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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 29 de junho de 2018. São Pedro

Esta coluna prestou homenagem a Santo Antônio e São João, não seria justo esquecer de São Pedro, o santo que é tudo: pescador, ex-pecador, nome de vinho caríssimo, fundador da Igreja Católica e primeiro papa, chave de ouro das festas juninas..

Chamava-se Simão, ou Simeão. Nasceu em um vilarejo da Galileia,  nos primeiros anos era um moço como tantos, do seu tempo — pescador e pecador — até que junto com o seu irmão André foi convocado por João Evangelista para fazer parte do grupo mais próximo de seguidores de Cristo. E tornou-se um dos apóstolos preferidos por Jesus, que admirava sua liderança firme e lhe deu o nome de Petrus, que significa pedra, rocha.  Jesus (lhe) teria dito: “És Petrus! E sobre esta rocha construirei minha Igreja”.

 

E assim aconteceu. E perpetuado (perpetrado?) na extraordinária construção do espaço central da Praça do Vaticano, em Roma — a Basílica de São Pedro — que além de símbolo do Catolicismo, abriga tesouros da criatividade artística. Apenas um exemplos: a Pietá, de Michelangelo.

Mas a sua proximidade com Cristo e a sua liderança, exasperaram o Imperador — Nero — que ordenou a sua execução. Até aí, nenhuma surpresa, para quem tacou fogo em Roma e tentou matar a própria mãe. A surpresa veio do pedido de Pedro: ele queria (e foi atendido) ser crucificado de cabeça para baixo, por se julgar indigno de morrer na mesma posição de Cristo.

Vejam, abaixo, a reprodução da belíssima tela de Caravaggio (1601) que justifica o título.

sao-pedro

Morreu com 64 anos (muitos anos depois de Cristo) e o seu túmulo encontra-se sob o altar central da Basílica que leva o seu nome. Virou santo, é óbvio. Além de “fechador” (ah! as chaves!) das festas juninas,  São Pedro é, ainda,  porteiro do céu e padroeiro dos pescadores (porque faz cessar as tempestades no mar). Donde a festa nas comunidades pesqueiras, sobretudo no Norte e Nordeste do Brasil, quando o seu dia é comemorado em alto-mar, com uma procissão em meio às ondas (até de rios), como nesta imagem, no “rio-mar-amazonas”.

PROCISSÃO DE SÃO PEDRO PERCORRE O RIO NEGRO. FOTO de BRUNO KELLY / A CRÍTICA

Ah, sim, e nome de um dos vinhos mais caros do mundo, o Château Petrus. No rótulo — reparem! — está estampada a imagem dele segurando as chaves do céu. (Com esse vinho na taça, eu acho que as aqui da terra também!)

OBs: hoje também é dia de São Paulo, também e com ele fundador da Igreja de Roma.

 

Na umbanda, São Pedro é Xangô-Alufam (o que encaminha os desencarnados). Na cabala é o nº 4 e comanda também o nosso único chacra nas nossas costas, o sétimo chacra: kundallini. Planeta: Mercúrio.

E para os católicos que praticam orações, sugiro esta: “glorioso apóstolo São Pedro, com suas 7 chaves de ferro abra as portas dos meus caminhos, que se fecharam diante de mim, atrás de mim, à minha direita e à minha esquerda. Abra para mim os caminhos da felicidade, os caminhos financeiros, os caminhos profissionais e me dê a graça de poder viver sem os obstáculos.  Que assim seja.”

Amém!

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Rio, 24 de junho de 2018. São João, o santo festeiro

Domingo, 24 de junho, o Brasil nordestino estará celebrando o seu santo mais festeiro: São João. E o Brasil inteiro também. Mas é em Caruaru , Pernambuco e Campina Grande, Paraíba, que se acende a fogueira de verdade. Não só para ele, mas para os seus “irmãos” de junho: Antônio e Pedro.

Mas por quê se comemora assim, com fartura, fogos e barulho?

