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Rio, 5 de junho de 2018. Vinhos sustentáveis

A celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente (5/6), suscita algumas considerações  sobre a produção responsável de vinhos e os
impactos dessa produção no ecossistema do planeta.
Nesse sentido, reproduzo um interessante editorial da Revista Vinitude, do Clube dos Vinhos, datado de 2014.
“A proteção ambiental (na indústria do vinho) significa não apenas cuidar da terra e das vinhas, mas recorrer ao uso inteligente da tecnologia para reduzir o consumo de água, energia e combustível durante todo o processo, bem como a utilização de garrafas mais leves, além de
materiais recicláveis e reciclados para a embalagem dos vinhos. E
também, e sobretudo, o respeito pelo trabalho dos vinicultores
tradicionais e pela sua relação com a terra; visando o bem estar
social e econômico dos profissionais que trabalham na criação dos
vinhos, no cultivo das videiras, na colheita e processamento das uvas, na
manipulação da cortiça …” Bom, mas grandes avanços já foram
conquistados nessa direção, com a produção de vinhos orgânicos e
vinhos biodinâmicos.
Qual a diferença?
Vinhos orgânicos. As uvas são cultivadas de forma totalmente natural, sem
inseticidas, pesticidas nem agrotóxicos, embora a legislação permita a
adição de substâncias químicas (inclusive o sulfito em doses
reduzidíssimas) para conservação ou correção de sabor. Ou seja, o que
os diferenciam das vinhas tradicionais é que estesnão admitem o anidrido
sulfuroso — o SO2.
Além disso, a agricultura orgânica acredita que dispensar o uso de pesticidas e
fertilizantes químicos faz com que a uva nos ofereça maior pureza em seus
sabores e possa melhor refletir as características da terra onde foi plantada.
Para isso, no cultivo de vinhas orgânicas, as ervas daninhas que crescem ao lado
do parreiral são comidas por gansos e usam-se vespas para combater aranhas
que furam as uvas. Para fertilizar as fileiras do vinhedo utiliza-se aveia e os
novos parreirais são plantados nas encostas que dão para o leste, porque o sol
da manhã é bactericida.
No Brasil, o primeiro vinho certificadamente como orgânico foi apresentado ao
mercado em 1997: o Cabernet Sauvignon Juan Carrau Orgânico.
Vinhos biodinâmicos

Estes são produtos de parreiras eterroir quase místicos! A agricultura
biodinâmica foi desenvolvida a partir de oito conferências do filósofo austríaco
Rudolf Steiner, proferidas a agricultores da Alemanha, em 1924 onde
apresentou uma visão alternativa de agricultura baseada na ciência espiritual da
antroposofia, lançando os fundamentos do que seria a agricultura biodinâmica.
Ou seja, um ecossistema autossustentável, no qual os resíduos orgânicos devem
ser reciclados e assim retornar novamente ao sistema.
Além disso, a biodinâmica considera a influência de forças cósmicas,
em especial da Lua e do Sol, para a determinação das práticas
culturais a serem realizadas, tais como: plantio, poda, fertilização,
colheita, vinificação, engarrafamento, entre outras.
Pode-se descrever como princípios do cultivo biodinâmico: Valorização do solo
e da planta em seu habitat natural, através do uso de preparados e compostos de
origem vegetal, animal e mineral; aplicações dos compostos em épocas precisas,
levando em consideração as influências astrais e os ciclos da natureza; aplicação
dos preparados biodinâmicos em doses homeopáticas; preparados biodinâmicos
de plantas medicinais com a finalidade de prevenção de doenças nas plantas;
cobertura verde entre as filas de videira para controle de nematoides, proteção
do solo; adubação verde; e utilização do calendário biodinâmico para a
realização das atividades vitícolas.
Próximo passo importante: como, a rigor, não é o vinho que é orgânico, porque o que é
orgânica, ou biológica (como designam os franceses) é a vinha, que uma nova legislação
só certifique de VINHOS SUSTENTÁVEIS aqueles em que todas as etapas do
ciclo que se inicia com o plantio da parreira e se completa com a
presença do vinho na taça, se realizem com a mais séria
responsabilidade ambiental.

