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Rio, 31 de maio de 2018. Pão, vinho e a presença de Cristo

Por que se comemora o Corpus Christi? E por que nas missas o celebrante levanta a âmbula (*) e o cálice com as hóstias e o vinho consagrados?

                     

Para reafirmar a presença de Cristo, ali representado naquele pão e naquele vinho. Essa tradição — a festa do Corpus Christi — foi instituída pelo Papa Urbano IV no dia 8 de Setembro de 1264 para tentar e resolver a descrença dos cristão na Idade Média com relação a esse rito da missa. Tanto que além dessa elevação e no  esforço de dar maior visibilidade ainda à Eucaristia, o Vaticano recomendou às suas paróquias que estendessem para fora das igrejas a celebração desta festa, ganhando as ruas; e o formato escolhido foi (e é) a decoração de calçadas e a mobilização popular através das procissões, que tiveram início ainda no século 13, em Colônia, na Alemanha.

         

Como se não bastasse essa “ópera de rua”, a procissão de Corpus Christi é uma parábola da caminhada do Povo de Deus durante 40 anos em busca da Terra Prometida. O Antigo Testamento diz que o povo peregrino foi alimentado com maná, (grãos do deserto) durante a travessia (donde a expressão: “isso é um maná dos céus!”).

E por que o pão e o vinho? Porque Jesus escolheu os mais (re)conhecidos símbolos da alimentação cotidiana para transmitir a metáfora do sustento diário da alma dos cristão, transferindo para a hóstia e para o cálice consagrados o seu próprio corpo e o seu próprio sangue.

Por isso, faz todo o sentido o Leonardo Da Vinci, que era um esteta (entre as outras 100 virtudes) colocar os pães em primeiro plano na sua célebre tela A Última Ceia.

Breve glossário.

O vinho começou a ser produzido há cerca de 4 mil anos, muito provavelmente na Ásia Menor — entre a Pérsia e a Armênia, no Cáucaso. Mas só ganhou tenência com a expansão da “onda grega”, iniciada mil anos antes de Cristo. Da Grécia seguiu para o Egito, depois para a Itália e se expandiu por toda a Europa, sendo que a partir da Península Ibérica atravessou o mar-oceano e se instalou nos quatro cantos do mundo. (**) Mas nesse caso o vinho a ser consagrado é o chamado Vinho de Missa (***)

 

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pão levedado foi inventado no Egito, onde há cerca de 6 000 anos foi descoberta a fermentação. Pão é um alimento elaborado com farinha, geralmente de trigo, água e sal, que forma uma massa com consistência elástica o que permite moldar várias formas.

A esta mistura básica podem acrescentar-se vários ingredientes, inclusive frutas secas. As primeiras padarias da história surgiram em Jerusalém, porque os hebreus aprenderam com os egípcios as técnicas de fabricação e pouco tempo depois já existia na cidade uma famosa rua de padeiros. E como o vinho, o pão também viajou para Roma, por volta de 800 anos a.C., e lá foi criada a primeira escola para padeiros, tendo se tornado o principal alimento daquela civilização. Tanto que exercia também um papel político (panis et circenses – pão e circo – era o binômio manipulado pelos poderosos para “satisfazer” o povo!). O hábito de consumi-lo diariamente se expandiu por toda a Europa e no século XVII a França tornou-se destaque mundial na fabricação de pães, desenvolvendo técnicas aprimoradas de panificação.

(Padeiro do século XIV)

Mas somente em 1836 os franceses criaram a primeira fábrica de pães. E, na sequência, da baguette.

A Igreja Católica celebra, em todo o mundo, na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade — 60 dias depois do domingo de Páscoa — a festa do Corpo e Sangue de Deus, popularmente chamada de Corpus Christi.  Inclusive com a cerimônia conduzida pelo próprio Papa, em Roma, na Basílica de São João Latrão e pelas ruas de Roma, como esta com Francisco no ano passado.

Obs: (*) chama-se âmbula, ou cibório, ou píxide o recipiente onde se guardam as hóstias; (**) tudo indica que o vinho servido na Última Ceia foi produzido com a uva Shiraz, muito comum nas colinas da Palestina. E misturado com mel. (***) O Vinho de Missa segue o processo como os demais, porém acrescenta-se água ardente vínica para fortificar o vinho. E acrescenta-se também açúcar para ele durar mais, No Brasil ele é fabricado no Sul, pela Salton.

Bom feriado!

 

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