Primeiro, porque é o mês da colheita, sobretudo do milho,  princípio ativo,  da comilança “do arraiá” — por isso, come-se tudo que engorda:  canjica, mandioca em calda, bolo e broa de milho, doce de batata-doce, de abóbora, de cidra com rapadura –furundum– de mamão em pedaços, pão de cará, pão-de-ló cortado, paçoca, pé-de-moleque, batata-doce, mandioca, amendoim torrado, pipoca, pamonha, cuscuz e o que mais estiver no prato…

milho verde

Segundo, porque é uma herança européia.  De Portugal, veio o culto aos santos populares: mesa farta, prendas, namoros e simpatias; da França, a dança marcada — polca, minueto —  aqui transmutadas na quadrilha, com tradução “da casa” — en arrière, por exemplo, virou anarriê…

Dançando a quadrilha

E da China a tradição de soltar fogos de artifício, reduzida por aqui  a fogueiras, rojões e estalinhos.
fogueira de são joão

Além disso, o fogo — sobretudo na antiga Europa rural — é a interpretação pictórica do sol, celebrado nesse período pelo solstício de verão.  A foto abaixo é do Google, em cena na Rússia.

Mas… e São João Batista, quem foi?

Primo mais velho de Cristo — e quem o batizou. (vejam abaixo o belo quadro de Leonardo Da Vinci) — viveu uma vida extremamente difícil, mas com muita oração, passou a ser conhecido como profeta, enviado por Deus. Ele batizava a todos que se arrependiam. Era humilde e discreto. E, no entanto, a sua festa é a mais barulhenta e “exibida” das três!

batismo de Cristo

De tal forma, que segundo a  “liturgia popular”, a sua fogueira tem a base arredondada, enquanto a de Santo Antônio é quadrada e a de São Pedro triangular (sic  Luiz Antonio Simas, O Globo de 19/6/2018).

Mas por falar em fogos,  reza a lenda que Maria e Isabel (mão de João) ficaram grávidas ao mesmo tempo e devido às lonjuras da Palestina e dificuldades de contato, teriam combinado que aquela que tivesse filho primeiro, a avisaria à outra por um sinal. E assim que nasceu João, Isabel ateou fogo a um pinheiro para enviar o sinal… Daí a tradição do pinheiro de Natal todo iluminado…

São João é Xangô, na Umbanda, aqui lindamente celebrado por Caetano e Gil.

São João protege a amizade, a justiça, a saúde e o conhecimento dos que rezam para ele. Viva São João!

PS: e Xangô ainda é guloso.

 

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Rio, 13 de junho de 2018. E Viva Santo Antonio

Ele nasceu em Lisboa, em 1191 e foi batizado como Fernando.  Em 1220 tornou-se franciscano e adotou o nome de António. Morreu em Pádua, em 13 de junho de 1231.  Foi santificado um ano depois de morrer, em 1232, uma das mais rápidas canonizações da história da Igreja. É um dos santos mais populares no Brasil e em Portugal. É padroeiro de Lisboa e Pádua, dos pobres, mulheres grávidas, casais e “quem quer” que deseje encontrar objetos perdidos. (*)
Santo Antonio
Obs: esta bela imagem me foi cedida pelo João Cândido Portinari, filho do artista, que posou como Menino Jesus para este quadro a óleo, célebre, pintado pelo gênio de Brodowski, SP, em 1942.

Mas é um santo sempre ocupado!

Primeiro, porque como ele é o santo “achador de coisas” — segundo o Padre Jorjão, (*) que sabe tudo e mais 10  e segundo o qual ele é melhor até do que São Longuinho para achar coisas perdidas — e entre esse “não achados” estaria o bom rapaz para as meninas casamenteiras. E como no interior, antigamente, os moços e moças sabendo da sua fama iam às missas do dia 13, muito casamentos resultaram desses encontros. Donde o santo casamenteiro. Um enredo menos romântico, e espanhol “por supuesto”, conta de uma jovem que tendo feito piamente uma novena para Santo Antônio (em “brasileiro” o acento é circunflexo) e não tendo encontrado pretendente, jogou – zangada — a estátua dele pela janela. E a estátua (claro!) caiu na cabeça de um caixeiro-viajante que passava. Este gritou tanto que ela foi correndo ajudá-lo. Levou-o para dentro e tratou de seu ferimento com tanto carinho que … adivinhem o desfecho!

