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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 19 de abril de 2018. Importante é a taça, não a garrafa

E o título val como metáfora!

Até recentemente eu achava que a quase maioria absoluta das garrafas de vinho (con)têm 750 ml porque  o vidro soprado foi desenvolvido pelos artesãos de Murano, Veneza, no início do século XVII e essa medida era a maior quantidade de ar,  soprada continuamente, permitida pelas autoridades para evitar que os sopradores sofressem embolia pulmonar.

Mas um amigo meu, Ricardo Teixeira, enófilo português de boa cepa, me manda outras variáveis e, por fim, a “verdadeira” razão. Nas variáveis, temos: a) o consumo médio de uma refeição; b) melhor maneabilidade para servir o vinho; c) facilidade de transporte.

Já a verdadeira (como sempre, razões de mercado!) seria a seguinte: naquela época (século XVII), os principais clientes dos vinhos franceses eram os ingleses. Mas estes nunca adoptaram o mesmo sistema métrico dos “continental people”. A unidade de volume dos ingleses era o “galão imperial” que equivalia precisamente a 4,54609 litros.

Para simplificar a conversão, os exportadores franceses transportavam os vinhos a partir de Bordeaux,  em pipas de 225 litros. Ou seja, aproximadamente 50 galões. Quando transferidos para unidades de consumo comercial, esses 225 litros correspondiam a 300 garrafas. E cada garrafa dessas (225 divididos por 300) continha, portanto, 750ml por unidade.

Além disso,  cada galão vendido aos ingleses, com 4.500 litros totais, em garrafas de 750ml, precisava ser vertido em unidades “acomodáveis” em caixas de madeira: daí as 6 garrafas em cada,  padrão observado até hoje.

Mas a tecnologia está aí mesmo, e  o “pulmão macânico” que sopra os vidros nas grandes indústrias atuais permite engarrafar em todos os tamanhos. E, assim, temos a meia garrafa, 375 ml; a padrão, 750 ml; a magnum, 1,5 lit; a double magnum, 3lit; a Jeroboam, 4,5lit; a imperial, 6 lit (se for de champagne é Matusalém); a Salmanazar, 9 lit, a Balthazar, 12 lit e Nabucodonosor, com 15 lit.

Observação: essas denominações sofrem variações, (bordeaux X bourgognes, ou denominação de outros países), mas a escala tradicional é essa.


Na ponta inversa, temos a embalagem bag-in-box, cuja torneirinha libera taças com 150ml e você pode provar de um, de outro, mais outro …  numa “volta para o futuro”, já que há 2 mil anos os escravos romanos iam até as ânforas encher as canecas ou taças de seus senhores, para servi-los by the glass…

Finalmente, a vertente contemporânea — os vinhos ambientalmente corretos — não cessa de inovar.. O americano Matthew Cain bolou uma solução mais avançada do que os produtores de orgânicos e biodinâmicos,  ao fundar a  Yellow+Blue Wines, na Pensilvânia, EUA, em 2008, quando criou embalagens de Tetra Park para aqueles vinhos de consumo imediato. “Enquanto o vidro se mantém como padrão de ouro para um vinho que vai para uma adega, continua ele, a maioria do consumo nos EUA ocorre apenas algumas horas após a compra ou, no máximo, em semanas”.

Então, para consumo rápido, Cain escolhe vinhos prontos, de vinícolas orgânicas e, ao invés de engarrafá-los no próprio local, ele envia o líquido para os EUA, em tanques isolados de aço. O custo para a Y+B foi é por volta de 40% a mais do que usando ‘flexitanks’ – grandes sacolas plásticas dentro de contêineres, um método comum de transporte em massa –mas mantém a temperatura constante do vinho em trânsito e assegura a qualidade final do produto. E, finaliza Cain, “o impacto no meio ambiente foi diminuído substancialmente. Nós medimos nosso nível de emissão de carbono e é a metade do que seria se o mesmo vinho fosse entregue no mesmo lugar, em vidro”.

Se eu fosse diretor de criação da Yellow & Blue, eu criaria um slogan assim: saúde, dos presentes e do planeta!

 

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