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Rio, 14 de fevereiro de 2018. O primeiro Dia dos Namorados

Nos dias 14 de fevereiro, muitos países da Europa e sobretudo os EUA celebram o Dia dos Namorados – Valentine`s Day.

Que lá não é só para namorados; é para casais casados há muito tempo, grandes amizades, por aí. Mas … e no Brasil?  Por que será que aqui o Dia dos Namorados é celebrado no dia 12 de junho?

Ah! (mais uma vez) a criatividade brasileira funcionou! Porque o publicitário paulista João Dória trouxe essa ideia da Europa e convenceu os comerciantes de São Paulo a apostarem no evento — Dia dos Namorados — mas… em junho. E no dia 12.  Primeiro, porque é véspera de Santo Antonio, o santo casamenteiro, o que prepara o clima de “no infinito de nós dois”, como nessa linda ode à namorada, do Carlos Lyra. Segundo, porque o mês era sempre fraco, para o varejo, porque o Dia das Mães em maio quase sempre esvazia(va) os bolsos, e um evento dessa “amplitude”, se bem trabalhado, como foi e é, turbina(ria) a cadeia emotiva das compras de cartões, presentes, bebidas, chocolates, jantarezinhos e… motéis!

Sim, mas e… São Valentim?

Bom, foi o grande “precedente” e a sua morte coincide com uma data mais antiga ainda. Vejamos: ele, um padre italiano que ali por volta do século III da nossa era, na Roma antiga, celebrava casamentos sobretudo entre os militares. Nisso, o então imperador Claudio II (que reinou depois de Calígula e antes de Nero e foi quem invadiu a Britânia, o centro-sul da Grã Bretanha no ano 43 dC) e que acreditava que os solteiros eram melhores combatentes do que os “amarrados (no que não estava inteiramente errado: haja vista este mesmo conceito para o celibato dos padres), proibiu os casamentos durante os períodos de guerra, uma constante naqueles tempos.

Mas o celebrante Valentim se rebelou contra as ordens do monarca e continuou celebrando casamentos. (Claro!), foi preso e condenado à morte. Sucede que, na cadeia, o carcereiro o procurou dizendo que a sua filha era cega (ele tinha fama de milagreiro). Perguntou se ele podia curá-la. E ele não só a curou, mas casou-se — secretamente, é óvio — com ela!

Só que não escapou da sentença e morreu no dia 14 de fevereiro, deixando para a sua amada um bilhete em que se assina “Seu Namorado”. Virou santo, mártir da Igreja . Coincidentemente, 14 de fevereiro era também a data de um antigo  festival romano chamado Lupercalia, em homenagem a Juno, deusa da mulher e do casamento.

Bingo, tudo a ver!

E como diz outra canção, “amar é tão bom!” que até as aves (e outros bichos) não dispensam. Por isso, a dica desse blog é veemente:  apreciem … sem moderação!

 

 

 

 

 

 

 

 

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Rio, 8 de fevereiro de 2018. Prosecco com Morango

Aproxima-se o Carnaval brasileiro 2018 o qual — como muito bem sustenta o Bruno Astuto — está para nós como a ópera para os italianos e alemães, a moda para os franceses e Hollywood para os americano: é o nosso soft power. E falando nele, não dá para “esquecer” a sua origem sociológica,  o Carnaval de Veneza. Segundo a Wikipedia, esta festa surgiu a partir do século XVI,  quando a nobreza se disfarçava para sair à rua e se misturar com o povo.  Por isso, as máscaras são o elemento mais importante. Hoje, pra muita gente, não é para esconder a face; é para esconder a vidinha mais ou menos! Para outros, não: é hormônio mesmo!

                   

Vida que segue. Nunca passamos nenhum carnaval por lá, mas a segunda vez em que a minha mulher e eu circulamos pela Praça de São Marcos num fim de tarde em abril (1994), fomos tomar o drinque da moda no bar do Hotel Cipriani: um Prosecco con Fragola.

Acho que bebemos duas taças cada e seguimos passeando até o jantar sem nenhum registro especial sobre a mistura de Prosecco com uma fruta.  Simpático é o adjetivo que me ocorre. Aliás, mistura-se também com suco de pêssego para o famoso coquetel Bellini ou com Aperol, para o Spritz (Aperol ou Campari, Prosecco, soda limonada, gelo e uma casca de laranja a cavaleiro da taça).

Anos depois, na véspera das preparações para o Réveillon do século (de 2000 para 2001, porque não existe ano zero!) comecei a ver Proseccos em todos os supermercados, delis, etc, no Rio. No início, pelo menos, apareceu o verdadeiro: italiano produzido na região do Veneto, em Valdobbiadene ou Conegliano. E os únicos dois que têm direito à denominação de origem controlada (DOC). Mas depois, na sequência,  como para a grande maioria  queria celebrar “como rico” a entrada no 3° milênio e o barato (com trocadilho) da comemoração era o espoucar da rolha e as bolhas (ah! enquanto houver champagne haverá esperança, Zózimo), o marketing de oportunidade dos distribuidores de Prosecco foi imbatível. Arrasaram!

Foi uma proliferação horizontal, a ponto de virar sinônimo de “champanha” para muita gente (e infelizmente até hoje) como, no passado, gilette era a sinônimo de lâminas de barbear, Brahma de cerveja, etc. E começaram a surgir proseccos argentinos, chilenos e… brasileiros, com preços abaixo dos espumantes, das cavas, dos frisantes…

Um gole de história: a partir de 2009 a uva Prosecco (uma casta  branca  originária da região do Veneto, Itália) passou a ser chamada de Glera, ficando Prosecco como marca. Mas para merecer a Denominação de Origem Controlada, ele TEM que ser produzido nas regiões mencionadas acima, ou seja, produzido exclusivamente em Treviso, especialmente nas colinas entre Vittorio Veneto e Valdobbiadene ou Conegliano, na versão Brut, Extra Dry e Dry, de acordo com o açúcar residual presente que vai do mais seco, o Brut, ao mais amável, o Dry.

Embora a maioria dos verdadeiros Proseccos seja 100% varietal (com a única uva) a legislação permite um blend, ou seja, embora obrigatório colocar-se pelo menos 85% de Glera, os restantes 15% podem ser Verdiso, BianchettaTrevigiana, Perera, Glera Lunga, Chardonnay, Pinot Bianco, Pinot Grigio e Pinot Nero, também conhecida como Pinot Noir.

Detalhe: todas essas uvas devem sempre ser vinificadas em branco, pois a denominação não permite exemplares do tipo rosé ou tintos – até porque (como sabemos), pode-se fazer vinho branco de uva tinta (separando a casca escura do sumo nas primeiras 6h), mas não se pode fazer vinho tinto de uva branca.

Em tempo: a Itália produz ótimos espumantes, sendo que o mais famoso é o Ferrari (excelente, por sinal, mas caro!) e cujas uvas são cultivadas nas colinas da Lombardia.

Além dos conhecidos Lambrusco, na Emilia-Romana e Asti, adocicado, coma a uva Moscato. Conclusão: o Prosecco não é a sétima maravilha dos que gostam de “beber estrelas” (D. Pérignon) mas é um espumante possível e de bom preço.

Salute — e figli maschi (horrível!)

 

 

 

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