Numa vertente menos belicosa, mas não menos sacana, havia a tradição de colocar Santo Antonio de cabeça pra baixo num copo d’água, até aparecer o noivo.

Curiosidade: nunca soube de homem pedindo noiva para Santo Antônio! E para concluir esse lado cupido há uma leitura complementar que reforça esta associação entre Santo Antonio e o casamento.  Na maioria das imagens, ele “aparece” carregando um bebê (Menino Jesus) nos braços. Na projeção feminina, como convém a um maridão bom pai!

Segundo, porque o povo chama de santoantonio, tudo junto, aquele cepilho (morrinho) da sela de cavalos que os  inexperientes (se) agarram pra não voarem fora no galope. (Achar o equilibrio?) Parece que se usa o termo, também, para a peça que protege a cabeça nos jipes e carros conversíveis.

E terceiro,  porque é ele quem abre as festas juninas em todo o Brasil. E haja trabalho!, sobretudo no Nordeste onde elas duram o mês inteiro e são mais populares do que o próprio Carnaval. Dança-se quadrilha — congada, em Minas, bumba meu boi, no Maranhão — montam-se arraiais, quermesses, fogueiras e folguedos. E haja sanfona, matracas, triângulo …

Dançando a quadrilha

 

E come-se tudo que engorda.

milho verde

Salgados, sobretudo feitos com milho,  já que é o mês da colheita, além de leitão, frango da roça, bolinhos de carne, linguiça assada, mungunzá, queijo coalho, etc. E doces: arroz-doce, canjica, mandioca em calda, bolo de fubá e de milho, doce de batata-doce, de abóbora, de cidra com rapadura –furundum– de mamão em pedaços, pão de cará, pão-de-ló cortado, paçoca, pé-de-moleque, batata-doce e o que mais estiver no prato.
E bebe-se. Além de muita pinga,  o tradicional quentão de vinho, uma espécie de grogue europeu traduzido “pro arraiá”.
Aí vai uma receita compartilhada a esmo, do youtube. É servido em copinhos de vidro “sem asas” ou em canecas. Alguns, ganham uma colher de chantilly com canela em pó por cima.

Bom, tudo muito bonito, adoro Santo Antonio mas, com todo o respeito, pergunto eu: não dava pra ele “achar” um vinhozinho sem tanto gari-gari em cima?

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Rio, 7 de junho de 2018. Vinhos responsáveis

Esta semana comemorou-se o Dia Mundial do Meio Ambiente (5/6) e a indústria do vinho cada vez mais se mostra comprometida com a redução do impacto que a sua produção possa causar na vinha, no vinho e em toda a linha de montagem humana que opera o ciclo que se inicia na terra e deságua (desvinha?! ) na taça do consumidor final. Para atingir essa “obrigação” e como propõe um interessante editorial da Revista Vinitude, do Clube dos Vinhos, datado de 2014, “as vinícolas de hoje e do futuro têm que recorrer ao uso inteligente (inclusive artificial) da mais alta tecnologia para reduzir o consumo de água, energia e combustível em todas as fases do processo; o que implica optar pela utilização de garrafas mais leves, materiais recicláveis e reciclados para a embalagem e rótulos dos vinhos. E também, e sobretudo, ter como prioridade o respeito e a remuneração pelo trabalho dos “operários do vinho” que se dedicam ao cultivo das videiras, da colheita, do processamento das uvas, da manipulação da cortiça, da vinificação …”

Mas grandes avanços já foram conquistados com a introdução do cultivo (e consumo) de vinhos naturais, vinhos orgânicos e vinhos biodinâmicos.

E quais as diferenças?

Vinhos Naturais. São uma espécie de genérico dos orgânicos e biodinâmicos. São produzidos sem nenhuma adição de sulfito. O sulfito é uma espécie de satanás dos vinhos. Mas são permitidos outros pesticidas para defender o solo e agradar ao paladar.

Vinhos orgânicos

Foi a primeira revolução. São aqueles produzidos a partir de parreiras sobre as quais não se apliquem agrotóxicos, herbicidas, pesticidas e outras químicas, para combater as pragas, corrigir o solo, etc.

