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Rio, 15 de março de 2018. O vinho verde não é verde

Ele pode ser branco palha, ou amarelo-âmbar, ou dourado, como o Casal Garcia, o mais conhecido no Brasil.

Ou rosé, ou azul-marinho, tinto. E mais: o adjetivo verde não indica uma pré-colheita. Ou seja, não se pense que as uvas que produzem o vinho verde são colhidas prematuramente. Elas são colhidas na data exata em que atingem o ponto de equilíbrio dos taninos, ácidos, açúcares, matérias corantes e compostos aromáticos. E, também, na data exata em que os bagos atingem seu peso máximo.

Nota: segundo o mestre Sérgio de Paula Santos, médico e veterano enófilo (com quem me iniciei “nas fileiras de Baco” lendo o seu livro Vinhos, em 1982 e com quem partilhei anos depois o privilégio de abrirmos juntos aqui no Rio uma garrafa de Vinho do Porto – 1834 – presente do Conde de Monsaraz a meu pai), “o vinho verde é o mais português de todos os vinhos de Portugal, oriundo da parte mais antiga do país, uma zona litorânea acima do rio Douro, vizinha da Galícia”. Foram encontrados documentos de exportação de vinho verde para a Inglaterra em 1353!

Mas, então, por que se chama Vinho Verde?

Primeiro: porque “vinho verde” é uma denominação de origem que foi criada em 1908 pelo governo português para identificar os vinhos jovens produzidos no noroeste de Portugal. Hoje eles são certificados pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) que lhes outorga o selo de Denominação de Origem (DO) ou Indicação Geográfica (IG). E essa geografia compreende a região do Entre-Douro (Amarante, Ave, Baião, Basto, Cávado, Lima, Monção e Paiva) até lá em cima, no velho Minho. A pátria do vinho verde!

Uma província especial, povoada de casinhas de pedra, pontes romanas, feiras e festas religiosas e da alegria simples das cachoupas vestidas a caráter.

 fotos do FairStyle WordPress

Mas, na ponta tecnológica, a região é iluminada pelas turbinas eólicas do “Alto Minho”, um dos parques maiores e mais modernos da Europa.

  foto do Portal de Energia de Portugal

E o Portugal que nasceu ali em tempos imemoriais — vai a galope provando o melhor do século 21.

Segundo: porque verde é o manto que cobre esse vasto território, descendo pelas serras, cobrindo os vales e que se estende até o mar, de Melgaço ao Vale de Cambra, de Esposende até as montanhas que anunciam a proximidade de Trás-os-Montes. Varia o relevo, alteram-se as paisagens agrícolas, mas o verde se impõem-se com a marca da região.

  foto do Google

Finalmente: e qual é, então, a diferença essencial entre um vinho verde e um vinho não-verde?

A mais importante: devido às características do terroir dessa região, as uvas são ricas em ácidos e pobres em açúcar. Assim, a fermentação NÃO TERMINA com a vinificação (como é o normal na maioria dos vinhos) e continua dentro da garrafa, como nos champanhes. E este ácido málico transforma-se em gás carbônico (fermentação maleolática), o que faz com que o vinho apresenta o que os enólogos chamam de “agulha”, algo que lembra na boca as bolhas de um espumante. As principais castas brancas são: Alvarinho, Arinto, Avesso, Azal, Loureiro e Trajadura. E as tintas, Alvarelhão, Amaral, Espadeiro, Padeiro e Vinhão.

O verde branco, sobretudo o produzido com a casta Alvarinho, é um vinho sempre moço, fresco, vibrante, com notas minerais, que acompanha bem frutos do mar, peixes (preparados ou crus), mariscos, ostras e aperitivos. Já o tinto, com a casta Vinhão (Sousão), é bem ácido, mais musculoso, e “encara” lindamente um leitão à Bairrada…

Bem haja!

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