e não, necessariamente, o vinho dela resultante. Ou seja: o que a legislação
exige para conceder a “certificação biológica” é que os vinhos sejam produzidos
a partir de parreiras sobre as quais não se apliquem agrotóxicos, herbicidas,
pesticidas e outras químicas, para combater as pragas, corrigir o solo, etc.
Mas permite a adição de substâncias químicas (inclusive o sulfito em doses
reduzidíssimas) para conservação ou correção de sabor e resistência à
exportação (longas viagens).
Além disso, a agricultura orgânica acredita que dispensar o uso de pesticidas faz
com que a uva nos ofereça maior pureza em seus sabores e possa melhor refletir
as características da terra onde foi plantada.
Por exemplo: as ervas daninhas que crescem ao lado do parreiral são comidas
por gansos, até o desenvolvimento dos cachos. A partir daí, os gansos são
retirados – visto que comem as uvas – e o corte passa a ser feito por
trabalhadores. Outra "vinhateira" é a joaninha, o terror das lagartas que ela
devora. Por conta disso, e como nos conta o Pedro Mello e Souza, ela é a musa
dos rótulos do vinho francês Coccinelle de Grolet e do português Casa Amarela.

O exemplo mais emblemático é o do vinhedo mais famoso do mundo — La
Domainde de la Romanée-Conti. Todo o parreiral de Pinot Noir
éorgânico desde 1985 e o seu proprietário, o célebre Aubert Villaine, deu um
passo à frente em 2007 e partiu para cultivobiodinâmico. Até mesmo o uso
dos cavalos foi reintroduzido no processo (usado para não compactar o solo,
como ocorre com o uso de máquinas).

Curiosidade: nos vinhedos ecológicos, usam-se vespas para combater aranhas
que furam as uvas, aveia plantada entre as fileiras do vinhedo para fertilizá-lo,
insolação privilegiada para o combate dos fungos – e outras soluções criativas —
como plantar os parreirais na encosta que dá para o leste, porque o sol da
manhã é bactericida.
No Brasil, o primeiro vinho certificadamente como orgânico foi apresentado ao
mercado em 1997. O Cabernet Sauvignon Juan Carrau Orgânico, um vinho com
grande personalidade e características marcantes.
Biodinâmicos. Os vinhos biodinâmicos são produtos de parreiras e de terroir —
quase místicos! A agricultura biodinâmica foi desenvolvida a partir de oito
conferências do filósofo austríaco Rudolf Steiner, proferidas a plantadores da
Alemanha, em 1924, onde apresentou a proposta de um ecossistema
autossustentável, no qual os resíduos orgânicos devem ser reciclados e assim
retornar novamente ao sistema.
O mais famoso profeta da cultura biodinâmica, Nicolas Joly,

um aristocrata francês que largou os negócios da família
há 20 anos para ser vitivinicultor biô, como dizem os franceses, utiliza na seca,
algas marinhas. E nas floradas, arnica, para cuidar de suas parreiras.
"Não quero fazer um grande vinho: quero fazer um vinho verdadeiro", diz ele.
Além disso, a biodinâmica considera essencial a influência de forças cósmicas,
em especial da Lua e do Sol, para a determinação das práticas culturais a serem
realizadas, tais como: plantio, poda, fertilização, colheita, vinificação,
engarrafamento, entre outras.
Pode-se descrever como princípios do cultivo biodinâmico as seguintes
"cláusulas pétreas". Valorização do solo e da planta em seu habitat natural,
através do uso de preparados e compostos de origem vegetal, animal e mineral.
Aplicações dos compostos em épocas precisas, levando em consideração as
influências astrais e os ciclos da natureza. Aplicação dos preparados
biodinâmicos em doses homeopáticas. Preparados biodinâmicos de plantas
medicinais, com a finalidade de prevenção de doenças nas plantas. Proteção do
solo: adubação verde e utilização do calendário biodinâmico para a realização
das atividades vitivinícolas.

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