A agricultura orgânica acredita que dispensar o uso de pesticidas e fertilizantes químicos faz com que a uva nos ofereça maior pureza em seus sabores e possa melhor refletir as características da terra onde foi plantada. Tanto que no cultivo de vinhas orgânicas, as ervas daninhas que crescem ao lado do parreiral são comidas por gansos, até o desenvolvimento dos cachos. Além disso, usam-se vespas para combater aranhas que furam as uvas, aveia plantada entre as fileiras do vinhedo para fertilizá-lo, insolação privilegiada para o combate os fungos – e outras soluções criativas — como plantar os parreirais na encosta que dá para o leste, porque o sol da manhã é bactericida.

No Brasil, o primeiro vinho certificadamente orgânico foi apresentado ao mercado em 1997: o Cabernet Sauvignon Juan Carrau Orgânico.

 

E nós estamos bem na fita. A Vinícola Garibaldi carimba todos os seus vinhos com o selo da ECOCER          (do Minstério da Agricultura) e as suas garrafas são 22% mais leves do que as convencionais.  Também no RGS, em Dom Pedrito, a Vinícola Guatambu montou parques solares (600 painéis) que suprem 100% da iluminação e do aquecimento das áreas protegidas.

Vinhos biodinâmicos

Estes são produtos de parreiras e cultivo quase místicos!  A agricultura biodinâmica foi desenvolvida a partir da filosofia do austríaco Rudolf Steiner que em 1924 propôs aplicar no campo a antroposofia, ou seja, um ecossistema auto-sustentável no qual os resíduos orgânicos devem ser reciclados e assim retornarem novamente ao sistema original.

Além disso, a biodinâmica obedece à influência de forças cósmicas, em especial da Lua e do Sol, para a os movimentos do ciclo produtivo do vinho: plantio, poda, fertilização, colheita, vinificação e engarrafamento. Na seca, utilizam-se algas marinhas. Nas floradas, arnica. “Não quero fazer um grande vinho: quero fazer um vinho verdadeiro”, diz um dos papas da biodinâmica, o aristocrata francês Nicolas Joly que em 1977  largou os seus negócios em Paris e foi cuidar da vinícola da família (parreiras de 1130!) —  La Coulée de Serrant – no Loire, transformando-a num laboratório biodinâmico.               

Outro case sensacional foi a passagem do mais famoso vinhedo do mundo – La Domaine de La Romanée-Conti, em 2007, — do método tradicional para o biodinâmico, com a conversão do seu sócio-proprietário, o legendário Aubert de Villaine,  para o clube da produção de “vinhos “responsáveis”.  A tal ponto,  que até o uso dos cavalos foi reintroduzido no preparo do terreno, para não “ofender” o solo, como ocorre com o uso de máquinas.

Ou seja, esses “poetas da vinha” não abraçam só um sistema de produção agrícola, mas uma filosofia de vida,  segundo a qual (como na moderna medicina) o projeto existencial deve se orientar para a prevenção – e não para a doença — que é o enlouquecimento das células. 

E vamos mais longe: um exemplo emblemático de “pensar século XXI” é a experiência da Lifford Wine Aggency que, em parceria com a também americana Californian Winery, iniciou a elaboração de um vinho ecológico,  especialmente dirigido ao mercado canadense: o Plantatree.  As garrafas são PET biodegradáveis, os rótulos impressos em papel reciclado e ilustrados com tintas orgânicas. E para cada garrafa de vinho vendida, uma árvore será plantada no solo canadense. Já a Astrid Terzian, francesa, usa garrafas de vinho refiladas. O cliente compra, bebe e leva lá para reencher pagando 1/3 do valor de face.

O elo que precisa atualmente ser melhor trabalhado é a mobilização do consumidor final  para que ele “responda” a essa mudança de relação terra- tecnologia- mercado- saúde, adotando e compartilhando, cada dia mais, de um lado,  bebendo com critério e responsabilidade e, do outro, apoiando na escolha esses vinhos ambientalmente comprometidos com a sobrevivência do planeta. E nele, dos nossos filhos, netos, bisnetos e do cacho de uvas que há de nascer sadio em 3018!

