Publicidade

Jornal do Brasil

Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 5 de abril de 2018. É mentira?

Dia 1° de abril virou clichê: Dia Mundial da Mentira. Então, vamos lá: e o que é a mentira?

Pinóquio em gravura italiana do século 19

Pode ser: (1) a omissão da realidade (por conveniência, por exemplo: mulher feia, doente terminal, namorado apaixonado, desculpa pro guarda …); 2) manipulação da taxa de realidade, pra adicionar “realce” à narrativa, crescer aos olhos de terceiros, arranjar um emprego…); 3) desculpa por uma falta menor (“compromisso de última hora me impediu…”); ou maior: num tribunal, na mídia; 4) total armação de má-fé para atingir determinadas pessoas/objetivos. Ou… como propôs o nosso querido poeta Mário Quintana, simplesmente…

a mentira (às vezes) é uma verdade que se esqueceu de acontecer!”

Mas por que o Dia da Mentira “cai” no 1° de abril? A versão mais verossímil “diz” que a tradição surgiu na França. É assim: até o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 22 de março, data que marca a chegada da primavera (no hemisfério norte). E as festas duravam uma semana e terminavam no dia 1º de abril.

Mas em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX, da França, determinou que o ano novo seria comemorado oficialmente no dia 1º de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano se iniciaria em 1º de abril.

“Gozadores”então passaram a ridicularizar esses renitentes (até porque muitos camponeses nem tinham tomado conhecimento do édito real) e passaram a enviar presentes esquisitos e convidá-los para festas que não existiam. Daí, é fácil imaginar o “ha! ha! caiu no primeiro de abril!”

Na sequência, essas brincadeiras se espalharam por toda a Inglaterra e, a seguir, para todo o mundo. No Brasil, o primeiro Estado a “aderir ao calendário” foi Pernambuco, onde uma barriga ( furo jornalístico falso) foi publicada no jornal “A Mentira” (nem por acaso!), noticiando a morte de D. Pedro II em 1° de abril de 1848!!!

O jornal, obviamente, desmentiu no dia seguinte, mas o Imperador tirou de letra: jantou em Petrópolis, com a família: canja e uma taça de vinho para comemorar “a ressureição”!
Curiosidade: os norte-americanos são tão ligados a esse binômio verdade-mentira, e portanto temem tanto a exaltação da MENTIRA (nos demais dias do ano), que o Walt Disney criou em 1940 uma versão construtiva da verdade, baseada no livro As Aventuras de Pinocchio (1883) , mostrando para a criançada o quanto mentir pode ser ruim e prejudicial para a vida das pessoas. E no Brasil, também o Ziraldo, mestre da literatura infanto-juvenil e um dos inventores do Caderno B, do Jornal do Brasil, combateu a mentira através do seu famoso personagem, o Menino Maluquinho. Em “O Ilusionista”, o personagem descobre o mal provocado por roubar, fingir e mentir.

Mas no mundo real, sobretudo na política, há um esquizofrênico paradoxo: o jogo político “encoraja” a mentira — mas condena o mentiroso!

No Brasil ficou célebre a campanha dos adversários do Brigadeiro Eduardo Gomes, na campanha presidencial de 1950, quando na véspera espalharam nas rádios que ele não queria o votos dos marmiteiros… o Dutra ganhou.  Mas o exemplo mais dramático pela repercussão mundial, é o caso Nixon. Em 1974 teve que renunciar à presidência dos EUA (para não sofrer impeachment), porque as gravações da Casa Branca tornaram inequívoca a sua participação (consentimento e até incentivo) na invasão noturna à sede do Partido Democrático, o Caso Watergate. E ele mentiu, negando a sua interferência, até que…

O atual presidente Donald Trump criou uma verdadeira campanha contra o que chama de fake news – das quais, ao que parece, se beneficiou nas eleições — mas que existem. Antes elas eram mais inofensivas, tipo fofocas; mas hoje o alcance das mídias sociais e a “tecnologia da similitude” elevou a níveis planetários os efeitos demolidores de notícias falsas, ou deturpadas na medida certa, porque rapidamente convencem milhares de pessoas de sua “veracidade”.

E o que é pior: não há mais, um dia certo, o Primeiro de Abril. Valem os 365.

 

Compartilhe:
Comentar

Comentar:

?>