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Rio, 18 de outubro de 2017. Leonardo, o multigênio

Walter Isaacson, jornalista americano, ex-editor do Times, lançou esta semana a biografia “Leonardo da Vinci”, que antes de chegar às livrarias de todo o mundo já é o primeiro colocado na pré-venda da Amazon.com. Pudera!

Leonardo (nasceu em 1452, pra facilitar há 565, signo de Áries)  pensou o helicóptero, a bicicleta, a prancha de esqui, a asa-delta, as máquinas de guerra — o guardanapo e a tampa para as panelas — o arranjo de mesas e nunca teve limites para a sua curiosidade insana. Exemplo bizarro: queria saber como era a língua do tucano?

E foi estudando profundamente os músculos dos lábios que resolveu pintar o enigmático sorriso de (uma das) sua obra-prima: a Mona Lisa.

Leonardo morreu aos 67 anos,  na pequena cidade de Cloux, perto de Ambroise, (Tourraine), no braços do Rei de França, François Premier. Um desses gênios dentro dos quais o Sol nunca se põe, como disse Neruda no enterro do Picasso.

Mas nem todos sabem que Leonardo foi um apaixonado por alimentos e pela liturgia das refeições. Para começar,  foi talvez o primeiro vegetariano — por opção — de que a história traz registro. E um “cinematográfico” cenógrafo de festas! Para agradar ao seu benefactor, o poderoso Duque de Milão, Ludovico Sforza, (para quem trabalhou 13 anos) e considerado o melhor anfitrião da Lombardia,  coordenava espetáculos pantagruélicos, em que não apenas a quantidade, mas a arte de preparar e apresentar os alimentos, bem como de construir atrações que permeavam os pratos, faziam a diferença.

E já naquela época –- há cinco séculos, repito — Leonardo defendia a simplicidade dos alimentos e a beleza de uma mesa bem posta. Registrou no seu diário: “É meu dever tornar cada banquete um feito inesquecível. Juntava libélulas, plantas aromáticas, fontes de água, grilos, água de rosas para enxugar as mãos, pequenas estátuas de marzipã, geleias coloridas e, lá fora, cisnes, sinos, corneteiros e avestruzes dando voltas e mais voltas, para dar movimento à paisagem”.

E anotava tudo o que pensava sobre gastronomia em manuscritos que levavam o nome de “codex”. O que trata dos assuntos da mesa é o Codex Romanoff, cuja cópia foi achada em 1981.

Leonardo nasceu numa fazenda perto da cidadezinha de Vinci, na toscana. Foi criado pelos avós paternos, numa pequena propriedade que cultivava trigo e azeitonas. A alimentação se completava com legumes e vegetais. Por isso, comia-se fava e feijões, grão-de-bico e ervilha, com pão, alho, cebola, nabos e…azeitonas. Além de queijo de ovelha. E, tratando-se da Itália, obviamente bebia-se vinho, desde os 5 anos – com água.

Cresceu gênio. Se tivesse nascido no século XX teria inventado o iPhone, a Internet, o carro elétrico, os drones… Era divertido, perfeccionista (imaginem!), bonito, namorador e gay (sic Isaacson).

Frequentou o fausto dos Borgias,  a pompa dos dodges de Veneza (e do Duque de Milão, como dissemos), dos senhores de Roma, pintou a Última Ceia — pintou o 7!

E pra entrar no clima, que tal a Mona Lisa enófila?

 

 

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