Saúuuuude – com trocadilho!

 

 

 

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Rio, 5 de junho de 2018. Vinhos sustentáveis

A celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente (5/6), suscita algumas considerações  sobre a produção responsável de vinhos e os
impactos dessa produção no ecossistema do planeta.
Nesse sentido, reproduzo um interessante editorial da Revista Vinitude, do Clube dos Vinhos, datado de 2014.
“A proteção ambiental (na indústria do vinho) significa não apenas cuidar da terra e das vinhas, mas recorrer ao uso inteligente da tecnologia para reduzir o consumo de água, energia e combustível durante todo o processo, bem como a utilização de garrafas mais leves, além de
materiais recicláveis e reciclados para a embalagem dos vinhos. E
também, e sobretudo, o respeito pelo trabalho dos vinicultores
tradicionais e pela sua relação com a terra; visando o bem estar
social e econômico dos profissionais que trabalham na criação dos
vinhos, no cultivo das videiras, na colheita e processamento das uvas, na
manipulação da cortiça …” Bom, mas grandes avanços já foram
conquistados nessa direção, com a produção de vinhos orgânicos e
vinhos biodinâmicos.
Qual a diferença?
Vinhos orgânicos. As uvas são cultivadas de forma totalmente natural, sem
inseticidas, pesticidas nem agrotóxicos, embora a legislação permita a
adição de substâncias químicas (inclusive o sulfito em doses
reduzidíssimas) para conservação ou correção de sabor. Ou seja, o que
os diferenciam das vinhas tradicionais é que estesnão admitem o anidrido
sulfuroso — o SO2.
Além disso, a agricultura orgânica acredita que dispensar o uso de pesticidas e
fertilizantes químicos faz com que a uva nos ofereça maior pureza em seus
sabores e possa melhor refletir as características da terra onde foi plantada.
Para isso, no cultivo de vinhas orgânicas, as ervas daninhas que crescem ao lado
do parreiral são comidas por gansos e usam-se vespas para combater aranhas
que furam as uvas. Para fertilizar as fileiras do vinhedo utiliza-se aveia e os
novos parreirais são plantados nas encostas que dão para o leste, porque o sol
da manhã é bactericida.
No Brasil, o primeiro vinho certificadamente como orgânico foi apresentado ao
mercado em 1997: o Cabernet Sauvignon Juan Carrau Orgânico.
Vinhos biodinâmicos

Estes são produtos de parreiras eterroir quase místicos! A agricultura
biodinâmica foi desenvolvida a partir de oito conferências do filósofo austríaco
Rudolf Steiner, proferidas a agricultores da Alemanha, em 1924 onde
apresentou uma visão alternativa de agricultura baseada na ciência espiritual da
antroposofia, lançando os fundamentos do que seria a agricultura biodinâmica.
Ou seja, um ecossistema autossustentável, no qual os resíduos orgânicos devem
ser reciclados e assim retornar novamente ao sistema.
Além disso, a biodinâmica considera a influência de forças cósmicas,
em especial da Lua e do Sol, para a determinação das práticas
culturais a serem realizadas, tais como: plantio, poda, fertilização,
colheita, vinificação, engarrafamento, entre outras.
Pode-se descrever como princípios do cultivo biodinâmico: Valorização do solo
e da planta em seu habitat natural, através do uso de preparados e compostos de
origem vegetal, animal e mineral; aplicações dos compostos em épocas precisas,
levando em consideração as influências astrais e os ciclos da natureza; aplicação
dos preparados biodinâmicos em doses homeopáticas; preparados biodinâmicos
de plantas medicinais com a finalidade de prevenção de doenças nas plantas;
cobertura verde entre as filas de videira para controle de nematoides, proteção
do solo; adubação verde; e utilização do calendário biodinâmico para a
realização das atividades vitícolas.
Próximo passo importante: como, a rigor, não é o vinho que é orgânico, porque o que é
orgânica, ou biológica (como designam os franceses) é a vinha, que uma nova legislação
só certifique de VINHOS SUSTENTÁVEIS aqueles em que todas as etapas do
ciclo que se inicia com o plantio da parreira e se completa com a
presença do vinho na taça, se realizem com a mais séria
responsabilidade ambiental.

