  há 40 anos, um então jovem aristocrata francês — Nicolas Joly — depois de uma carreira bem sucedida no mercado financeiro americano, larga tudo e volta para o Loire, para transformar as terras da família em produção de vinhos biodinâmicos.

Surpreende o mundo do vinho. Passou a utilizar algas marinhas nas secas e arnica nas floradas, para cuidar de suas parreiras. “Não quero produzir apenas um bom vinho. Quero produzir um vinho verdadeiro”, diz Nicolas. E conclui: “nós agimos de modo a ajudar a vinha a se alimentar das particularidades do solo e do microclima que a envolve.

Esse impulso atrai outros vitivinicultores. Aubert de Villaine, o legendário co-proprietário do Domaine de La Romanée-Conti, uma “casa” que vem do século 18, também se rendeu ao cultivo biodinâmico  e há 10 anos (2007), converteu a sua emblemática propriedade de cerca de 1,8 hectares, situada na Borgonha, em um marco na produção de vinhos “ambientalmente responsáveis”. A tal ponto,  que até o uso dos cavalos foi reintroduzido no preparo do terreno, para não “ofender” o solo, como ocorre com o uso de máquinas.

Ou seja, esses “poetas da vinha” não abraçam só um sistema de produção agrícola, mas uma filosofia de vidasegundo a qual (como na moderna medicina) o projeto existencial deve se orientar para a prevenção – e não para a doença, que é a falha da natureza.  Eles creem que uma vinha plantada na época e idade certas e no lugar certo,  o que implica em conjugação das fases da lua, direção dos ventos, hora do plantio,  regas e, enfim, colheita — nunca ficará estressada.

No Brasil, o primeiro vinho certificadamente orgânico foi apresentado ao mercado há 20 anos, em 1997. Foi o Cabernet Sauvignon Juan Carrau Orgânico, um vinho com grande personalidade e características marcantes.

Hoje, os produtores mais atentos às tendências do mercado e da sociedade, acrescentaram um novo diferencial: a sustentabilidade.  Dois exemplos: a Lifford Wine Aggency, por exemplo, em parceria com a também americana Californian Winery iniciou a elaboração de um vinho verde especialmente para o mercado canadense: Plantatree.  As garrafas são PET biodegradáveis, os rótulos impressos em papel reciclado e ilustrados com tintas orgânicas.

E para cada garrafa de vinho vendida, uma árvore será plantada no solo canadense.  A tradicional Sicília, lança o Purato, um vinho cujo rótulo é um discurso de respeito à natureza. O papel e papelão, 100% reciclado; o vidro também e a tinta 100% vegetal. A rolha é rosca e não cortiça, para não “descascar”o sobreiro.

Este blog aprova e aplaude essas conquistas ambientais, mas roga … Baco nunca nos desampare!

 

 

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