Publicidade

Jornal do Brasil

Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 12 de outubro de 2017. Da água para o vinho

Nesta quinta-feira (12/1017) teremos o feriado de N. Sra. da Aparecida, padroeira do Brasil desde 1980, quando da visita de João Paulo II e a única imagem de santa com a nossa bandeira nas vestes.

Parênteses: e, muito importante, também a comemoração pelos 100 anos da última aparição de N. Sra. de Fátima, na Cova da Iria, Portugal, aos três pastores (Lúcia, Francisco e Jacinta).        

Por isso, muitas, mas muitas missas serão rezadas no Brasil e em Portugal. E os celebrantes vão benzer e beber Vinho de Missa.

Mas o que é Vinho de Missa, ou Vinho Canônico? É qual a diferença para um vinho normal?

O vinho (seja o Canônico, seja o normal)  é preparado a partir da fermentação do mosto da uva. Para produzir esta substância é necessário, primeiramente, separar as uvas dos cachos e depois esmagá-las, amassando toda a polpa até conseguir um líquido viscoso.  A seguir (não vamos nos deter no passo a passo, isso seria um outro blog), as leveduras existentes nos bagos da fruta se transformam em álcool etílico e temos, então,  o vinho de uva (pode-se fazer vinho de caju, de maça, etc).

Já o chamado vinho de missa, em geral tinto mas não necessariamente, como veremos a seguir, leva um acréscimo de açúcar e de aguardante de cana ou de uva, para cortar a fermentação (o vinho deixa de envelhecer), o que o torna mais licoroso, mais alcoólico (entre 16% e 18% GL) e mais longevo.

Observação: já de alguns 20 anos para cá, o Vaticano autorizou celebrar-se a missa com vinho branco, porque as freirinhas não aguentavam mais lavar aquelas toalhinhas imaculadamente brancas com manchas “de sangue”.

Mas por que “a lógica da Igreja” quer um vinho mais doce e mais alcóolico?

Porque, como dissemos, ele precisa durar mais e resistir às precárias condições em que, em geral, é guardado: em velhas cômodas junto com velas, incenso e mirra, batinas, etc.

No Brasil, três empresas gaúchas abastecem esse mercado: Salton, Aliança e Chesini. Mas a maior fornecedora é a Salton, que há mais de 60 anos fabrica o Vinho Canônico.

É um vinho elaborado em Bento Gonçalves, RGS, a partir de um corte de uvas Moscato (50%), Saint Emilion (40%) e Isabel (10%). Trata-se de um rosado licoroso doce, com graduação alcoólica de 15º GL, comercializado em garrafas de 750ml, a menos de R$ 15,00 a unidade — no varejo da empresa.
A maior procura é para fins religiosos, mas há consumidores que buscam o vinho para beber com a sobremesa ou mesmo como aperitivo, provavelmente por conta do preço.

Já o vinho de missa Aliança, licenciado desde meados da década de 1970, apresenta como diferencial o fato de ser um branco licoroso doce. Ele é elaborado com vinho-base de uvas Moscato, ao qual é adicionado álcool vínico e açúcar.
Com 17,6º GL, o produto é vendido em garrafões de dois litros, por preço similar no varejo da Cooperativa Aliança – único local em que é encontrado –- em Caxias do Sul.
É um produto feito mais para atender às paróquias pequenas.

Por último, temos a Adega Chesini, de Farroupilha, fez uma inovação em 2006: oferece o ‘vinho de missa’ em embalagens bag-in-box de cinco litros.

E deu certo: hoje o produto chega a mais de 20 Estados – sendo 95% do público consumidor formado por igrejas e o restante por apreciadores de vinho doce a baixo custo.

Você já provou? Eu já (e estou falando do não-bento, porque o bento tem outro significado). Mas é muito ruinzinho.

Por isso, e excluído para o sacerdote (?) é melhor vê-lo de longe, no alto … no altar, na liturgia da consagração.

E depois, em casa, degustar um … Châteauneuf- du- Pape pra ficar no clima!

 

 

Compartilhe:
Comentar

Comentar:

?>