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Rio, 12 de abril de 2018. Malbec Day

No próximo 18 de abril, os 2.669,6 km que separam o Rio de Buenos Aires vão estar mais curtos: é a comemoração do Malbec World Day (oficialmente no dia 17 de abril) e os consulado da Argentina junto com a Wines of Argentina celebram essa data em mais de 44 países do mundo. O vinho Malbec além de ser — junto com o tango — uma marca da Argentina é um dos preferidas dos brasileiros. E coincidência ou não, para nós o Malbec tem mais a ver com o outono e inverno do que com o verão. Detalhe: a Argentina e o maior país emissor de turistas para o Rio de Janeiro (gracias, Nuestra Señora de Luján!)

Um gole de história

A uva Malbec é originária do sudoeste da França, região de Cahors, próximo a Bordeaux, onde é conhecida pelo nome Côt. Quando a praga filoxera devastou as suas parreiras europeias no meio do século XIX, ela foi trazida para a Argentina pelo empenho do visionário Domingo Faustino, que contratou (1853) o enólogo francês Michel Aimé Pouget para oferecer-lhes uma novo endereço: Mendoza, no sopé da Cordilheira dos Andes.

Aliás, essa imigração só foi bem sucedida pelo decisivo empenho do então presidente Sarmiento (1868-1874, intelectual, escritor e gourmet – além de “a cara” do nosso embaixador Marcos Azambuja — que facilitou toda a operação.


Mas ela chegou à serra argentina (Luján de Cuyo, Valle de Uco) e foi sendo misturada com outras cepas, ainda em fase de adaptação. Só em 1996, quando o legendário Nicolas Catena resolveu produzir os primeiros vinhos 100% Malbec é que o experimento surpreendeu. A safra de estreia, o “Adrianna Malbec 2004”, conquistou a nota 98 do crítico Robert Parker. Recentemente, esse mesmo vinho, safra 2012, foi eleito o melhor Malbec da Argentina pelo guia Descorchados 2015, tendo recebido a nota 97, a mais alta nota dada a um vinho argentino nesse ano.

Foi a consagração do Malbec. A coloração desse vinho é intensa. Um vermelho denso, caminhando para o violeta. O aroma remete à frutas vermelhas, ameixas maduras e, às vezes, a tabaco, chocolate e até anis. Já na boca ele apresenta um sabor prolongado, com agradável textura. E por conter acidez equilibrada e taninos chamados de redondos, o Malbec é um vinho gastronômico; isto é, “feito” para acompanhar comida.  Combina bem com a carne bovina e de cordeiro; caça; e vai bem também com matambre, com todos os embutidos e até com queijos fortes.

Sin olvidar las empanadas, che!

          

O vinho pode ser elaborado (varietalmente) com 100% de uvas Malbec, ou com cortes de outras tintas, sobretudo a Cabernet Sauvignon.  Mas foi a tenacidade dos vitivinicultores argentinos, com o efetivo apoio do governo, somados à grande luminosidade solar das montanhas, à alta altitude e à amplitude térmica de Mendoza, que transformaram o Malbec – junto com o tango – em embaixadores da Argentina no exterior. Que meu amigo Macri me perdoe, mas acho que deveriam constar da folha de pagamento da “Cancillería”…

Salud!

 

 

 

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