e não, necessariamente, o vinho dela resultante. Ou seja: o que a legislação
exige para conceder a “certificação biológica” é que os vinhos sejam produzidos
a partir de parreiras sobre as quais não se apliquem agrotóxicos, herbicidas,
pesticidas e outras químicas, para combater as pragas, corrigir o solo, etc.
Mas permite a adição de substâncias químicas (inclusive o sulfito em doses
reduzidíssimas) para conservação ou correção de sabor e resistência à
exportação (longas viagens).
Além disso, a agricultura orgânica acredita que dispensar o uso de pesticidas faz
com que a uva nos ofereça maior pureza em seus sabores e possa melhor refletir
as características da terra onde foi plantada.
Por exemplo: as ervas daninhas que crescem ao lado do parreiral são comidas
por gansos, até o desenvolvimento dos cachos. A partir daí, os gansos são
retirados – visto que comem as uvas – e o corte passa a ser feito por
trabalhadores. Outra "vinhateira" é a joaninha, o terror das lagartas que ela
devora. Por conta disso, e como nos conta o Pedro Mello e Souza, ela é a musa
dos rótulos do vinho francês Coccinelle de Grolet e do português Casa Amarela.

O exemplo mais emblemático é o do vinhedo mais famoso do mundo — La
Domainde de la Romanée-Conti. Todo o parreiral de Pinot Noir
éorgânico desde 1985 e o seu proprietário, o célebre Aubert Villaine, deu um
passo à frente em 2007 e partiu para cultivobiodinâmico. Até mesmo o uso
dos cavalos foi reintroduzido no processo (usado para não compactar o solo,
como ocorre com o uso de máquinas).

Curiosidade: nos vinhedos ecológicos, usam-se vespas para combater aranhas
que furam as uvas, aveia plantada entre as fileiras do vinhedo para fertilizá-lo,
insolação privilegiada para o combate dos fungos – e outras soluções criativas —
como plantar os parreirais na encosta que dá para o leste, porque o sol da
manhã é bactericida.
No Brasil, o primeiro vinho certificadamente como orgânico foi apresentado ao
mercado em 1997. O Cabernet Sauvignon Juan Carrau Orgânico, um vinho com
grande personalidade e características marcantes.
Biodinâmicos. Os vinhos biodinâmicos são produtos de parreiras e de terroir —
quase místicos! A agricultura biodinâmica foi desenvolvida a partir de oito
conferências do filósofo austríaco Rudolf Steiner, proferidas a plantadores da
Alemanha, em 1924, onde apresentou a proposta de um ecossistema
autossustentável, no qual os resíduos orgânicos devem ser reciclados e assim
retornar novamente ao sistema.
O mais famoso profeta da cultura biodinâmica, Nicolas Joly,

um aristocrata francês que largou os negócios da família
há 20 anos para ser vitivinicultor biô, como dizem os franceses, utiliza na seca,
algas marinhas. E nas floradas, arnica, para cuidar de suas parreiras.
"Não quero fazer um grande vinho: quero fazer um vinho verdadeiro", diz ele.
Além disso, a biodinâmica considera essencial a influência de forças cósmicas,
em especial da Lua e do Sol, para a determinação das práticas culturais a serem
realizadas, tais como: plantio, poda, fertilização, colheita, vinificação,
engarrafamento, entre outras.
Pode-se descrever como princípios do cultivo biodinâmico as seguintes
"cláusulas pétreas". Valorização do solo e da planta em seu habitat natural,
através do uso de preparados e compostos de origem vegetal, animal e mineral.
Aplicações dos compostos em épocas precisas, levando em consideração as
influências astrais e os ciclos da natureza. Aplicação dos preparados
biodinâmicos em doses homeopáticas. Preparados biodinâmicos de plantas
medicinais, com a finalidade de prevenção de doenças nas plantas. Proteção do
solo: adubação verde e utilização do calendário biodinâmico para a realização
das atividades vitivinícolas.

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