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Rio, 11 de janeiro de 2018. Um grego no Rio

O impacto que primeiro impressiona quando se entra no novo restaurante grego de Ipanema — OIA (pronuncía-se “ía”) — é o atendimento. Vou mais longe: melhor do que o acontece na própria Grécia (ele são meio relaxados no serviço). Há uma gentileza coletiva que começa com as meninas da porta e vai se espalhando como nos restaurantes japoneses… Nem por acaso (eu) considero a Grécia mais oriental do que ocidental, malgrado a geografia física.

Ponto dois: o profissionalismo (com pleonasmo) dos profissionais: Cecília, Larise, Caroline, todas.

Mas peço registro especial para a maître Vanessa Araújo. É uma máquina de eficácia. Circula, sugere, confere tudo, atende pedidos de “porção maior, porção menor, troca este acompanhamento por aquele…” e mesmo quando está cuidando de outra mesa, lança um olhar de detetive pra checar a quantas anda o atendimento de cada uma. Ainda um agradecimento ao garçom Almeida. Estuda os pratos, estuda a carta de vinhos, participa do clima da mesa (estávamos com a neta de 5 anos, ele colocou flores no cabelo, cadeira alta, cadeira de balanço): um craque.

Nota: e estou elogiando porque gostei, por justeza, porque paguei direitinho a conta!

Três: a decoração. Despojada, bem iluminada e alegre, florida, a cara daquelas ilhas. No caso a inspiração foi Mikonos.

Quatro: a presença ipanemense de gente jovem. Não só em idade: no jeito de vestir, rir, beber.

Cinco: a proposta gastronômica. Mediterrânea, com foco na grega, ou vice-versa. De entrada, por exemplo, sugiro a salada Oia (até mais do que a grega, que muita gente já conhece). Vem melancia marinada, iogurte, especiarias e hortelã. Um refrigério gastronômico!

Ou esta abaixo, de pepino.

Mas quem preferir o conhecido, peça queijo feta crocante com crosta de castanhas. Como prato de resistência (e não vou descrever todos, estão no site), recomendo um desses: polvo no carvão com purê de grão de bico, ou a lagosta assada no carvão, ou camarão na brasa com arroz cremoso de limão siciliano, ou peixe do dia assado no carvão, ou o spaghetti com molho de tomate e cauda de lagosta. Detalhe: na dúvida, peçam ajuda à jovem chef Vivi, que é um encanto e com prazer sugere pratos, oferece mini degustações e “narra” a feitura das iguarias. Ou, se ele estiver por perto, ao estrelado chef executivo do grupo, o ainda moço Elia Schramm. Um chef contemporâneao: idealiza, produz, serve algumas mesas, fotografa o salão, participa de reuniões   com os sócios-investidores. Está a um passo de um programa de TV.

Os preços médios do OIA, são bem possíveis: entre 50 e 70 reais a maioria dos pratos. E o menu executivo em dias de semana a incríveis R$ 42,00. Tem mais: se Vc pedir qualquer prato à la carte, ganha a salada de entrada do menu executivo e a sobremesa (pelo menos por enquanto).

Boas opções de sobremesas, aliás. Dica: a Helena — bingo! — sorvete de iogurte com mel e nozes caramelizadas;  a massa folhada crocante com chantilly de iogurte, mel e baunilha — servida com mix de berries e hortelã; e o pão-de-mel da casa, com calda de doce de leite, crumble de castanha de caju com especiarias e sorvete de baunilha Bourbon. Depois é só imitar o Zorba dançando uma hora no cais do Pireu pra perder peso…

Vinhos? Boas opções. Dos gregos, no entanto, apenas 4 (por ora), mas com um branco muito interessante: Amethystos,  um vinho regional (Drama, localizada na Macedônia) simpático, produzido com 85% de Sauvignon Blanc e 15% de Assyrtico: leve, frutado, vivo como o rótulo.  Não é barato. Detalhe: o OIA não cobra rolha!

A carta de vinhos, eletrônica (no iPad), aliás, acrescenta uma novidade: uma tábua de harmonização com as sugestões de tipo de vinho para cada matéria-prima.

Um gole de história: o vinho nasceu há algo como 7 mil anos, no Cáucaso, entre o mar Negro e o mar Cáspio, na Ásia Menor. Mas foi na Grécia que ele encontrou o seu primeiro lar — e o seu deus, Dionísio. E lá que ele começou a ser utilizado como bebida e como medicamento. Depois “foi” para a Itália e o Império Romano o apresentou ao mundo!

Hoje, na Grécia contemporânea, são cultivadas cerca de 250 variedades de uvas em quase todo o continente e em todas as ilhas. No norte da Grécia, as áreas de produção de vinho mais importantes são Naousa, Goumenisa, Amynteo, Siatista e Halkidiki. Já na Macedonia (noroeste), são produzidas as castas Xynomavro, Moshomavro, Athiri, Agioritico e Assyrtiko — o meu branco preferido. E, se como observa matéria da Revista Adega, “é uma pena, porque embora são vinhos que nunca alcançarão volume para competir em preço com outras potências do mundo vinícola, (por outro lado) é justamente na exploração da riqueza de seus inúmeros terroirs e uvas únicas que nasce um arsenal invejável e irresistível para os amantes do vinho em qualquer parte do mundo”.

Ergo, bibamos!

 

 

 

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